sexta-feira, 13 de abril de 2012

BODEGUITA DEL MEDIO

Aquele que muitos identificam como o restaurante mais emblemático de Cuba, “La Bodeguita del Medio” cumpre o seu 70.º aniversário e durante todo o mês de Abril decorrerão aí vários encontros subordinados a temas culturais e gastronómicos, assim como à evocação de algumas individualidades que frequentaram o espaço, desde chefes de estado a distinguidos escritores, passando por actores de cinema ou famosos músicos, culminando as celebrações com um jantar de gala no dia 26.

Corria o ano de 1942 quando Ângel Martinez compra uma pequena “adega” na “Calle Empedrado” em Havana Velha, junto à Praça da Catedral, convertendo-a em “Casa Martinez” onde se vendiam alguns produtos típicos e se serviam refeições, principalmente aos funcionários dos ministérios instalados nas proximidades. Esta seria o embrião da actual “Bodeguita del Medio” onde, graças ao prestígio alcançado pela qualidade dos seus serviços, passaram a acorrer as mais relevantes personalidades nacionais e internacionais, destacando-se, entre muitas outras, Alejo Carpentier, Brigitte Berdot, Ernest Hemingway, Errol Flyn, Gabriel Garcia Marquez, Mário Benedetti, Nat King Cole ou Pablo Neruda, apreciadores da autêntica comida crioula confeccionada por Sílvia Torres “La China”, que durante muitos anos comandou a cozinha deste mítico restaurante.

Naquela época, em Cub
a, quase todos os restaurantes modestos ou adegas se situavam estrategicamente, para maior visibilidade, nas esquinas dos extremos das ruas e esta “bodega” diferenciava-se das outras, pois não se tratava de uma “bodega” qualquer, mas sim a do meio de uma rua como era conhecida pelos clientes, dando assim origem ao nome que ostenta desde 26 de Abril de 1950 como “La Bodeguita del Medio” e onde se pode degustar, entre outras iguarias, “arroz blanco”, “frijoles negros”, “pierna de cerdo”, “yuca con mojo”, “masas de puerco”, “pierna de puerco asada en su jugo”, “chicharrones” ou “tostones”, tudo acompanhado pela mais famosa bebida da casa, o genuíno “mojito”, constituído por rum branco, sumo de limão, açúcar mascavado, hortelã, angostura, soda e gelo. Há dias em que são confeccionados mais de mil "mojitos" servidos no restaurante ou no bar que está aberto a partir das 10 horas da manhã e até altas horas da noite.

Nas suas mesas e paredes têm sido deixadas inúmeras mensagens escritas nas mais
diversas línguas que cobrem e se sobrepõem em todo o espaço, algumas inteligíveis e outras de enigmáticos hieróglifos de difícil compreensão, mas todas da maior importância para assinalar uma efémera passagem pelo local ou a confirmação de anteriores visitas. Um dos escritos mais famosos é o de Hemingway que referiu: “My mojito in La Bodeguita, my daiquiri in El Floridita” .

Actualmente e através de convénios, existem muitos estabelecimentos com o mesmo nome espalhados pelo mundo, como, Alemanha, Argentina, Austrália, Bolívia, Colômbia, Espanha, França, Inglaterra, Líbano, Macedónia, México, República Checa, Ucrânia e Venezuela.


Passagem obrigatória para todo o turista que se preze, é caso para perguntar: quem já viajou para Cuba, esteve em Havana e não foi à “La Bodeguita del Medio”? É quase como ir a Roma e não ver o Papa!


(Por Celino Cunha Vieira, in Semanário Comércio do Seixal e Sesimbra de 13/04/2012)

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