segunda-feira, 30 de maio de 2011

JORNADAS LUSO-CUBANAS 2011

Passado quase um mês após a inauguração das “Jornadas Luso-Cubanas 2011” que teve lugar no dia 30 de Abril no Salão Nobre do Palácio Marquês de Pombal em Oeiras, a Delegação Cubana vinda de Baracoa está prestes a terminar o seu périplo pelo nosso país, deixando atrás de si laços inquebrantáveis de amizade com todos aqueles com quem contactaram, numa cabal demonstração de que quando se sonha tudo é possível e que os povos, na sua verdadeira essência, sabem conviver e estar receptivos a uma fraternal troca de experiências.

Para estas Jornadas foram escolhidos propositadamente representantes do Município de Baracoa por ser o mais antigo de Cuba, estando a comemorar os seus 500 anos de fundação e por permanecer o vínculo histórico e cultural mais remoto entre os dois países, já que, quando Cristóvão Colombo aí aportou, deu ao lugar o nome de Porto Santo, em homenagem à nossa ilha no arquipélago da Madeira, onde teria passado a sua Lua-de-mel. É também aqui onde ainda permanece uma cruz original de madeira trazida pelos primeiros missionários e que foi abençoada por João Paulo II durante a sua visita à Ilha em 1998.

A Delegação do oriental Município de Baracoa é representativa de várias manifestações culturais como música, dança e artes plásticas, assim como por profissionais de história, arqueologia, meio ambiente e educação.

Em contacto com os integrantes da Delegação tive oportunidade de recolher as suas impressões sobre o nosso país, constatando como estabelecem semelhanças entre os dois povos, nomeadamente a hospitalidade, a simpatia e a generosidade.

Este projecto, que contou com o apoio de várias instituições, teve início em Oeiras e irá terminar no dia 31 de Maio no Centro Cultural e Desportivo da Segurança Social de Lisboa e Vale do Tejo, tendo passado pela Casa da América Latina (Lisboa), Porto Santo, Funchal, Montemor-o-Novo, Bragança, Santarém, Moita, S.Sebastião (Setúbal), Alto Seixalinho (Barreiro), Samouco (Alcochete) e Cuba do Alentejo.

De salientar que Portugal e Cuba mantêm relações bilaterais permanentes desde há 92 anos e que já mesmo antes havíamos possuído por alguns períodos representação diplomática, destacando-se a do nosso famoso Eça de Queirós, que em 1872 e com apenas 27 anos assumiu o cargo de Cônsul de Portugal em Havana, onde permaneceu até 1874. Essa passagem do nosso romancista está hoje bem patente no local que ele frequentava diariamente, o café “La Columnata Egipciana” na “calle Mercadores” em Havana Velha, constituindo mais um ponto de visita para todos os portugueses que forem a Cuba.

(In Semanário Comércio do Seixal e Sesimbra de 27/05/2011)

sexta-feira, 20 de maio de 2011

SESSÃO DE HOMENAGEM A JOSÉ MARTI

Falar de José Marti não é tarefa fácil. A sua obra é tão vasta que cada pensamento, verso ou parágrafo das suas inúmeras cartas e discursos, levar-nos-ia a quase dissecar palavra por palavra,

Assinala-se hoje, 19 de Maio, a data em que, com apenas 42 anos de idade, José Marti morreu em combate pela independência de Cuba face ao domínio espanhol, tendo sido mutilado pelos soldados inimigos e exibidos os seus restos mortais à população.

Filho de pais espanhóis, Marti nasce em Havana no dia 28 de Janeiro de 1853 e ainda bem jovem, influenciado pelas ideias separatistas do seu professor o poeta Rafael Maria Mendive, publica aos 16 anos o seu primeiro manifesto patriótico em verso, o “Abdala”, estabelecendo como prioridade para a sua vida acabar com o absurdo de às portas do século XX ainda os países da América Latina serem governados por europeus, iniciando a sua luta pela independência de todas as colónias, incluindo a cubana.

Preso várias vezes por motivos políticos, é deportado para Espanha, onde faz os seus estudos superiores primeiro em Madrid e depois em Saragoça, licenciando-se em Direito, Letras e Filosofia. Muda-se para França, depois para o México, onde casa com Cármen Bazón e em seguida para a Guatemala, onde, dotado de uma vastíssima cultura geral, lecciona na Universidade Nacional, acabando por se radicar em Nova Iorque, trabalhando como jornalista, a par da sua actividade de poeta e escritor.

Por isso, a Associação Portuguesa José Marti pretende criar um grupo de estudo e discussão, de modo a que em Portugal se possa desenvolver um trabalho de divulgação deste grande ideólogo tão desconhecido no nosso país e em praticamente toda a Europa.

Como escritor, José Marti foi um dos percursores do modernismo iberoamericano, publicando centenas de poemas, novelas e dramas, para além de cartas e artigos de jornal. A letra da música “Guantanamera”, conhecida internacionalmente como símbolo da Ilha, foi retirada do seu poema “Versos Sensillos” dedicado ao amor, à mulher e à pátria.

Nas suas andanças por vários países, Marti consolidou o seu pensamento sobre a libertação das Américas e no meio das vozes anticoloniais do século XIX, surge a de José Martí contra todas as formas de dominação colonial, em especial àquelas que levam à dependência, sobretudo em relação ao que se organizava já na América do Norte e que constituía uma ameaça real para os países do centro e do sul.

Ao escrever “Nuestra América”, publicado em janeiro de 1891 num jornal mexicano, José Martí trás para a ordem do dia, o problema da identidade latino-americana que, para ele, passava num primeiro momento, pela organização da guerra contra os espanhóis e, num segundo momento, por um processo educacional que garantisse a dignidade de todos, contra a emergente pretensão de domínio vinda do norte.

Ao perceber essa realidade, Martí propõe a união dos povos latinos como o caminho necessário à integração continental num processo que desencadeasse o despertar contra a opressão social e cultural. Em rigor, Martí propõe a união dos latino-americanos, mas conservando a autonomia e as particularidades de cada país para fazer frente ao neocolonialismo.

O reconhecimento das diferenças e a educação do homem latino-americano colocavam-se como questões imprescindíveis para se alcançar uma saída comum para a América Latina. Para o libertador, uma das causas do processo de opressão e destruição das culturas destes países, era a desunião entre os povos que, fatalmente, possibilitou a ação avassaladora primeiro sobre os indígenas, posteriormente sobre os negros e por fim sobre todos os latinos-americanos.

A sua análise sobre o papel da educação e a importância da cultura para o desenvolvimento do povo, levam-no a ter em consideração o aspecto integral do homen e à consolidação da sua própria identidade. Isto explica o seu combate aos que pretendiam apagar a história dos povos da América, em prol de uma nova civilização estranha e desconhecida.

Segundo Martí, as administrações das futuras repúblicas independentes teriam de conhecer com profundidade os elementos de que era constituída a sua terra, pois só assim seriam capazes de governar no sentido de se obter uma vida digna. O governo de um povo deveria surgir da sua própria terra.

A sua tese era de que nenhum povo poderia fazer frente às suas dificuldades se não tivesse bem presente a sua história e a memória dos seus antepassados. O governante só poderia cumprir bem o seu papel administrativo se o seu conhecimento estivesse em conformidade com o seu povo, de modo a livrá-lo de todas as formas de tirania.

Assim sendo, a história deveria ser estudada, não só para a conhecer, mas também para a confrontar com os seus problemas, pois, somente conhecendo-a e tornando-a conhecida, a mesma seria respeitada.

Martí, profundamente ligado ao seu tempo, não abria mão da procura constante do crescimento do seu povo. Entendia que era preciso empreender uma cruzada para revelar aos homens a sua natureza e, através dos estudos científicos, promover a independência pessoal e social de Cuba e de toda a América Latina.

Para que os ideais de José Marti não fossem esquecidos e para perpetuar a sua obra, foi construído em Havana um Memorial situado na Praça da Revolução, onde através de exposições permanentes e temporárias se pode conhecer um pouco melhor a sua personalidade, constituindo passagem obrigatória para quem visita a capital cubana.

A sua visão do mundo em pleno século XIX, levou-o a profetizar tudo aquilo que viria a ocorrer no século seguinte, legando-nos um vasto rol de pensamentos e de princípios que ainda hoje estão plenamente actuais.

Desde os domínios coloniais, passando pelo poderio bélico, económico e financeiro das grandes potências, os problemas que se colocam aos pequenos países continuam a ser os mesmos e Cuba, com o desmoronamento em 1989 do bloco socialista, passou por um período tremendamente crítico na década de noventa, o qual só foi superado por possuir um povo digno, abnegado e heroico, tal como Marti.

Esse período, chamado de especial, só foi possível ultrapassar pela união, espírito de sacrifício e confiança de todo um povo que sempre acreditou na sua Revolução e que com o seu alto sentido patriótico, não se verga perante as maiores dificuldades, agravadas por um injustificado e criminoso bloqueio norte-americano.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

1.º DE MAIO DE 2011


UNIDADE, PRODUTIVIDADE E EFICIÊNCIA foi o lema das comemorações deste ano no DIA INTERNACIONAL DOS TRABALHADORES que tiveram lugar em todas as cidades e vilas cubanas, com especial destaque para Santiago de Cuba, que contou com a presença do Presidente Raul Castro e de Havana, onde muitos milhares de cidadãos de todas as idades desfilaram alegremente, empunhando bandeiras, cartazes, fotos e tarjas de apoio à Revolução.

Como vem acontecendo anualmente nesta ocasião, são cada vez mais as delegações estrangeiras que se associam ao 1.º de Maio em Cuba, tendo-se registando este ano a participação de 73 países representados por mais de 1500 trabalhadores amigos, que quiseram expressar assim com a sua presença, o apoio de milhões de cidadãos anónimos espalhados por todo o mundo que admiram a Revolução e o povo que a sabe defender com toda a dignidade.

Melhor que palavras, são as imagens transmitidas através da televisão, onde se pode constatar a alegria, o entusiasmo e o patriotismo vivido pelos cubanos neste dia de festa.




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