sábado, 19 de maio de 2018


JOSÉ MARTI

Assinala-se amanhã, 19 de Maio, a data em que em 1895, com apenas 42 anos de idade, José Marti morreu em combate pela independência de Cuba face ao domínio espanhol, tendo sido mutilado pelos soldados inimigos e exibidos os seus restos mortais à população.

Filho de pais espanhóis, Marti nasce em Havana no dia 28 de Janeiro de 1853 e ainda bem jovem, influenciado pelas ideias separatistas do seu professor o poeta Rafael Maria Mendive, publica aos 16 anos o seu primeiro manifesto patriótico em verso, o “Abdala”, estabelecendo como prioridade para a sua vida acabar com o absurdo de às portas do século XX ainda os países da América Latina serem governados por europeus, iniciando a sua luta pela independência de todas as colónias, incluindo a cubana.

Preso várias vezes por motivos políticos, é deportado para Espanha, onde faz os seus estudos superiores primeiro em Madrid e depois em Saragoça, licenciando-se em Direito, Letras e Filosofia. Muda-se para França, depois para o México, onde casa com Cármen Bazón e em seguida para a Guatemala, onde, dotado de uma vastíssima cultura geral, lecciona na Universidade Nacional, acabando por se radicar em Nova Iorque, trabalhando como jornalista, a par da sua actividade de poeta e escritor, publicando centenas de poemas, novelas e dramas, para além de cartas e artigos de jornal. A letra da música “Guantanamera”, conhecida internacionalmente como símbolo da Ilha, foi retirada do seu poema “Versos Sensillos” dedicado ao amor, à mulher e à pátria.

Ao escrever “Nuestra América”, publicado em Janeiro de 1891 num jornal mexicano, José Martí trás para a ordem do dia, o problema da identidade latino-americana que, para ele, passava num primeiro momento, pela organização da guerra contra os espanhóis e, num segundo momento, por um processo educacional que garantisse a dignidade de todos, contra a emergente pretensão de domínio vinda do norte.

Ao perceber essa realidade, Martí propõe a união dos povos latinos como o caminho necessário à integração continental num processo que desencadeasse o despertar contra a opressão social e cultural. Em rigor, Martí propõe a união dos latino-americanos, mas conservando a autonomia e as particularidades de cada país para fazer frente ao neocolonialismo.

Segundo Martí, as administrações das futuras repúblicas independentes teriam de conhecer com profundidade os elementos de que era constituída a sua terra, pois só assim seriam capazes de governar no sentido de se obter uma vida digna.

Assim sendo, a história deveria ser estudada, não só para a conhecer, mas também para a confrontar com os seus problemas, pois, somente conhecendo-a e tornando-a conhecida, a mesma seria respeitada.

Martí, profundamente ligado ao seu tempo, não abria mão da procura constante do crescimento do seu povo. Entendia que era preciso empreender uma cruzada para revelar aos homens a sua natureza e, através dos estudos científicos, promover a independência pessoal e social de Cuba e de toda a América Latina.

Para que os ideais de José Marti não fossem esquecidos e para perpetuar a sua obra, foi construído em Havana um Memorial situado na Praça da Revolução, onde através de exposições permanentes e temporárias se pode conhecer um pouco melhor a sua personalidade, constituindo passagem obrigatória para quem visita a capital cubana.

A sua visão do mundo em pleno século XIX, levou-o a profetizar tudo aquilo que viria a ocorrer no século seguinte, legando-nos um vasto rol de pensamentos e de princípios que ainda hoje estão plenamente actuais.

Desde os domínios coloniais, passando pelo poderio bélico, económico e financeiro das grandes potências, os problemas que se colocam aos pequenos países continuam a ser os mesmos e Cuba, com o desmoronamento em 1989 do bloco socialista, passou por um período tremendamente crítico na década de noventa, o qual só foi superado por possuir um povo digno, abnegado e heróico, tal como Marti.

(Celino Cunha Vieira - Cubainformación)




sábado, 5 de maio de 2018



PRIMEIRO DE MAIO EM CUBA

Quem teve o desejo e a oportunidade de ver através da Cubavisión as comemorações do 1.º de Maio em Cuba, verificou certamente que este ano a participação popular foi maior que em anos anteriores, numa demonstração de completa sintonia com a Revolução e com os dirigentes eleitos recentemente, nunca esquecendo o líder histórico e grande timoneiro dos ideais e das conquistas alcançadas ao longo dos últimos 59 anos por um povo que não se verga e que sabe quais os caminhos que deve traçar para se manter livre e independente.
Em Havana cerca de um milhão de cidadãos de todas as idades desfilaram perante o novo presidente Miguel Diaz Canel e o anterior Raul Castro, os quais, lado a lado, foram acenando e agradecendo as manifestações de apoio e solidariedade de que foram alvo.
No contexto e antes do desfile, o líder da Central de Trabalhadores de Cuba, Ulisses Guilarte de Nascimento fez a sua alocução e agradecimento a todos os participantes, incluindo os das delegações estrangeiras que se deslocaram propositadamente num gesto de solidariedade com Cuba.

Disse Ulisses Guilarte:
“Neste momento histórico para o país, milhões de cubanos em todo o comprimento ea largura do país, estrela em outra mobilização nacional maciça e popular para comemorar Dia Internacional dos Trabalhadores, presidido pelo lema Unidade, Compromisso e Victoria, em um momento em que nos desenvolvemos a partir do sindicato baseia o processo orgânico para o XXI Congresso da Central de Trabalhadores de Cuba, que terminará no próximo ano comemorando o 80 º aniversário da sua fundação.
Temos muitas razões e argumentos para transformar este Dia de Maio numa nova manifestação de apoio à nossa Revolução, a Raul Castro, a Diaz Canel e também num cenário de homenagem ao seu histórico líder Fidel Castro Ruz para ratificar a firme determinação de cumprir o conceito de revolução que nos legou.
Nesta ocasião, a luta heróica faz-nos sentir orgulho de ser cubano dignificando a história do nosso país, como o aniversário 165 do nascimento do herói nacional José Martí, como os 150 anos do início da guerra pela independência, ou o 65º do assalto ao quartel Moncada e Carlos Manuel de Céspedes e o 60º aniversário do triunfo da Revolução.
Ao mesmo tempo, as imagens de destacados líderes trabalhadores que hoje portamos e homenageamos neste enorme desfile como Lázaro Peña, Jesús Menéndez, José María Pérez, Aracelio Iglesias, e outros intimamente ligados às lutas sindicais, constituem o testemunho da nossa eterna gratidão pelo seu exemplo de fidelidade e firmeza.
Da mesma forma, nos desfiles compactos e coloridos, que neste momento decorrem pelas praças de todo o país, reiteramos a denúncia pela cessação do bloqueio genocida económico, comercial e financeiro imposto a Cuba e que agora se intensifica, multiplicará a voz de um povo que exige o retorno do território ocupado ilegalmente pela base naval de Guantánamo, assim como denunciamos a acção agressiva e intervencionista do governo dos Estados Unidos.
A batalha estratégica no campo económico e produtivo das empresas, estatais ou privadas, exige, como nunca antes, a contribuição dos trabalhadores para elevar e diversificar constantemente as produções e melhorar a qualidade dos serviços, juntamente com a necessária eficiência do processo de investimento que é executado nos programas de desenvolvimento do país.
Ao atingir esses objectivos, estamos plenamente conscientes da responsabilidade da classe trabalhadora em gerar a riqueza que o nosso povo precisa para satisfazer as suas necessidades, preservar os ganhos sociais e ter como premissa o aumento da renda real dos trabalhadores e aposentados.
Num dia como hoje, não se pode esquecer que vivemos num mundo caracterizado por uma ordem económica internacional, injusto, desigual e exclusivo, onde a ofensiva do imperialismo e as suas políticas neoliberais continuam a ter impacto no mundo do trabalho.
As reformas trabalhistas, recentemente aplicadas em vários países, eliminaram acordos de negociação colectiva aumentando as bolsas de pobreza, fomentaram os contratos precários onde as grandes vagas de trabalhadores migrantes não têm as garantias mínimas dos seus direitos trabalhistas, da mesma forma que o desemprego aumenta com maior incidência em jovens e mulheres, juntamente com a exibição de propaganda para desvalorizar o papel de classe dos sindicatos.
Cuba e o seu movimento sindical reafirma o firme compromisso e solidariedade militante com os povos do mundo que estão lutando pela sua soberania e independência.
Satisfaz-nos saudar neste acto os companheiros e amigos de diversas organizações sindicais, grupos de solidariedade e movimentos sociais que com a sua presença referendam o seu incondicional apoio à nossa luta para alcançar um mundo melhor.
O Dia Internacional dos Trabalhadores é uma contundente demonstração das sólidas bases da nossa gloriosa Revolução, do respeito maioritário dos trabalhadores e do povo à actualização do modelo sócio-económico do nosso país.
Unidade, Compromisso e Vitória sintetizam a nossa decisão presente e futura de seguir construindo uma nação soberana, independente, democrática e próspera. Adiante compatriotas, nada nos deterá.”

(Celino Cunha Vieira - Cubainformación)





terça-feira, 27 de março de 2018


TRANSFORMAÇÕES EM CUBA

No contexto de uma vez mais alguns órgãos de comunicação social reproduzirem aquilo que lhes chega através das agências internacionais de intoxicação sobre a mudança da presidência em Cuba, difundindo títulos como “o fim da dinastia dos Castro” e tantas outras palermices, cujas intenções são sobejamente conhecidas com o objectivo de menosprezar o sistema eleitoral e especulando sobre a legitimidade de quem conduziu os destinos do país desde a Revolução em 1959.

Já várias vezes tenho escrito e afirmado que o Presidente Raul Castro assumiu as responsabilidades que lhe foram exigidas e confiadas pelas suas qualidades e não por ser irmão de quem era. Muitos não sabem ou querem omitir, que Raul com apenas 22 anos participou no assalto ao Quartel Moncada, sendo um dos revolucionários julgado sumariamente e deportado para a Ilha da Juventude onde esteve preso com todos os outros que sobreviveram à heróica acção que deu início à luta armada para derrubar a ditadura existente no país.

Pela intervenção na clandestinidade do Movimento 26 de Julho e pela pressão popular sobre o poder instituído, todos beneficiaram de uma amnistia presidencial, exilando-se no México e preparando a expedição do iate Granma que os levaria até à Sierra Maestra.

Durante o período da luta armada, Raul foi elevado ao posto de Comandante, tendo liderado uma das colunas de guerrilheiros que cruzando toda a antiga província do Oriente, abriu a “Frente Este Frank Pais” até ao nordeste, revelando toda a sua capacidade militar e de dirigente político.

Após o triunfo da Revolução Raul Castro foi Ministro da Defesa e vice-primeiro-ministro até ser chamado a assumir outras responsabilidades, não por se chamar Castro, mas sim pelo reconhecimento da sua personalidade e dos relevantes serviços prestados à Nação.

Nas funções que agora irá terminar, e será bom recordar que foi por sua proposta a aprovação na Assembleia Nacional do limite de até dois mandatos de cinco anos para todos os cargos políticos, revelando um desprendimento total pelo poder e dando oportunidade a que as novas gerações assumam os destinos do país.

Durante os últimos anos que exerceu a presidência, deve-se a Raul a tentativa de melhorar e desenvolver as relações com os EUA, agora num impasse devido ao ocupante da Casa Branca em Washington, às reformas migratórias em que eliminou todo um processo burocrático que restringia a entrada e saída de cubanos do país, à autorização do trabalho por conta própria e ao desenvolvimento de negócios privados, maiores facilidades para o investimento estrangeiro com a implantação de empresas que se queiram instalar no território, compra e venda de propriedades por parte dos nacionais ou residentes, desenvolvimento das telecomunicações e internet, para além de muitas outras transformações que por serem consideradas normais, ninguém já fala delas ou as valoriza.

Raul Castro foi um grande Presidente e certamente que será substituído nessas funções por alguém que irá dar continuidade aos princípios revolucionários e conquistados com muitos sacrifícios, tendo sempre em mente os ensinamentos de Marti e a elevada visão de Fidel.

(Celino Cunha Vieira – Cubainformación)


quinta-feira, 23 de novembro de 2017



QUISERA EU SER DITADOR COMO TU

Por ocasião da minha recente passagem por Santiago de Cuba, não poderia deixar de ir ao Cemitério Santa Efigénia para prestar a minha homenagem a um Amigo que nos deixou fisicamente há quase um ano e que tanta falta nos faz.
Ainda existem alguns cretinos que não tendo a sua estatura moral e intelectual dizem que foi um ditador, desconhecendo completamente o seu percurso de vida e a sua obra.
Perante o seu túmulo e fechando os olhos, dei por mim a conversar com ele e a dizer-lhe:

Quisera eu ser ditador como tu, para rejeitar as benesses que uma família abastada me poderia proporcionar, optando por liderar uma Revolução libertadora de um povo oprimido e explorado;

Quisera eu ser ditador como tu, para à tua imagem, poder acabar com os agiotas nacionais e internacionais que exploram o meu país;

Quisera eu ser ditador como tu, para que no meu país houvesse uma “libreta” que pudesse minorar as carências alimentares de milhares de pessoas que sobrevivem com extrema dificuldade;

Quisera eu ser ditador como tu, para que todos tivessem direito à habitação sem ficarem devedores a uma instituição bancária durante toda a sua vida;

Quisera eu ser ditador como tu, para que no meu país existissem creches gratuitas para todas as crianças e isso não constituísse mais um encargo para as famílias.

Quisera eu ser ditador como tu, para que das 146 milhões de crianças desnutridas em todo o mundo, nenhuma fosse do meu país, tal como nenhuma é cubana;

Quisera eu ser ditador como tu, para poder proporcionar uma formação gratuita a todos aqueles que querem estudar, podendo atingir os mais altos graus académicos;

Quisera eu ser ditador como tu, para ter um sistema de saúde gratuito e que várias instituições internacionais reconhecessem a outros países, para além de Cuba, um dos maiores índices do desenvolvimento humano e um dos primeiros países a cumprir as metas para os objectivos do milénio, mesmo enfrentando todas as dificuldades que são conhecidas, podendo orgulhar-se de possuir das mais baixas taxas de mortalidade infantil e das mais altas no que se refere à esperança de vida a nível mundial.

Quisera eu ser ditador como tu, para possuir no meu país 1 médico por cada 148 habitantes, tal como Cuba, que é considerado pela Organização Mundial de Saúde a nação mais bem dotada neste sector;

Quisera eu ser ditador como tu, para poder ter mais de 20 faculdades que licenciam anualmente 11.000 novos médicos, entre eles mais de 5.000 cubanos e os restantes de outros 60 países a quem são concedidas bolsas de estudo para que se formem gratuitamente, em igualdade de circunstâncias com os estudantes cubanos, regressando depois às suas comunidades para que prestem assistência aos seus povos;

Quisera eu ser ditador como tu, para poder criar brigadas internacionalistas de apoio sanitário em vários países do mundo onde fazem falta profissionais de saúde pela escassez de recursos ou de primeira intervenção em caso de catástrofes;

Quisera eu ser ditador como tu, para que o meu país tivesse a possibilidade de contar com os mesmos especialistas cubanos para recuperarem ou melhorarem a visão de mais de 2 milhões de pessoas através da “Operação Milagro”;

Quisera eu ser ditador como tu, para continuar a ter condições de receber desde 1986 milhares de crianças vítimas de Chernobyl a fim de serem tratadas dos efeitos nocivos herdados dos seus progenitores que foram expostos directamente às radiações e que passaram para as novas gerações as alterações genéticas causadas por aquela catástrofe e que ainda hoje continua a provocar danos irreversíveis;

Quisera eu ser ditador como tu, para que nem mais um palmo do território do meu país fosse propriedade de pessoas ou empresas estrangeiras;

Quisera eu ser ditador como tu, para afirmar, tal como o fizeste em 1976 perante a Assembleia-geral das Nações Unidas, “Basta já da ilusão de que os problemas do mundo se podem resolver com armas nucleares. As bombas podem matar os esfomeados, os doentes, os ignorantes, mas não podem matar a fome, as doenças e a ignorância. Nem podem sequer matar a justa rebeldia dos povos”;

Quisera eu ser ditador como tu, para que os exemplos que Cuba dá ao mundo fossem seguidos por outros países que têm muito mais obrigações e capacidade económica para o fazer;

Quisera eu ser ditador como tu, para manter uma Revolução bem viva e ter a humildade de reconhecer os erros cometidos, tentando corrigi-los para que não voltem a suceder;

Quisera eu ser ditador como tu, para defender a utopia e acreditar fortemente na nobre ideia de que se poderá aspirar ao impossível e por isso conseguir realizar tantas e tantas coisas;

Quisera eu ser ditador como tu, afastando-me voluntariamente do poder quando entender já não possuir todas as faculdades físicas a que os cargos de responsabilidade me obrigariam;

Quisera eu ser ditador como tu, para não querer que o meu nome ou imagem sejam utilizados como culto de personalidade, considerando que apenas cumpri o meu dever perante a nação;

Quisera eu ser ditador como tu, para depois do meu desaparecimento físico estar bem vivo no coração do meu povo e continuar a ser uma referência para as actuais e futuras gerações.

Até sempre meu Amigo.

(Celino Cunha Vieira - Cubainformación)


quarta-feira, 26 de julho de 2017



SEM MONCADA TERIA HAVIDO REVOLUÇÃO?

Chegados a 26 de Julho, data histórica do assalto ao Quartel Moncada efectuado há 64 anos por um pequeno grupo de jovens comandados por Fidel, colocaram-me a questão sobre se teria havido Revolução sem este acto heróico. Respondi que pode ser que sim, mas também pode ser que não, já que o movimento revolucionário necessitava de uma acção com bastante impacto junto da sociedade para que o entusiasmo da população não desmerecesse e acreditasse que era possível derrotar uma oligarquia corrupta ao serviço de interesses estrangeiros.

Moncada foi sem dúvida o despoletar da Revolução e por isso sempre serão lembrados como mártires e heróis nacionais todos aqueles que perderam a vida em combate directo ou assassinados pelos esbirros do regime, que sem compaixão pelos feridos, acabaram por os torturar e matar friamente. A derrota militar, com todas as suas consequências, acabou por constituir uma enorme vitória política que viria a dar corpo ao Movimento 26 de Julho como vanguarda da luta popular alargada a todo o país, que como se viu mais tarde, seria imparável e de extrema utilidade no apoio aos combatentes da Sierra Maestra e para as batalhas que se seguiram.

Uma outra questão é imaginar o que teria acontecido se Fidel e os companheiros tivessem saído vitoriosos de Moncada, ocupando os objectivos que estavam previamente planeados. O mais provável era que conseguiriam resistir durante alguns dias, mas inevitavelmente teriam de se retirar para a Sierra e esperar a ofensiva governamental, tal como viria a suceder 4 anos mais tarde, evitando-se assim a prisão e o exílio dos que sobreviveram. Mas a vitória política teria sido a mesma? Não, certamente.

Fidel sabia que em qualquer uma das situações o seu instinto o conduziria a uma solução e que as suas convicções seriam imbatíveis porque, como pensava, “todos os inimigos podem ser vencidos” ou, como diria José Marti, o seu mentor intelectual, “trincheiras de ideias valem mais que trincheiras de pedras”.

Acredito que sem Moncada a Revolução teria na mesma existido, com outros contornos é certo, com mais ou menos sacrifícios, mas a situação que se vivia nessa época era intolerável e o povo não poderia continuar a ser explorado e a viver oprimido por um governo sem escrúpulos.

Fidel, o grande timoneiro e Comandante eterno, soube interpretar os desejos do seu povo e com os atributos que lhe eram reconhecidos, entregou toda a sua vida a uma causa, repousando hoje muito perto do local onde tudo começou e onde se jogou o destino da Nação.

Ao comemorar-se o 26 de Julho como Dia da Rebeldia Nacional, festeja-se não só um acontecimento histórico, mas fundamentalmente a heroicidade de todo um povo que tem sabido resistir a todos os constrangimentos e sacrifícios que lhe são exigidos, em prol da sua soberania e independência.


(Celino Cunha Vieira - Cubainformación)



segunda-feira, 19 de junho de 2017


NOVOS HOTÉIS EM CUBA

Localizado no coração de Havana, foi já Inaugurado oficialmente no dia 8 de Junho o mais luxuoso Hotel de Cuba, o Gran Hotel Manzana Kempinski, de cinco estrelas plus, correspondendo assim à cada vez maior procura de serviços de alta qualidade pelos clientes mais exigentes que visitam Cuba e onde foram aplicadas as mais modernas e sofisticadas tecnologias em harmonia com os valores patrimoniais edificados, preservando a identidade arquitectónica e a monumentalidade de um edifício centenário situado em pleno Parque Central, frente ao Gran Teatro de La Habana e ao Capitólio Nacional.

Já em construção e com inauguração prevista para 2018, renasce o Hotel Packard de cinco estrelas luxo, situado no Passeio do Prado, que contará com 320 habitações, salas de reuniões, vários bares e restaurantes, spa, piscina, ginásio e outros serviços, estando a sua administração contratada com a cadeia hoteleira Iberostar.

Também uma outra unidade de cinco estrelas luxo, o Hotel Sofitel La Habana, situado na esquina entre o Malecón e o ínicio do Passeio do Prado, contará com 218 habitações e será gerido pelo Grupo Accor, tendo a sua inauguração prevista para o próximo ano e reforçando assim a capacidade de oferta na capital do país, bem como novas unidades em Varadero e um novo campo de golfe internacional de 18 buracos.

Com um crescimento muito acima da média mundial, Portugal e Cuba, cada um em seu Continente, são dos destinos mais procurados pelo turismo internacional, assemelhando-se em muitos aspectos e por isso beneficiando de uma conjuntura favorável que se pretende possa perdurar por muitos e muitos anos. A estabilidade política, a segurança, a hospitalidade, a cultura, a gastronomia, as estâncias balneares, a preservação ecológica, o clima e a história, são factores fundamentais para o bem-estar dos visitantes que se sentem como em sua própria casa e com o desejo de voltar.

Na sua recente visita a Portugal, tive o privilégio e a honra de receber num jantar a senhora Vice-ministra do Turismo de Cuba, Mayra Álvarez Garcia, onde abordámos alguns aspectos desta área tão sensível para os dois países e da sua importância para a economia, fruto de um trabalho árduo e persistente, que se deseja manter, mas como sector dinâmico que é, necessita de uma atenção permanente e uma procura constante de soluções a cada momento, estando o Ministério de Turismo de Cuba atento às novas tendências internacionais, elevando o padrão de qualidade que pode ser comparado com qualquer outro destino mais sofisticado.

Independentemente do que possa dizer ou fazer o ainda presidente dos EUA Donald Trump, descendente de emigrantes alemães por parte do pai e de escoceses por parte da mãe, que há dias em Miami – e onde mais poderia ser? – lançou um chorrilho de asneiras para justificar um possível retrocesso nas relações entre os dois países, principalmente no aspecto económico e no turismo, não percebendo que Cuba resistiu por mais de 60 anos aos mais ferozes e cobardes ataques dos EUA e que continuará resistindo contra tudo e contra todos que possam pôr em causa a sua soberania nacional, desenvolvendo as políticas sociais e económicas aprovadas pela generalidade do seu povo através de uma democracia participativa que nem todos compreendem por desconhecimento ou ignorância.

Para além do turismo internacional, cujos principais países emissores são o Canadá, a Alemanha, a Itália e a Espanha, espera-se o crescimento de outros, como por exemplo de Portugal e da China, assim como o do turismo nacional que tem tido um grande incremento.

(Celino Cunha Vieira - Cubainformación)


sábado, 31 de dezembro de 2016


SEJAMOS UTÓPICOS COMO FIDEL

O ano que agora está a terminar fica marcado pela contradição; por um lado a satisfação por Fidel ter cumprido 90 anos e por outro, ter-nos deixado fisicamente alguns meses depois. Todos sabíamos que esse dia iria chegar mais cedo ou mais tarde, mas havia sempre uma ténue esperança para que nunca ocorresse, como se alguém pudesse resistir fisicamente à lei da vida. Hoje, passados já alguns dias, estamos mais recompostos do choque inicial e mais conscientes da importância que ele teve não só para o povo cubano, mas também para outros povos do mundo.

Mas imaginemos o que poderia ter sido a sua vida se não tivesse entrado nas lutas estudantis e mais tarde liderado uma Revolução.

Filho de pai abastado, quando Fidel terminou o curso de direito na Universidade de Havana já o seu pai tinha 75 anos e com os problemas de saúde que tinha, não se afigurava que resistisse muitos mais anos, acabando por falecer em 1956. Pelas circunstâncias, Fidel poderia ter rumado a Biran para ajudar o pai e mais tarde tomar conta das propriedades e dos negócios da família que eram de bastante monta para a época, podendo assim aspirar a ter uma vida bem desafogada e promissora.

Pelo seu primeiro casamento, poderia também através do seu sogro, Rafael Díaz-Balart, que na época era um influente político de confiança e ao serviço de Fulgêncio Batista, ter almejado um qualquer cargo importante no aparelho do Estado, passando a usufruir das benesses inerentes a quem era protegido e amigo do ditador.

Mas com o curso de Direito, também poderia ter montado escritório na capital e trabalhar como advogado para a elite habanera ou para uma das muitas multinacionais americanas com interesses em Cuba, tendo assim todas as possibilidades de viajar pelo mundo em representação das mesmas.

Como filho de pai espanhol, poderia ter optado pela dupla nacionalidade e instalar-se em Madrid ou Barcelona ou até em Lançara, na Galiza, terra natal da sua família paterna, tornando-se um emigrante privilegiado em terras ibéricas.

Poderia, como muitos outros o fizeram, ido viver e trabalhar para Miami onde já existia uma importante colónia de cubanos ricos e detentores de muitos interesses quer em Cuba, quer nos EUA ou noutras paragens onde pudessem explorar uma mão-de-obra barata.

Enfim, para um jovem advogado num país em que muito poucos tinham acesso ao ensino superior, todas as portas se poderiam ter aberto para que passasse a ter um futuro profissional e até político bem destacado.

Mas o seu sentido de justiça levaram-no para outro rumo de vida, lutando contra tudo e contra todos para libertar de vez um povo oprimido e sem direitos, fazendo dessa escolha um sacerdócio até ao último dos seus dias, considerando ser sua obrigação moral e ética seguir os passos de José Marti e de todos os heróis que se bateram pela independência e soberania de Cuba.

Com a sua inteligência e cultura geral, Fidel abarcava um profundo conhecimento de todas as áreas de intervenção governamental, idealizando e pondo em prática alguns modelos inovadores para o desenvolvimento dos mais variados sectores, desde a alfabetização à investigação científica. E como disse há dias o seu grande amigo e admirador Eusébio Leal, “Fidel foi um grande defensor da utopia e acreditava fortemente na nobre ideia de que se poderia aspirar ao impossível; e por isso conseguiu realizar tantas e tantas coisas”.

Basta conhecer e lembrar o que era Cuba antes da Revolução para se perceber a importância de Fidel. Comparando com os outros países da América-latina, Cuba possui um nível de desenvolvimento humano invejável, ombreando e até nalguns casos superando os índices de outros países ricos e considerados do primeiros mundo.

Com a sua ausência física todos ficámos mais pobres, mas sejamos merecedores da sua utopia seguindo os seus exemplos que perdurarão na nossa memória e nos nossos corações.

Obrigado Comandante.

(Celino Cunha Vieira - Cubainformación)




terça-feira, 29 de novembro de 2016


SOMOS FIDELISTAS

Há muito que a notícia era esperada porque a lei da vida assim o impõe, mas nunca se está suficientemente preparado para a receber, seja de um familiar próximo, seja de uma figura como Fidel Castro.


Por ironia do destino, no mesmo dia 25 de Novembro mas de há 60 anos, Fidel iniciava a viagem a bordo do iate Granma desde o rio Tuxpan no México, com destino a Cuba para liderar a luta revolucionária de libertação do seu povo que era explorado e oprimido por um regime subjugado ao império norte-americano.

Escrever hoje sobre Fidel não é fácil, quando os sentimentos e a emoção nos traem e não conseguimos encontrar as palavras certas para o muito que nos apetece dizer deste excepcional homem que dedicou toda a sua vida à causa pública, transformando o seu país num baluarte e exemplo para todos os povos oprimidos e o grande impulsionador para a união dos povos da América-latina.

Em 1976 e perante a Assembleia-geral da ONU, Fidel afirmou: “Basta já da ilusão de que os problemas do mundo se podem resolver com armas nucleares. As bombas podem matar os esfomeados, os doentes, os ignorantes, mas não podem matar a fome, as doenças e a ignorância. Não podem tão pouco matar a justa rebeldia dos povos”.

Aqueles que hoje se regozijam com o seu desaparecimento físico são os frustrados que não o conseguiram vencer em vida. Contra tudo e contra todos, Fidel foi sempre um vencedor, resistindo a todos os ataques e sobrevivendo a centenas de tentativas de assassinato, sendo apenas traído pela falência de alguns órgãos do seu corpo, mas mantendo-se lúcido até ao fim como ele sempre desejou.

Trincheiras de ideias valem mais que trincheiras de pedra, escreveu José Marti, e Fidel personifica bem essa imagem ao deixar-nos um vastíssimo rol de pensamentos e reflexões sobre os mais variados temas, para além de ter posto em prática aquilo em que acreditava ser possível para construir um mundo melhor.

Em 1996 dizia: "Os homens passam, os povos permanecem; os homens passam, as ideias permanecem. Os homens passam, mas o sentido de justiça, de irmandade e de igualdade entre os seres humanos, o direito a defender os seus valores, as suas esperanças, no nosso povo nunca passarão".

Fidel, idolatrado pelo seu povo, deixa um importantíssimo legado às novas gerações para que continuem o aperfeiçoamento da Revolução que tantos sacrifícios tem custado para manter um país unido e soberano, resistindo a todas as contrariedades e ataques traiçoeiros ao longo da sua história.

Fidel não morreu! Apenas o seu corpo já transformado em cinzas repousará junto ao Apóstolo José Marti, as duas mais importantes figuras de Cuba, permanecendo para a eternidade os seus ideais.


Até sempre Comandante!




sexta-feira, 28 de outubro de 2016


COINCIDÊNCIAS, OU TALVEZ NÃO!

Existem momentos em que por feliz coincidência temporal nos levam a acreditar no destino, pois conjugados entre si, dão-nos a recompensa pelo esforço desenvolvido ao longo de anos para que eles aconteçam, não por mero acaso, mas sim como fruto de um trabalho persistente nas mais variadas frentes, havendo agora a necessidade de os não deixar passar em claro, não só pela sua importância, como também porque outros órgãos de comunicação social omitem completamente ou não dão o devido relevo.

Na passada semana, em que se comemorou o Dia da Cultura Cubana, foi pela primeira vez aprovada por unanimidade, repito, por unanimidade na Assembleia da República Portuguesa, um voto sobre a necessidade de pôr fim ao bloqueio dos EUA a Cuba, ao mesmo tempo em que era recebida no Parlamento uma delegação de cubanos oriundos de vários países, que vieram participar no XI Encontro de Cubanos Residentes na Europa, que se realizou no último fim-de-semana em Lisboa, numa jornada que ficou marcada pela unidade e patriotismo daqueles que longe fisicamente da pátria, continuam a defender e a lutar pela sua Revolução.

Também pelo 25.º ano consecutivo, a Assembleia-geral das Nações Unidas reunida na passada quarta-feira, votou de novo uma resolução que condena o bloqueio económico, comercial e financeiro dos EUA a Cuba, que já dura há mais de meio século e que prejudica seriamente o desenvolvimento de uma nação soberana e independente. Dos 193 países que constituem a Assembleia, 191 votaram a favor da condenação e apenas EUA e Israel se abstiveram, quando antes votavam sempre contra. Não deixa de ser curioso que os EUA justifiquem o seu voto referindo a violação dos Direitos Humanos por parte de Cuba, quando sabem que isso não passa de uma mentira que a sua propaganda inventou, sendo eles próprios os maiores violadores desses Direitos no plano interno e externo, bem acompanhados por Israel que considera o povo da Palestina sem quaisquer Direitos.

Dir-se-ia que uma resolução votada quase por unanimidades no órgão máximo das Nações de todo o mundo deveria ser respeitada, até porque está mais que provado que os objectivos desse tenebroso bloqueio não foram nem nunca serão alcançados. Só falta mesmo acabar com ele de uma vez por todas e desejar que esta tenha sido a última vez que tal votação se efectuou.

Para culminar e encher de orgulho quem desde há muitos anos vem defendendo o bom relacionamento entre Portugal e Cuba, tivemos a visita oficial do nosso Presidente da República, que para além das razões de Estado, também não é alheia a simpatia e os argumentos da Embaixadora Cubana Johana Tablada de La Torre, por quem o Professor Marcelo Rebelo de Sousa nutre muita consideração, admirando o profissionalismo da diplomata na defesa dos interesses do seu país. A ela muito se deve esta visita, restando-nos agradecer-lhe todo o empenho e dedicação que teve para a concretizar.

De acordo com as palavras proferidas em várias ocasiões pelo Presidente Marcelo Rebelo de Sousa, esta visita foi extremamente positiva, não só pelos encontros que teve ao mais alto nível, destacando a recepção do Presidente Raul Castro e a troca de impressões com o líder da Revolução Fidel, como também pela delegação de empresários que o acompanharam e que estão interessados em investir no país, participando a partir do dia 2 de Novembro na próxima Feira Internacional de Havana integrados no Pavilhão de Portugal.

(Celino Cunha Vieira - Cubainformación)

quarta-feira, 19 de outubro de 2016


XI Encontro de Cubanos Residentes na Europa

Organizado pela Coordenadora das Associações de Cubanos Residentes em Portugal, realiza-se em Lisboa, de 21 a 23 de Setembro o XI Encontro de Cubanos Residentes na Europa, do qual consta um variado programa, contando-se com a participação de cerca de 200 delegados, na sua maioria oriundos de outros países.

No primeiro dia os delegados serão recebidos na Assembleia da República, (Parlamento Português) seguindo-se uma visita à zona histórica onde se encontram os principias monumentos de Lisboa e uma recepção na Embaixada de Cuba.

No segundo dia, sábado, após a creditação dos delegados na “Voz do Operário”, Instituição com mais de um século de existência e que gentilmente cedeu as suas instalações, terão início os trabalhos com a saudação de boas-vindas por parte de Eduardo Johnston Bennett (Presidente da Coordenadora) e a intervenção da Embaixadora Johana Tablada de la Torre.

Seguem-se vários painéis, como: “Meios de Comunicação alternativos e contra-informação, redes sociais ao serviço dos residentes no exterior em defesa da sua pátria – debate sobre o papel que podem desempenhar os cubanos na divulgação da verdade”, “Todo Guantánamo é nosso, com projecção do vídeo de Hernando Calvo Ospina”, “Bloqueio, suas consequências para o povo cubano e ingerência”, “Cumprimento do X Encontro,Associações de Cubanos na Europa, seu trabalho e seus projectos – Intercâmbio de experiências”, finalizando-se os trabalhos deste dia com o tema “Assuntos Migratórios, problemática dos Cubanos na Europa”.

Pela noite segue-se um jantar de convívio e diversas actividades de âmbito cultural, onde actuarão a flautista Maya Campos, a Banda Havanaway e o Grupo Los Cubanitos, para além de outras surpresas que se estenderão até de madrugada.

No domingo os trabalhos iniciam-se pelas 9.30 com o tema “Avanços e desafios do processo de integração Latino-americana”, seguindo-se a intervenção de Luís Gomes, presidente da Câmara Municipal de Vila Real de Santo António e da Dra. Amor de los Ângeles Vega Castaño, chefe da Brigada Médica Cubana em Portugal, que dissertarão sobre “Doentes estrangeiros que foram atendidos em Cuba”. Depois, com o tema “Solidariedade com Cuba”, será apresentado o documentário “Fidel 90 Anos”, da Associação de Cubanos em Catalunha José Marti.

Após debate e aprovação do documento final, será proposta e seleccionada a sede do próximo Encontro a realizar em 2017.

O Encontro de Lisboa, que tem vindo a ser preparado desde há quase um ano, constituirá um marco importante para todos os Cubanos residentes em Portugal, pois será mais um acto de afirmação da unidade e do sentido patriótico, tantas vezes manifestado em acções concretas de quem está longe fisicamente, mas que tem sempre presente os valores defendidos por Marti e pela Revolução.

(Celino Cunha Vieira- Cubainformación)