quarta-feira, 26 de julho de 2017



SEM MONCADA TERIA HAVIDO REVOLUÇÃO?

Chegados a 26 de Julho, data histórica do assalto ao Quartel Moncada efectuado há 64 anos por um pequeno grupo de jovens comandados por Fidel, colocaram-me a questão sobre se teria havido Revolução sem este acto heróico. Respondi que pode ser que sim, mas também pode ser que não, já que o movimento revolucionário necessitava de uma acção com bastante impacto junto da sociedade para que o entusiasmo da população não desmerecesse e acreditasse que era possível derrotar uma oligarquia corrupta ao serviço de interesses estrangeiros.

Moncada foi sem dúvida o despoletar da Revolução e por isso sempre serão lembrados como mártires e heróis nacionais todos aqueles que perderam a vida em combate directo ou assassinados pelos esbirros do regime, que sem compaixão pelos feridos, acabaram por os torturar e matar friamente. A derrota militar, com todas as suas consequências, acabou por constituir uma enorme vitória política que viria a dar corpo ao Movimento 26 de Julho como vanguarda da luta popular alargada a todo o país, que como se viu mais tarde, seria imparável e de extrema utilidade no apoio aos combatentes da Sierra Maestra e para as batalhas que se seguiram.

Uma outra questão é imaginar o que teria acontecido se Fidel e os companheiros tivessem saído vitoriosos de Moncada, ocupando os objectivos que estavam previamente planeados. O mais provável era que conseguiriam resistir durante alguns dias, mas inevitavelmente teriam de se retirar para a Sierra e esperar a ofensiva governamental, tal como viria a suceder 4 anos mais tarde, evitando-se assim a prisão e o exílio dos que sobreviveram. Mas a vitória política teria sido a mesma? Não, certamente.

Fidel sabia que em qualquer uma das situações o seu instinto o conduziria a uma solução e que as suas convicções seriam imbatíveis porque, como pensava, “todos os inimigos podem ser vencidos” ou, como diria José Marti, o seu mentor intelectual, “trincheiras de ideias valem mais que trincheiras de pedras”.

Acredito que sem Moncada a Revolução teria na mesma existido, com outros contornos é certo, com mais ou menos sacrifícios, mas a situação que se vivia nessa época era intolerável e o povo não poderia continuar a ser explorado e a viver oprimido por um governo sem escrúpulos.

Fidel, o grande timoneiro e Comandante eterno, soube interpretar os desejos do seu povo e com os atributos que lhe eram reconhecidos, entregou toda a sua vida a uma causa, repousando hoje muito perto do local onde tudo começou e onde se jogou o destino da Nação.

Ao comemorar-se o 26 de Julho como Dia da Rebeldia Nacional, festeja-se não só um acontecimento histórico, mas fundamentalmente a heroicidade de todo um povo que tem sabido resistir a todos os constrangimentos e sacrifícios que lhe são exigidos, em prol da sua soberania e independência.


(Celino Cunha Vieira - Cubainformación)



segunda-feira, 19 de junho de 2017


NOVOS HOTÉIS EM CUBA

Localizado no coração de Havana, foi já Inaugurado oficialmente no dia 8 de Junho o mais luxuoso Hotel de Cuba, o Gran Hotel Manzana Kempinski, de cinco estrelas plus, correspondendo assim à cada vez maior procura de serviços de alta qualidade pelos clientes mais exigentes que visitam Cuba e onde foram aplicadas as mais modernas e sofisticadas tecnologias em harmonia com os valores patrimoniais edificados, preservando a identidade arquitectónica e a monumentalidade de um edifício centenário situado em pleno Parque Central, frente ao Gran Teatro de La Habana e ao Capitólio Nacional.

Já em construção e com inauguração prevista para 2018, renasce o Hotel Packard de cinco estrelas luxo, situado no Passeio do Prado, que contará com 320 habitações, salas de reuniões, vários bares e restaurantes, spa, piscina, ginásio e outros serviços, estando a sua administração contratada com a cadeia hoteleira Iberostar.

Também uma outra unidade de cinco estrelas luxo, o Hotel Sofitel La Habana, situado na esquina entre o Malecón e o ínicio do Passeio do Prado, contará com 218 habitações e será gerido pelo Grupo Accor, tendo a sua inauguração prevista para o próximo ano e reforçando assim a capacidade de oferta na capital do país, bem como novas unidades em Varadero e um novo campo de golfe internacional de 18 buracos.

Com um crescimento muito acima da média mundial, Portugal e Cuba, cada um em seu Continente, são dos destinos mais procurados pelo turismo internacional, assemelhando-se em muitos aspectos e por isso beneficiando de uma conjuntura favorável que se pretende possa perdurar por muitos e muitos anos. A estabilidade política, a segurança, a hospitalidade, a cultura, a gastronomia, as estâncias balneares, a preservação ecológica, o clima e a história, são factores fundamentais para o bem-estar dos visitantes que se sentem como em sua própria casa e com o desejo de voltar.

Na sua recente visita a Portugal, tive o privilégio e a honra de receber num jantar a senhora Vice-ministra do Turismo de Cuba, Mayra Álvarez Garcia, onde abordámos alguns aspectos desta área tão sensível para os dois países e da sua importância para a economia, fruto de um trabalho árduo e persistente, que se deseja manter, mas como sector dinâmico que é, necessita de uma atenção permanente e uma procura constante de soluções a cada momento, estando o Ministério de Turismo de Cuba atento às novas tendências internacionais, elevando o padrão de qualidade que pode ser comparado com qualquer outro destino mais sofisticado.

Independentemente do que possa dizer ou fazer o ainda presidente dos EUA Donald Trump, descendente de emigrantes alemães por parte do pai e de escoceses por parte da mãe, que há dias em Miami – e onde mais poderia ser? – lançou um chorrilho de asneiras para justificar um possível retrocesso nas relações entre os dois países, principalmente no aspecto económico e no turismo, não percebendo que Cuba resistiu por mais de 60 anos aos mais ferozes e cobardes ataques dos EUA e que continuará resistindo contra tudo e contra todos que possam pôr em causa a sua soberania nacional, desenvolvendo as políticas sociais e económicas aprovadas pela generalidade do seu povo através de uma democracia participativa que nem todos compreendem por desconhecimento ou ignorância.

Para além do turismo internacional, cujos principais países emissores são o Canadá, a Alemanha, a Itália e a Espanha, espera-se o crescimento de outros, como por exemplo de Portugal e da China, assim como o do turismo nacional que tem tido um grande incremento.

(Celino Cunha Vieira - Cubainformación)