sexta-feira, 19 de dezembro de 2014


ESPERANÇA NUMA PAZ DURADOURA

Quem me conhece sabe bem que não morro de amores pela política interna e externa dos EUA, mas no passado dia 17 de Dezembro gostei de ouvir o Presidente Obama, principalmente depois de libertar os 3 heróis cubanos que estavam presos por combaterem o terrorismo que a administração norte-americana financia e permite que actue desde o seu território contra Cuba.

De entre as várias medidas anunciadas por ele, incluem-se a do restabelecimento de relações diplomáticas entre os dois países e a sua proposta ao Congresso para pôr fim ao injustificado e criminoso bloqueio económico, comercial e financeiro, já que, como reconheceu, não deu os resultados desejados em mais de 50 anos de existência. Ou seja, mesmo com todas as dificuldades, o povo cubano tem sabido resistir de forma exemplar e nunca abdicando dos seus princípios revolucionários, acaba de conquistar uma enorme vitória ao ver reconhecida a sua razão perante um adversário tão poderoso, em contradição com o que vimos e ouvimos nos meios de comunicação social em que até parecia exactamente o contrário.

Mas, no calor da alegria que se instalou em todos nós pelo regresso a casa de António, Gerardo e Ramón, mal nos apercebemos que a aparente mudança e a boa vontade do Presidente Obama não reflecte totalmente o que saiu no comunicado da Casa Branca, onde se afirma que a falta de relações com Cuba provocou um isolamento regional e internacional dos EUA, restringindo a sua capacidade para influenciar o curso dos acontecimentos no hemisfério ocidental. Melhor dizendo, os EUA chegaram à conclusão de que a sua política de genocídio em relação a um país da América Latina prejudicava os seus interesses, já que os outros estão com Cuba, condenando unanimemente o bloqueio.

No comunicado fala-se também em direitos humanos e liberdades fundamentais, assim como no financiamento do Congresso Americano para apoiar os programas da democratização em Cuba, parecendo quererem continuar com as acções subversivas através dos “pseudo-dissidentes” que a troco de uns dólares dizem o que lhes mandam e até o contrário se for preciso, dependendo das promessas e de quem lhes pagar mais.

As manifestações e os movimentos de solidariedade com Cuba espalhados por todo o mundo continuarão vigilantes e activos porque sabem que vencer uma batalha não é ganhar a guerra e ainda há muito por conquistar no plano económico e no desenvolvimento do país que sofreu as mais cruéis perseguições durante mais de 5 décadas, sabendo resistir de cabeça bem levantada e com toda a dignidade.

O momento é de exaltação e de esperança numa paz duradoura para os dois povos com respeito mútuo pela soberania e independência de cada país, mas há que estar sempre alerta e nunca baixar a guarda porque os inimigos da Revolução ainda espreitam nalgumas esquinas, mascarados de cordeiros mas de dentes bem afiados para poderem caçar alguma presa distraída.

Junto a minha alegria à de todos vós, desejando-lhes Boas Festas e que o próximo ano nos traga um mundo melhor e mais justo.

(Celino Cunha Vieira - Cubainformación)




BOAS FESTAS

Nesta época em que os católicos comemoram o nascimento de Cristo e nos países que adoptaram o calendário romano se fazem as festas da passagem de mais um ano, lembro-me sempre daqueles que por uma ou outra razão não podem estar junto dos seus familiares e amigos, para em conjunto confraternizarem e fazerem votos para os vindouros 365 dias.

E se existem alguns nestas circunstâncias que por questões de trabalho ou de saúde estarão forçosamente ausentes, também há aqueles que serão os principais prejudicados pelas irresponsáveis e vergonhosas greves anunciadas para os transportes aéreos, esquecendo-se egoisticamente os sindicatos dos direitos dos passageiros e de quem lhes paga os ordenados.

Mas também nesta quadra me lembro de quem está preso injustamente, como é o caso de António Guerrero, Gerardo Hernández e Ramon Labañino, três dos cinco cubanos que há mais de 16 anos sofrem nas cadeias dos EUA a privação da liberdade pelo único “crime” de combaterem o terrorismo, dependendo do Presidente Obama um acto de humanidade para que eles possam finalmente regressar a Cuba.

Para todos aqueles que semanalmente nos lêem o meu desejo de Boas Festas e que o novo ano vos traga muitas felicidades.

Última hora: já depois de ter escrito estas notas chegou-nos a agradável notícia da libertação de António, Gerardo e Ramón, que finalmente chegaram a Cuba, comungando com eles e com todo o povo cubano o nosso sentimento de alegria.


(Celino Cunha Vieira)


quinta-feira, 11 de dezembro de 2014


CIMEIRA DA COMUNIDADE DO CARIBE

Terminou há dias em Havana a 5ª Cimeira de Chefes de Estado e de Governo da Comunidade do Caribe – CARICOM – a qual foi constituída em 1973 por 14 países e 6 territórios autónomos, vindo o bloco económico a admitir Cuba em 1998 como observador e mais tarde a estabelecer acordos de livre comércio com Cuba e com a República Dominicana. Este conjunto de países fazem também parte da Comunidades de Estados Latino Americanos e do Caribe – CELAC – num total de 33 países dos 35 que constituem todo o Continente.

Vem isto a propósito para relembrar o total isolamento de Cuba no início da década de 90, não por vontade própria, mas porque a grande maioria dos países estavam subjugados à vontade e à política externa dos EUA que directa ou indirectamente manobrava os governos da totalidade dos países latino-americanos, que obedeciam às ordens e colaboravam no boicote decretado unilateralmente contra Cuba.

Felizmente para todos, em especial para esses países que conseguiram sair dessa dependência neo-colonialista, hoje o panorama é bem diferente e podem decidir os seus destinos com total liberdade e soberania, cumprindo os desejos e os ensinamentos de Bolívar e de Marti por uma América livre e unida por laços profundos de amizade e de cooperação, já que o povo tem as mesmas origens, as mesmas dificuldades e os mesmos desejos.

O desenvolvimento que se tem operado na região é significativo e com o fortalecimento destas organizações só poderemos esperar uma melhor qualidade de vida para as populações que tão sacrificadas foram e que na actualidade começam a ter os seus direitos assegurados com a ajuda daqueles que mesmo estando sós, conseguiram manter os seus princípios revolucionários, como é o caso de Cuba, que tem colaborado com outros países, principalmente nas áreas da educação e da saúde, enviando dos seus melhores técnicos para cumprirem missões internacionalistas nos lugares mais recônditos e de difícil acesso, ajudando a minorar as carências de que são vítimas as populações.

Por isso, na declaração final desta Cimeira, os participantes reconhecem que a cooperação entre Cuba e os países da Comunidade do Caribe, em sectores tais como a saúde, o desenvolvimento dos recursos humanos, a construção e o desporto, contribuiu de maneira efectiva para o crescimento e bem-estar dos seus povos, expressando o sincero agradecimento ao governo de Cuba pelo seu constante apoio.

Na mesma declaração exigem o fim imediato do bloqueio económico, comercial e financeiro imposto pelo governo dos EUA contra Cuba e, especialmente, do seu carácter extraterritorial e de perseguição financeira contra as transacções cubanas, assim como a retirada de Cuba da lista de Estados patrocinadores do terrorismo e que o governo dos EUA deixe de executar acções encobertas para subverter a legalidade e a ordem interna da República de Cuba, que constituem violações da soberania e do direito à autodeterminação do seu povo.

(Celino Cunha Vieira - Cubainformación)



quinta-feira, 4 de dezembro de 2014


VOTAR EM HAVANA

Já aqui escrevi sobre a votação que está a decorrer até ao dia 7 de Dezembro (próximo domingo) para a eleição das 7 Cidades mais Maravilhosas do Mundo em que Havana é uma das 14 finalistas, depois de indigitadas em 2012 mais de 1.200 cidades de aproximadamente 220 países, que foram sendo votadas em várias etapas até se chegar à fase final.

Havana, que acaba de completar 500 anos desde a sua fundação, merece, como qualquer outra esta distinção, mas atendendo às vicissitudes porque o país tem passado e à excelente recuperação do seu centro histórico levada a cabo pelo Gabinete do Historiador dirigido por Eusébio Leal, é sem dúvida um bom exemplo do que se pode fazer com parcos recursos, mas com muita imaginação, muito trabalho e muito amor.

O tremendo esforço que tem sido feito para preservar e manter a traça de edificações em ruínas transformando-as em modernas instalações destinadas gratuitamente a importantes sectores sociais como infantários, centros de dia ou lares para idosos com unidades de cuidados paliativos, para além de novos museus, galerias de arte, restaurantes temáticos ou hotéis de charme, constitui uma notável obra digna de ser apreciada e reconhecida.

Havana, classificada como Património da Humanidade pela UNESCO desde 1982, é uma das cidades mais bonitas do mundo, com um passado que a honra, mas sobretudo com um presente em que harmoniosamente se misturam culturas e estilos arquitectónicos que chamam a atenção pela sua diversidade e contraste entre o antigo e o moderno, entre o clássico e o contemporâneo.

Quem conheceu a cidade há alguns anos e a visita hoje, terá uma agradável surpresa ao percorrer as principais ruas e largos do seu centro histórico, onde o movimento constante e os atractivos de cada recanto despertam a atenção do visitante.

Curiosamente Portugal está bem representado, pois muitos dos azulejos que indicam o nome das ruas foram executados no nosso país pela Fábrica de Olaria da Viúva Lamego, pelo painel representando Eça de Queiroz numa das paredes da “Casa de las Infusiones” e pela estátua de homenagem a Luís de Camões, onde recentemente tive a oportunidade de ver muitos visitantes estrangeiros pararem junto a ela ouvindo as explicações dos guias locais sobre o vulto da nossa história, enchendo-nos de orgulho pela atenção que lhe é dada e justificando plenamente a iniciativa da sua colocação num local tão nobre de Havana.

Por todos estes motivos, votar em Havana para a eleger como uma das 7 Cidades mais Maravilhosas do Mundo é quase uma obrigação de todos os portugueses, podendo fazê-lo através da página www.new7wonders.com.

(Celino Cunha Vieira - Cubainformación)


quinta-feira, 27 de novembro de 2014


OS CINCO HERÓIS

Numa recente viagem que efectuei a Havana tive o privilégio de conhecer pessoalmente Fernando González e abraçar novamente René e sua Esposa, bem como Elizabeth Palmeiro, Esposa de Ramón, num breve encontro que tivemos na sede do Instituto Cubano de Amizade com os Povos, onde trocámos algumas impressões sobre o passado, o presente e o futuro, tendo em vista a libertação dos outros três Heróis que ainda se encontram presos nas cadeias dos EUA.

Na ocasião, Fernando agradeceu todas as manifestações de solidariedade dos portugueses e das mais variadas entidades e organizações que se têm manifestado ao longo dos anos a favor da causa dos CINCO, em conjunto com o movimento internacional que constantemente apela a que se faça justiça a António, Gerardo e Ramón.

Mas nós é que temos de agradecer a estes homens, às suas esposas, aos seus filhos e aos restantes familiares todos os sacrifícios a que têm sido sujeitos, revelando uma enorme coragem para suportarem, entre outras coisas, uma separação forçada e desumana, numa afronta aos mais elementares direitos humanos perpetrada por um país que se diz de liberdade.

As suas fortes convicções por um mundo melhor e menos violento, o seu patriotismo e a sua dignidade, para além da nossa admiração, deveriam servir também de exemplo para todos nós, ajudando-nos a reflectir sobre qual o nosso contributo para uma sociedade menos egoísta e com outros valores mais elevados.

A simplicidade e a simpatia de Fernando e de René, que muitos conheceram aquando da sua visita a Portugal, cativa-nos de tal modo que parece já os conhecermos desde sempre e que também fazem parte da nossa família, tal é o grau de intimidade com que fazem o favor de nos receber, partilhando connosco as suas inquietações pela saúde e bem-estar dos seus “irmãos” ainda encarcerados e à mercê das arbitrariedades de um poder que injustamente os mantém longe do seu país, pela simples razão de terem cometido o “crime” de combaterem o terrorismo.

A condenação dos CINCO foi e é apenas de cariz político, servindo para uma cruel vingança contra uma nação que nunca se vergou nem vergará perante uma potência, seja ela qual for, porque preza e defende a sua independência conquistada à custa de muito sangue derramado e mantida com as mais ferozes provações e sacrifícios.

O Presidente Obama conhece bem o caso dos CINCO e está nas suas mãos fazer justiça, justificando o Prémio Nobel da Paz que recebeu.

Eu, que tive já a honra de conhecer pessoalmente dois Heróis, não vejo o dia em que irei conhecer os outros três, pois tenho a certeza que esse dia está para chegar em breve e que os irei abraçar, juntando-me à festa de todo um povo que os espera ansiosamente.

(Celino Cunha Vieira - Cubainformación)


quarta-feira, 5 de novembro de 2014


EMBAIXADORA DE CUBA NA TV

Assistimos há dias, na sequência da votação na Assembleia-geral das Nações Unidas contra o Bloqueio a Cuba, a duas entrevistas à Embaixadora Johana Tablada de La Torre; uma na TVI conduzida por Henrique Garcia que de uma forma isenta fez as perguntas pertinentes ao tema deixando a entrevistadora explanar a sua opinião e outra na SIC Notícias por Nuno Rogeiro, em que este mostrou claramente a sua obsessão na defesa da política dos EUA, tentando justificar o embargo ao tecer comentários inapropriados e fazendo eco do disco já riscado da “falta de democracia em Cuba”.

Não esperava este senhor era encontrar uma mulher culta e bem preparada que corajosamente o enfrentou, tendo rebatido todas as suas tendenciosas opiniões e levando-o a abordar temas que inicialmente ele não tinha previsto e que lhe causaram algum incómodo.

Para o senhor Nuno Rogeiro e para muitos outros que se pautam pela mesma cartilha, para haver democracia têm de existir muitos partidos políticos, mesmo que ideologicamente não se distingam uns dos outros, para que em alternância dividam entre si o “bolo” do Estado e tudo fique na mesma, dando ele até o exemplo dos Democratas e dos Republicanos que desde há mais de 50 anos mantêm a mesma política face a Cuba e diria eu, até em relação ao seu próprio país.

Desconhece, ou quer desconhecer, que existem muitas outras formas de democracia, em que esta pode ser exercida assente numa base de participação popular e universal, com escolhas directas dos seus representantes e não por indicação das cúpulas partidárias que com o dinheiro das subvenções que saiem do Orçamento de Estado, ou seja, dos impostos que o povo paga, constroem luxuosas campanhas eleitorais para tentarem obter mais votos que o parceiro do lado, mas as “moscas” são as mesmas.

Na resposta ao senhor Nuno Rogeiro que afirmou terem sido os Estados Unidos que deram a liberdade a Cuba ao derrotarem os Espanhóis, a Senhora Embaixadora contestou essa falta de respeito por todos aqueles que ao longo de 30 anos (1868-1898) lutaram pela sua independência e que os EUA aproveitando o incidente do “Maine” (barco americano que supostamente os Espanhóis fizeram explodir) lançaram uma guerra contra Espanha com vista a anexarem Cuba, Puerto Rico e Filipinas, o que conseguiram com o Tratado de Paris, ocupando Cuba apenas entre 1898 e 1902 porque os patriotas não desmobilizaram nem aceitaram deixar de ter um domínio colonial para o substituir por outro.

Infelizmente ainda existem muitos Nunos Rogeiros que acreditam e defendem que o mundo gira à volta dos EUA e que todos lhe devem vassalagem, tendo de se sujeitar à sua vontade e aos seus caprichos, mas Cuba, fiel à sua história e aos seus princípios não admite ingerências e estará sempre na primeira linha de ajuda a todos aqueles que são oprimidos e explorados, estejam eles onde estiverem.

E como muitas vezes a Embaixadora tem afirmado, é cada vez mais crescente na opinião pública norte-americana a vontade de pôr fim ao Bloqueio e de que se iniciem conversações bilaterais com vista ao normal restabelecimento de relações entre os dois países e isso só depende do governo dos EUA. É que Cuba sempre esteve e está na disposição de o fazer, desde que as mesmas se realizem num plano de respeito e igualdade entre nações soberanas e independentes.

(Celino Cunha Vieira - Cubainformación)


quinta-feira, 30 de outubro de 2014


MAIS UMA ESMAGADORA VITÓRIA DE CUBA

Pelo 23.º ano consecutivo, a Assembleia-geral das Nações Unidas votou de novo uma resolução que condena o Bloqueio dos EUA a Cuba que já dura há mais de 50 anos e que prejudica seriamente o desenvolvimento de uma nação soberana e independente. Dos 193 países presentes, 188 votaram a favor da condenação e pelo fim do Bloqueio económico, comercial e financeiro. Por motivos óbvios votaram contra a resolução os EUA e Israel, abstendo-se como habitualmente, Palau, as Ilhas Marshall e a Micronésia.

Dir-se-ia que uma resolução votada quase por unanimidades no órgão máximo das Nações deveria ser respeitada, mas infelizmente não é isso que se passa por quem se julga estar acima de tudo e de todos. Está mais que provado que os objectivos deste tenebroso Bloqueio não foram nem nunca serão alcançados, mesmo utilizando em paralelo acções subversivas contra Cuba que consomem milhões de dólares saídos dos impostos pagos pelos cidadãos norte-americanos, intensificando-se as campanhas maliciosas de desacreditação cada vez que Cuba sobressai por motivos positivos aos olhos da opinião pública mundial.

Recentemente, um ex-elemento da segurança pessoal do Presidente Fidel Castro que foi viver para Miami, veio a Lisboa para apresentar um livro que escreveu e onde supostamente revela alguns aspectos sobre a vida pessoal do líder histórico da Revolução. Mas não é necessário ser-se muito inteligente para se chegar à conclusão de quem está por trás de tal figura e quem o financia para ir de país em país debitar inverdades que apresentadas de uma forma tendenciosa, até parecem ter alguma importância, quando não passam de meras banalidades dignas de uma revista cor-de-rosa. Segundo ele, o Comandante-em-Chefe tem hábitos sofisticados e dezenas de casas, iates, carros, helicópteros, etc., fazendo lembrar a célebre revista Forbes que em tempos o considerou das pessoas mais ricas do mundo, sem nunca ter apresentado qualquer prova de tal acusação. Não li o livro em questão, mas de algumas passagens do mesmo a que tive acesso, provam que a imaginação é fértil na construção de uma figura quem em nada corresponde àquela que foi e é Fidel Castro.

Os métodos de intoxicação da opinião pública são sobejamente conhecidos e à medida que o tempo passa têm cada vez menos aceitação porque já poucos se deixam enganar e quem quiser pode livremente ir ver com os seus próprios olhos a realidade cubana sem complexos ou reservas mentais.

Mesmo com o Bloqueio imposto pelos EUA, Cuba tem sabido inteligentemente ultrapassar os maiores obstáculos e hoje é um país credível a todos os níveis, como prova o investimento estrangeiro que tem vindo a aumentar e o record de visitantes oriundos de todo o mundo que este ano se vai verificar na Feira Internacional de Havana e que pela primeira vez também contará com um pavilhão português promovido pela AICEP e uma delegação oficial de empresários portugueses chefiada pelo Vice Primeiro-Ministro Paulo Portas e outros membros do governo.

Já lá vai o tempo em que Cuba estava isolada.

(Celino Cunha Vieira - Cubainformación)






quinta-feira, 16 de outubro de 2014


AS SETE CIDADES MARAVILHOSAS

A mesma instituição que em 2007 organizou a eleição das 7 Novas Maravilhas do Mundo, a Fundação Suíça “New7Wonders” com sede em Zurique e presidida por Bernard Weber, que escolheu Portugal e a cidade de Lisboa para a proclamação, está agora a recolher a votação para as 7 Cidades mais Maravilhosas a nível mundial, depois de em 2011 ter também promovido a eleição das 7 Maravilhas da Natureza.

Em 2012 foram indigitadas mais de 1.200 cidades de aproximadamente 220 países e até Outubro de 2013 esse número ficou reduzido a 300. Posteriormente, através de nova votação, ficaram apenas 28 para se chegar às 14 finalistas de onde sairão as 7 vencedoras. Uma das finalistas é a cidade de Havana que está a competir com Barcelona (Espanha), Beirut (Líbano), Chicago (Estados Unidos), Doha (Qatar), Durban (África do Sul), Kuala Lumpur (Malásia), La Paz (Bolivia), Londres (Reino Unido), Ciudad de México (México), Perth (Austrália), Quito (Ecuador), Reykjavik (Islandia) e Vigan (Filipinas).

Todas são merecedoras desta distinção, mas perdoem-me se o coração e também a razão me fazem pender para a capital de Cuba, não só por o seu centro histórico ser considerado pela UNESCO Património da Humanidade, por possuir mais de 200 edifícios classificados de interesse público, ou pela extraordinária recuperação que tem sido realizada pelo Gabinete do Historiador, mas fundamentalmente pelas suas gentes, pelas suas ruas, praças e avenidas, pela sua baía e fortalezas, pelos seus palácios e museus, pelos seus parques e monumentos, pelas suas cores e pelo seu imenso mar que amiúde a invade num envolvente abraço que ninguém pode separar.

Havana é sem dúvida uma das cidades mais bonitas do mundo, com um passado que a honra, mas sobretudo com um futuro em que harmoniosamente se misturam culturas e estilos arquitectónicos que chamam a atenção pela sua diversidade e contraste entre o antigo e o moderno, entre o clássico e o contemporâneo.

Dos quase 3 milhões de turistas que anualmente passam por Cuba, raro é aquele que não visita Havana, nem que seja apenas por um dia. Brevemente serão reiniciados os Cruzeiros com partidas da cidade, para durante uma semana navegarem à volta da Ilha, tocando os portos de Holguin, Santiago de Cuba, Montego Bay, Cienfuegos, Ilha da Juventude e regresso a Havana, incrementando assim o número de visitantes à cidade e aos seus locais mais emblemáticos, palco de grandes escritores, músicos e artistas plásticos.

A votação para eleger as 7 Cidades mais Maravilhosas do Mundo prolonga-se até 7 de Dezembro, dia em que serão conhecidos os vencedores, estando ao alcance de um clique o vosso voto para que Havana seja uma das cidades escolhidas, podendo fazê-lo através da página www.new7wonders.com.

Eu já votei e espero a vossa colaboração. Cuba não está só e tem amigos por todo mundo, também em Portugal.

(Celino Cunha Vieira - Cubainformación)


quinta-feira, 9 de outubro de 2014


VÍTIMAS DO TERRORISMO

Passaram já 38 anos desde a primeira e maior sabotagem ocorrida contra um avião civil no hemisfério ocidental, o qual vitimou 73 pessoas, entre elas os jovens cubanos da equipa nacional de esgrima que viajavam a bordo de um DC-8 da Cubana de Aviación e que momentos antes havia levantado voo de Barbados com destino a Havana.

Um dos mentores desse desprezível acto terrorista, Luís Posadas Carriles, era então agente da CIA e entre outros trabalhos sujos serviu vários anos como especialista do pentágono em países da América Latina, vivendo hoje em plena liberdade nos EUA, país este que mantém ainda presos António Guerrero, Gerardo Hernández e Ramón Labañino, acusando ainda Cuba de fomentar e apoiar o terrorismo, quando desde o triunfo da Revolução já morreram 3.478 cubanos, vítimas de actos violentos de sabotagem executados por grupos mafiosos sediados em Miami, financiados e treinados por organismos governamentais dos EUA.

Não fosse o abnegado e heróico trabalho dos cidadãos cubanos que corajosamente se têm infiltrado nas organizações terroristas, evitando que este e outros tipos de actos violentos provocassem mais vítimas inocentes, o número de mortos e de deficientes físicos seria certamente muito maior.

Esta guerra subversiva a que Cuba está sujeita desde há mais de 50 anos sem qualquer trégua, já passou por 11 administrações norte-americanas e por outros tantos presidentes, sem que haja a coragem política de lhe pôr fim e cumprir as resoluções das Nações Unidas que anualmente têm sido aprovadas quase por unanimidade, condenando o criminoso bloqueio económico, comercial e financeiro imposto unilateralmente pelos EUA a Cuba.

Por tudo isto, é necessário que todas as pessoas dignas e amantes da justiça e da liberdade juntem as suas vozes à do povo cubano, rompendo por todas as vias o muro de silêncio que tem ocultado estas atrocidades, principalmente da opinião pública norte-americana, que com os seus impostos está a patrocinar os facínoras que matam sem piedade inocentes, sejam eles velhos, jovens ou crianças, com o único objectivo de conquistar um poder que não lhes pertence, a que não têm direito e a que o povo cubano rejeita na sua esmagadora maioria.

Como escreveu José Marti, “Quem esconde por medo a sua opinião, que como um criminoso a oculta no fundo do peito e que com a sua ocultação favorece os tiranos, é tão cobarde como aquele que no meio da batalha volta as costas e abandona a lança ao inimigo”.

Cuba declarou o 6 de Outubro como Dia das Vítimas do Terrorismo de Estado e anualmente é prestada uma justa homenagem a todos aqueles que sofreram as consequências dos assassinos contratados e bem pagos para tentarem desestabilizar a ordem pública cubana. O povo, na sua imensa sabedoria sabe onde está a razão e chora por todos aqueles que foram sacrificados como resultado de uma política genocida por parte dos sucessivos governos norte-americanos.

(Celino Cunha Vieira - Cubainformación)



quinta-feira, 2 de outubro de 2014


A VERDADE É COMO O AZEITE

Eu, que tantas vezes tenho criticado alguma comunicação social, não posso deixar de louvar desta vez o New York Times que após ter acesso a documentos agora desclassificados, revela que em 1976 o Secretário de Estado Henry Kissinger, figura tão conhecida dos portugueses, congeminava planos para lançar ataques aéreos contra Cuba visando portos e instalações militares, incluindo ainda o envio de batalhões de infantaria a partir da Base Naval de Guantanámo, território cubano ilegalmente ocupado pelos EUA desde 1902.

Esta invasão só não avançou porque entretanto as eleições foram ganhas pelo democrata Jimmy Cárter e porque a política externa norte-americana acabou por sofrer algumas alterações, abrandando as sanções impostas a Cuba e iniciando-se um diálogo construtivo que acabou por dar alguns frutos naquela época.

Mas, presidente vai, presidente vem, o bloqueio económico, financeiro e comercial imposto pelos EUA a Cuba continua, mesmo que criticado quase por unanimidade pela assembleia-geral das Nações Unidas e pelas mais variadas organizações internacionais que o consideram desadequado e criminoso. Hoje, até o próprio Kissinger que tanto mal queria a Cuba, é uma das figuras norte-americanas que apelam ao seu fim.

Este bloqueio, para além dos prejuízos directos e indirectos que provoca a Cuba, é uma das causas que obriga muitos cubanos a emigrar em busca de melhores condições de vida, já que dificulta o desenvolvimento do país em toda a sua plenitude. Estas verdades foram esplanadas por Eduardo Bennett, Presidente da Coordenadora de Organizações de Cubanos Residentes em Portugal, ao intervir no Encontro de Cubanos realizado no passado fim-de-semana na Figueira da Foz, onde estiveram presentes para além de muitos compatriotas e amigos, a Embaixadora de Cuba e o Presidente da Câmara Municipal daquela cidade.

Neste Encontro e como sempre, foram lembrados os heróis cubanos António, Gerardo e Ramón que continuam presos pelo delito de combaterem o terrorismo, apelando-se ao presidente Obama, prémio Nobel da Paz, para que tenha um gesto humanitário e os liberte rapidamente.

E como em 28 de Setembro se comemorava o aniversário dos CDR (Comités de Defesa da Revolução) criados em 1960 como resposta massiva do povo cubano aos ataques do governo dos EUA, também eles foram referidos como símbolo de resistência e de pilar fundamental na defesa da independência e da soberania nacional.

O espírito solidário que está na génese dos CDR, conferem-lhes a indispensável utilidade na organização das mais variadas actividades para o bem comum das populações, da sua segurança e da sua integridade, contribuindo para o reforço da democracia como base da estrutura política do país.

E como afirmou Fidel, “parece-me justo dizer que a história da nossa gloriosa Revolução não se poderia escrever sem a história dos Comités de Defesa da Revolução”

(Celino Cunha Vieira - Cubainformación)




sexta-feira, 26 de setembro de 2014


MISSÃO NA SERRA LEOA

Quando esta semana ouvi as declarações do presidente Obama sobre a ajuda que os EUA iriam dar no combate à calamidade do ébola, logo me veio à memória as mesmas promessas após o sismo no Haiti que até hoje não foram cumpridas. E isso pode ser testemunhado pelos organismos internacionais e por todo o pessoal de saúde que de imediato Cuba enviou para aquele território e que ainda hoje aí mantém gratuitamente um contingente considerável. Os outros, os das promessas, mandaram militares para, segundo diziam, garantir a segurança, tal como o afirmam agora em relação à Serra Leoa.

A grande diferença é que nenhum dos integrantes que irão compor a força militar norte-americana que se deslocará para a Serra Leoa irá proporcionar cuidados directos aos doentes infectados, enquanto Cuba já há muito que mantém naquele país africano uma brigada de 23 colaboradores e outros 16 na Guiné Conakry, país onde a epidemia também se tem expandido, estando já preparada uma brigada cubana constituída por 165 médicos e enfermeiros que aí chegarão já na próxima semana para trabalharem no terreno em contacto directo com aqueles que correm risco de vida.

A este propósito e já que pouco ou nada é divulgado, Cuba tem neste momento mais de dois mil técnicos de saúde espalhados por cerca de 33 países africanos, para além de ter ajudado a fundar escolas de medicina e continuar a manter centenas de profissionais que ministram aulas desde 1984 na Etiópia, 1986 no Uganda, 1991 no Ghana, 2000 na Gâmbia, 2001 na Guiné Equatorial e 2004 na Guiné Bissau, ajudando a formar o pessoal técnico de saúde de que tanto carecem.

Isto sem esquecer a Escola Latinoamericana de Medicina com sede em Havana, a qual oferece os seus serviços gratuitamente a centenas de alunos oriundos de mais de 44 países africanos que aproveitam as bolsas de estudo concedidas a países sem recursos económicos e que ao longo de seis anos aí estão instalados até se formarem e regressarem aos seus países de origem, com o compromisso de aí trabalharem em comunidades desprovidas de cuidados de saúde.

Desde 1963 que Cuba mantém missões internacionalistas de paz, tendo a primeira brigada médica partido para a Argélia, cifrando-se em mais de 132 mil o número de profissionais de saúde cubanos que colaboraram noutras nações, tendo prestado os seus serviços a mais de 300 milhões de pessoas, realizado para cima de 2 milhões de intervenções cirúrgicas e vacinado 9 milhões de crianças.

Apesar desta cooperação, Cuba tem sido capaz de manter e em alguns casos até melhorar os seus indicadores nacionais de saúde, com uma proporção de um médico por cada 170 residentes, em contraste com outros países, mesmo os do chamado 1.º mundo onde as diferenças são bem maiores.

Estes dados falam por si e são a resposta cabal para aqueles que tentam denegrir o prestígio e a bondade dos médicos cubanos, que espalhados por todo o mundo não esquecem as suas raízes, desempenhando a sua profissão de forma humanitária e não mercantilista, com total dedicação aos seus pacientes para lhes minimizar o sofrimento. Aos que partem agora para a Serra Leoa desejamos-lhes as maiores felicidades e que a sua missão seja coroada com muito sucesso.

(Celino Cunha Vieira - Cubainformación)



quinta-feira, 11 de setembro de 2014

CUBA VENCERÁ? CUBA JÁ VENCEU!

Oiço muitas vezes gritar que “Cuba Vencerá” e tal como afirmei no jantar com René que se realizou no Seixal e onde o recebemos com toda a dignidade que ele e os restantes Companheiros merecem, prestando a um Herói Nacional de Cuba a devida homenagem sem falsas ou interesseiras amizades, “Cuba já Venceu”.

Venceu a guerra pela Independência e aboliu a escravatura; venceu a tirania de Baptista e iniciou uma Revolução; venceu o analfabetismo e o obscurantismo com séculos de existência; venceu a batalha da Praia Girón quando os EUA tentaram invadir o país; venceu um duro período especial após a queda do bloco socialista; venceu sempre e quase por unanimidade por mais de 20 vezes e em anos consecutivos a votação das Nações Unidas de condenação ao criminoso bloqueio económico, financeiro e comercial imposto unilateralmente pelos EUA com vista a provocar “a fome, o desespero e o derrube do governo cubano”; venceu as mais de 500 tentativas de atentado ao seu líder histórico; venceu no sector da saúde, da educação, da cultura e do desporto; venceu na investigação científica e em tantos outros sectores, que, sem receio de desmentido, pode dizer-se que Cuba é um país já vencedor, quando alguns, há uns anos, receavam o fim da Revolução e hoje se aproveitam dos seus êxitos para se colarem ao seu sucesso.

Quem conhece um pouco da história cubana sabe quantos sacrifícios foram necessários para se poderem obter os resultados que estão à vista de todos e que só os mais cépticos ou quem tem reservas mentais não quer reconhecer, independentemente das suas origens ideológicas.

É certo que ainda existe muito por fazer, até porque uma Revolução nunca está terminada, mas como diz Fidel, “Revolução é fazer tudo o que tem de ser feito” e as transformações que se estão a operar, principalmente no aspecto económico, contribuirão para um cada vez melhor nível de vida dos cidadãos, tendo sempre presente as conquistas sociais já alcançadas e as garantias constitucionais baseadas nos princípios da Revolução que são inalteráveis.

Na recente visita de René ao Seixal ao ser entrevistado na Rádio Baía, perguntaram-lhe porque os EUA ainda não tinham voltado a tentar invadir Cuba se o tem feito noutros países, tendo René respondido que para além de Cuba não ter petróleo suficiente para essa aventura, é porque fundamentalmente os EUA não esqueceram a humilhação que tiveram em 1961 na Baía dos Porcos e sabem que agora teriam de enfrentar os 12 milhões de cubanos que estão unidos, treinados e preparados desde há muito para essa eventualidade, não abdicando da sua independência e soberania.

René e Fernando já estão em liberdade depois de cumprirem integralmente as suas injustas penas e temos esperança que António, Gerardo e Ramón possam brevemente voltar ao seu país e ao convívio dos seus familiares. Todo um povo os espera e nós, aqui no Seixal, onde podem contar com verdadeiros e solidários amigos, também queremos recebê-los e comemorar com os CINCO o seu regresso à liberdade.

(Celino Cunha Vieira - Cubainformación)

sexta-feira, 5 de setembro de 2014


HERÓI CUBANO NO SEIXAL

Cada vez mais se ouve falar em terrorismo e todos os países do chamado mundo ocidental e não só, tomam posições defensivas de modo a evitar que tal calamidade lhes bata à porta. Estão no seu pleno direito, tal como Cuba que desde há mais de meio século tem essa ameaça constante por parte de grupelhos sediados nos EUA que são apoiados por organismos governamentais, não pode descurar a sua segurança, tendo a obrigação de defender por todos os meios a sua população.

Mas esse direito de um país livre e independente não é reconhecido por aqueles que se julgam os donos do mundo e o baluarte da democracia, tendo injustamente condenado cinco cidadãos cubanos a pesadas penas de prisão, cujo único “crime” foi o de combaterem o terrorismo, evitando assim a perda de vidas humanas dos seus compatriotas e até de outras nacionalidades, incluindo a americana.

Os ataques e acções terroristas contra Cuba desde 1959, ano do triunfo da Revolução, causaram a morte a mais de 3.000 cubanos e lesões graves a um número similar, assim como perdas materiais calculadas em cem mil milhões de dólares; e se não fosse a acção patriótica destes e de outros cubanos que se têm sacrificado para defenderem o seu país, as cifras seriam certamente muito maiores.

Felizmente que René e Fernando já estão em liberdade depois de cumprirem integralmente as suas penas, mas não nos podemos esquecer de António, de Gerardo e de Ramón que continuam encarcerados sem qualquer justificação, a não ser a da vingança, do ódio e das políticas americanas subjugadas aos mafiosos e assassinos de Miami, que sabem como utilizar a corrupção para conseguir os seus tenebrosos intentos.

E porque vamos ter a honra de receber no Seixal o Herói Nacional de Cuba René González, o Comité Português para a Libertação dos Cinco e a Associação Portuguesa José Marti organizam um jantar de homenagem aos Cinco Heróis Cubanos com a presença de René, de sua esposa Olga, de Johana Tablada, Embaixadora de Cuba em Portugal e de outras personalidades que entretanto já confirmaram a sua presença.

Este jantar, com um custo de 10 euros por pessoa, realizar-se-á na próxima segunda-feira dia 8 de Setembro pelas 20:00 no restaurante do Clube de Pessoal da Siderurgia Nacional em Paio Pires – Seixal, estando aberto a todos aqueles que possam e desejem participar nesta justa jornada de solidariedade e de reconhecimento aos Cinco Heróis que nunca claudicaram nas suas convicções e patriotismo, encarando o seu enorme sacrifício e o das suas famílias como um contributo para tornar o mundo melhor, mais justo e mais livre.

As inscrições podem ser efectuadas até às 12:00 do próprio dia 8 através do mail: associacaojosemarti@gmail.com ou pelo tel. 968 493 654, sendo o pagamento efectuado no próprio local.

Contamos convosco e com o vosso sentido de justiça para continuarmos a defender a libertação incondicional de António, Gerardo e Ramón.

(Celino Cunha Vieira - Cubainformación)


quarta-feira, 20 de agosto de 2014


ORDEM DOS MÉDICOS PORTUGUESES
Ou será Sindicato?

Mais uma vez vem o Dr. José Manuel Silva, bastonário da Ordem dos Médicos Portugueses, fazer declarações à imprensa em relação à contratação de médicos cubanos pelo Ministério da Saúde a fim de os integrar no SNS em locais que após vários concursos públicos as vagas ficaram por preencher, como muito bem sabe o senhor bastonário, não precisando que o Ministro lhe indique onde há falta destes profissionais qualificados.

Não se vislumbra exactamente o que move o bastonário que com estas atitudes se imiscui na esfera dos Sindicatos, mas uma coisa é certa: não é assim que defende os doentes nem o Serviço Nacional de Saúde, pois se não fossem os médicos cubanos, milhares de utentes ficariam sem assistência ou então teriam de recorrer aos serviços privados.

Parece até que o Dr. José Manuel Silva defende sim o SPS (Serviço Privado de Saúde) já que este ataque cerrado à colocação destes médicos cubanos deve estar a prejudicar o negócio de clínicas e consultórios privados. Não é por acaso que um importante grupo económico mexicano quer adquirir uma posição maioritária no BES Saúde, porque o lucro está assegurado enquanto existirem pessoas no nosso país que colaborem nestes esquemas.

O bastonário deixa até escapar o comentário de que uma parte do dinheiro pago pelo Estado Português serve para financiar o regime cubano. E das duas uma: ou o bastonário é por princípio anti-cubano primário e para ele tudo é permitido em política, metendo-se onde não deve, ou então desconhece que o remanescente desse dinheiro é integralmente dirigido ao sistema de saúde em Cuba, que como se sabe, necessita de se financiar para poder renovar equipamentos e adquirir materiais no estrangeiro a fim de poder dar uma cada vez melhor assistência gratuita aos seus utentes.

Quando o Dr. José Manuel Silva afirma que centenas de médicos especialistas portugueses têm emigrado, não refere quantas centenas saíram do SNS para os hospitais e clínicas privadas onde podem ganhar o que querem, fazendo aquilo que poderiam fazer nos serviços públicos. Quando reivindica as mesmas condições para os médicos portugueses, não diz que os médicos cubanos são especialistas em Medicina Interna e que nenhum especialista português está disposto a fazer a sua carreira profissional em locais isolados e distantes dos centros urbanos, trabalhando de dia e de noite de acordo com as necessidades das populações que abnegadamente devem servir, tal como fazem os cubanos.

Considerará o bastonário quanto custa a formação integral de um médico que em Cuba é totalmente suportada pelo Estado e que por isso a saúde está completamente vedada à iniciativa privada porque é um direito adquirido por todos os cidadãos e um dos princípios da Revolução?

Porque quero acreditar na honestidade do Dr. José Manuel Silva e que tudo isto é fruto do seu desconhecimento da realidade, desafio-o para ir comigo a Cuba, onde terei todo o gosto em lhe demonstrar que está redondamente enganado.

(Celino Cunha Vieira - Cubainformación)