quarta-feira, 23 de abril de 2014


DO PRIMEIRO DE JANEIRO AO VINTE CINCO DE ABRIL

Ao aproximar-se a data comemorativa do 25 de Abril de 1974 em Portugal, vem-me à memória o dia 1 de Janeiro de 1959 em Cuba, pelas semelhanças que quer uma quer outra Revolução despertaram nas esperanças das populações por um país novo, mais justo e mais solidário, embora com motivações e origens muito diferentes, já que em Cuba foi a sociedade civil a organizar-se e a travar uma luta armada que já vinha desde 1953 com o assalto ao Quartel Moncada até à formação do Exército Rebelde que se instalou na Sierra Maestra e que desde a primeira hora teve como seu líder máximo o jovem advogado Fidel Castro.

Mas enquanto em Cuba a Revolução continua e está bem viva, em Portugal já há muito que acabou, não porque estejam cumpridos todos os desideratos, mas sim porque os poderes instituídos, internos e externos, a isso conduziram o país, escudados numa pseudo-democracia representativa que está cada vez mais caduca e completamente desactualizada, resultando num cada vez maior desinteresse pelos actos eleitorais.

Por isso, falar-se em Revolução no 25 de Abril é apenas a evocação de uma efeméride, ou, com algum esforço, fazer-se um exercício de memória sobre o que podia ter acontecido, mas não aconteceu, porque para haver Revolução têm de existir revolucionários e não apenas alguns bem instalados na vida que usam o poder para dele se servirem, à sombra dos partidos que lhes dão cobertura.

Em Cuba, por muitos erros que se tenham cometido, a Revolução continua a dar os seus frutos e a evoluir de acordo com os tempos de mudança, mas tendo sempre presente a independência e a soberania do país, consolidando as conquistas alcançadas no sector social e adaptando-se às novas medidas nos aspectos económicos. Como diz Fidel, “Revolução é fazer aquilo que tem de ser feito” e por isso ela nunca está acabada e tem permanentemente de se manter em evolução.

Portugal e os portugueses têm hoje de se sujeitar a directivas estrangeiras, não se sabendo como vai ser o amanhã, independentemente de quem esteja no poder, já que há muito se perdeu a possibilidade de o povo poder determinar o seu destino, tendo de aceitar tudo aquilo que “democraticamente” lhe impõem, até ao dia em que finalmente possa haver uma verdadeira Revolução.

No próximo dia 25 de Abril vamos ouvir mais uns discursos, não muito diferentes dos anteriores e tudo vai continuar na mesma, ou pior, porque temos de pagar a “dívida” e os juros da “divida” sem que para isso tivéssemos sido consultados ou que disso tivéssemos beneficiado.

Quando alguns iluminados falam de Cuba e do seu sistema político, desconhecendo as realidades, seria bem melhor que olhassem à sua volta e vissem as diferenças que existem no seu próprio país, onde as desigualdades são cada vez maiores e o futuro uma incógnita.

(Celino Cunha Vieira - Cubainformación)



terça-feira, 22 de abril de 2014


ADRIANA E EFRÉN
Vítimas do terrorismo em Portugal

Assinalam-se hoje, dia 22 de Abril, os 38 anos decorridos sobre o cobarde atentado à bomba na Embaixada de Cuba em Lisboa, onde morreram dois funcionários diplomáticos cubanos, Adriana Corcho Calleja e Efrén Monteagudo Rodriguez, de 36 e 33 anos respectivamente, vítimas de um dos 165 criminosos actos terroristas que entre 1974 e 1976 foram executados contra representações e diplomatas cubanos em 24 países diferentes, organizados e perpetrados pelas organizações contra-revolucionárias com sede em Miami e apoiadas pelos governantes norte-americanos.

Na tarde do fatídico dia 22 de Abril de 1976, produziu-se a explosão de uma bomba de alto poder destrutivo colocada na escadaria junto à porta de um dos apartamentos que ocupava a sede diplomática no sexto piso de um edifício da Av. Fontes Pereira de Melo em Lisboa. Adriana, ao detectar a presença da carga explosiva e compreendendo o perigo, alertou os restantes companheiros, retirando-se para o interior a fim de tomar as medidas de segurança pertinentes, quando foi surpreendida pelo rebentamento. Os dois pisos que ocupava a representação cubana sofreram grande destruição, assim como os vários apartamentos próximos tiveram consideráveis danos.

Não deixa de ser curioso que no dia 30 de Janeiro desse mesmo ano George H. Bush tenha assumido funções como director da CIA e que a partir de então, na medida em que os grupos terroristas anti-cubanos fortaleciam as suas relações com o clã Bush, se tenham incrementado as agressões contra os interesses de Cuba no estrangeiro. Parece que nada acontece por acaso ou por simples coincidência.

Quando actos desta natureza são perpetrados contra interesses americanos, vem logo a Casa Branca condená-los, mas em coerência, deveria o Presidente Obama reprovar e perseguir todos aqueles que se dedicam a tais práticas, sejam elas contra o seu país ou contra qualquer outro, não permitindo que se acoitem no seu território e que sejam treinados e financiados pelas instituições governamentais norte-americanas.

As autoridades cubanas rejeitam e condenam inequivocamente todo o acto de terrorismo em qualquer parte do mundo, sob qualquer circunstância ou quaisquer que sejam as motivações que se aleguem.

Adriana e Efrén foram vítimas mas não morreram em vão e sempre serão recordados em Portugal e em Cuba como revolucionários, que ao serviço do seu país caíram em combate tal como o Herói Nacional José Marti, na defesa dos seus ideais e do seu povo.

(Celino Cunha Vieira - Cubainformación)



quinta-feira, 10 de abril de 2014


A CIA, A USAID E A REDE SOCIAL ZUNZUNEO

Quando na passada semana escrevi sobre os pseudo “dissidentes” ainda não tinha vindo a público mais uma outra façanha da USAID que tem o pomposo nome de Agência dos Estados Unidos para Ajuda ao Desenvolvimento, criada em 1961 para hipoteticamente promover programas de cooperação com outros países nas áreas da agricultura, educação, saúde e assistência humanitária, mas que na prática e em estreita colaboração com a CIA, apenas serve para provocar acções desestabilizadoras em países não alinhados com a sua política, num claro desrespeito pelas normas internacionais e violando todas as convenções e tratados.

Esta Agência, que dispondo de avultadas quantias pagas pelos impostos dos cidadãos americanos e que desde há anos vem tentando criar uma “primavera cubana” tal como aconteceu nos países do médio oriente, foi agora posta em causa numa investigação da “Associated Press” onde são revelados os seus ilegítimos processos de actuação e onde gastaram ilegalmente mais de um milhão e meio de dólares com a criação de uma rede social de nome “ZunZuneo” para mudar o regime em Cuba.

Os administradores da rede financiada pela USAID chegaram a enviar cerca de dois milhões de mensagens aparentemente inofensivas, com o objectivo de mais tarde enviar outras tantas com apelos à revolta e mobilização, principalmente dos jovens, já que estes estão mais familiarizados e receptivos à troca de SMS. Esta acção faz parte de um amplo e sujo plano subversivo que utilizando as novas tecnologias, é complementado pelo pagamento de alguns dólares a grupelhos facilmente manipuláveis para que criem a desordem e o descontentamento das populações até as levarem à violência, tal como já aconteceu noutros países.

Mas em Cuba deram-se mal e o dinheiro que gastaram de nada lhes serviu porque desvalorizaram a consciência revolucionária dos jovens e de todo o povo cubano que não se deixa iludir facilmente e sabe que a sua independência e soberania são conquistas inalienáveis.

A política externa dos EUA, principalmente em relação a Cuba está completamente obsoleta e não faz qualquer sentido a continuação de um bloqueio comercial, económico e financeiro que prejudica ambas as partes, apenas por mero capricho de uns quantos mafiosos que nunca aceitaram a Revolução, mas que têm dinheiro e influência suficiente para exercerem pressão sobre as autoridades governamentais e a opinião pública americana a quem é escondida a verdade sobre a realidade cubana, com o pretexto da ameaça comunista.

Felizmente que os ventos estão a mudar e recentemente a ONG americana “Global Exchange” atribuiu o seu prémio anual aos cinco heróis cubanos, escolhidos entre outros pela seu destacado labor na luta contra o terrorismo, pela justiça e pelos direitos humanos, lembrando que foram condenados sob falsas acusações, encontrando-se três ainda presos. Este galardão será apresentado oficialmente no próximo dia 8 de Maio numa gala que se realizará em San Francisco, na Califórnia, constituindo um importante passo para que seja finalmente feita justiça.

(Celino Cunha Vieira - Cubainformación)



sexta-feira, 4 de abril de 2014


QUE DISSIDÊNCIA EXISTE EM CUBA?

Ao longo de mais de 150 crónicas sobre Cuba que nos últimos 3 anos escrevi, sempre tentei evitar abordar o tema da dissidência interna, não porque ela não exista, mas sim porque entendo que sendo tão insignificante e de duvidosa seriedade, não lhe deveria dar importância nem publicidade.

Mas desta vez não me contive porque os factos só comprovam o que penso dessa gente sem escrúpulos que se vende por um punhado de dólares, renegando princípios, traindo a pátria e colaborando com aqueles que tanto mal têm feito aos seus concidadãos.

Os auto-proclamados dissidentes cubanos recebem dinheiro oriundo dos impostos que os cidadãos norte-americanos pagam, fazendo disso uma forma de vida, até descobrirem que uns recebem mais que outros e aí lá se vai a “dissidência” com acusações mútuas e denúncias das vigarisses que praticam. Há quem receba para além da mesada, também equipamentos electrónicos como computadores, tabletes, plasmas, telefones celulares, etc., que deveriam ser distribuídos para aliciar outras pessoas para a sua “causa” mas que acabam por ser vendidos no mercado negro e assim amealharem mais uns dinheiritos. É esta gente sem moral e a que nem ao próprio dono que os alimenta são fiéis, que os media querem fazer passar por opositores, apressando-se a reproduzir todas as suas mentiras e invenções, de modo a desacreditar o legítimo governo cubano.

Existe até uma cubana que tem um blogue e que se licenciou gratuitamente em filologia hispânica à custa do seu país, que supostamente é perseguida pelas autoridades, mas que circula livremente por onde quer, até com visitas ao estrangeiro para participar em palestras organizadas para denegrir Cuba, recebendo avultadas quantias pelo seu abnegado “trabalho”.

Para já não falar de umas certas “damas” que se vestem de branco e que se não fosse a protecção policial já há muito tinham desaparecido, porque os cubanos que diariamente trabalham e lutam para garantir o seu sustento e dos seus familiares, não suportam esta gente oportunista e que é paga para exercer provocações.

Se há povo que é crítico, esse é sem dúvida o cubano, que não se resigna e que não perde a oportunidade de se manifestar quando entende que o deve fazer, mas fá-lo de maneira ordeira e nos locais próprios, sabendo que a democracia participativa assenta no povo e que é neste que está o verdadeiro poder.

Há gente insatisfeita? Claro que sim e outra coisa não se poderia esperar, mas todos sabem o que a Revolução proporcionou, mesmo com alguns erros de percurso, mas também com enormes conquistas de carácter social que muito poucos países do mundo se podem orgulhar, tendo em vista os relatórios das mais prestigiadas e insuspeitas organizações internacionais que reconhecem o esforço que tem sido feito por uma nação que há mais de 50 anos sofre com um criminoso bloqueio comercial, económico e financeiro perpetrado pela maior potência bélica.

(Celino Cunha Vieira - Cubainformación)




quinta-feira, 20 de março de 2014


ESPOSA DE RAMÓN EM PORTUGAL

Aproveitando a passagem por Lisboa de Elizabeth Palmeiro, esposa de Ramón Labañino, um dos cinco heróis cubanos injustamente condenado e preso nos EUA desde Setembro de 1998 por ter cometido o “crime” de combater o terrorismo, tive a honra de a conhecer e de trocar algumas impressões sobre o processo judicial que não passou de uma fraude montada com fins políticos e que apenas serviu para sacrificar inocentes como forma de vingança contra um país livre e soberano.

Os ataques e acções terroristas contra Cuba desde 1959, ano do triunfo da Revolução, causaram a morte a mais de 3.000 cubanos e lesões graves a um número similar, assim como perdas materiais calculadas em cem mil milhões de dólares; e se não fosse a acção patriótica destes e de outros cubanos que se têm sacrificado para defenderem o seu país, as cifras seriam certamente muito maiores.

Sem ter os meios mais elementares para colocar as suas ideias por escrito, Ramón foi capaz de fazer uma formidável alegação durante o julgamento, passando de acusado a acusador, ao afirmar: “Nós, que temos dedicado as nossas vidas a lutar contra o terrorismo, a evitar que actos atrozes como estes ocorram; que temos tratado de salvar a vida de seres humanos inocentes não só em Cuba, como também nos Estados Unidos, estamos hoje nesta sala para sermos condenados precisamente por evitar estes actos. Esta condenação não pode ser mais irónica e injusta!”

E continuou: “Porque queremos que nada disto ocorra em Cuba ou em qualquer parte do mundo, tudo o que fizemos foi tentar salvar a vida de seres humanos inocentes, evitando o terrorismo e evitando uma estúpida guerra. Com a nossa detenção tudo o que se pretendeu foi silenciar a fonte de informação e de denúncia destes actos, ocultando a verdade, enquanto os verdadeiros criminosos continuam alegremente a percorrer as ruas lá fora, rindo-se desta sala. Não pode haver maior ofensa e mancha para estas autoridades, para esta bandeira que preside a este local e este escudo que representa o ideal da verdadeira justiça. Se por evitar a morte de seres humanos inocentes, se por defender os nossos dois países do terrorismo e evitar uma invasão inútil a Cuba é que me condenam, pois então bem-vinda seja essa condenação!”

De salientar que Ramón e os restantes companheiros foram aliciados a deporem contra Cuba com a promessa de benesses para si e suas famílias e ao recusarem a mentira, vieram a sofrer as consequências por parte de umas autoridades que envergonham a justiça norte-americana.

A esposa de Ramón e os restantes familiares de António e de Gerardo continuarão a sua abnegada luta pela libertação incondicional dos 3 heróis ainda presos, podendo contar com o apoio das mais prestigiadas entidades e organizações internacionais, para além do governo e de todo o povo cubano e dos milhões de amigos espalhados pelo mundo, que esperam a reposição da justiça por parte do Presidente Obama.

(Celino Cunha Vieira - Cubainformación)





segunda-feira, 17 de março de 2014


MELHORES COMUNICAÇÕES

Ao contrário do que muitos têm vaticinado, principalmente aqueles que sempre estão contra qualquer medida que seja tomada pelo governo cubano, as linhas de orientação para o desenvolvimento da economia têm vindo a ser cumpridas passo a passo, não obstante as dificuldades que sempre existem quando se pretendem implementar reformas estruturais, modificando conceitos já ultrapassados por um mundo inevitavelmente globalizado. Revolução é fazer aquilo que tem de ser feito e nisto Cuba está no bom caminho para proporcionar a todos as oportunidades a que têm direito, sem nunca descurar as principais conquistas da Revolução nem esquecer os ensinamentos de José Marti.

Embora possamos considerar que o uso das comunicações móveis não seja um bem de primeira necessidade ou até em determinados casos que seja um bem supérfluo quando existem outras carências, o que é certo é que em Cuba os telemóveis de uso pessoal têm tido um forte incremento, com tendência para que este serviço se generalize à maioria da população.

Graças às novas tecnologias entretanto implantadas no país, foi possível diminuir substancialmente os tarifários que se praticavam, podendo prever-se que dentro de pouco tempo se possa atingir um número de utilizadores idêntico ao de outros países ditos desenvolvidos.

Ao nível das comunicações Cuba continuará a fazer um esforço para se modernizar, crescendo também dia a dia a utilização dos meios informáticos e de acesso à Internet, na medida em que um povo culto e informado nunca se deixará manipular por quem quer que seja.

É fácil criticar quando não se conhece a realidade ou quando por razões mentais se tenta denegrir um sistema que dura há mais de 50 anos com todas as dificuldades que lhe são impostas do exterior, dizendo-se que os cubanos não podem sair do seu país nem contactar com o mundo que o rodeia, quando isso não passa de mais uma falsidade que de tanto apregoada, até parece verdadeira para os mais distraídos.

Porque aquilo que não se diz – ou é omitido – é da dificuldade que os cubanos têm na obtenção de vistos junto das Embaixadas dos países para onde pretendem viajar, sem os quais não podem sair, em especial para os EUA cujo governo se comprometeu a conceder 20.000 vistos anuais e que dificilmente tem chegado aos 5.000, porque não está interessado em acolher gente séria e honesta, mas apenas aqueles que possam engrossar os grupelhos de Miami que actuam contra Cuba.

Em Portugal vivem e trabalham legalmente cerca de 1.200 cubanos perfeitamente integrados na nossa sociedade e que contribuem para o seu país da maneira que podem, ajudando com o seu esforço – mesmo que à distância – a que a Revolução progrida e cumpra os seus objectivos, sendo merecedores do nosso respeito e consideração por lutarem por um mundo melhor longe da Pátria e dos seus familiares.

(Celino Cunha Vieira - Cubainformación)




quinta-feira, 6 de março de 2014


MÉDICOS CUBANOS EM PORTUGAL

Por absoluta necessidade de cobrir com serviços médicos determinadas zonas do país, que após concursos abertos para ocupar essas vagas não apareceram candidatos, o Ministério da Saúde de Portugal assinou um convénio com o seu homólogo cubano, vindo assim a partir de 2009 a integrar no SNS um grupo de médicos cubanos, todos reconhecidos pela respectiva Ordem, que prestam os seus serviços por períodos de 2 anos, renováveis, existindo no momento 39 especialistas em medicina familiar, distribuídos por 17 Municípios das regiões de Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e Algarve.

No início pensou-se que o problema da língua poderia constituir uma dificuldade de entendimento, mas rapidamente se constatou que isso não seria nenhum obstáculo, já que a adaptação se faz rapidamente e se estabelece uma excelente relação com doentes, colegas e restante pessoal técnico e administrativo.

Num périplo efectuado pela Embaixadora Johana Tablada de La Torre por todos os Municípios onde estão colocados estes médicos, esta foi testemunha do carinho e da consideração de que gozam estes profissionais por parte das populações que atendem, bem como do reconhecimento dos autarcas que consideram imprescindíveis os serviços que são prestados nos lugares mais recônditos dos seus Concelhos, onde isolados, são autênticos “João Semana” que fazem já parte da família e onde estão perfeitamente integrados na comunidade.

Os médicos cubanos prestam os seus serviços com uma carga horária de 52 horas semanais em 16 Centros de Saúde e em 24 Extensões, onde na maioria destas são os únicos clínicos que para além da assistência quase permanente, também efectuam consultas domiciliárias, fazendo o acompanhamento dos doentes tal como sucede em Cuba, prestando assim um cuidado que é reconhecido pelas populações, gratas pelo seu empenhamento e solidariedade.

De acordo com a Dra. Maria del Carmen Casanova, representante dos Serviços Médicos Cubanos, desde 2009 foram já consultados mais de um milhão e duzentos mil doentes e efectuadas cerca de dez mil pequenas cirurgias, para além do trabalho educativo quer individualmente, quer em sectores específicos das zonas em que estão inseridos, como escolas, centros de dia, etc.

Como se sabe o ensino da Medicina em Cuba é reconhecido internacionalmente, já que no início da Revolução existiam apenas 3.000 médicos em todo o país, com maior concentração nos centros urbanos e desde aí para cá já se graduaram mais de 100 mil, estando hoje a cumprir missões em 30 países de todo o mundo cerca de 20 mil, contribuindo com o seu valioso trabalho para ajudar a sustentar o sistema de saúde pública de Cuba.

Sabe-se que os governos de Portugal e de Cuba mantêm contactos para estender e talvez ampliar o acordo que existe, pois os resultados têm sido muito positivos e é esse o desejo das populações e das autoridades locais que estão extremamente agradecidas a estes embaixadores de bata branca.

(Celino Cunha Vieira - Cubainformación)




sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014


SENTIR CUBA

Como muitas vezes tenho dito, Cuba não é um destino turístico somente de sol, praia, salsa, rum e tabaco; é também um destino de eventos, desporto, cultura, saúde, educação, ecologia e fundamentalmente de contactos com um povo simpático, hospitaleiro e amigo.

Existem muito poucos países no mundo que possuam uma oferta tão diversificada, não obstante, pouco aproveitada pela grande maioria dos portugueses que se limitam ao “tudo incluído” em Varadero ou num “Cayo”, com uma breve passagem por Havana.

Mas existem muitas outras alternativas aos “pacotes” tradicionais, havendo um novo despertar para o destino Cuba, com ofertas diferentes e atractivas que podem ir ao encontro dos desejos mais exigentes, usufruindo de momentos únicos e inolvidáveis.

Cuba é luz, cor, sabor, alegria e calor; é areias pintadas de mar, um paraíso de águas transparentes e tranquilas; é terra de contrastes, um espectáculo natural; é um mar de cidades marcadas pelo tempo, com inesgotáveis valores histórico-patrimoniais; é som de tambores, sussurro de violinos; é gente alegre e desenfadada, mistura de raças e culturas; é branca, negra, urbana, campestre, marinheira; é o seu povo entusiasta, alegre e sensível que desfruta do exclusivo dom de saber partilhar a sua alegria e fascinar a quantos o conhecem.

Sendo Cuba um país pródigo em manifestações artísticas, tem contribuído para a cultura internacional com importantes nomes de escritores, pensadores, bailarinos, músicos, artistas plásticos, poetas e cantores. Possuindo diversificadas infra-estruturas culturais, nomeadamente teatros, museus, galerias de arte e cinemas, em que se apresentam não só mostras do acervo nacional de todos os tempos, como também da arte mundial, Cuba apresenta-se como um país em que o visitante tem a rara oportunidade de percorrer a história, quase fazendo parte dela.

Também numa perspectiva ecológica Cuba tem sabido preservar os seus recursos, mantendo intactos diversos parques nacionais e zonas rurais, onde os visitantes podem fazer caminhadas por áreas protegidas e reservadas de altos valores naturais e paisagísticos, observar as mais de 350 espécies de aves da abundante e variada flora e fauna no seu estado natural, assim como passeios a cavalo ou em bicicleta, com alojamento em unidades rurais, entrando em contacto directo com as comunidades locais e apreciar de perto os seus costumes, tradições e labor diário.

Cuba, é sem dúvida, um excelente destino para umas férias em qualquer altura do ano e onde não existem limites para a imaginação, sempre com a máxima segurança, não por ser um país extremamente policiado, mas porque as suas gentes são pacatas e tranquilas, respeitadoras do seu semelhante e que sabem receber como ninguém.

Por tudo isto, não deixe de ir a Cuba, para poder conhecer uma outra realidade muito diferente daquela que muitos meios de comunicação querem fazer crer.


(Celino Cunha Vieira - Cubainformación)

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quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014


CONGRESSOS, FEIRAS E FESTIVAIS

Os inúmeros eventos que se realizam em Cuba têm vindo a aumentar o seu prestígio e o número de participantes internacionais oriundos de todo o mundo, levando a que em determinadas ocasiões, como sucede neste momento, não haja disponibilidade em qualquer hotel da cidade de Havana.

Esta semana por exemplo, decorre o IX Congresso Internacional de Educação Superior – Universidade 2014, sob o tema “Por uma Universidade Socialmente Responsável” que conta com a presença de destacadas personalidades e representantes de organismos internacionais, autoridades académicas e governamentais ligadas ao sector de mais de 60 países, que têm assim a possibilidade de abordar o tema proposto e ver como Cuba tem sabido ultrapassar as dificuldades nesta e noutras áreas, servindo de exemplo a outros que em teoria dizem preocupar-se com a educação, mas que na prática pouca ou nenhuma importância lhe atribuem.

Sendo Cuba um pequeno país, não deixa contudo de poder mostrar ao mundo como se pode ter uma educação superior gratuita e sem qualquer discriminação, na qual o limite para o seu acesso reside apenas no talento individual que qualquer candidato possua, ao contrário do que se passa em muitos outros países em que as dificuldades económicas impedem o acesso a uma formação qualificada.

Mas também teve início a 23ª edição da Feira Internacional do Livro que se estenderá em Havana por 10 dias e que depois percorrerá outras cidades até Março, onde para além dos aspectos meramente comerciais, existe todo um conceito de cultura integrado em várias iniciativas paralelas, de modo a atingir todas as faixas etárias da população, motivando-as para a leitura e o conhecimento.

Antes do triunfo da Revolução não existia em Cuba um sistema editorial e mesmo os maiores escritores tinham de publicar os seus livros fora do país. Só a 31 de Março de 1959 (Dia do Livro Cubano) foi criada a Imprensa Nacional de Cuba e mais tarde, em 1962 a Editorial Nacional, presidida por Alejo Carpentier, já com uma visão mais ampla e uma estratégia de recuperar o mais importante da cultura cubana e universal, pondo-a ao serviço dos leitores, após a revolucionária campanha de alfabetização iniciada no ano anterior.

Lá mais para o final deste mês terá lugar o XV Festival do Habano, onde os apreciadores dos melhores charutos do mundo podem desfrutar de novas vitolas que serão lançadas no Festival pela Empresa Habanos SA e descobrir as raízes e os segredos da secular tradição nas visitas a fábricas e a plantações de tabaco de Vuelta Abajo em Pinar del Rio, para além de usufruírem de um programa social que terá o seu auge na Gala de encerramento com um concerto exclusivo.

Por todas estas razões a cidade vibra com tanto movimento e orgulha-se de saber receber bem quem a visita e que fica sempre com vontade de lá voltar.

(Celino Cunha Vieira - Cubainformación)



sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

REGIÃO LIVRE E DE PAZ

Com a recente inauguração da 1ª fase da Zona Especial de Mariel e a realização da Cimeira dos Países da América Latina e do Caribe, tem vindo a intensificar-se o afluxo de empresários de todo o mundo a Cuba para verificarem “in loco” as reais condições para aí desenvolverem os seus negócios, despertando para as potencialidades existentes e as facilidades concedidas pelo governo cubano a quem quer honestamente investir no país, independentemente do bloqueio económico, comercial e financeiro imposto pelos sucessivos governos dos Estados Unidos da América desde há mais de 50 anos e que já causou um prejuízo directo muito superior a 1 bilião de dólares.

Neste momento e com o desenvolvimento nos mais variados sectores da economia cubana, este injusto bloqueio não só prejudica o povo cubano como também as empresas americanas que desejam expandir-se para um mercado que até aqui lhes tem sido impedido explorar devido às erradas políticas dos seus governantes, que utilizam estes ignóbeis métodos numa clara ingerência condenada pelas mais variadas personalidades e organizações internacionais.

Um Continente que abarca 35 países e em que 33 fazem parte de uma comunidade que acaba de proclamar por unanimidade a zona livre de armas nucleares, consagrando o princípio de que os conflitos serão resolvidos através do diálogo e da negociação, rejeitando qualquer tipo do uso da força ou ameaça do seu uso, reivindicando a não intervenção nos assuntos internos de outros Estados, o direito à soberania e à autodeterminação, o reconhecimento de que cada povo decida qual o regime económico, político, social e cultural que muito bem entenda, com o fundamento da preservação da paz e da cooperação entre os países membros.

É evidente que a Comunidade rejeita a presença das bases militares dos EUA e da Grã-bretanha nos seus territórios, em especial em Guantánamo e nas Malvinas, exortando estes países a que procedam à eliminação de armas nucleares que armazenam ou circulam nos seus submarinos na América Latina e no Caribe, assim como à retirada da IV Frota Americana da região que ameaça a paz e a liberdade de cada país.

Poder-se-á concluir que se o governo norte-americano não admitir os seus erros e não reconhecer estas evidências, ficará cada vez mais isolado e dificilmente poderá recuperar o prestígio e a influência de outros tempos, mesmo que continue a utilizar os meios subversivos que sempre utilizou para se imiscuir nos destinos de outros países, porque na América Latina e no Caribe já são sobejamente conhecidos os seus hediondos métodos.

A Revolução Cubana serviu de exemplo para a libertação de outros povos e hoje, passados 55 anos do seu triunfo, continua bem viva e actual, sendo reconhecidas e comprovadas internacionalmente as conquistas alcançadas com muitos sacrifícios, mas com uma grande dedicação e dignidade.

(Celino Cunha Vieira - Cubainformación)