quinta-feira, 9 de junho de 2016


HAVANA, CIDADE MARAVILHA

A partir de agora, Havana já é oficialmente considerada “Cidade Maravilha do Mundo Moderno”, tendo sido inaugurado no passado dia 7 um elemento escultórico com placa comemorativa à entrada da baía, frente ao “Castillo de San Salvador de la Punta” assinalando-se assim o reconhecimento de milhões de pessoas de todo o mundo que votaram durante o ano de 2014 num concurso organizado pela Fundação Suíça “New7Wonders” que seleccionou inicialmente 1.200 cidades de aproximadamente 220 países até se chegar à fase final com apenas 14 candidatas.

Até ao dia 11 decorrerão diversas actividades alusivas à distinção, onde terão lugar conferências, um desfile de “comparsas” no passeio do Prado, uma mostra pictórica de estudantes da Academia de San Alejandro, um festival desportivo e apresentações ao ar livre de concertos musicais, teatro, ballet, coros, Buena Vista Social Club e muitos outros.

Quem já visitou a cidade sabe que é inteiramente justa esta designação, pois atendendo às vicissitudes porque o país tem passado, com um bloqueio económico, comercial e financeiro que obriga a desviar recursos para bens essenciais, tem mesmo assim conseguido uma excelente recuperação do seu centro histórico levada a cabo pelo Gabinete do Historiador, dirigido pelo Dr. Eusébio Leal, constituindo sem dúvida, um bom exemplo do que se pode fazer com parcos meios, mas com muita imaginação, muito trabalho e muito amor.

O tremendo esforço que tem sido feito para preservar e manter a traça de edificações em ruínas transformando-as em modernas instalações destinadas gratuitamente a importantes sectores sociais como infantários, centros de dia ou lares para idosos com unidades de cuidados paliativos, para além de novos museus, galerias de arte, restaurantes temáticos ou hotéis de charme, constitui uma notável obra digna de ser apreciada e reconhecida.

Havana, classificada como Património da Humanidade pela UNESCO desde 1982, é uma das cidades mais bonitas do mundo, com um passado que a honra, mas sobretudo com um presente em que harmoniosamente se misturam culturas e estilos arquitectónicos que chamam a atenção pela sua diversidade e contraste entre o antigo e o moderno, entre o clássico e o contemporâneo.

Modestamente mas com orgulho, Portugal está bem representado, pois muitos dos azulejos que indicam o nome das ruas do Centro Histórico foram executados no nosso país pela Fábrica de Olaria da Viúva Lamego, pelo painel representando Eça de Queiroz numa das paredes da “Casa de las Infusiones” em “la calle Mercaderos” e pela estátua de Luís Vaz de Camões situada frente ao Hotel Ambos Mundos e que só foi possível concretizar graças ao extraordinário empenhamento da Embaixadora Johana Tablada que contou com o apoio do Instituto Camões e que foi inaugurada em 2014 pelo Secretário de Estado Luís Campos Ferreira em representação do governo português.

Motivos não faltam para visitar Havana e muitas outras cidades e locais de Cuba.

(Celino Cunha Vieira-Cubainformación)



quinta-feira, 26 de maio de 2016


EL CABALLERO DE PARIS

Invariavelmente quem percorre o Centro Histórico de Havana encontra na Praça de S. Francisco, junto ao Convento, uma escultura de bronze em tamanho real da autoria do escultor José Villa Soberón que representa “El Caballero de Paris” despertando a atenção de quem passa por ser uma figura enigmática e desconhecida da grande maioria dos visitantes.

Por vezes cria-se uma enorme fila para se conseguir posar junto a ele, adoptando-se posições pouco comuns, já que segundo reza a lenda, para dar sorte, deve segurar-se uma das suas mãos, apertar a sua ponteaguda barba e pisar-lhe um dos pés. Nunca ninguém comprovou que uma foto tirada assim com o “Caballero de Paris” trouxesse mais sorte, mas não custa nada acreditar que ele, sepultado mesmo ali ao lado, pode contibuir para isso.

Mas quem era esta personagem? Nascido na Galiza em 1899, José Maria López Lledín chegou a Havana em 1913 com a idade de 13 anos para se juntar a um tio que antes havia emigrado para Cuba. Teve vários ofícios e a partir da década de 50 começa a vaguear pela capital sendo descrito como explorador das ruas onde atraia quem passava para escutar as suas reflexões sobre a existência humana, a religião, a política e os acontecimentos do cotidiano.

Não sendo considerado um vagabundo, exibia um cabelo comprido e desgrenhado, uma farta barba e unhas retorcidas por as não cortar, trajando sempre de preto e dormindo onde calhava, nunca se separando de uma pasta com papéis e de um saco com os seus pertences. Nada pedia pelas suas histórias mas aceitava as ofertas que lhe faziam, retribuindo com um cartão feito à mão por ele como reconhecimento escrito da bondade de quem o ajudava.

Diz-se que por um desgosto de amor nunca casou e que a designação de “Caballero de Paris” provém de uma novela francesa com um personagem parecido, por deambular pelo Paseo del Prado que tem uma calçada semelhante à do Louvre ou por ter trabalhado no restaurante Paris. Existem muitas versões e toda a sua vida está repleta de peripécias, algumas até contraditórias, pois as narrações orais levam muitas vezes ao exagero e à efabulação.

Esta figura mitificada de orador e escritor de rua converteu-se na palavra andante e no contador da história que passa de boca em boca, representando uma parte da cultura urbana que vale a pena evocar e preservar, como símbolo de uma época em que a comunicação era bem diferente daquela que é hoje.

José Maria López morreu em 1985 com a idade de 86 anos e foi sepultado no Convento de S. Francisco de Assis, como homenagem à lenda viva de que muitos ainda se lembram e que faz parte da história da cidade que em cada recanto tem muito por contar.

El Caballero de Paris espera-os em Havana para que possam retratar-se com ele. Se não der sorte, pelo menos ficam com uma boa recordação.

(Celino Cunha Vieira-Cubainformación)



quinta-feira, 19 de maio de 2016


CRIANÇAS DE CHERNOBYL

Passados 30 anos sobre o fatídico dia 26 de Abril de 1986 em que ocorreu na cidade de Chernobyl na Ucrânia o maior acidente nuclear de que há memória, com um impacto superior ao de Fukushima no Japão em 2011, Cuba continua a receber anualmente cerca de 800 crianças ucranianas para serem tratadas dos efeitos nocivos herdados dos seus progenitores que foram expostos directamente às radiações e que passaram para as novas gerações as alterações genéticas causadas por aquela catástrofe que ainda hoje continua a provocar danos irreversíveis.

Para além de doenças menos graves, a maioria das crianças apresentam um quadro clínico com patologias associadas ao cancro da tiróide, leucemia, atrofia muscular, transtornos neurológicos e alopécia (redução total ou parcial de pelos ou cabelos em determinadas zonas da pele).

Cumprindo um programa multidisciplinar, ao longo dos anos já receberam tratamentos em Cuba mais de 26.000 crianças que necessitam de sol e banhos de mar como parte da terapia na aplicação de alguns produtos desenvolvidos pela ciência cubana, como a “melagenina” que ajuda a regenerar a pigmentação da pele e como a “pilotrofina” que facilita o crescimento do cabelo.

O tempo de permanência em Cuba na colónia balnear de Tarará, situada a cerca de 25 km a Leste de Havana, tem variado de acordo com a gravidade das lesões e muitos deles acabam por ficar muitos meses para além dos 45 dias recomendados, até poderem regressar em definitivo ao seu país e às suas famílias. Nos casos mais graves são geralmente acompanhados por um familiar e com a vinda de professores ucranianos têm podido continuar os seus estudos enquanto se sujeitam aos tratamentos.

Em 1992 tive o privilégio de poder visitar estas instalações de Tarará, interagir com algumas crianças e verificar a felicidade estampada naqueles rostos (alguns desfigurados pelas queimaduras, já que os primeiros tinham estado expostos directamente às radiações) mas demonstrando uma enorme vontade de viver, retribuindo com sorrisos o esforço e a dedicação que todos os técnicos de saúde cubanos estavam a fazer para que pudessem ter um futuro e uma vida bem melhor e mais digna.

Imagino que hoje são já os filhos daqueles de 1992 que recebem tratamentos em Cuba, continuando a usufruir das mesmas condições que os seus pais encontraram do outro lado do mundo a mais de 9.000 km de distância das suas casas e que aqui recordo como me sensibilizaram e me mostraram como é possível um mundo melhor.

Quando tantas vezes se fala em direitos humanos, lembro-me sempre destas inocentes crianças que têm sido acolhidas com carinho e com toda a solidariedade de um povo que tem dado provas cabais de estar sempre pronto a ajudar os mais carenciados, contribuindo para que tenham o inalienável direito à existência.

Que bom seria que os exemplos que Cuba dá ao mundo fossem seguidos por outros países que têm muito mais obrigações e capacidade económica para o fazer.

 
(Celino Cunha Vieira- Cubainformación)




quinta-feira, 21 de abril de 2016


VINTE CINCO DE ABRIL

Enquanto em Portugal se comemora a “Revolução dos Cravos” do 25 de Abril de 1974, Cuba recorda que desde este dia mas no ano de 1961, portanto há 55 anos, sofre as consequências de um bloqueio económico, comercial e financeiro imposto unilateralmente pelos EUA e que tarda em ser completamente abolido, mesmo depois de a administração norte-americana ter reconhecido a sua ineficácia para derrubar a Revolução Cubana.

O bloqueio surge na sequência do ataque mercenário em Playa Girón, na Baía dos Porcos, numa operação organizada, dirigida e apoiada pela CIA, que em 72 horas foi derrotada pelas Forças Armadas Revolucionárias comandadas por Fidel, que com os poucos meios bélicos de que dispunha, teve no entanto o apoio precioso de uma enorme multidão do povo anónimo que se mobilizou junto dos Comités de Defesa da Revolução, da Federação Cubana de Mulheres, de Organizações de Trabalhadores, de Organizações de Juventude, etc. para ajudar a combater a invasão iniciada no dia 19 de Abril e que esta semana também se comemorou os 55 anos desse acontecimento.

A batalha de Girón durou apenas 3 dias e foi a primeira grande derrota do todo-poderoso vizinho americano que não esperava uma réplica tão eficaz e organizada, saldando-se a irresponsabilidade dos EUA no sacrifício de todos os seus efectivos que morreram, ficaram feridos ou foram feitos prisioneiros, para além da perca de muito material de guerra ligeiro e pesado, alguns aviões e barcos afundados.

Mas também esta semana passam 40 anos sobre o cobarde atentado à bomba na Embaixada de Cuba em Lisboa, onde no dia 22 de Abril de 1976 morreram dois funcionários diplomáticos cubanos, Adriana Corcho Calleja e Efrén Monteagudo Rodriguez, de 36 e 33 anos respectivamente, vítimas de um dos 165 criminosos actos terroristas que entre 1974 e 1976 foram executados contra representações e diplomatas cubanos em 24 países diferentes, organizados e perpetrados pelas organizações contra-revolucionárias com sede em Miami e apoiadas pelos governantes norte-americanos, que no caso de Portugal eram representados pelo Embaixador Frank Carlucci que mais tarde viria a ser Director da CIA e Secretário da Defesa dos EUA. Adriana e Efrén foram vítimas de uma guerra suja e impiedosa mas não morreram em vão e sempre serão recordados em Portugal e em Cuba, porque ao serviço do seu país caíram em combate na defesa dos seus ideais e da sua Revolução.

Revolução que foi debatida durante o VII Congresso do Partido Comunista de Cuba realizado de 16 a 19 de Abril em Havana, que contou com a presença de mais de 1.000 delegados e 280 convidados durante os trabalhos e na sessão de encerramento com a do líder histórico Fidel Castro, de onde saíram importantes conclusões para o futuro do País, destacando, por me parecer de grande significado, a proposta do Presidente Raul Castro para que se estabeleça a idade máxima de 60 anos para integrar o Comité Central, assim como limitar os mandatos a apenas dois períodos consecutivos em cargos de responsabilidade política, contribuindo assim para o rejuvenescimento dos quadros dirigentes, numa demonstração clara da confiança que a Revolução deposita nas novas gerações que estão mais do que preparadas para a preservar e aperfeiçoar, de acordo com os princípios ideológicos e a Constituição da República.

Isto só é possível porque os cargos políticos em Cuba são efémeros e entendidos por todos como uma missão e não como um modo de vida onde se defendem interesses pessoais ou de grupos económicos. Será que nas outras democracias também é assim?


(Celino Cunha Vieira - Cubainformación)



sexta-feira, 15 de abril de 2016


INVESTIR EM CUBA

Com relações diplomáticas ininterruptas entre Portugal e Cuba há quase um século, as trocas comerciais entre os dois países nunca tiveram grande expressão, limitando-se à comercialização pontual de alguns produtos que pela sua qualidade ou produção privilegiada mais interessava de parte a parte, já que, como pequenos países e um mercado limitado, pouco despertava a atracção das empresas, embora com algumas boas excepções.

Hoje o panorama é bem diferente e cada vez mais se assiste a uma forte vontade de alterar a situação, pois quer Portugal quer Cuba necessitam de aumentar as suas exportações e procurar novos mercados. Desde 2014, ano em que foi assinado entre os dois governos um memorando com vista ao estabelecimento de consultas políticas regulares, as missões empresariais têm vindo a aumentar, assentes na diplomacia económica ao mais alto nível, podendo vaticinar-se que dentro de pouco tempo Portugal passará a ser um importante parceiro comercial para Cuba.

Actualmente Portugal já exporta para Cuba mais de 600 produtos diferenciados e distribuídos por cerca de 64 empresas, existindo algumas em fase de instalação na própria Ilha, beneficiando das novas regulações cubanas para os investimentos estrangeiros e aproveitando as potencialidades do imenso mercado de toda a América Latina e do Caribe, para além de num futuro que se espera próximo, incorporar também o norte-americano.

Para além da sua localização geográfica no centro de um mercado em expansão servido pelo Canal do Panamá e pelo futuro Canal da Nicarágua já em construção, Cuba oferece também uma mão-de-obra altamente qualificada, boas infra-estruturas básicas e uma rede de comunicações de acesso aos principais portos e aeroportos do país, um alto índice de segurança pública, assim como estabilidade política, social e jurídica, garantindo deste modo excelentes condições para a fixação de unidades industriais nos mais variados sectores que possam produzir bens dirigidos não só ao consumo interno, numa ajuda à diminuição das importações, como também à exportação.

Com a criação da Zona Especial de Desenvolvimento de Mariel, polo situado a cerca de 45 km a oeste de Havana e que conta já em pleno funcionamento com um porto marítimo de águas profundas e um moderno terminal de contentores, é de esperar que nos próximos anos venham a ser ocupados os seus mais de 465 km2, já que as empresas que aí se instalarem beneficiarão de condições excepcionais de isenção de impostos e de taxas alfandegárias para os equipamentos que necessitem de importar para a sua actividade.

Considerando as convulsões a que se assiste por esse mundo fora e as constantes oscilações dos mercados económicos, as empresas portuguesas têm em Cuba excelentes oportunidades para a sua internacionalização, atendendo a que nalguns sectores Portugal é bastante competitivo pela experiência, qualidade e inovação, bastando para isso que os empresários aprofundem o seu conhecimento sobre um país que está em transformação e aberto a receber todos aqueles que com seriedade queiram participar no seu desenvolvimento. O desafio está lançado!

(Celino Cunha Vieira-Cubainformación)


quarta-feira, 30 de março de 2016


O DIREITO À VIDA

Para quem de Cuba apenas conhece as praias, a música, o rum e aquilo que ao longo dos anos se tem escrito e comentado sobre o “tenebroso” regime dos Castro, uma mentira tantas vezes repetida transforma-se em verdade absoluta.

Nestes últimos dias por ocasião da visita do Presidente Obama, ouvimos das mais disparatadas opiniões, quer de anónimos quer de jornalistas e comentadores credenciados ou não, destacando-se a velha e já gasta questão dos Direitos Humanos em abstracto, já que não existindo nenhum país do mundo que os cumpra integralmente, é muito discutível quais os mais ou menos importantes e como são postos em prática pelos governos. Até parece que assegurar gratuitamente os direitos à vida, à educação, à saúde, à habitação, à cultura, ao desporto, etc., como se pratica em Cuba não tem qualquer importância, sendo fundamental é que o sistema seja igual ao de tantos outros países onde os direitos são apenas assegurados a quem tem dinheiro para os pagar.

Reconhecido pelas várias instituições internacionais, Cuba tem um dos maiores índices do desenvolvimento humano e foi dos primeiros países a cumprir as metas para os objectivos do milénio, mesmo enfrentando todas as dificuldades que são conhecidas, podendo orgulhar-se de possuir das mais baixas taxas de mortalidade infantil e das mais altas no que se refere à esperança de vida a nível mundial.

Ainda há dias quando participei num debate na TVI falou-se disto e de muitas outras coisas, voltando à discussão a tal lista de presos políticos em Cuba – que varia de acordo com os interesses de quem a elabora – e por isso dei-me ao trabalho de procurar uma das últimas que se publicou, para saber de quem se tratava realmente e porque estavam privados da liberdade. Deparei-me então com condenados pela prática de sabotagens e acções violentas contra a segurança interna, por atentados e tentativas de assassinato de outros cidadãos, por desvio de uma lancha de Regla com sequestro violento da tripulação e dos passageiros inocentes, por tentativa de roubo e desvio de um avião, por roubo de um iate numa marina, por fogo posto numa unidade comercial, por participação e auxílio a grupo armado oriundo dos EUA, por desertores do exército e roubo de armas, para além de muitos outros crimes puníveis em qualquer parte do mundo. Se são estes os “presos políticos” a que se referem, será melhor investigarem que crimes cometeram aqueles que há anos foram levados pelos EUA para Guantánamo e que até hoje sem acusação ou julgamento continuam encarcerados. Esses sim, são os verdadeiros presos políticos que existem em território cubano sob administração dos Estados Unidos da América. Porque será que os media e o Presidente Obama omitiram isto?

Continua a confundir-se presos de delito comum que depois de julgados e condenados pelos crimes que praticaram se transformam em opositores para que as suas famílias possam receber ajuda financeira das organizações terroristas subsidiadas pelos EUA através de programas controlados pela CIA e que visam a alteração da ordem pública em Cuba. Será que os autores dos actos descritos deveriam ficar impunes? Qual o país que assim procede?

Quanto às denominadas “damas de blanco” mais conhecidas em Cuba por “damas de banco” deveriam mudar para verde, a cor das notas de dólar que recebem para organizarem manifestações provocatórias, tal como se viu no dia em que Obama chegou a Havana. Esta gente, que recebe dinheiro de um país estrangeiro para estas acções, é dirigida por uma vigarista que à custa da ingenuidade de muitas outras tem sabido amealhar avultadas importâncias que lhe permitem viajar para onde quer e possuir no seu país avultados bens materiais sem que tenha recebido qualquer herança ou trabalhado honestamente para tal. São estes pseudo-dissidentes que estão contra o levantamento do bloqueio e a normalização das relações entre os dois países porque isso pode representar o princípio do fim das subvenções que recebem.

Consequência dos actos de terrorismo perpetrados contra Cuba desde 1959, morreram até à data mais de 3.500 cidadãos, merecendo todos eles o nosso respeito e lembrados nos momentos em que demagogicamente se fala em Direitos Humanos, porque eles também tinham esses direitos e o mais importante, o direito à vida.

(Celino Cunha Vieira-Cubainformación)



quinta-feira, 17 de março de 2016


UNIDADE, UNIDADE, UNIDADE

Na próxima terça-feira dia 22, cumprem-se 57 anos sobre o primeiro desfile e concentração da população “habanera” frente ao antigo Palácio Presidencial, hoje Museu da Revolução, com o objectivo de apoio às leis revolucionárias, destacando-se das palavras de Fidel no seu discurso improvisado em que dizia: “agora, mais que nunca, é necessária a unidade do povo e que pela primeira vez em Cuba o governo pode dirigir-se aos camponeses e aos trabalhadores em geral como a seus amigos, a seus companheiros, como aos únicos que têm direito a pedir que não fracasse a Revolução”.

Desde aí para cá foram inúmeras as dificuldades e a história, muita ainda por escrever, está repleta de exemplos que reflectem bem que só com o maciço apoio popular tem sido possível dar continuidade à Revolução, fruto da unidade e do espírito de sacrifício de um povo que não se resigna e que sabe bem o que quer para o futuro dos seus filhos. E alguém pode duvidar que sem esse permanente apoio seria possível manter uma Revolução baseada numa democracia participativa de raiz genuinamente popular?

Curiosamente, coincide esta efeméride com o segundo dia da histórica visita de Barack Obama a Cuba, ou seja, do representante de um país em que os seus sucessivos governos tudo fizeram ao longo de mais de meio século para que a Revolução Cubana não triunfasse, utilizando os mais variados meios subversivos, desrespeitando todas as resoluções da Assembleia-geral das Nações Unidas e as normas internacionais.

Mas os tempos são outros e sem ressentimentos o povo cubano saberá perdoar e saberá receber dignamente o casal Obama, com a esperança de que esta visita possa servir para um melhor relacionamento entre os dois governos, independentemente de alguns “fantasmas” que ainda possam pairar no ar, consequência dos muitos anos de costas voltadas e de constantes ataques à soberania e à independência de Cuba.

Entre outras, algumas alterações têm vindo a ser implementadas, como por exemplo a autorização de viagens aéreas directas entre os dois países até 110 voos diários, com a consequente permissão dos cidadãos americanos poderem visitar a Ilha de maneira individual na categoria de “viagens educacionais de povo a povo”, o início do normal serviço diário de correio postal, o intercâmbio comercial, o levantamento das restrições à utilização do dólar em transacções internacionais, bem como a possibilidade de investimentos em Cuba por parte de empresas estado-unidenses.

Como se constata, tudo teria sido muito mais fácil se tivesse havido a coragem que o Presidente Obama tem demonstrado, não se acobardando perante às ameaças dos bandos mafiosos de Miami que o criticam pelas posições que tem tomado e que tentarão desenvolver acções provocatórias durante a sua visita, aproveitando a cobertura mediática a nível mundial que a mesma irá ter, mas que Cuba saberá reagir com a autoridade que lhe assiste na defesa dos seus princípios e da sua segurança interna.

(Celino Cunha Vieira - Cubainformación)




quinta-feira, 10 de março de 2016


OBAMA PODERÀ COMPROVAR

Quando Barack Obama pisar solo cubano no próximo dia 20 de Março, será o segundo presidente norte-americano a visitar o país, depois de em Janeiro de 1928 Calvin Coolidge o ter feito, numa ocasião em que Cuba não passava de mais uma colónia onde não se aplicava a Lei Seca e proliferavam os bordéis e os casinos explorados por gangsters mafiosos que aí encontravam todas as facilidades para as suas actividades criminosas.

Sobre a visita de Obama a Cuba já muito se escreveu e continuará a escrever, havendo as mais variadas opiniões e prognósticos em relação ao que se irá passar num futuro próximo, alinhando os optimistas na tese de que será definitivamente levantado o embargo económico, financeiro e comercial, assim como a devolução incondicional do território de Guantánamo ocupado ilegalmente há mais de um século, fazendo eu votos para que tudo isto aconteça, pois só assim será possível a completa normalização das relações entre os dois países.

Embora o Presidente dos EUA esteja certamente bem informado e vá cumprir um extenso programa de três dias, não há como sentir e ver com os próprios olhos uma realidade que muitas vezes é deturpada com o único objectivo de denegrir todas as conquistas que a Revolução já alcançou.

Se Obama for de mente aberta, e nada me faz pensar o contrário, poderá comprovar como funciona o sistema de educação, onde praticamente foi erradicado o analfabetismo e onde o nível escolar de formação superior é dos mais elevados do mundo; poderá comprovar como funciona o sistema de saúde gratuito e universal, onde se dá grande relevo à prevenção e aos cuidados primários, contando com um dos mais baixos índices de mortalidade infantil e onde a esperança de vida se situa ao nível dos países mais ricos e desenvolvidos; poderá comprovar como é dada grande importância na protecção à infância e à terceira idade com instalações próprias e técnicos especializados; poderá, em suma, comprovar como todos os cubanos são pacíficos, alegres e felizes, mesmo com todas as dificuldades por que têm passado, muito por culpa dos sucessivos governos dos EUA que têm tentado asfixiar Cuba, depois de terem perdido a preponderância que exerciam antes de 1959.

Esta visita, que já se pode considerar histórica, surge na sequência das conversações que têm existido entre os dois países e pelo reconhecimento de que Cuba como nação soberana e independente tem todo o direito a definir os seus destinos e o regime em que quer viver, não podendo nem querendo abdicar dos princípios que nortearam a sua Revolução, inspirada em José Marti e dirigida por revolucionários, mas que nunca triunfaria sem o apoio maciço de todo um povo e que por isso a ele pertence.

Como se espera, Obama será muito bem recebido em Cuba, tal como todos os seus concidadãos que antes visitaram a maior ilha do Caribe numa atitude de respeito, onde se cultiva a amizade entre as pessoas e se dá a maior importância à paz entre as nações.

(Celino Cunha Vieira - Cubainformación)


quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016


CUBA - CAPITAL DO DIÁLOGO, DA UNIDADE E DA PAZ

Com o encontro histórico entre o Papa Francisco e o Patriarca Kiril da Igreja Ortodoxa Russa que se realizou em Havana no passado dia 12 de Fevereiro, cuja declaração conjunta foi lida e assinada na presença do Presidente Raul Castro, anfitrião dos distintos representantes das duas Igrejas que estavam divididas desde o Cisma no ano de 1054 e que agora, passado quase um milénio, se voltaram a reunir fraternalmente num país que sabe acolher todos aqueles que estão dispostos a uma reconciliação sincera.

Mas porquê a escolha de Cuba para este 1.º encontro? Para além de outros aspectos objectivos ou subjectivos, podemos recorrer à própria declaração em que num dos pontos refere que Cuba, na encruzilhada entre o Norte e o Sul, o Este e o Oeste é um símbolo de esperança do Novo Mundo, constituindo o local próprio para se dirigirem a todas as nações da América latina e de outros continentes apelando ao diálogo entre as religiões e à promoção da paz entre os povos.

Cuba tem sido palco de muitos outros encontros e o êxito de que se têm revestido as conversações entre os representantes do governo Colombiano e os grupos armados opositores, já levaram a que fossem assinados acordos de cessar-fogo e tudo leva a crer que o entendimento entre as partes venha a ser duradouro com a mediação e o contributo de Cuba para que se alcance a paz naquela região.

E que melhor contributo pode haver para a paz que o exemplo de um país que em Maio de 1963 enviou numa primeira missão internacionalista 29 médicos, 4 estomatologistas, 14 enfermeiros e 7 técnicos de saúde para prestarem os seus serviços em Argel, que havia conquistado poucos meses antes a sua independência de França e ficado com escassos meios de apoio sanitário, valendo-se numa primeira fase deste grupo para suprir as carências que existiam

Daí para cá têm sido milhares de profissionais de saúde e de educação que integraram as missões internacionalistas, contando na actualidade com cerca de 50.000 – metade são médicos – a prestarem serviço e a dar formação local em mais de 68 países e alguns nas zonas mais recônditas do planeta.

Quando existem catástrofes, seja onde for, Cuba tem sempre disponibilizado os seus técnicos para acorrerem nas primeiras horas de auxílio às vítimas, permanecendo nesses locais até que tudo esteja estabilizado e se considere que a sua presença já não é necessária. O que não acontece no Haiti, por exemplo, onde continuam as brigadas de saúde cubanas em contraste com outros países que para aí enviaram militares depois do arrasador sismo de 2010. Em epidemias, como recentemente o ébola, os médicos e enfermeiros cubanos estiveram na primeira linha de combate em vários países africanos, ajudando com a sua acção a controlar o vírus e a educar as populações para a sua prevenção.

As palavras do Papa Francisco e do Patriarca Kiril na declaração de Havana assentam bem no que é Cuba para o mundo e por isso poder-se-á considerar que Cuba é a capital do diálogo, da unidade e da paz.

(Celino Cunha Vieira - Cubainformación)





quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016


UMA TRANSIÇÃO PACÍFICA

Quando há cerca de 10 anos o Presidente Raul Castro assumiu as mais altas funções do Estado Cubano, muito se escreveu e disse sobre o assunto, havendo até quem considerasse que se tratava de uma sucessão entre irmãos, omitindo o glorioso passado de Raul que toda a sua vida dedicou à Revolução, participando no ataque ao Quartel Moncada com apenas 22 anos de idade e estando sempre ao lado do Comandante-em-Chefe Fidel Castro.

Assumindo de forma responsável todas as funções que lhe foram atribuídas desde a Sierra Maestra até aos dias de hoje, Raul mostrou sempre elevada competência e ponderação, sabendo, com a sua simplicidade natural, trilhar os caminhos que a Revolução lhe destinaria.

Com o seu estilo próprio e sem querer imitar ninguém, tem sabido dirigir os destinos do país de uma forma tranquila e com objectivos concretos, promovendo as reformas necessárias para o progresso e o futuro da Nação, sendo respeitado e admirado pela sua personalidade e não por ser irmão de quem é.

Na última década muitas transformações se operaram e hoje é inquestionável o seu contributo para que novas relações existam com os EUA e a União Europeia, a abertura económica interna e as novas condições para o investimento estrangeiro, o reforço do prestígio de Cuba nas organizações internacionais, a consolidação das missões internacionalistas de ajuda a outros países carenciados e em tantos outros aspectos de especial relevância nacional e internacional.

Numa demonstração de total desprendimento pelo poder, sabendo que ele é efémero e que o País está acima de vaidades ou interesses pessoais, Raul, tal como o fizera também Fidel, anunciou já que dentro de pouco tempo se iria afastar do poder e que não se recandidataria a novo mandato, cumprindo a sua recomendação de limitar a dois períodos consecutivos de cinco anos o desempenho de cargos políticos e estatais fundamentais, dando lugar às novas gerações que, segundo ele, estão mais que preparadas para dar estabilidade e continuidade à Revolução que muito custou a conquistar.

A poucos meses de completar 85 anos e de monstrar uma excelente vitalidade física e mental, Raul decidiu que chegou a hora de passar o testemunho, embora, como se espera, continue disponível para ajudar com a sua vasta experiência quem lhe venha a suceder, pois novos e difíceis desafios serão necessários ultrapassar e os seus conselhos constituirão uma mais-valia para os novos governantes.

Aqueles que só acreditam numa democracia assente em sistemas pluripartidários bem podem reconhecer que existem outras formas de organização com base no poder que emana directamente do povo e das suas organizações representativas, tendo sempre por objectivo a defesa dos interesses colectivos e da Nação.

O criminoso e injustificado bloqueio económico, comercial e financeiro imposto a Cuba há mais de 50 anos tem de acabar, porque a Revolução continua bem viva e nada a fará derrubar enquanto existirem homens e mulheres que por ela darão a vida se necessário for, dispostos a todos os sacrifícios para a defender.

(Celino Cunha Vieira - Cubainformación)