sexta-feira, 15 de abril de 2016


INVESTIR EM CUBA

Com relações diplomáticas ininterruptas entre Portugal e Cuba há quase um século, as trocas comerciais entre os dois países nunca tiveram grande expressão, limitando-se à comercialização pontual de alguns produtos que pela sua qualidade ou produção privilegiada mais interessava de parte a parte, já que, como pequenos países e um mercado limitado, pouco despertava a atracção das empresas, embora com algumas boas excepções.

Hoje o panorama é bem diferente e cada vez mais se assiste a uma forte vontade de alterar a situação, pois quer Portugal quer Cuba necessitam de aumentar as suas exportações e procurar novos mercados. Desde 2014, ano em que foi assinado entre os dois governos um memorando com vista ao estabelecimento de consultas políticas regulares, as missões empresariais têm vindo a aumentar, assentes na diplomacia económica ao mais alto nível, podendo vaticinar-se que dentro de pouco tempo Portugal passará a ser um importante parceiro comercial para Cuba.

Actualmente Portugal já exporta para Cuba mais de 600 produtos diferenciados e distribuídos por cerca de 64 empresas, existindo algumas em fase de instalação na própria Ilha, beneficiando das novas regulações cubanas para os investimentos estrangeiros e aproveitando as potencialidades do imenso mercado de toda a América Latina e do Caribe, para além de num futuro que se espera próximo, incorporar também o norte-americano.

Para além da sua localização geográfica no centro de um mercado em expansão servido pelo Canal do Panamá e pelo futuro Canal da Nicarágua já em construção, Cuba oferece também uma mão-de-obra altamente qualificada, boas infra-estruturas básicas e uma rede de comunicações de acesso aos principais portos e aeroportos do país, um alto índice de segurança pública, assim como estabilidade política, social e jurídica, garantindo deste modo excelentes condições para a fixação de unidades industriais nos mais variados sectores que possam produzir bens dirigidos não só ao consumo interno, numa ajuda à diminuição das importações, como também à exportação.

Com a criação da Zona Especial de Desenvolvimento de Mariel, polo situado a cerca de 45 km a oeste de Havana e que conta já em pleno funcionamento com um porto marítimo de águas profundas e um moderno terminal de contentores, é de esperar que nos próximos anos venham a ser ocupados os seus mais de 465 km2, já que as empresas que aí se instalarem beneficiarão de condições excepcionais de isenção de impostos e de taxas alfandegárias para os equipamentos que necessitem de importar para a sua actividade.

Considerando as convulsões a que se assiste por esse mundo fora e as constantes oscilações dos mercados económicos, as empresas portuguesas têm em Cuba excelentes oportunidades para a sua internacionalização, atendendo a que nalguns sectores Portugal é bastante competitivo pela experiência, qualidade e inovação, bastando para isso que os empresários aprofundem o seu conhecimento sobre um país que está em transformação e aberto a receber todos aqueles que com seriedade queiram participar no seu desenvolvimento. O desafio está lançado!

(Celino Cunha Vieira-Cubainformación)


quarta-feira, 30 de março de 2016


O DIREITO À VIDA

Para quem de Cuba apenas conhece as praias, a música, o rum e aquilo que ao longo dos anos se tem escrito e comentado sobre o “tenebroso” regime dos Castro, uma mentira tantas vezes repetida transforma-se em verdade absoluta.

Nestes últimos dias por ocasião da visita do Presidente Obama, ouvimos das mais disparatadas opiniões, quer de anónimos quer de jornalistas e comentadores credenciados ou não, destacando-se a velha e já gasta questão dos Direitos Humanos em abstracto, já que não existindo nenhum país do mundo que os cumpra integralmente, é muito discutível quais os mais ou menos importantes e como são postos em prática pelos governos. Até parece que assegurar gratuitamente os direitos à vida, à educação, à saúde, à habitação, à cultura, ao desporto, etc., como se pratica em Cuba não tem qualquer importância, sendo fundamental é que o sistema seja igual ao de tantos outros países onde os direitos são apenas assegurados a quem tem dinheiro para os pagar.

Reconhecido pelas várias instituições internacionais, Cuba tem um dos maiores índices do desenvolvimento humano e foi dos primeiros países a cumprir as metas para os objectivos do milénio, mesmo enfrentando todas as dificuldades que são conhecidas, podendo orgulhar-se de possuir das mais baixas taxas de mortalidade infantil e das mais altas no que se refere à esperança de vida a nível mundial.

Ainda há dias quando participei num debate na TVI falou-se disto e de muitas outras coisas, voltando à discussão a tal lista de presos políticos em Cuba – que varia de acordo com os interesses de quem a elabora – e por isso dei-me ao trabalho de procurar uma das últimas que se publicou, para saber de quem se tratava realmente e porque estavam privados da liberdade. Deparei-me então com condenados pela prática de sabotagens e acções violentas contra a segurança interna, por atentados e tentativas de assassinato de outros cidadãos, por desvio de uma lancha de Regla com sequestro violento da tripulação e dos passageiros inocentes, por tentativa de roubo e desvio de um avião, por roubo de um iate numa marina, por fogo posto numa unidade comercial, por participação e auxílio a grupo armado oriundo dos EUA, por desertores do exército e roubo de armas, para além de muitos outros crimes puníveis em qualquer parte do mundo. Se são estes os “presos políticos” a que se referem, será melhor investigarem que crimes cometeram aqueles que há anos foram levados pelos EUA para Guantánamo e que até hoje sem acusação ou julgamento continuam encarcerados. Esses sim, são os verdadeiros presos políticos que existem em território cubano sob administração dos Estados Unidos da América. Porque será que os media e o Presidente Obama omitiram isto?

Continua a confundir-se presos de delito comum que depois de julgados e condenados pelos crimes que praticaram se transformam em opositores para que as suas famílias possam receber ajuda financeira das organizações terroristas subsidiadas pelos EUA através de programas controlados pela CIA e que visam a alteração da ordem pública em Cuba. Será que os autores dos actos descritos deveriam ficar impunes? Qual o país que assim procede?

Quanto às denominadas “damas de blanco” mais conhecidas em Cuba por “damas de banco” deveriam mudar para verde, a cor das notas de dólar que recebem para organizarem manifestações provocatórias, tal como se viu no dia em que Obama chegou a Havana. Esta gente, que recebe dinheiro de um país estrangeiro para estas acções, é dirigida por uma vigarista que à custa da ingenuidade de muitas outras tem sabido amealhar avultadas importâncias que lhe permitem viajar para onde quer e possuir no seu país avultados bens materiais sem que tenha recebido qualquer herança ou trabalhado honestamente para tal. São estes pseudo-dissidentes que estão contra o levantamento do bloqueio e a normalização das relações entre os dois países porque isso pode representar o princípio do fim das subvenções que recebem.

Consequência dos actos de terrorismo perpetrados contra Cuba desde 1959, morreram até à data mais de 3.500 cidadãos, merecendo todos eles o nosso respeito e lembrados nos momentos em que demagogicamente se fala em Direitos Humanos, porque eles também tinham esses direitos e o mais importante, o direito à vida.

(Celino Cunha Vieira-Cubainformación)



quinta-feira, 17 de março de 2016


UNIDADE, UNIDADE, UNIDADE

Na próxima terça-feira dia 22, cumprem-se 57 anos sobre o primeiro desfile e concentração da população “habanera” frente ao antigo Palácio Presidencial, hoje Museu da Revolução, com o objectivo de apoio às leis revolucionárias, destacando-se das palavras de Fidel no seu discurso improvisado em que dizia: “agora, mais que nunca, é necessária a unidade do povo e que pela primeira vez em Cuba o governo pode dirigir-se aos camponeses e aos trabalhadores em geral como a seus amigos, a seus companheiros, como aos únicos que têm direito a pedir que não fracasse a Revolução”.

Desde aí para cá foram inúmeras as dificuldades e a história, muita ainda por escrever, está repleta de exemplos que reflectem bem que só com o maciço apoio popular tem sido possível dar continuidade à Revolução, fruto da unidade e do espírito de sacrifício de um povo que não se resigna e que sabe bem o que quer para o futuro dos seus filhos. E alguém pode duvidar que sem esse permanente apoio seria possível manter uma Revolução baseada numa democracia participativa de raiz genuinamente popular?

Curiosamente, coincide esta efeméride com o segundo dia da histórica visita de Barack Obama a Cuba, ou seja, do representante de um país em que os seus sucessivos governos tudo fizeram ao longo de mais de meio século para que a Revolução Cubana não triunfasse, utilizando os mais variados meios subversivos, desrespeitando todas as resoluções da Assembleia-geral das Nações Unidas e as normas internacionais.

Mas os tempos são outros e sem ressentimentos o povo cubano saberá perdoar e saberá receber dignamente o casal Obama, com a esperança de que esta visita possa servir para um melhor relacionamento entre os dois governos, independentemente de alguns “fantasmas” que ainda possam pairar no ar, consequência dos muitos anos de costas voltadas e de constantes ataques à soberania e à independência de Cuba.

Entre outras, algumas alterações têm vindo a ser implementadas, como por exemplo a autorização de viagens aéreas directas entre os dois países até 110 voos diários, com a consequente permissão dos cidadãos americanos poderem visitar a Ilha de maneira individual na categoria de “viagens educacionais de povo a povo”, o início do normal serviço diário de correio postal, o intercâmbio comercial, o levantamento das restrições à utilização do dólar em transacções internacionais, bem como a possibilidade de investimentos em Cuba por parte de empresas estado-unidenses.

Como se constata, tudo teria sido muito mais fácil se tivesse havido a coragem que o Presidente Obama tem demonstrado, não se acobardando perante às ameaças dos bandos mafiosos de Miami que o criticam pelas posições que tem tomado e que tentarão desenvolver acções provocatórias durante a sua visita, aproveitando a cobertura mediática a nível mundial que a mesma irá ter, mas que Cuba saberá reagir com a autoridade que lhe assiste na defesa dos seus princípios e da sua segurança interna.

(Celino Cunha Vieira - Cubainformación)




quinta-feira, 10 de março de 2016


OBAMA PODERÀ COMPROVAR

Quando Barack Obama pisar solo cubano no próximo dia 20 de Março, será o segundo presidente norte-americano a visitar o país, depois de em Janeiro de 1928 Calvin Coolidge o ter feito, numa ocasião em que Cuba não passava de mais uma colónia onde não se aplicava a Lei Seca e proliferavam os bordéis e os casinos explorados por gangsters mafiosos que aí encontravam todas as facilidades para as suas actividades criminosas.

Sobre a visita de Obama a Cuba já muito se escreveu e continuará a escrever, havendo as mais variadas opiniões e prognósticos em relação ao que se irá passar num futuro próximo, alinhando os optimistas na tese de que será definitivamente levantado o embargo económico, financeiro e comercial, assim como a devolução incondicional do território de Guantánamo ocupado ilegalmente há mais de um século, fazendo eu votos para que tudo isto aconteça, pois só assim será possível a completa normalização das relações entre os dois países.

Embora o Presidente dos EUA esteja certamente bem informado e vá cumprir um extenso programa de três dias, não há como sentir e ver com os próprios olhos uma realidade que muitas vezes é deturpada com o único objectivo de denegrir todas as conquistas que a Revolução já alcançou.

Se Obama for de mente aberta, e nada me faz pensar o contrário, poderá comprovar como funciona o sistema de educação, onde praticamente foi erradicado o analfabetismo e onde o nível escolar de formação superior é dos mais elevados do mundo; poderá comprovar como funciona o sistema de saúde gratuito e universal, onde se dá grande relevo à prevenção e aos cuidados primários, contando com um dos mais baixos índices de mortalidade infantil e onde a esperança de vida se situa ao nível dos países mais ricos e desenvolvidos; poderá comprovar como é dada grande importância na protecção à infância e à terceira idade com instalações próprias e técnicos especializados; poderá, em suma, comprovar como todos os cubanos são pacíficos, alegres e felizes, mesmo com todas as dificuldades por que têm passado, muito por culpa dos sucessivos governos dos EUA que têm tentado asfixiar Cuba, depois de terem perdido a preponderância que exerciam antes de 1959.

Esta visita, que já se pode considerar histórica, surge na sequência das conversações que têm existido entre os dois países e pelo reconhecimento de que Cuba como nação soberana e independente tem todo o direito a definir os seus destinos e o regime em que quer viver, não podendo nem querendo abdicar dos princípios que nortearam a sua Revolução, inspirada em José Marti e dirigida por revolucionários, mas que nunca triunfaria sem o apoio maciço de todo um povo e que por isso a ele pertence.

Como se espera, Obama será muito bem recebido em Cuba, tal como todos os seus concidadãos que antes visitaram a maior ilha do Caribe numa atitude de respeito, onde se cultiva a amizade entre as pessoas e se dá a maior importância à paz entre as nações.

(Celino Cunha Vieira - Cubainformación)


quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016


CUBA - CAPITAL DO DIÁLOGO, DA UNIDADE E DA PAZ

Com o encontro histórico entre o Papa Francisco e o Patriarca Kiril da Igreja Ortodoxa Russa que se realizou em Havana no passado dia 12 de Fevereiro, cuja declaração conjunta foi lida e assinada na presença do Presidente Raul Castro, anfitrião dos distintos representantes das duas Igrejas que estavam divididas desde o Cisma no ano de 1054 e que agora, passado quase um milénio, se voltaram a reunir fraternalmente num país que sabe acolher todos aqueles que estão dispostos a uma reconciliação sincera.

Mas porquê a escolha de Cuba para este 1.º encontro? Para além de outros aspectos objectivos ou subjectivos, podemos recorrer à própria declaração em que num dos pontos refere que Cuba, na encruzilhada entre o Norte e o Sul, o Este e o Oeste é um símbolo de esperança do Novo Mundo, constituindo o local próprio para se dirigirem a todas as nações da América latina e de outros continentes apelando ao diálogo entre as religiões e à promoção da paz entre os povos.

Cuba tem sido palco de muitos outros encontros e o êxito de que se têm revestido as conversações entre os representantes do governo Colombiano e os grupos armados opositores, já levaram a que fossem assinados acordos de cessar-fogo e tudo leva a crer que o entendimento entre as partes venha a ser duradouro com a mediação e o contributo de Cuba para que se alcance a paz naquela região.

E que melhor contributo pode haver para a paz que o exemplo de um país que em Maio de 1963 enviou numa primeira missão internacionalista 29 médicos, 4 estomatologistas, 14 enfermeiros e 7 técnicos de saúde para prestarem os seus serviços em Argel, que havia conquistado poucos meses antes a sua independência de França e ficado com escassos meios de apoio sanitário, valendo-se numa primeira fase deste grupo para suprir as carências que existiam

Daí para cá têm sido milhares de profissionais de saúde e de educação que integraram as missões internacionalistas, contando na actualidade com cerca de 50.000 – metade são médicos – a prestarem serviço e a dar formação local em mais de 68 países e alguns nas zonas mais recônditas do planeta.

Quando existem catástrofes, seja onde for, Cuba tem sempre disponibilizado os seus técnicos para acorrerem nas primeiras horas de auxílio às vítimas, permanecendo nesses locais até que tudo esteja estabilizado e se considere que a sua presença já não é necessária. O que não acontece no Haiti, por exemplo, onde continuam as brigadas de saúde cubanas em contraste com outros países que para aí enviaram militares depois do arrasador sismo de 2010. Em epidemias, como recentemente o ébola, os médicos e enfermeiros cubanos estiveram na primeira linha de combate em vários países africanos, ajudando com a sua acção a controlar o vírus e a educar as populações para a sua prevenção.

As palavras do Papa Francisco e do Patriarca Kiril na declaração de Havana assentam bem no que é Cuba para o mundo e por isso poder-se-á considerar que Cuba é a capital do diálogo, da unidade e da paz.

(Celino Cunha Vieira - Cubainformación)





quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016


UMA TRANSIÇÃO PACÍFICA

Quando há cerca de 10 anos o Presidente Raul Castro assumiu as mais altas funções do Estado Cubano, muito se escreveu e disse sobre o assunto, havendo até quem considerasse que se tratava de uma sucessão entre irmãos, omitindo o glorioso passado de Raul que toda a sua vida dedicou à Revolução, participando no ataque ao Quartel Moncada com apenas 22 anos de idade e estando sempre ao lado do Comandante-em-Chefe Fidel Castro.

Assumindo de forma responsável todas as funções que lhe foram atribuídas desde a Sierra Maestra até aos dias de hoje, Raul mostrou sempre elevada competência e ponderação, sabendo, com a sua simplicidade natural, trilhar os caminhos que a Revolução lhe destinaria.

Com o seu estilo próprio e sem querer imitar ninguém, tem sabido dirigir os destinos do país de uma forma tranquila e com objectivos concretos, promovendo as reformas necessárias para o progresso e o futuro da Nação, sendo respeitado e admirado pela sua personalidade e não por ser irmão de quem é.

Na última década muitas transformações se operaram e hoje é inquestionável o seu contributo para que novas relações existam com os EUA e a União Europeia, a abertura económica interna e as novas condições para o investimento estrangeiro, o reforço do prestígio de Cuba nas organizações internacionais, a consolidação das missões internacionalistas de ajuda a outros países carenciados e em tantos outros aspectos de especial relevância nacional e internacional.

Numa demonstração de total desprendimento pelo poder, sabendo que ele é efémero e que o País está acima de vaidades ou interesses pessoais, Raul, tal como o fizera também Fidel, anunciou já que dentro de pouco tempo se iria afastar do poder e que não se recandidataria a novo mandato, cumprindo a sua recomendação de limitar a dois períodos consecutivos de cinco anos o desempenho de cargos políticos e estatais fundamentais, dando lugar às novas gerações que, segundo ele, estão mais que preparadas para dar estabilidade e continuidade à Revolução que muito custou a conquistar.

A poucos meses de completar 85 anos e de monstrar uma excelente vitalidade física e mental, Raul decidiu que chegou a hora de passar o testemunho, embora, como se espera, continue disponível para ajudar com a sua vasta experiência quem lhe venha a suceder, pois novos e difíceis desafios serão necessários ultrapassar e os seus conselhos constituirão uma mais-valia para os novos governantes.

Aqueles que só acreditam numa democracia assente em sistemas pluripartidários bem podem reconhecer que existem outras formas de organização com base no poder que emana directamente do povo e das suas organizações representativas, tendo sempre por objectivo a defesa dos interesses colectivos e da Nação.

O criminoso e injustificado bloqueio económico, comercial e financeiro imposto a Cuba há mais de 50 anos tem de acabar, porque a Revolução continua bem viva e nada a fará derrubar enquanto existirem homens e mulheres que por ela darão a vida se necessário for, dispostos a todos os sacrifícios para a defender.

(Celino Cunha Vieira - Cubainformación)


quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

JOSÉ MARTI – O APÓSTOLO

Filho de pais espanhóis, nasce em Havana em 28 de Janeiro de 1853 aquele que viria a ser o Herói Nacional e Apóstolo Cubano José Julián Marti Pérez, que ainda bem jovem e influenciado pelas ideias separatistas do seu professor, o poeta Rafael Maria Mendive, publica aos 16 anos o seu primeiro manifesto patriótico em verso, o “Abdala”, estabelecendo como prioridade para a sua vida acabar com o absurdo de às portas do século XX ainda os países da América Latina serem governados por europeus, iniciando a sua luta pela independência de todas as colónias, incluindo a cubana.

Preso várias vezes por motivos políticos, exila-se em Espanha, onde faz os seus estudos superiores, primeiro em Madrid e depois em Saragoça, licenciando-se em Direito, Letras e Filosofia. Muda-se para França, depois para o México, onde casa com Cármen Bazón e em seguida para a Guatemala, onde, dotado de uma vastíssima cultura geral, lecciona na Universidade Nacional, acabando por se radicar em Nova Iorque trabalhando como jornalista, a par da sua actividade de escritor.

Foi no convívio com os norte-americanos que José Marti sentiu o perigo de Cuba vir a cair nas mãos dos EUA (dizia ele: “conheci o monstro por dentro”) e se isso ocorresse, todas as lutas desencadeadas pelos revolucionários independentistas redundariam num total fracasso.

Sobre isto ele escreveu: “O povo do Norte, desde o berço sonha com esses domínios… e quando um povo é criado na esperança e na certeza da possessão do continente, chegando a ser, com as esporas dos céus da Europa e da sua ambição, um povo universal… urge sobre ele forjar uns quantos freios, com o pudor das ideias e o rápido e hábil aumento dos interesses opostos a eles…”. José Marti estava assim convencido e profetizou que, com a extinção do velho império colonial, os EUA emergiriam como inimigo natural de uma Cuba independente.

Como escritor, José Marti foi um dos percursores do modernismo ibero-americano, publicando centenas de poemas, novelas e dramas, para além de cartas e artigos de jornal. A letra da música “Guantanamera”, conhecida internacionalmente como símbolo da Ilha, foi retirada do seu poema “Versos Sensillos” dedicado ao amor, à mulher e à pátria.

Os ideais humanistas e patrióticos de José Marti constituíram a principal fonte de inspiração para a Revolução Cubana, podendo considerar-se o seu mentor intelectual, estando os seus pensamentos tão actuais como há mais de um século, preservando a sua originalidade e cubania que se transmite de geração em geração.

Para perpetuar a sua obra foi construído em Havana um Memorial, situado na Praça da Revolução, onde estão expostos vários documentos sobre as principais passagens da sua vida e que deve constituir visita obrigatória para quem passa pela capital cubana.

(Celino Cunha Vieira - Cubainformación)


quinta-feira, 7 de janeiro de 2016




TRANSFORMAÇÕES ECONÓMICAS

Cuba entrou no seu 58.º ano após o triunfo da Revolução e as transformações que se estão a operar têm suscitado algumas dúvidas nos espíritos daqueles menos bem informados e que apenas fazem uma análise da situação baseada no que alguma comunicação social tendenciosamente transmite, não se entendendo bem aqueles que antes criticavam por não existir iniciativa privada em Cuba, sejam agora os mesmos que criticam por ela ser permitida e incentivada.

Felizmente que a Revolução é dinâmica e que o povo, em comunhão com os seus dirigentes, sabe corrigir os erros e encetar a cada momento as experiências que as circunstâncias aconselham, com o supremo objectivo da sua independência e de uma sociedade mais justa e igualitária.

Uma das principais apostas é a de continuar a fomentar a criação de pequenas empresas que pela sua natureza específica não se justifica que continuem a ser tuteladas e pagas pelo Estado, absorvendo capitais que fazem falta noutros sectores, podendo assim, quem o desejar, desenvolver o seu próprio negócio, criando postos de trabalho e contribuindo para a economia do país.

Esta medida, que já há muito vinha sendo reclamada por uma vasta camada da população é das que maior impacto tem tido, já que estão reunidas todas as condições para o livre exercício de algumas profissões no sector dos serviços que antes lhes estava negado.

Também na agricultura e na pecuária, de forma isolada ou através de cooperativas, a produção pode ainda ser substancialmente aumentada, tendo os seus promotores a possibilidade de recorrer a financiamentos bancários e de escoar os seus produtos para os organismos estatais, empresas privadas ou directamente para a população, ajudando deste modo a diminuir as importações de bens alimentares e consequente poupança de divisas.

Mas não se espere que estas transformações ocorram de um dia para o outro e que as dificuldades desapareçam num ápice, porque ainda há muito a fazer e a evoluir para que os resultados apareçam.

A discussão das definições estratégicas da política económica e social tem vindo a ser realizada com todo o povo, pois sem a sua cabal aceitação nenhuma medida poderá ter o êxito que se deseja, ao contrário daquilo que os detractores costumam insinuar, porque em Cuba a democracia é participativa e todos têm o direito de livremente exprimirem as suas opiniões e apresentar as suas propostas.

É um facto que o modelo económico que vigorava há mais de cinco décadas não poderia continuar a ser aplicado na sua plenitude, pelo simples motivo de que os mecanismos da globalização o impedem e os mercados financeiros não estão disponíveis para compensarem os défices governamentais tal como o fazem com outros países.

Como sempre, o povo cubano vencerá mais esta batalha sem necessitar de renegar os princípios da Revolução e de todos aqueles que deram a vida pela sua soberania.

(Celino Cunha Vieira - Cubainformación)


segunda-feira, 14 de dezembro de 2015


GUILLERMO, O ACTOR FARIÑAS

Não é meu costume dar grande relevo aos auto-denominados opositores do regime cubano, não só porque eles não passam de grupúsculos sem qualquer expressão, mas também porque não precisam que eu os promova e que os ajude a aumentarem os seus proveitos financeiros, que recebem de uma potência estrangeira como contrapartida às provocações e mentiras que vão espalhando, deturpando factos e confabulando sobre os mais diversos aspectos da realidade que se vive em Cuba.

Mas desta vez tenho de me referir à recente passagem por Lisboa do psicólogo cubano Guillermo Fariñas, que veio ao nosso país a convite do Gabinete Português do Parlamento Europeu, o qual promoveu uma conferência a que tive a oportunidade de assistir, com a finalidade de lhe colocar algumas questões, já que o seu longo curriculum de contradições e inverdades é tão notório, que qualquer pessoa com um mínimo de inteligência percebe a fraude personalizada por Fariñas, que é mais conhecido pelas 23 hipotéticas greves de fome na sua residência, uma delas, segundo consta, com a duração de 134 dias. Mas alguém acredita que um ser humano pode sobreviver todos estes dias sem comer nem beber?

Também os biógrafos de Fariñas querem fazer crer que este esteve preso mais de 11 anos por questões de ordem política, quando ele apenas esteve privado da liberdade por ser reincidente em acções violentas, acabando por ter a sua primeira condenação de 3 anos de pena suspensa em 1995, como resultado de uma agressão a uma colega de trabalho, voltando aos mesmos métodos “pacíficos” em 2002, agredindo de tal modo um vizinho idoso que este teve de ser hospitalizado e sujeito a várias intervenções cirúrgicas, sendo desta vez Fariñas condenado a uma prisão efectiva de 5 anos e 10 meses, acabando por cumprir apenas pouco mais de 1 ano por razões humanitárias, resultantes do seu débil estado de saúde, tendo sobrevivido graças aos cuidados médicos de que gratuitamente beneficiou e que na altura do seu completo restabelecimento expressou gratidão e reconhecimento ao sistema de saúde que salvou a sua vida.

Claro está que Fariñas, confrontado com estas questões, manteve o seu perfil de vítima sofredora de perseguições, não desmanchando a personagem teatral que lhe foi construída, respondendo parcialmente de forma ficcionada às perguntas concretas que lhe coloquei, levando os assuntos para estórias sem qualquer credibilidade, mas que podem induzir os mais incautos a acreditarem naquilo que diz.

De referir que não é por mero acaso que Fariñas saiu do seu conforto junto da comunidade mafiosa de Miami, em especial do seu amigo Luís Posada Carriles, terrorista responsável por variados atentados violentos dentro e fora de Cuba, com destaque para as bombas colocadas no voo da Cubana de Aviación proveniente de Barbados e em que morreram as 73 pessoas que seguiam a bordo, já que esta gentalha está contra as conversações entre as autoridades cubanas e norte-americanas, bem como com a União Europeia, enviando a vários países o seu assalariado Fariñas, para, vestido de cordeiro da paz, despejar um rol de mentiras sobre o sistema do país que o alimentou, tratou e educou gratuitamente graças à Revolução, esquecendo-se que pouco antes de ele nascer as pessoas com a sua cor de pele eram segregadas, escravizadas e exploradas, sem terem quaisquer direitos e muito menos licenciaturas em psicologia.

Embora alguns órgãos de comunicação social tenham noticiado a sua visita a Portugal, estou certo que os objectivos que o trouxeram a Lisboa saíram defraudados, pois não lograram qualquer apoio oficial nem despertaram qualquer interesse na comunidade cubana residente, que sempre deu sinais de patriotismo, contribuindo com o seu trabalho para o progresso do país em que vivem e que aspiram a regressar logo que possível à sua pátria para usufruírem de uma vida feliz e tranquila.


(Celino Cunha Vieira - Cubainformación)


sexta-feira, 11 de dezembro de 2015


PEQUENOS LUXOS

Aproxima-se o fim do ano e já se passaram quase 12 meses após as comunicações em simultâneo dos presidentes Raul Castro e Barak Obama no dia 17 de Dezembro de 2014, das quais resultou como mais importante a incondicional e imediata libertação dos últimos 3 Heróis cubanos injustamente presos nos EUA que finalmente puderam regressar à Pátria e o início das rondas de conversações que já deram alguns resultados práticos mas que ainda falta muito para um restabelecimento completo das relações entre os dois países.

Como sonhar não custa, tenhamos esperança que brevemente cesse o bloqueio económico, comercial e financeiro imposto a Cuba pelos sucessivos governos dos EUA desde há mais de 50 anos, que a base militar norte-americana de Guantánamo seja desactivada e que o seu território ocupado há mais de 100 anos seja devolvido aos seus legítimos proprietários, que a Lei de Ajuste Cubano incentivadora da emigração ilegal seja revogada, que o dinheiro roubado do Banco Nacional de Cuba e todos os prejuízos directos e indirectos provocados ao povo cubano possam ser compensados e que haja o indispensável respeito pela soberania e independência de um país que apenas deseja a paz e o progresso dos seus cidadão.

Há um ano eu escrevia que “há que estar sempre alerta e nunca baixar a guarda porque os inimigos da Revolução ainda espreitam nalgumas esquinas, mascarados de cordeiros mas de dentes bem afiados para poderem caçar alguma presa distraída”. Hoje, mais do que nunca há que estar atentos, pois veja-se o que se passou com as recentes eleições na Argentina e na Venezuela, onde a propaganda transmitida através de bem orquestradas campanhas mediáticas deu os resultados que se conhecem.

É claro que Cuba tem outras particularidades e que a Revolução continua bem viva, não sendo tão fácil enganar um povo que tem memória e que ainda se lembra bem da miséria e da exploração em que vivia antes de 1959, podendo hoje orgulhar-se do seu passado recente pelos sacrifícios que teve de passar – e que ainda passa – mas com a certeza de um futuro melhor e mais próspero.

Com o incremento constante da iniciativa privada e a instalação de algumas empresas estrangeiras, muitas famílias cubanas têm hoje acesso a bens de consumo que antes por razões económicas lhes estavam vedados, passando muito justamente a ter possibilidades de comerem em bons restaurantes e deixando por exemplo de frequentar as instalações do chamado campismo popular para se alojarem em resortes de cinco estrelas no regime de tudo incluído de Varadero ou de qualquer outra estância balnear que no passado apenas estava acessível ao mercado externo.

Com isto não se pense que tudo está bem e que não são necessárias muitas mais reformas, pois enquanto estas “facilidades” não estiverem acessíveis a todo o povo, a Revolução não poderá abrandar nem estará cumprida. Mas há que dar tempo ao tempo, pois passar de uma situação em que se viveu no “período especial” para o oposto não é tarefa fácil e as prioridades nos aspectos sociais para os melhorar e consolidar são muito mais importantes do que os pequenos “luxos” a que todos aspiram e a que legitimamente têm direito.

(Celino Cunha Vieira - Cubainformación)