quinta-feira, 6 de agosto de 2015


NOVOS VENTOS PARA CUBA

A eventual candidata democrata às próximas eleições presidenciais nos EUA, Hillary Clinton, reafirmou na passada semana em Miami que se deve aproveitar a oportunidade da normalização das relações com Cuba para acabar de vez com o bloqueio económico, financeiro e comercial que vigora há mais de meio século e que fracassou completamente, deixando os EUA isolado numa região em que corre o perigo de perder a sua influência se não mudar de estratégia. Por aqui se constata que a aproximação a Cuba visa apenas os seus interesses políticos e não uma verdadeira vontade de estabelecer um sincero relacionamento entre os dois países.

Muitos amigos me têm questionado sobre as transformações que inevitavelmente se irão operar em Cuba após o levantamento do bloqueio, receando que a influência americana venha a alterar os princípios fundamentais da Revolução e que o país acabe por copiar os piores exemplos de uma sociedade consumista e de enormes desigualdades sociais.

Pelo que conheço de um povo que foi educado numa base de fortes convicções revolucionárias assente em princípios éticos transmitidos ao longo da sua história e consubstanciados pelos mais variados exemplos de actos heróicos, será muito difícil que Cuba deixe de ser o que é, para o bem ou para o mal, de acordo com o entendimento que cada um tenha do país, mas nunca abdicando da sua independência e soberania nacional.

Claro está que com o fim do bloqueio algumas transformações se virão a operar, principalmente no plano económico e comercial, já que Cuba terá mais fácil acesso aos mercados externos sem quaisquer restrições, podendo mais rapidamente modernizar o país e melhorar as condições de vida de todos os cidadãos. Mas não se pense que tudo irá ser fácil e que de um dia para o outro tudo será diferente, pois a recuperação terá de ser segura, cabendo a todos a responsabilidade de contribuir para uma maior eficiência em cada sector produtivo.

Mesmo as novas gerações que não passaram pelo “período especial” estão empenhadas em dar continuidade à Revolução e reconhecem em Fidel o grande timoneiro de um país que soube resistir a todas as vicissitudes, podendo hoje com orgulho olhar com renovadas esperanças para um futuro mais próspero.

Haverá certamente quem discorde de muitas opções que Fidel teve de tomar, mas ninguém pode ficar indiferente a uma figura que marcou significativamente a história das últimas décadas, sendo respeitado e admirado em cada recanto do mundo pela sua cultura, lucidez e antevisão da política internacional que ao longo dos tempos os acontecimentos lhe têm vindo a dar razão.

Fidel é daquelas personalidades que se ama ou se odeia, mas estou certo que a esmagadora maioria dos cubanos o admira e lhe quer muito. Por isso no próximo dia 13 de Agosto, data em que cumprirá 89 anos, será um dia de festa e de grande alegria não só em Cuba como também noutras paragens, onde brindaremos pela sua saúde e desejos de muitos mais anos de vida.

FELICIDADES COMANDANTE!

(Celino Cunha Vieira - Cubainformación)




quinta-feira, 16 de julho de 2015


DIA NACIONAL DE CUBA

No próximo dia 26 de Julho decorrem já 62 anos sobre a tentativa do assalto ao Quartel Moncada em Santiago de Cuba e ao Quartel Carlos Manuel Céspedes em Bayamo, perpetrado por 150 jovens comandados por Fidel Castro, resultando destas acções a morte de 6, assassinados posteriormente pelo regime 55, sobrevivendo 89 dos revolucionários e a prisão de muitos deles, tendo Fidel sido condenado a 15 anos de prisão e deportado com os outros “moncadistas” para a Ilha de Pinos, hoje Ilha da Juventude, acabando encarcerados numa ala do célebre presídio modelo, réplica das cadeias de alta segurança dos EUA.

Pese embora a derrota militar sofrida, este dia acabou por marcar definitivamente o rumo do futuro movimento revolucionário que adoptou a sigla M-26, desenvolvendo-se por todo o país acções de sensibilização e recrutamento de apoiantes que na clandestinidade se preparavam para o momento em que os principais líderes seriam libertados, já que a pressão exercida quer por instituições, quer pelo povo anónimo a isso conduziria inevitavelmente.

Beneficiando de uma amnistia presidencial em 1955, Fidel e alguns dos companheiros exilaram-se no México, dando de imediato início aos preparativos para voltar a Cuba com uma expedição de revolucionários, desembarcando do pequeno iate “granma” em 2 de Dezembro de 1956 na praia “Las Coloradas” e daí seguindo para a “Sierra Maestra” onde permaneceriam dois anos até ao triunfo da Revolução em 1 de Janeiro de 1959.

Se até aí o “Movimento 26 de Julho” tinha desempenhado um extraordinário trabalho na organização política de inspiração Martiana, a partir do início da luta armada passou também à acção militar e ao apoio logístico dos revolucionários que combatiam o exército governamental.

É difícil imaginar qual teria sido o futuro de Cuba se não tivesse existido “moncada” e tudo o que representou para a união e mobilização do povo que desde esse momento mais se consciencializou para a necessidade de derrubar um governo fantoche ao serviço dos grandes interesses americanos, explorador descarado não só dos trabalhadores, como também dos pequenos e médios empresários que eram obrigados a aceitar os ditames monopolistas dos protegidos do sargento golpista promovido a presidente da república.

Assim e em homenagem a todos os “moncadistas” comemora-se nesta data o Dia da Rebeldia Nacional com manifestações patrióticas por todo o país e nas comunidades emigradas espalhadas pelo mundo, nunca esquecendo aqueles que nesse dia deram a sua vida para que hoje Cuba possa ser livre e independente.

Por isso o Colectivo da Associação de Cubanos Residentes em Portugal e a Associação Portuguesa José Marti com a colaboração da Embaixada de Cuba promoverão algumas iniciativas em Lisboa, como forma de homenagear esses combatentes e todos aqueles que se sacrificaram ao longo dos últimos 62 anos para que a Revolução continue bem viva.

(Celino Cunha Vieira - Cubainformación)



quinta-feira, 25 de junho de 2015


CAPITÓLIO NACIONAL

De acordo com Eusébio Leal, Historiador da Cidade de Havana, o monumental edifício do Capitólio Nacional que há mais de dois anos foi encerrado ao público a fim de ser submetido a obras de restauro, voltará a abrir as suas portas já em Julho com visitas guiadas por um arquitecto e um restaurador, coordenadas pelo seu Gabinete, que irão mostrar os trabalhos que ainda decorrem no interior deste lugar tão emblemático para Cuba e de grande valor patrimonial.

Com um custo total de quase 17 milhões de pesos (equivalente ao dólar americano) o Capitólio de Havana foi inaugurado em 1929 pelo então presidente Gerardo Machado e ocupa uma área superior a 43 mil metros quadrados (13.484 correspondem ao edifício), sendo considerado uma réplica quase perfeita do que se encontra em Washington. Até ao triunfo da Revolução albergou o Senado e a Câmara de Representantes, passando depois a Academia das Ciências e prevendo-se que no futuro seja a sede da Assembleia Nacional do Poder Popular.

O colossal edifício contém inúmeros murais e elementos escultóricos, destacando-se a figura em bronze com quase 15 metros e um peso aproximados de 30 toneladas que representa a República, considerada uma das maiores estátuas do mundo debaixo de teto, encontrando-se situada sob a cúpula que atinge os 92 metros de altura e os 32 metros de diâmetro, sendo visível de vários pontos da cidade.

Na sua construção e decoração original foram usados os materiais mais nobres para a época, mesmo atravessando-se a crise económica internacional dos anos vinte, destacando-se, entre outros, a variedade de 58 mármores de origem nacional e internacional, as ferragens em bronze, as madeiras preciosas e os vitrais.

Uma outra particularidade do Capitólio Nacional é ser considerado o quilómetro zero em relação a todas as estradas do país, representado inicialmente esse ponto, sob a cúpula, por um diamante de 25 quilates que pertenceu ao último Czar Russo Nicolau II. Embora o diamante estivesse protegido por um sólido vidro considerado inquebrável, este foi roubado em 1946 e só no ano seguinte viria a ser recuperado, estando hoje guardado no Banco Nacional por questões de segurança e no seu lugar apenas se podendo ver uma réplica.

Quem já passou por Havana recordar-se-á deste magnífico e belo edifício, um dos muitos locais obrigatórios para se deixar fotografar junto às suas colunatas ou esculturas exteriores, na própria escadaria ou nos jardins que o rodeiam, partindo daí para descobrir uma cidade repleta de história e de magia onde apetece sempre voltar.

(Celino Cunha Vieira - Cubainformación)



quinta-feira, 18 de junho de 2015


INICIATIVA PRIVADA

Se existem sectores na economia de cada país em que o controle estatal é fundamental, também existem áreas onde a iniciativa privada pode fazer mais e melhor, inovando e entrando num mercado competitivo onde só a qualidade pode levar ao êxito de cada negócio.

É assim que em Cuba, desde 2010, mais de 200 actividades foram liberalizadas e hoje já ultrapassam o meio milhão de cidadãos que aproveitando essas oportunidades passaram a exercer actividades por conta própria, deixando de depender do Estado. De salientar que destes, mais de 30% são jovens e que a tendência é para esta percentagem aumentar, pois a irreverência própria da idade está muito mais desperta para a vida e para o seu desenvolvimento e realização profissional, não se acomodando às rotinas que sempre estão inerentes a quem tem tudo sem grande esforço.

Abrem-se assim novos desafios e as oportunidades são imensas, contribuindo o sector privado para o crescimento do país e, muito importante, ajudar a equilibrar a balança de transacções, produzindo bens – principalmente alimentares – de modo a diminuir a necessidade de importações desses bens essenciais.

Com o incremento do turismo, da indústria e do comércio por parte de novas parcerias com investidores estrangeiros, espera-se que proximamente surjam outras oportunidades de emprego, aliviando progressivamente a carga salarial do sector público, que ao contrário do que se apregoava com a necessidade de a diminuir substancialmente, não teve de recorrer a despedimentos nem a retirada de salários.

Conseguir uma transformação na economia de um país sem grandes sobressaltos e continuando a garantir gratuitamente a todos os cidadãos os direitos consignados e conquistados pela Revolução tem sido uma tarefa árdua, mas que com tenacidade será vencida como foram todas as outras fases e contrariedades desde 1959, pois o futuro será certamente bem melhor que o passado, já que no presente as expectativas são muito auspiciosas com o fim do bloqueio económico, financeiro e comercial, obsoleto e criminoso.

Quem hoje visita Cuba vai entender as transformações que já se operaram e encontrar uma sociedade que aos poucos recupera o poder de compra perdido após o isolamento forçado devido ao desaparecimento do bloco socialista que levou Cuba a passar por um período especial muito duro e de enormes sacrifícios para todo o povo.

Felizmente que as novas gerações não sofreram o mesmo que os seus pais ou avós e hoje apenas têm esse conhecimento pelos relatos que lhes são transmitidos, podendo encarar o futuro com uma esperança bem diferente e muito mais risonha.

(Celino Cunha Vieira- Cubainformación)



sexta-feira, 29 de maio de 2015


DIGNIDADE E RESISTÊNCIA

Que direito tem um governo, no caso o dos EUA, para unilateralmente elaborar uma lista de países que supostamente apoiam o terrorismo? Quais os critérios e em que normas internacionais assenta tal relação ninguém sabe e dificilmente isso poderia ser explicado por quem tem uma poderosa indústria bélica, vendendo por esse mundo fora armas a quem melhor pagar, sejam terroristas ou não.

Cuba constava dessa lista, provavelmente por fornecer gratuitamente apoio aos países mais carenciados, enviando profissionais de saúde que para além da assistência sanitária directa aos cidadãos, fundaram e ministram aulas em faculdades de medicina e de enfermagem, com vista à formação de técnicos locais. Se isto é apoiar o terrorismo, então que muitos outros países o façam, para que mais médicos e enfermeiros possam salvar os seus concidadãos.

Agora que Cuba saiu dessa tenebrosa lista a que nunca deveria ter sido associada, muitas outras questões podem ser ultrapassadas, nomeadamente as relacionadas com a importação de alguns equipamentos médicos e produtos farmacêuticos específicos que apenas são produzidos nos EUA.

Espera-se então, com o decorrer das rondas de conversações que têm decorrido com respeito mútuo, se possa chegar a um entendimento para o reatar das relações e a instalação de Embaixadas nos dois países. Mas para isso é ainda necessário que os EUA levantem o embargo económico, financeiro e comercial, que se comprometam a devolver o território ilegalmente ocupado de Guantanamo e que ao abrigo da Convenção de Viena o seu pessoal diplomático não se imiscua nos assuntos internos de Cuba.

Por agora e pelo que se sabe, à margem das delegações oficiais de cada país, têm existido encontros de comissões técnicas para dialogarem sobre algumas áreas de interesse mútuo, como a aviação civil, a investigação sobre espécies e a definição de zonas marinhas protegidas, as cartas náuticas, a hidrografia, assim como o combate concertado a doenças infecciosas, à prevenção de epidemias e à troca de experiências científicas no campo da saúde.

Com o desanuviar das relações tensas entre Cuba e os EUA desde há mais de meio século, tem-se verificado um incremento de cidadãos norte-americanos a viajarem para Cuba com fins turísticos ou de prospecção de negócios, cifrando-se um aumento de 36% no primeiro trimestre de 2015 em comparação com o período homólogo do ano anterior, ou seja de 29.123 para 38.474. Em termos gerais, o aumento de entradas no país foi de 14%.

Cuba está hoje na ordem do dia e com todos os focos para si apontados, seja pelas constantes visitas de delegações internacionais chefiadas pelos seus mais altos dignitários, seja pelos seus sucessos a nível interno e externo, cumprindo assim o seu importante papel na América Latina e dando exemplos ao mundo de como um pequeno país em área geográfica e população pode ser tão grande em dignidade e resistência.

(Celino Cunha Vieira - Cubainformación)


sexta-feira, 15 de maio de 2015


OS HERÓIS DO POVO

Hoje, após o regresso à pátria dos Cinco Heróis Cubanos que estiveram presos nos EUA, começam a ser conhecidos alguns episódios particulares de cada um deles sobre todo o processo em que estiveram envolvidos, desde o momento em que lhes foi pedida a sua colaboração para assumirem os riscos de uma missão tão especial em que nem os familiares mais próximos podiam conhecer.

Imagine-se o sofrimento de um pai e marido sabendo que a sua mulher acreditava que ele tinha roubado um avião e desertado do país para se passar para Miami e integrar-se num grupo terrorista, sendo as suas filhas vaiadas na escola pelos colegas que lhes chamavam filhas de um traidor.

Imagine-se a angústia de um filho sabendo que a sua mãe havia falecido convencida que ele se tinha passado para as hostes de um grupo terrorista que exercia acções violentas contra Cuba.

Imagine-se o estado de espírito de cada um deles em que permaneceram por largos períodos em completo isolamento e já depois de condenados, impedidos de receberem visitas dos seus familiares por as autoridades dos EUA não concederem os necessários vistos.

Imagine-se o que é ser condenado a duas cadeias perpétuas, acrescidas de mais quinze anos, num país em que a justiça peca pela sua falta de isenção, mais a mais num processo de cariz político eivado de contradições e fortemente influenciado por gente com poder ligado às máfias de Miami.

Mas a grandeza do seu patriotismo e a forte convicção de que o seu sacrifício evitou a perda de muitas vidas humanas levou-os a suplantar tudo isso, dando-lhes a força e a coragem suficientes para suportarem com firmeza as injustiças de que eram alvos. E hoje, se necessário fosse, voltariam a fazer tudo de novo.

Actualmente, não há ninguém em Cuba que não os conheça e que não lhes esteja grato, sendo requisitados constantemente para participarem nos mais variados eventos e receberem o carinho da população que os quer tocar, abraçar, beijar e agradecer, vendo neles o exemplo digno dos antepassados que se bateram pela independência de Cuba, com o sacrifício da própria vida. E estes homens são tão simples mas tão grandes, que se misturam com o seu povo e com eles confraternizam, pois dele vieram e finalmente a ele voltaram.

Povo que com muita coragem soube enfrentar o período especial que se seguiu ao derrube do bloco de leste europeu, principal parceiro económico de Cuba, em que homens e mulheres tiveram de “inventar” para dar de comer aos seus filhos, resistindo heroicamente às contrariedades.

Há quem apenas goste de Cuba para aí fazer turismo e há também quem não goste porque só vê o superficial e nada mais. Mas o que Cuba tem de mais importante são as pessoas que com toda a dignidade sabem viver o dia-a-dia e defender a qualquer preço o seu país.

(Celino Cunha Vieira - Cubainformación)

quinta-feira, 7 de maio de 2015


1.º DE MAIO DE 2015

Mais uma vez tive o privilégio de acompanhar uns amigos a Cuba para participarem no grande desfile do 1.º de Maio em Havana, que desta vez decorreu debaixo de uma irritante chuva, mas que nem assim serviu para desmobilizar o povo que mais ou menos protegido contra a intempérie, compareceu em massa para confraternizar e viver a grande festa do Dia do Trabalhador de apoio à Revolução, tendo este ano a particularidade de homenagear os Cinco Heróis Cubanos que com os seus familiares directos encetaram o desfile, após tantos e tantos anos em que foram impedidos de o fazer e que aqui se reclamou insistentemente a sua libertação, cumprindo-se a promessa de Fidel: “volveran!” e finalmente regressaram todos à Pátria e ao convívio com os seus concidadãos que eternamente lhes estarão agradecidos.

Mesmo com mau tempo a alegria foi contagiante, predominando o colorido e a juventude que pulou e dançou enquanto desfilava, empunhando os mais variados cartazes com palavras de ordem ou fotos dos seus líderes, como Marti, Che, Camilo, Raul e Fidel, personalidades que sempre são lembradas pelo seu passado ou presente e referências da Revolução Cubana.

A tudo isto também assistiu o Presidente Raul Castro acompanhado pelo Presidente Nicolás Maduro, que veio agradecer todo o apoio à Revolução Bolivariana da Venezuela, tão atacada nos últimos tempos pelo império norte-americano, que continua a querer ingerir-se nos destinos de nações soberanas e independentes que democraticamente sabem escolher o futuro que desejam.

Este ano participaram delegações de mais de 60 países, entre elas a de Portugal, umas mais numerosas que outras, que também se reuniram no Palácio das Convenções para expressarem a sua solidariedade com Cuba, tendo-se assistindo a intervenções muito emotivas e amplamente aplaudidas por cerca de um milhar de presentes.

A delegação portuguesa teve ainda oportunidade de estabelecer contactos com várias instituições cubanas e visitas a uma cooperativa agrícola, a um médico de família, a um policlínico, a um Comité de Defesa da Revolução e a uma obra social de Havana Velha, complementando um programa que tinha por objectivo dar a conhecer a verdadeira realidade e não aquilo que a habitual propaganda emanada por alguns comentaristas e comunicação social tentam fazer crer. Como em tempos disse Fidel, “Cuba não é o paraíso, mas também não é o inferno que muitos desejam que seja”.

O povo está alerta e vigilante sobre os perigos que podem advir contra as conquistas alcançadas pela Revolução, sabendo que são irreversíveis e que as novas gerações são o garante da sua continuidade.

José Marti e todos aqueles que se sacrificaram para que Cuba fosse soberana e independente merecem qualquer sacrifício.

(Celino Cunha Vieira - Cubainformación)


quinta-feira, 23 de abril de 2015


SERÁ QUE FOI REVOLUÇÃO?

Passados 41 anos sobre o 25 de Abril em Portugal, não quero deixar passar em branco esta data, mas também não posso chamar-lhe revolução, como muitos apregoam, porque, como caracterizou Fidel, “Revolução é o sentido do momento histórico; é mudar tudo o que deve ser mudado; é igualdade e liberdade plenas; é ser tratado e tratar os demais como seres humanos; é emancipar-nos por nós mesmos e com os nossos próprios esforços; é desafiar poderosas forças dominantes dentro e fora do âmbito social e nacional; é defender os valores em que se acredita ao preço de qualquer sacrifício; é modéstia, desinteresse, altruísmo, solidariedade e heroísmo; é lutar com audácia, inteligência e realismo; é não mentir jamais nem violar princípios éticos; é convicção profunda de que não existe força no mundo capaz de derrubar a força da verdade e das ideias”.

Neste conjunto de princípios, onde se encaixa o que se passou em Portugal nestas últimas quatro décadas? Quando uma democracia se apoia em partidos políticos divididos entre esquerdas e direitas e em que na maioria dos casos apenas procuram o poder a qualquer preço sem os mínimos princípios ideológicos nem respeito pelos cidadãos, não há revolução que resista. Poucos têm as mãos limpas e desses, alguns são completamente ostracizados pelas cliques partidárias para que não tenham a veleidade de poderem apontar aos “poderosos” os desvios e as falcatruas em que se envolvem.

Em Cuba, pelo contrário, a Revolução está bem viva e as gerações sucedem-se na governação em todos os níveis, garantindo a continuidade das conquistas alcançadas e sabendo adaptar-se aos novos desafios globais. Desenganem-se todos aqueles que por falta de convicções profundas temem os perigos da aproximação entre os governos de Cuba e dos Estados Unidos, porque os cubanos sabem o que querem e conhecem bem as diferenças que existem entre as duas sociedades. Já após o fim do bloco socialista os receios foram os mesmos e Cuba conseguiu resistir heroicamente. Porquê? Porque a Revolução Cubana é única e assenta numa base popular.

Quem está pouco atento ou mal informado nem se apercebeu da importância que teve o passado dia 17 de Dezembro com as declarações dos dois presidentes e o regresso à Pátria de António, Gerardo e Ramón, com a proposta de Obama para pôr fim ao bloqueio comercial, económico e financeiro, com a declaração conjunta da intenção de abertura de representação diplomática ao nível de embaixada em cada país, com a participação de Cuba na Cimeira das Américas e com a retirada de Cuba da lista de países patrocinadores do terrorismo. Tudo isto num curto espaço de tempo em que nem os mais optimistas poderiam imaginar, sem qualquer cedência de Cuba porque a razão estava do seu lado, constitui um passo importante para um futuro relacionamento e cooperação que só beneficiará os dois povos.

Cuba nada mudou na sua política externa e sempre esteve na disposição de manter relações com todos os países do mundo, desde que as mesmas fossem tratadas em pé de igualdade e com respeito pela sua independência e soberania, não admitindo qualquer tipo de ingerência. E assim continuará sendo, podem crer.

(Celino Cunha Vieira - Cubainformación)



quinta-feira, 9 de abril de 2015


QUEM DEVE O QUÊ A QUEM?

No âmbito das conversações entre as delegações de Cuba e dos EUA, surgem agora uns quantos cidadãos americanos a pressionarem o seu governo, para que este introduza nas negociações o tema da recuperação ou indemnização sobre bens expropriados após a Revolução.

Esta atitude não constitui uma novidade, pois a máfia instalada em Miami tem esse objectivo desde há mais de 50 anos, nunca se tendo conformado com as nacionalizações ou com a ocupação de propriedades que tinham sido roubadas ou adquiridas por baixo valor, em troca de favores dos governantes corruptos da época.

A produção agrícola, maioritariamente dedicada ao cultivo da cana-de-açúcar, era totalmente dominada por empresas directa ou indirectamente ligadas aos EUA, sendo toda a produção canalizada e comercializada por este país, enquanto os trabalhadores eram explorados de uma forma encapotada de escravidão, porque a pouco ou nada tinham direito. Aliás, o desemprego rondava os 75%, pois só 25% da população activa tinha alguma ocupação, auferindo salários miseráveis.

Como exemplo, uma das empresas nacionalizadas foi a Companhia Cubana de Electricidade - que de cubana não tinha nada – e que só fazia investimentos nas grandes cidades onde pudesse recuperar rapidamente o dinheiro aplicado, deixando as pequenas povoações sem esse serviço essencial. A deficiente electrificação do país pouco passava dos 50%, atingindo hoje quase os 100% e mesmo os lugares mais recônditos se não são servidos pela rede nacional, existem energias alternativas, como painéis solares ou pequenas hidroeléctricas.

Os mesmos que agora reclamam indemnizações são os mesmos (ou os seus descendentes) que antes de 1959 mantinham um país em que só 15% da população tinha água corrente, que 65% dos médicos e das camas hospitalares estavam concentrados na capital e por isso a esperança de vida não ia além dos 62 anos, onde existia desnutrição e cerca de 27% morriam prematuramente por tuberculose e febre tifóide, ou que mais de 44% nunca tinham frequentado uma escola.

Que moral tem aquela gente para exigir seja o que for, quando os recursos naturais e a riqueza gerada no país era distribuída por uma elite promíscua e sem qualquer tipo de humanidade? Com que direito se arrogam como credores, quando sempre roubaram aquilo que não lhes pertencia?

Isto, já para não referir a ocupação abusiva desde há mais de 100 anos de um território que faz parte integrante da Nação Cubana, o saque dos fundos públicos, os prejuízos incalculáveis derivados do bloqueio económico, financeiro e comercial, para além das vidas humanas que não têm preço e que ao longo dos anos pereceram pelas acções e atentados terroristas perpetrados contra Cuba e o seu povo.

Entre o deve e o haver, Cuba tem muito mais razões para poder exigir o ressarcimento do que lhe foi retirado, pois a única coisa que Cuba deve a essa gente é terem sido os verdadeiros motivadores para que se fizesse uma Revolução e isso sim, o povo agradece.

(Celino Cunha Vieira-Cubainformación)





quinta-feira, 26 de março de 2015


CUBA E VENEZUELA NÃO ESTÃO SÓS

Tal como aconteceu com Cuba durante mais de meio século, em que os Estados Unidos da América agitavam a bandeira do perigo que constituía para a sua segurança interna um pequeno país com pouco mais de 10 milhões de habitantes que apenas desejava viver em paz, agora acusam também a Venezuela de constituir uma ameaça para o país, porque não conseguindo mudar a política sufragada maioritariamente pelo povo, voltam a utilizar os mesmos meios para atingirem os fins que desejavam para Cuba.

Não é por acaso que se assiste a grandes contestações no Brasil, quando a eleição presidencial ocorreu há tão pouco tempo e não é por acaso que os ataques à ordem constituída na Venezuela se multiplicam com acções subversivas, numa guerra de índole económica que afecta os mais desfavorecidos, a principal base de apoio ao Presidente Maduro, tentando provocar o seu descontentamento generalizado.

Mas hoje o panorama é bem diferente e as pessoas já não se deixam enganar como outrora, dando valor e apoiando quem mais se tem preocupado pela distribuição equitativa da riqueza gerada pelos recursos naturais e pelos meios de produção através de uma maior justiça social.

Recentemente os Estados membros da União de Nações Sul-americanas manifestaram a sua rejeição ao Decreto Executivo do Governo dos Estados Unidos da América, aprovado em 9 de Março de 2015, por constituir uma ameaça e ingerência à soberania e ao princípio da não intervenção nos assuntos internos de outros Estados.

Os Estados membros da UNASUR reafirmaram o seu compromisso com a plena vigência do Direito Internacional, a Soluções Pacíficas de Litígios e ao princípio de Não Intervenção, e reiteraram o seu apelo a que os Governos se abstenham da aplicação de medidas coercivas unilaterais que violem o Direito Internacional.

A UNASUR reiterou o apelo ao governo dos Estados Unidos da América para que avalie e ponha em prática alternativas de diálogo com o governo da Venezuela, sob os princípios de respeito pela soberania e autodeterminação dos povos e consequentemente, solicita a eliminação do citado Decreto Executivo.

Dentro de dias a Cimeira das Américas reunirá no Panamá os Chefes de Estado e de Governo para debater e afirmar valores comuns, assim como concertar acções com a finalidade de fazer frente aos desafios que se apresentam aos países de toda a América.

Mais uma vez se espera a condenação generalizada ao bloqueio imposto a Cuba, pois as boas intenções reveladas pelo Presidente Obama ainda não tiveram uma completa aplicação prática, mas também a Cimeira se deve pronunciar sobre a Resolução dos EUA contra a Venezuela, que não tem a menor justificação, servindo apenas para desestabilizar um país que necessita de paz social para poder continuar a Revolução Bolivariana iniciada por Hugo Chávez, pela liberdade e pela independência.


(Celino Cunha Vieira-Cubainformación)