quinta-feira, 25 de junho de 2015


CAPITÓLIO NACIONAL

De acordo com Eusébio Leal, Historiador da Cidade de Havana, o monumental edifício do Capitólio Nacional que há mais de dois anos foi encerrado ao público a fim de ser submetido a obras de restauro, voltará a abrir as suas portas já em Julho com visitas guiadas por um arquitecto e um restaurador, coordenadas pelo seu Gabinete, que irão mostrar os trabalhos que ainda decorrem no interior deste lugar tão emblemático para Cuba e de grande valor patrimonial.

Com um custo total de quase 17 milhões de pesos (equivalente ao dólar americano) o Capitólio de Havana foi inaugurado em 1929 pelo então presidente Gerardo Machado e ocupa uma área superior a 43 mil metros quadrados (13.484 correspondem ao edifício), sendo considerado uma réplica quase perfeita do que se encontra em Washington. Até ao triunfo da Revolução albergou o Senado e a Câmara de Representantes, passando depois a Academia das Ciências e prevendo-se que no futuro seja a sede da Assembleia Nacional do Poder Popular.

O colossal edifício contém inúmeros murais e elementos escultóricos, destacando-se a figura em bronze com quase 15 metros e um peso aproximados de 30 toneladas que representa a República, considerada uma das maiores estátuas do mundo debaixo de teto, encontrando-se situada sob a cúpula que atinge os 92 metros de altura e os 32 metros de diâmetro, sendo visível de vários pontos da cidade.

Na sua construção e decoração original foram usados os materiais mais nobres para a época, mesmo atravessando-se a crise económica internacional dos anos vinte, destacando-se, entre outros, a variedade de 58 mármores de origem nacional e internacional, as ferragens em bronze, as madeiras preciosas e os vitrais.

Uma outra particularidade do Capitólio Nacional é ser considerado o quilómetro zero em relação a todas as estradas do país, representado inicialmente esse ponto, sob a cúpula, por um diamante de 25 quilates que pertenceu ao último Czar Russo Nicolau II. Embora o diamante estivesse protegido por um sólido vidro considerado inquebrável, este foi roubado em 1946 e só no ano seguinte viria a ser recuperado, estando hoje guardado no Banco Nacional por questões de segurança e no seu lugar apenas se podendo ver uma réplica.

Quem já passou por Havana recordar-se-á deste magnífico e belo edifício, um dos muitos locais obrigatórios para se deixar fotografar junto às suas colunatas ou esculturas exteriores, na própria escadaria ou nos jardins que o rodeiam, partindo daí para descobrir uma cidade repleta de história e de magia onde apetece sempre voltar.

(Celino Cunha Vieira - Cubainformación)



quinta-feira, 18 de junho de 2015


INICIATIVA PRIVADA

Se existem sectores na economia de cada país em que o controle estatal é fundamental, também existem áreas onde a iniciativa privada pode fazer mais e melhor, inovando e entrando num mercado competitivo onde só a qualidade pode levar ao êxito de cada negócio.

É assim que em Cuba, desde 2010, mais de 200 actividades foram liberalizadas e hoje já ultrapassam o meio milhão de cidadãos que aproveitando essas oportunidades passaram a exercer actividades por conta própria, deixando de depender do Estado. De salientar que destes, mais de 30% são jovens e que a tendência é para esta percentagem aumentar, pois a irreverência própria da idade está muito mais desperta para a vida e para o seu desenvolvimento e realização profissional, não se acomodando às rotinas que sempre estão inerentes a quem tem tudo sem grande esforço.

Abrem-se assim novos desafios e as oportunidades são imensas, contribuindo o sector privado para o crescimento do país e, muito importante, ajudar a equilibrar a balança de transacções, produzindo bens – principalmente alimentares – de modo a diminuir a necessidade de importações desses bens essenciais.

Com o incremento do turismo, da indústria e do comércio por parte de novas parcerias com investidores estrangeiros, espera-se que proximamente surjam outras oportunidades de emprego, aliviando progressivamente a carga salarial do sector público, que ao contrário do que se apregoava com a necessidade de a diminuir substancialmente, não teve de recorrer a despedimentos nem a retirada de salários.

Conseguir uma transformação na economia de um país sem grandes sobressaltos e continuando a garantir gratuitamente a todos os cidadãos os direitos consignados e conquistados pela Revolução tem sido uma tarefa árdua, mas que com tenacidade será vencida como foram todas as outras fases e contrariedades desde 1959, pois o futuro será certamente bem melhor que o passado, já que no presente as expectativas são muito auspiciosas com o fim do bloqueio económico, financeiro e comercial, obsoleto e criminoso.

Quem hoje visita Cuba vai entender as transformações que já se operaram e encontrar uma sociedade que aos poucos recupera o poder de compra perdido após o isolamento forçado devido ao desaparecimento do bloco socialista que levou Cuba a passar por um período especial muito duro e de enormes sacrifícios para todo o povo.

Felizmente que as novas gerações não sofreram o mesmo que os seus pais ou avós e hoje apenas têm esse conhecimento pelos relatos que lhes são transmitidos, podendo encarar o futuro com uma esperança bem diferente e muito mais risonha.

(Celino Cunha Vieira- Cubainformación)



sexta-feira, 29 de maio de 2015


DIGNIDADE E RESISTÊNCIA

Que direito tem um governo, no caso o dos EUA, para unilateralmente elaborar uma lista de países que supostamente apoiam o terrorismo? Quais os critérios e em que normas internacionais assenta tal relação ninguém sabe e dificilmente isso poderia ser explicado por quem tem uma poderosa indústria bélica, vendendo por esse mundo fora armas a quem melhor pagar, sejam terroristas ou não.

Cuba constava dessa lista, provavelmente por fornecer gratuitamente apoio aos países mais carenciados, enviando profissionais de saúde que para além da assistência sanitária directa aos cidadãos, fundaram e ministram aulas em faculdades de medicina e de enfermagem, com vista à formação de técnicos locais. Se isto é apoiar o terrorismo, então que muitos outros países o façam, para que mais médicos e enfermeiros possam salvar os seus concidadãos.

Agora que Cuba saiu dessa tenebrosa lista a que nunca deveria ter sido associada, muitas outras questões podem ser ultrapassadas, nomeadamente as relacionadas com a importação de alguns equipamentos médicos e produtos farmacêuticos específicos que apenas são produzidos nos EUA.

Espera-se então, com o decorrer das rondas de conversações que têm decorrido com respeito mútuo, se possa chegar a um entendimento para o reatar das relações e a instalação de Embaixadas nos dois países. Mas para isso é ainda necessário que os EUA levantem o embargo económico, financeiro e comercial, que se comprometam a devolver o território ilegalmente ocupado de Guantanamo e que ao abrigo da Convenção de Viena o seu pessoal diplomático não se imiscua nos assuntos internos de Cuba.

Por agora e pelo que se sabe, à margem das delegações oficiais de cada país, têm existido encontros de comissões técnicas para dialogarem sobre algumas áreas de interesse mútuo, como a aviação civil, a investigação sobre espécies e a definição de zonas marinhas protegidas, as cartas náuticas, a hidrografia, assim como o combate concertado a doenças infecciosas, à prevenção de epidemias e à troca de experiências científicas no campo da saúde.

Com o desanuviar das relações tensas entre Cuba e os EUA desde há mais de meio século, tem-se verificado um incremento de cidadãos norte-americanos a viajarem para Cuba com fins turísticos ou de prospecção de negócios, cifrando-se um aumento de 36% no primeiro trimestre de 2015 em comparação com o período homólogo do ano anterior, ou seja de 29.123 para 38.474. Em termos gerais, o aumento de entradas no país foi de 14%.

Cuba está hoje na ordem do dia e com todos os focos para si apontados, seja pelas constantes visitas de delegações internacionais chefiadas pelos seus mais altos dignitários, seja pelos seus sucessos a nível interno e externo, cumprindo assim o seu importante papel na América Latina e dando exemplos ao mundo de como um pequeno país em área geográfica e população pode ser tão grande em dignidade e resistência.

(Celino Cunha Vieira - Cubainformación)


sexta-feira, 15 de maio de 2015


OS HERÓIS DO POVO

Hoje, após o regresso à pátria dos Cinco Heróis Cubanos que estiveram presos nos EUA, começam a ser conhecidos alguns episódios particulares de cada um deles sobre todo o processo em que estiveram envolvidos, desde o momento em que lhes foi pedida a sua colaboração para assumirem os riscos de uma missão tão especial em que nem os familiares mais próximos podiam conhecer.

Imagine-se o sofrimento de um pai e marido sabendo que a sua mulher acreditava que ele tinha roubado um avião e desertado do país para se passar para Miami e integrar-se num grupo terrorista, sendo as suas filhas vaiadas na escola pelos colegas que lhes chamavam filhas de um traidor.

Imagine-se a angústia de um filho sabendo que a sua mãe havia falecido convencida que ele se tinha passado para as hostes de um grupo terrorista que exercia acções violentas contra Cuba.

Imagine-se o estado de espírito de cada um deles em que permaneceram por largos períodos em completo isolamento e já depois de condenados, impedidos de receberem visitas dos seus familiares por as autoridades dos EUA não concederem os necessários vistos.

Imagine-se o que é ser condenado a duas cadeias perpétuas, acrescidas de mais quinze anos, num país em que a justiça peca pela sua falta de isenção, mais a mais num processo de cariz político eivado de contradições e fortemente influenciado por gente com poder ligado às máfias de Miami.

Mas a grandeza do seu patriotismo e a forte convicção de que o seu sacrifício evitou a perda de muitas vidas humanas levou-os a suplantar tudo isso, dando-lhes a força e a coragem suficientes para suportarem com firmeza as injustiças de que eram alvos. E hoje, se necessário fosse, voltariam a fazer tudo de novo.

Actualmente, não há ninguém em Cuba que não os conheça e que não lhes esteja grato, sendo requisitados constantemente para participarem nos mais variados eventos e receberem o carinho da população que os quer tocar, abraçar, beijar e agradecer, vendo neles o exemplo digno dos antepassados que se bateram pela independência de Cuba, com o sacrifício da própria vida. E estes homens são tão simples mas tão grandes, que se misturam com o seu povo e com eles confraternizam, pois dele vieram e finalmente a ele voltaram.

Povo que com muita coragem soube enfrentar o período especial que se seguiu ao derrube do bloco de leste europeu, principal parceiro económico de Cuba, em que homens e mulheres tiveram de “inventar” para dar de comer aos seus filhos, resistindo heroicamente às contrariedades.

Há quem apenas goste de Cuba para aí fazer turismo e há também quem não goste porque só vê o superficial e nada mais. Mas o que Cuba tem de mais importante são as pessoas que com toda a dignidade sabem viver o dia-a-dia e defender a qualquer preço o seu país.

(Celino Cunha Vieira - Cubainformación)

quinta-feira, 7 de maio de 2015


1.º DE MAIO DE 2015

Mais uma vez tive o privilégio de acompanhar uns amigos a Cuba para participarem no grande desfile do 1.º de Maio em Havana, que desta vez decorreu debaixo de uma irritante chuva, mas que nem assim serviu para desmobilizar o povo que mais ou menos protegido contra a intempérie, compareceu em massa para confraternizar e viver a grande festa do Dia do Trabalhador de apoio à Revolução, tendo este ano a particularidade de homenagear os Cinco Heróis Cubanos que com os seus familiares directos encetaram o desfile, após tantos e tantos anos em que foram impedidos de o fazer e que aqui se reclamou insistentemente a sua libertação, cumprindo-se a promessa de Fidel: “volveran!” e finalmente regressaram todos à Pátria e ao convívio com os seus concidadãos que eternamente lhes estarão agradecidos.

Mesmo com mau tempo a alegria foi contagiante, predominando o colorido e a juventude que pulou e dançou enquanto desfilava, empunhando os mais variados cartazes com palavras de ordem ou fotos dos seus líderes, como Marti, Che, Camilo, Raul e Fidel, personalidades que sempre são lembradas pelo seu passado ou presente e referências da Revolução Cubana.

A tudo isto também assistiu o Presidente Raul Castro acompanhado pelo Presidente Nicolás Maduro, que veio agradecer todo o apoio à Revolução Bolivariana da Venezuela, tão atacada nos últimos tempos pelo império norte-americano, que continua a querer ingerir-se nos destinos de nações soberanas e independentes que democraticamente sabem escolher o futuro que desejam.

Este ano participaram delegações de mais de 60 países, entre elas a de Portugal, umas mais numerosas que outras, que também se reuniram no Palácio das Convenções para expressarem a sua solidariedade com Cuba, tendo-se assistindo a intervenções muito emotivas e amplamente aplaudidas por cerca de um milhar de presentes.

A delegação portuguesa teve ainda oportunidade de estabelecer contactos com várias instituições cubanas e visitas a uma cooperativa agrícola, a um médico de família, a um policlínico, a um Comité de Defesa da Revolução e a uma obra social de Havana Velha, complementando um programa que tinha por objectivo dar a conhecer a verdadeira realidade e não aquilo que a habitual propaganda emanada por alguns comentaristas e comunicação social tentam fazer crer. Como em tempos disse Fidel, “Cuba não é o paraíso, mas também não é o inferno que muitos desejam que seja”.

O povo está alerta e vigilante sobre os perigos que podem advir contra as conquistas alcançadas pela Revolução, sabendo que são irreversíveis e que as novas gerações são o garante da sua continuidade.

José Marti e todos aqueles que se sacrificaram para que Cuba fosse soberana e independente merecem qualquer sacrifício.

(Celino Cunha Vieira - Cubainformación)


quinta-feira, 23 de abril de 2015


SERÁ QUE FOI REVOLUÇÃO?

Passados 41 anos sobre o 25 de Abril em Portugal, não quero deixar passar em branco esta data, mas também não posso chamar-lhe revolução, como muitos apregoam, porque, como caracterizou Fidel, “Revolução é o sentido do momento histórico; é mudar tudo o que deve ser mudado; é igualdade e liberdade plenas; é ser tratado e tratar os demais como seres humanos; é emancipar-nos por nós mesmos e com os nossos próprios esforços; é desafiar poderosas forças dominantes dentro e fora do âmbito social e nacional; é defender os valores em que se acredita ao preço de qualquer sacrifício; é modéstia, desinteresse, altruísmo, solidariedade e heroísmo; é lutar com audácia, inteligência e realismo; é não mentir jamais nem violar princípios éticos; é convicção profunda de que não existe força no mundo capaz de derrubar a força da verdade e das ideias”.

Neste conjunto de princípios, onde se encaixa o que se passou em Portugal nestas últimas quatro décadas? Quando uma democracia se apoia em partidos políticos divididos entre esquerdas e direitas e em que na maioria dos casos apenas procuram o poder a qualquer preço sem os mínimos princípios ideológicos nem respeito pelos cidadãos, não há revolução que resista. Poucos têm as mãos limpas e desses, alguns são completamente ostracizados pelas cliques partidárias para que não tenham a veleidade de poderem apontar aos “poderosos” os desvios e as falcatruas em que se envolvem.

Em Cuba, pelo contrário, a Revolução está bem viva e as gerações sucedem-se na governação em todos os níveis, garantindo a continuidade das conquistas alcançadas e sabendo adaptar-se aos novos desafios globais. Desenganem-se todos aqueles que por falta de convicções profundas temem os perigos da aproximação entre os governos de Cuba e dos Estados Unidos, porque os cubanos sabem o que querem e conhecem bem as diferenças que existem entre as duas sociedades. Já após o fim do bloco socialista os receios foram os mesmos e Cuba conseguiu resistir heroicamente. Porquê? Porque a Revolução Cubana é única e assenta numa base popular.

Quem está pouco atento ou mal informado nem se apercebeu da importância que teve o passado dia 17 de Dezembro com as declarações dos dois presidentes e o regresso à Pátria de António, Gerardo e Ramón, com a proposta de Obama para pôr fim ao bloqueio comercial, económico e financeiro, com a declaração conjunta da intenção de abertura de representação diplomática ao nível de embaixada em cada país, com a participação de Cuba na Cimeira das Américas e com a retirada de Cuba da lista de países patrocinadores do terrorismo. Tudo isto num curto espaço de tempo em que nem os mais optimistas poderiam imaginar, sem qualquer cedência de Cuba porque a razão estava do seu lado, constitui um passo importante para um futuro relacionamento e cooperação que só beneficiará os dois povos.

Cuba nada mudou na sua política externa e sempre esteve na disposição de manter relações com todos os países do mundo, desde que as mesmas fossem tratadas em pé de igualdade e com respeito pela sua independência e soberania, não admitindo qualquer tipo de ingerência. E assim continuará sendo, podem crer.

(Celino Cunha Vieira - Cubainformación)



quinta-feira, 9 de abril de 2015


QUEM DEVE O QUÊ A QUEM?

No âmbito das conversações entre as delegações de Cuba e dos EUA, surgem agora uns quantos cidadãos americanos a pressionarem o seu governo, para que este introduza nas negociações o tema da recuperação ou indemnização sobre bens expropriados após a Revolução.

Esta atitude não constitui uma novidade, pois a máfia instalada em Miami tem esse objectivo desde há mais de 50 anos, nunca se tendo conformado com as nacionalizações ou com a ocupação de propriedades que tinham sido roubadas ou adquiridas por baixo valor, em troca de favores dos governantes corruptos da época.

A produção agrícola, maioritariamente dedicada ao cultivo da cana-de-açúcar, era totalmente dominada por empresas directa ou indirectamente ligadas aos EUA, sendo toda a produção canalizada e comercializada por este país, enquanto os trabalhadores eram explorados de uma forma encapotada de escravidão, porque a pouco ou nada tinham direito. Aliás, o desemprego rondava os 75%, pois só 25% da população activa tinha alguma ocupação, auferindo salários miseráveis.

Como exemplo, uma das empresas nacionalizadas foi a Companhia Cubana de Electricidade - que de cubana não tinha nada – e que só fazia investimentos nas grandes cidades onde pudesse recuperar rapidamente o dinheiro aplicado, deixando as pequenas povoações sem esse serviço essencial. A deficiente electrificação do país pouco passava dos 50%, atingindo hoje quase os 100% e mesmo os lugares mais recônditos se não são servidos pela rede nacional, existem energias alternativas, como painéis solares ou pequenas hidroeléctricas.

Os mesmos que agora reclamam indemnizações são os mesmos (ou os seus descendentes) que antes de 1959 mantinham um país em que só 15% da população tinha água corrente, que 65% dos médicos e das camas hospitalares estavam concentrados na capital e por isso a esperança de vida não ia além dos 62 anos, onde existia desnutrição e cerca de 27% morriam prematuramente por tuberculose e febre tifóide, ou que mais de 44% nunca tinham frequentado uma escola.

Que moral tem aquela gente para exigir seja o que for, quando os recursos naturais e a riqueza gerada no país era distribuída por uma elite promíscua e sem qualquer tipo de humanidade? Com que direito se arrogam como credores, quando sempre roubaram aquilo que não lhes pertencia?

Isto, já para não referir a ocupação abusiva desde há mais de 100 anos de um território que faz parte integrante da Nação Cubana, o saque dos fundos públicos, os prejuízos incalculáveis derivados do bloqueio económico, financeiro e comercial, para além das vidas humanas que não têm preço e que ao longo dos anos pereceram pelas acções e atentados terroristas perpetrados contra Cuba e o seu povo.

Entre o deve e o haver, Cuba tem muito mais razões para poder exigir o ressarcimento do que lhe foi retirado, pois a única coisa que Cuba deve a essa gente é terem sido os verdadeiros motivadores para que se fizesse uma Revolução e isso sim, o povo agradece.

(Celino Cunha Vieira-Cubainformación)





quinta-feira, 26 de março de 2015


CUBA E VENEZUELA NÃO ESTÃO SÓS

Tal como aconteceu com Cuba durante mais de meio século, em que os Estados Unidos da América agitavam a bandeira do perigo que constituía para a sua segurança interna um pequeno país com pouco mais de 10 milhões de habitantes que apenas desejava viver em paz, agora acusam também a Venezuela de constituir uma ameaça para o país, porque não conseguindo mudar a política sufragada maioritariamente pelo povo, voltam a utilizar os mesmos meios para atingirem os fins que desejavam para Cuba.

Não é por acaso que se assiste a grandes contestações no Brasil, quando a eleição presidencial ocorreu há tão pouco tempo e não é por acaso que os ataques à ordem constituída na Venezuela se multiplicam com acções subversivas, numa guerra de índole económica que afecta os mais desfavorecidos, a principal base de apoio ao Presidente Maduro, tentando provocar o seu descontentamento generalizado.

Mas hoje o panorama é bem diferente e as pessoas já não se deixam enganar como outrora, dando valor e apoiando quem mais se tem preocupado pela distribuição equitativa da riqueza gerada pelos recursos naturais e pelos meios de produção através de uma maior justiça social.

Recentemente os Estados membros da União de Nações Sul-americanas manifestaram a sua rejeição ao Decreto Executivo do Governo dos Estados Unidos da América, aprovado em 9 de Março de 2015, por constituir uma ameaça e ingerência à soberania e ao princípio da não intervenção nos assuntos internos de outros Estados.

Os Estados membros da UNASUR reafirmaram o seu compromisso com a plena vigência do Direito Internacional, a Soluções Pacíficas de Litígios e ao princípio de Não Intervenção, e reiteraram o seu apelo a que os Governos se abstenham da aplicação de medidas coercivas unilaterais que violem o Direito Internacional.

A UNASUR reiterou o apelo ao governo dos Estados Unidos da América para que avalie e ponha em prática alternativas de diálogo com o governo da Venezuela, sob os princípios de respeito pela soberania e autodeterminação dos povos e consequentemente, solicita a eliminação do citado Decreto Executivo.

Dentro de dias a Cimeira das Américas reunirá no Panamá os Chefes de Estado e de Governo para debater e afirmar valores comuns, assim como concertar acções com a finalidade de fazer frente aos desafios que se apresentam aos países de toda a América.

Mais uma vez se espera a condenação generalizada ao bloqueio imposto a Cuba, pois as boas intenções reveladas pelo Presidente Obama ainda não tiveram uma completa aplicação prática, mas também a Cimeira se deve pronunciar sobre a Resolução dos EUA contra a Venezuela, que não tem a menor justificação, servindo apenas para desestabilizar um país que necessita de paz social para poder continuar a Revolução Bolivariana iniciada por Hugo Chávez, pela liberdade e pela independência.


(Celino Cunha Vieira-Cubainformación)


sexta-feira, 13 de março de 2015


AS ARTES E A CULTURA CUBANA

Uma das características de todos os cubanos é o seu alto sentido crítico em relação a tudo e a todos, contestando sempre o que está mal ou o que está bem, porque esse estado de espírito faz parte dos genes herdados dos seus antepassados desde há muitos séculos. Os humoristas, por exemplo, aproveitam bem essas características para fazerem rir as plateias para quem actuam ou até na própria televisão cubana, fazendo as suas críticas políticas e sociais.

Vem isto a propósito da mentira tantas vezes propalada sobre a falta de liberdade para ter opinião, quando isso é facilmente desmentido com provas concludentes, como é o caso do cinema subsidiado pelo Estado através do ICAIC – Instituto Cubano del Arte e Indústrias Cinematográficas, que desde o triunfo da Revolução em 1959 financiou mais de 500 filmes.

Para que cada um possa tirar as suas próprias conclusões e porque as películas podem ser vistas através da internet, sugiro apenas “Fresa e Chocolate” de 1993, “Guantanamera” de 1995, “Lista de Espera” de 2000, "Habanastation" de 2011 e “Conducta” de 2013. Para além de muitos outros, estes filmes abordam assuntos de carácter social e político. E para quem conhece as realidades cubanas, entende bem o seu alcance e o êxito que têm obtido junto da população e até em certames internacionais, já com vários prémios conquistados.

Que se saiba, nenhum dos autores foi preso ou sequer molestado por delito de opinião, tal como alguns aprendizes da intelectualidade querem fazer crer que em Cuba todos têm de pensar da mesma maneira. A diferença está em que ter opinião é uma coisa, conspirar e provocar actos de desestabilização interna ou actos de terrorismo a soldo de uma potência estrangeira é outra bem diferente, condenada em qualquer parte do mundo.

Ninguém tem dúvidas sobre o apoio à cultura em geral e às artes em particular por parte do governo cubano, cumprindo o pensamento de Marti, “quanto mais cultos, mais livres”. E isto causa muitos incómodos a todos aqueles que se esforçam e utilizam todos os meios ao seu alcança para denegrir a imagem de Cuba.

Poucos países do mundo, mesmo os mais desenvolvidos, têm anualmente tantas manifestações culturais como aquelas que se realizam em Cuba, muitas de carácter internacional, onde estão representadas todas as artes com um nível tão elevado, que são inúmeras as propostas para que sejam apresentadas no exterior e poderem servir de exemplo para outras nações, incluindo Portugal, que já recebeu músicos, pintores, escultores, bailarinos e escritores cubanos, para além de alguns que se radicaram no país e que são autênticos embaixadores da cultura cubana.

Mas como São Tomé, “há que ver para crer” e por isso mais uma vez vos desafio para que visitem Cuba com espírito aberto e sem qualquer preconceito ideológico, tal como muitos o têm feito e não se arrependeram, por constatarem que a realidade é bem diferente daquilo que a propaganda mafiosa quer fazer passar para a opinião pública.

(Celino Cunha Vieira - Cubainformación)




quinta-feira, 5 de março de 2015


O ENVIADO MUITO ESPECIAL A CUBA

Quando no passado dia 17 de Dezembro os presidentes de Cuba e dos EUA fizeram uma declaração de princípios sobre o relacionamento entre os dois países, todo o mundo rejubilou, pois nos tempos que correm já ninguém compreende que ainda exista um bloqueio económico, comercial e financeiro com fins meramente políticos e que prejudicam os dois povos. Como resultado, realizaram-se já duas rondas de conversações em que o respeito mútuo imperou, avançando-se na convergência de alguns pontos essenciais para o reatar de normais relações diplomáticas.

Mas há sempre quem se oponha e que queira que tudo continue na mesma para que não percam as benesses de que usufruem, nomeadamente os auto denominados “opositores” quer os que estão em Cuba quer os que estão comodamente instalados nos EUA dirigindo organizações que têm sido subsidiadas pelos sucessivos governos norte-americanos para actuarem contra Cuba, provocando acções de desestabilização interna e actos de puro terrorismo.

Não é por mero acaso que se assiste a uma nova campanha mediática que tem por finalidade interferir nas conversações e criar na opinião pública a imagem de um país de forte repressão onde não há liberdade e as pessoas vivem numa profunda miséria. Para essa campanha, Portugal contribui através das nossas taxas que são canalizados para a RTP, mandando o enviado especial Carlos Daniel a Cuba para que este retransmitisse as opiniões de uma ínfima minoria, demonstrando um enorme sectarismo e prestando-se a um ridículo papel de porta-voz de uma pseudo-oposição que é rejeitada pela esmagadora maioria do povo cubano.

Quando o enviado especial afirma, por exemplo, que a exibição do filme “Fresa e Chocolate” esteve vários anos proibida no país, mente descaradamente ou se ignora é porque é um mau jornalista, já que esse filme como tantos outros, foi produzido e co-financiado pelo Instituto Cubano de Arte e Indústrias Cinematográficas, tendo sido rodado em 1994 e estreado em várias salas cubanas no dia 20 de Janeiro de 1995, obtendo desde aí para cá vários prémios nacionais e internacionais. E se alguém tem dúvidas sobre a liberdade dos autores, basta ver muitas outras películas, igualmente financiados pelo Estado Cubano, em que a crítica é bem patente, incidindo sobre as verdadeiras realidades, sem tabus nem constrangimentos de qualquer espécie.

O enviado especial da RTP mostrou uma pequena casa degradada, desarrumada e particularmente suja, como se isso fosse o padrão das casas onde vivem os cubanos e o desmazelo e a sujidade tivessem alguma coisa a ver com as dificuldades por que todos têm passado. Existem sim casas sem luxo, mas muito dignas e asseadas.

Também mostrou umas senhoras vestidas de branco que são pagas por um país estrangeiro para desfilarem junto às principais embaixadas sedeadas em Havana e, contradição das contradições, ninguém os incomodou, podendo dizer para as câmaras do senhor Carlos Daniel aquilo que muito bem quiseram. Até por lá apareceu um tal Fariñas que se tivesse vergonha na cara agradecia ao Estado Cubano e aos Médicos e Enfermeiros que o salvaram de uma morte quase certa quando estava em prisão domiciliária por delitos comuns (esfaquear os seus semelhantes nada tem a ver com dissidência política) resolvendo fazer uma greve de fome e considerar-se opositor de consciência, tal como muitos dos familiares das tais senhoras que estão presos por delitos que são condenáveis em qualquer parte do mundo num Estado de Direito.

O enviado muito especial da RTP, como jornalista, mostrou a sua total falta de isenção e tal como já li por aí, “se Cuba carimbasse a cara de gente parva à saída do país, o rapaz chegava a Portugal irreconhecível”.

(Celino Cunha Vieira - Cubainformación)