quinta-feira, 23 de abril de 2015


SERÁ QUE FOI REVOLUÇÃO?

Passados 41 anos sobre o 25 de Abril em Portugal, não quero deixar passar em branco esta data, mas também não posso chamar-lhe revolução, como muitos apregoam, porque, como caracterizou Fidel, “Revolução é o sentido do momento histórico; é mudar tudo o que deve ser mudado; é igualdade e liberdade plenas; é ser tratado e tratar os demais como seres humanos; é emancipar-nos por nós mesmos e com os nossos próprios esforços; é desafiar poderosas forças dominantes dentro e fora do âmbito social e nacional; é defender os valores em que se acredita ao preço de qualquer sacrifício; é modéstia, desinteresse, altruísmo, solidariedade e heroísmo; é lutar com audácia, inteligência e realismo; é não mentir jamais nem violar princípios éticos; é convicção profunda de que não existe força no mundo capaz de derrubar a força da verdade e das ideias”.

Neste conjunto de princípios, onde se encaixa o que se passou em Portugal nestas últimas quatro décadas? Quando uma democracia se apoia em partidos políticos divididos entre esquerdas e direitas e em que na maioria dos casos apenas procuram o poder a qualquer preço sem os mínimos princípios ideológicos nem respeito pelos cidadãos, não há revolução que resista. Poucos têm as mãos limpas e desses, alguns são completamente ostracizados pelas cliques partidárias para que não tenham a veleidade de poderem apontar aos “poderosos” os desvios e as falcatruas em que se envolvem.

Em Cuba, pelo contrário, a Revolução está bem viva e as gerações sucedem-se na governação em todos os níveis, garantindo a continuidade das conquistas alcançadas e sabendo adaptar-se aos novos desafios globais. Desenganem-se todos aqueles que por falta de convicções profundas temem os perigos da aproximação entre os governos de Cuba e dos Estados Unidos, porque os cubanos sabem o que querem e conhecem bem as diferenças que existem entre as duas sociedades. Já após o fim do bloco socialista os receios foram os mesmos e Cuba conseguiu resistir heroicamente. Porquê? Porque a Revolução Cubana é única e assenta numa base popular.

Quem está pouco atento ou mal informado nem se apercebeu da importância que teve o passado dia 17 de Dezembro com as declarações dos dois presidentes e o regresso à Pátria de António, Gerardo e Ramón, com a proposta de Obama para pôr fim ao bloqueio comercial, económico e financeiro, com a declaração conjunta da intenção de abertura de representação diplomática ao nível de embaixada em cada país, com a participação de Cuba na Cimeira das Américas e com a retirada de Cuba da lista de países patrocinadores do terrorismo. Tudo isto num curto espaço de tempo em que nem os mais optimistas poderiam imaginar, sem qualquer cedência de Cuba porque a razão estava do seu lado, constitui um passo importante para um futuro relacionamento e cooperação que só beneficiará os dois povos.

Cuba nada mudou na sua política externa e sempre esteve na disposição de manter relações com todos os países do mundo, desde que as mesmas fossem tratadas em pé de igualdade e com respeito pela sua independência e soberania, não admitindo qualquer tipo de ingerência. E assim continuará sendo, podem crer.

(Celino Cunha Vieira - Cubainformación)



quinta-feira, 9 de abril de 2015


QUEM DEVE O QUÊ A QUEM?

No âmbito das conversações entre as delegações de Cuba e dos EUA, surgem agora uns quantos cidadãos americanos a pressionarem o seu governo, para que este introduza nas negociações o tema da recuperação ou indemnização sobre bens expropriados após a Revolução.

Esta atitude não constitui uma novidade, pois a máfia instalada em Miami tem esse objectivo desde há mais de 50 anos, nunca se tendo conformado com as nacionalizações ou com a ocupação de propriedades que tinham sido roubadas ou adquiridas por baixo valor, em troca de favores dos governantes corruptos da época.

A produção agrícola, maioritariamente dedicada ao cultivo da cana-de-açúcar, era totalmente dominada por empresas directa ou indirectamente ligadas aos EUA, sendo toda a produção canalizada e comercializada por este país, enquanto os trabalhadores eram explorados de uma forma encapotada de escravidão, porque a pouco ou nada tinham direito. Aliás, o desemprego rondava os 75%, pois só 25% da população activa tinha alguma ocupação, auferindo salários miseráveis.

Como exemplo, uma das empresas nacionalizadas foi a Companhia Cubana de Electricidade - que de cubana não tinha nada – e que só fazia investimentos nas grandes cidades onde pudesse recuperar rapidamente o dinheiro aplicado, deixando as pequenas povoações sem esse serviço essencial. A deficiente electrificação do país pouco passava dos 50%, atingindo hoje quase os 100% e mesmo os lugares mais recônditos se não são servidos pela rede nacional, existem energias alternativas, como painéis solares ou pequenas hidroeléctricas.

Os mesmos que agora reclamam indemnizações são os mesmos (ou os seus descendentes) que antes de 1959 mantinham um país em que só 15% da população tinha água corrente, que 65% dos médicos e das camas hospitalares estavam concentrados na capital e por isso a esperança de vida não ia além dos 62 anos, onde existia desnutrição e cerca de 27% morriam prematuramente por tuberculose e febre tifóide, ou que mais de 44% nunca tinham frequentado uma escola.

Que moral tem aquela gente para exigir seja o que for, quando os recursos naturais e a riqueza gerada no país era distribuída por uma elite promíscua e sem qualquer tipo de humanidade? Com que direito se arrogam como credores, quando sempre roubaram aquilo que não lhes pertencia?

Isto, já para não referir a ocupação abusiva desde há mais de 100 anos de um território que faz parte integrante da Nação Cubana, o saque dos fundos públicos, os prejuízos incalculáveis derivados do bloqueio económico, financeiro e comercial, para além das vidas humanas que não têm preço e que ao longo dos anos pereceram pelas acções e atentados terroristas perpetrados contra Cuba e o seu povo.

Entre o deve e o haver, Cuba tem muito mais razões para poder exigir o ressarcimento do que lhe foi retirado, pois a única coisa que Cuba deve a essa gente é terem sido os verdadeiros motivadores para que se fizesse uma Revolução e isso sim, o povo agradece.

(Celino Cunha Vieira-Cubainformación)





quinta-feira, 26 de março de 2015


CUBA E VENEZUELA NÃO ESTÃO SÓS

Tal como aconteceu com Cuba durante mais de meio século, em que os Estados Unidos da América agitavam a bandeira do perigo que constituía para a sua segurança interna um pequeno país com pouco mais de 10 milhões de habitantes que apenas desejava viver em paz, agora acusam também a Venezuela de constituir uma ameaça para o país, porque não conseguindo mudar a política sufragada maioritariamente pelo povo, voltam a utilizar os mesmos meios para atingirem os fins que desejavam para Cuba.

Não é por acaso que se assiste a grandes contestações no Brasil, quando a eleição presidencial ocorreu há tão pouco tempo e não é por acaso que os ataques à ordem constituída na Venezuela se multiplicam com acções subversivas, numa guerra de índole económica que afecta os mais desfavorecidos, a principal base de apoio ao Presidente Maduro, tentando provocar o seu descontentamento generalizado.

Mas hoje o panorama é bem diferente e as pessoas já não se deixam enganar como outrora, dando valor e apoiando quem mais se tem preocupado pela distribuição equitativa da riqueza gerada pelos recursos naturais e pelos meios de produção através de uma maior justiça social.

Recentemente os Estados membros da União de Nações Sul-americanas manifestaram a sua rejeição ao Decreto Executivo do Governo dos Estados Unidos da América, aprovado em 9 de Março de 2015, por constituir uma ameaça e ingerência à soberania e ao princípio da não intervenção nos assuntos internos de outros Estados.

Os Estados membros da UNASUR reafirmaram o seu compromisso com a plena vigência do Direito Internacional, a Soluções Pacíficas de Litígios e ao princípio de Não Intervenção, e reiteraram o seu apelo a que os Governos se abstenham da aplicação de medidas coercivas unilaterais que violem o Direito Internacional.

A UNASUR reiterou o apelo ao governo dos Estados Unidos da América para que avalie e ponha em prática alternativas de diálogo com o governo da Venezuela, sob os princípios de respeito pela soberania e autodeterminação dos povos e consequentemente, solicita a eliminação do citado Decreto Executivo.

Dentro de dias a Cimeira das Américas reunirá no Panamá os Chefes de Estado e de Governo para debater e afirmar valores comuns, assim como concertar acções com a finalidade de fazer frente aos desafios que se apresentam aos países de toda a América.

Mais uma vez se espera a condenação generalizada ao bloqueio imposto a Cuba, pois as boas intenções reveladas pelo Presidente Obama ainda não tiveram uma completa aplicação prática, mas também a Cimeira se deve pronunciar sobre a Resolução dos EUA contra a Venezuela, que não tem a menor justificação, servindo apenas para desestabilizar um país que necessita de paz social para poder continuar a Revolução Bolivariana iniciada por Hugo Chávez, pela liberdade e pela independência.


(Celino Cunha Vieira-Cubainformación)


sexta-feira, 13 de março de 2015


AS ARTES E A CULTURA CUBANA

Uma das características de todos os cubanos é o seu alto sentido crítico em relação a tudo e a todos, contestando sempre o que está mal ou o que está bem, porque esse estado de espírito faz parte dos genes herdados dos seus antepassados desde há muitos séculos. Os humoristas, por exemplo, aproveitam bem essas características para fazerem rir as plateias para quem actuam ou até na própria televisão cubana, fazendo as suas críticas políticas e sociais.

Vem isto a propósito da mentira tantas vezes propalada sobre a falta de liberdade para ter opinião, quando isso é facilmente desmentido com provas concludentes, como é o caso do cinema subsidiado pelo Estado através do ICAIC – Instituto Cubano del Arte e Indústrias Cinematográficas, que desde o triunfo da Revolução em 1959 financiou mais de 500 filmes.

Para que cada um possa tirar as suas próprias conclusões e porque as películas podem ser vistas através da internet, sugiro apenas “Fresa e Chocolate” de 1993, “Guantanamera” de 1995, “Lista de Espera” de 2000, "Habanastation" de 2011 e “Conducta” de 2013. Para além de muitos outros, estes filmes abordam assuntos de carácter social e político. E para quem conhece as realidades cubanas, entende bem o seu alcance e o êxito que têm obtido junto da população e até em certames internacionais, já com vários prémios conquistados.

Que se saiba, nenhum dos autores foi preso ou sequer molestado por delito de opinião, tal como alguns aprendizes da intelectualidade querem fazer crer que em Cuba todos têm de pensar da mesma maneira. A diferença está em que ter opinião é uma coisa, conspirar e provocar actos de desestabilização interna ou actos de terrorismo a soldo de uma potência estrangeira é outra bem diferente, condenada em qualquer parte do mundo.

Ninguém tem dúvidas sobre o apoio à cultura em geral e às artes em particular por parte do governo cubano, cumprindo o pensamento de Marti, “quanto mais cultos, mais livres”. E isto causa muitos incómodos a todos aqueles que se esforçam e utilizam todos os meios ao seu alcança para denegrir a imagem de Cuba.

Poucos países do mundo, mesmo os mais desenvolvidos, têm anualmente tantas manifestações culturais como aquelas que se realizam em Cuba, muitas de carácter internacional, onde estão representadas todas as artes com um nível tão elevado, que são inúmeras as propostas para que sejam apresentadas no exterior e poderem servir de exemplo para outras nações, incluindo Portugal, que já recebeu músicos, pintores, escultores, bailarinos e escritores cubanos, para além de alguns que se radicaram no país e que são autênticos embaixadores da cultura cubana.

Mas como São Tomé, “há que ver para crer” e por isso mais uma vez vos desafio para que visitem Cuba com espírito aberto e sem qualquer preconceito ideológico, tal como muitos o têm feito e não se arrependeram, por constatarem que a realidade é bem diferente daquilo que a propaganda mafiosa quer fazer passar para a opinião pública.

(Celino Cunha Vieira - Cubainformación)




quinta-feira, 5 de março de 2015


O ENVIADO MUITO ESPECIAL A CUBA

Quando no passado dia 17 de Dezembro os presidentes de Cuba e dos EUA fizeram uma declaração de princípios sobre o relacionamento entre os dois países, todo o mundo rejubilou, pois nos tempos que correm já ninguém compreende que ainda exista um bloqueio económico, comercial e financeiro com fins meramente políticos e que prejudicam os dois povos. Como resultado, realizaram-se já duas rondas de conversações em que o respeito mútuo imperou, avançando-se na convergência de alguns pontos essenciais para o reatar de normais relações diplomáticas.

Mas há sempre quem se oponha e que queira que tudo continue na mesma para que não percam as benesses de que usufruem, nomeadamente os auto denominados “opositores” quer os que estão em Cuba quer os que estão comodamente instalados nos EUA dirigindo organizações que têm sido subsidiadas pelos sucessivos governos norte-americanos para actuarem contra Cuba, provocando acções de desestabilização interna e actos de puro terrorismo.

Não é por mero acaso que se assiste a uma nova campanha mediática que tem por finalidade interferir nas conversações e criar na opinião pública a imagem de um país de forte repressão onde não há liberdade e as pessoas vivem numa profunda miséria. Para essa campanha, Portugal contribui através das nossas taxas que são canalizados para a RTP, mandando o enviado especial Carlos Daniel a Cuba para que este retransmitisse as opiniões de uma ínfima minoria, demonstrando um enorme sectarismo e prestando-se a um ridículo papel de porta-voz de uma pseudo-oposição que é rejeitada pela esmagadora maioria do povo cubano.

Quando o enviado especial afirma, por exemplo, que a exibição do filme “Fresa e Chocolate” esteve vários anos proibida no país, mente descaradamente ou se ignora é porque é um mau jornalista, já que esse filme como tantos outros, foi produzido e co-financiado pelo Instituto Cubano de Arte e Indústrias Cinematográficas, tendo sido rodado em 1994 e estreado em várias salas cubanas no dia 20 de Janeiro de 1995, obtendo desde aí para cá vários prémios nacionais e internacionais. E se alguém tem dúvidas sobre a liberdade dos autores, basta ver muitas outras películas, igualmente financiados pelo Estado Cubano, em que a crítica é bem patente, incidindo sobre as verdadeiras realidades, sem tabus nem constrangimentos de qualquer espécie.

O enviado especial da RTP mostrou uma pequena casa degradada, desarrumada e particularmente suja, como se isso fosse o padrão das casas onde vivem os cubanos e o desmazelo e a sujidade tivessem alguma coisa a ver com as dificuldades por que todos têm passado. Existem sim casas sem luxo, mas muito dignas e asseadas.

Também mostrou umas senhoras vestidas de branco que são pagas por um país estrangeiro para desfilarem junto às principais embaixadas sedeadas em Havana e, contradição das contradições, ninguém os incomodou, podendo dizer para as câmaras do senhor Carlos Daniel aquilo que muito bem quiseram. Até por lá apareceu um tal Fariñas que se tivesse vergonha na cara agradecia ao Estado Cubano e aos Médicos e Enfermeiros que o salvaram de uma morte quase certa quando estava em prisão domiciliária por delitos comuns (esfaquear os seus semelhantes nada tem a ver com dissidência política) resolvendo fazer uma greve de fome e considerar-se opositor de consciência, tal como muitos dos familiares das tais senhoras que estão presos por delitos que são condenáveis em qualquer parte do mundo num Estado de Direito.

O enviado muito especial da RTP, como jornalista, mostrou a sua total falta de isenção e tal como já li por aí, “se Cuba carimbasse a cara de gente parva à saída do país, o rapaz chegava a Portugal irreconhecível”.

(Celino Cunha Vieira - Cubainformación)




sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015


COLÓQUIO SOBRE SAÚDE

Integrado no VIII Encontro Intercultural de Saberes e Sabores que decorreu no Pavilhão do Alto do Moinho em Corroios - Seixal, realizou-se um Colóquio subordinado ao tema “Cuba – Cooperação Internacional e Acesso à Saúde”promovido pela Associação de Amizade Portugal-Cuba e tendo como orador Melne Martinez, 1.º Secretário da Embaixada de Cuba, destacando-se entre outras presenças, a da Senhora Embaixadora Johana Tablada e da Senhora vice-Presidente da Câmara Municipal do Seixal, Vereadora Corália Loureiro.

De salientar a clara exposição de Melne Martinez que começou por afirmar que a saúde foi uma das primeiras prioridades do governo cubano saído da Revolução, já que dos 6.286 médicos existentes, cerca de 3.000 abandonaram o país. Hoje a realidade é bem diferente, licenciando-se anualmente nas suas 24 faculdades mais de 11.000 novos médicos, entre eles mais de 5.000 cubanos e os restantes de 59 países da América Latina, África, Ásia e até dos Estados Unidos da América, a quem são concedidas bolsas de estudo para que se formem gratuitamente, em igualdade de circunstâncias com os estudantes cubanos, regressando às suas comunidades para que prestem assistência ao seu povo.

Com 1 médico por cada 148 habitantes, Cuba é, segundo a Organização Mundial de Saúde, a nação mais bem dotada neste sector, contando o país com 161 hospitais e 452 unidades policlínicas, tendo como opção uma rigorosa política de prevenção, já que a saúde primária é fundamental para que se possa diminuir a curativa. Por isso a taxa de mortalidade infantil situa-se nos 4,9 por mil (60 por mil em 1959) e a esperança de vida dos cubanos está nos 78,8 anos (60 anos em 1959), o que de acordo com as Nações Unidas, estes índices são similares e até superiores aos de muitas nações mais desenvolvidas.

Muitos destes médicos têm integrado desde 1963 brigadas internacionalistas de apoio a vários países do mundo onde fazem falta pela escassez de recursos ou de primeira intervenção em caso de catástrofes, contabilizando-se até aos dias de hoje mais de 130.000 profissionais de saúde que já prestaram a sua colaboração em outras nações.

Desde 1976 Cuba já fundou escolas de medicina em vários países considerados do 3.º mundo, onde permanecem centenas de cubanos (médicos, enfermeiros e técnicos) que aí ministram as suas aulas para formarem localmente novos profissionais.
  
Em virtude de um acordo de saúde bilateral vigente desde 2009, prestam neste momento os seus serviços em 40 localidades de Portugal 70 médicos cubanos e cada vez são mais os portugueses que viajam para Cuba com a finalidade de aproveitarem as facilidades do turismo de saúde em tratamentos especializados.

No campo internacionalista há também que destacar a “Operación Milagro” a qual já permitiu a mais de 2 milhões de pessoas de cerca de 35 países recuperarem ou melhorarem a sua visão graças aos especialistas cubanos.

Os médicos nascem do povo, não de elites e por isso têm uma forte capacidade de adaptação, ultrapassando as maiores dificuldades e estabelecendo uma relação médico-doente fluida e amistosa que é reconhecida pelas comunidades onde estão inseridos.

A formação de um médico cubano leva-o a que em consciência não veja o doente como uma mercadoria ou um cliente, mas sim como um cidadão que tem direito à saúde desde que nasce até que morre, sem distinções de qualquer espécie. E isso faz toda a diferença.

(Celino Cunha Vieira)

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014


ESPERANÇA NUMA PAZ DURADOURA

Quem me conhece sabe bem que não morro de amores pela política interna e externa dos EUA, mas no passado dia 17 de Dezembro gostei de ouvir o Presidente Obama, principalmente depois de libertar os 3 heróis cubanos que estavam presos por combaterem o terrorismo que a administração norte-americana financia e permite que actue desde o seu território contra Cuba.

De entre as várias medidas anunciadas por ele, incluem-se a do restabelecimento de relações diplomáticas entre os dois países e a sua proposta ao Congresso para pôr fim ao injustificado e criminoso bloqueio económico, comercial e financeiro, já que, como reconheceu, não deu os resultados desejados em mais de 50 anos de existência. Ou seja, mesmo com todas as dificuldades, o povo cubano tem sabido resistir de forma exemplar e nunca abdicando dos seus princípios revolucionários, acaba de conquistar uma enorme vitória ao ver reconhecida a sua razão perante um adversário tão poderoso, em contradição com o que vimos e ouvimos nos meios de comunicação social em que até parecia exactamente o contrário.

Mas, no calor da alegria que se instalou em todos nós pelo regresso a casa de António, Gerardo e Ramón, mal nos apercebemos que a aparente mudança e a boa vontade do Presidente Obama não reflecte totalmente o que saiu no comunicado da Casa Branca, onde se afirma que a falta de relações com Cuba provocou um isolamento regional e internacional dos EUA, restringindo a sua capacidade para influenciar o curso dos acontecimentos no hemisfério ocidental. Melhor dizendo, os EUA chegaram à conclusão de que a sua política de genocídio em relação a um país da América Latina prejudicava os seus interesses, já que os outros estão com Cuba, condenando unanimemente o bloqueio.

No comunicado fala-se também em direitos humanos e liberdades fundamentais, assim como no financiamento do Congresso Americano para apoiar os programas da democratização em Cuba, parecendo quererem continuar com as acções subversivas através dos “pseudo-dissidentes” que a troco de uns dólares dizem o que lhes mandam e até o contrário se for preciso, dependendo das promessas e de quem lhes pagar mais.

As manifestações e os movimentos de solidariedade com Cuba espalhados por todo o mundo continuarão vigilantes e activos porque sabem que vencer uma batalha não é ganhar a guerra e ainda há muito por conquistar no plano económico e no desenvolvimento do país que sofreu as mais cruéis perseguições durante mais de 5 décadas, sabendo resistir de cabeça bem levantada e com toda a dignidade.

O momento é de exaltação e de esperança numa paz duradoura para os dois povos com respeito mútuo pela soberania e independência de cada país, mas há que estar sempre alerta e nunca baixar a guarda porque os inimigos da Revolução ainda espreitam nalgumas esquinas, mascarados de cordeiros mas de dentes bem afiados para poderem caçar alguma presa distraída.

Junto a minha alegria à de todos vós, desejando-lhes Boas Festas e que o próximo ano nos traga um mundo melhor e mais justo.

(Celino Cunha Vieira - Cubainformación)




BOAS FESTAS

Nesta época em que os católicos comemoram o nascimento de Cristo e nos países que adoptaram o calendário romano se fazem as festas da passagem de mais um ano, lembro-me sempre daqueles que por uma ou outra razão não podem estar junto dos seus familiares e amigos, para em conjunto confraternizarem e fazerem votos para os vindouros 365 dias.

E se existem alguns nestas circunstâncias que por questões de trabalho ou de saúde estarão forçosamente ausentes, também há aqueles que serão os principais prejudicados pelas irresponsáveis e vergonhosas greves anunciadas para os transportes aéreos, esquecendo-se egoisticamente os sindicatos dos direitos dos passageiros e de quem lhes paga os ordenados.

Mas também nesta quadra me lembro de quem está preso injustamente, como é o caso de António Guerrero, Gerardo Hernández e Ramon Labañino, três dos cinco cubanos que há mais de 16 anos sofrem nas cadeias dos EUA a privação da liberdade pelo único “crime” de combaterem o terrorismo, dependendo do Presidente Obama um acto de humanidade para que eles possam finalmente regressar a Cuba.

Para todos aqueles que semanalmente nos lêem o meu desejo de Boas Festas e que o novo ano vos traga muitas felicidades.

Última hora: já depois de ter escrito estas notas chegou-nos a agradável notícia da libertação de António, Gerardo e Ramón, que finalmente chegaram a Cuba, comungando com eles e com todo o povo cubano o nosso sentimento de alegria.


(Celino Cunha Vieira)


quinta-feira, 11 de dezembro de 2014


CIMEIRA DA COMUNIDADE DO CARIBE

Terminou há dias em Havana a 5ª Cimeira de Chefes de Estado e de Governo da Comunidade do Caribe – CARICOM – a qual foi constituída em 1973 por 14 países e 6 territórios autónomos, vindo o bloco económico a admitir Cuba em 1998 como observador e mais tarde a estabelecer acordos de livre comércio com Cuba e com a República Dominicana. Este conjunto de países fazem também parte da Comunidades de Estados Latino Americanos e do Caribe – CELAC – num total de 33 países dos 35 que constituem todo o Continente.

Vem isto a propósito para relembrar o total isolamento de Cuba no início da década de 90, não por vontade própria, mas porque a grande maioria dos países estavam subjugados à vontade e à política externa dos EUA que directa ou indirectamente manobrava os governos da totalidade dos países latino-americanos, que obedeciam às ordens e colaboravam no boicote decretado unilateralmente contra Cuba.

Felizmente para todos, em especial para esses países que conseguiram sair dessa dependência neo-colonialista, hoje o panorama é bem diferente e podem decidir os seus destinos com total liberdade e soberania, cumprindo os desejos e os ensinamentos de Bolívar e de Marti por uma América livre e unida por laços profundos de amizade e de cooperação, já que o povo tem as mesmas origens, as mesmas dificuldades e os mesmos desejos.

O desenvolvimento que se tem operado na região é significativo e com o fortalecimento destas organizações só poderemos esperar uma melhor qualidade de vida para as populações que tão sacrificadas foram e que na actualidade começam a ter os seus direitos assegurados com a ajuda daqueles que mesmo estando sós, conseguiram manter os seus princípios revolucionários, como é o caso de Cuba, que tem colaborado com outros países, principalmente nas áreas da educação e da saúde, enviando dos seus melhores técnicos para cumprirem missões internacionalistas nos lugares mais recônditos e de difícil acesso, ajudando a minorar as carências de que são vítimas as populações.

Por isso, na declaração final desta Cimeira, os participantes reconhecem que a cooperação entre Cuba e os países da Comunidade do Caribe, em sectores tais como a saúde, o desenvolvimento dos recursos humanos, a construção e o desporto, contribuiu de maneira efectiva para o crescimento e bem-estar dos seus povos, expressando o sincero agradecimento ao governo de Cuba pelo seu constante apoio.

Na mesma declaração exigem o fim imediato do bloqueio económico, comercial e financeiro imposto pelo governo dos EUA contra Cuba e, especialmente, do seu carácter extraterritorial e de perseguição financeira contra as transacções cubanas, assim como a retirada de Cuba da lista de Estados patrocinadores do terrorismo e que o governo dos EUA deixe de executar acções encobertas para subverter a legalidade e a ordem interna da República de Cuba, que constituem violações da soberania e do direito à autodeterminação do seu povo.

(Celino Cunha Vieira - Cubainformación)



quinta-feira, 4 de dezembro de 2014


VOTAR EM HAVANA

Já aqui escrevi sobre a votação que está a decorrer até ao dia 7 de Dezembro (próximo domingo) para a eleição das 7 Cidades mais Maravilhosas do Mundo em que Havana é uma das 14 finalistas, depois de indigitadas em 2012 mais de 1.200 cidades de aproximadamente 220 países, que foram sendo votadas em várias etapas até se chegar à fase final.

Havana, que acaba de completar 500 anos desde a sua fundação, merece, como qualquer outra esta distinção, mas atendendo às vicissitudes porque o país tem passado e à excelente recuperação do seu centro histórico levada a cabo pelo Gabinete do Historiador dirigido por Eusébio Leal, é sem dúvida um bom exemplo do que se pode fazer com parcos recursos, mas com muita imaginação, muito trabalho e muito amor.

O tremendo esforço que tem sido feito para preservar e manter a traça de edificações em ruínas transformando-as em modernas instalações destinadas gratuitamente a importantes sectores sociais como infantários, centros de dia ou lares para idosos com unidades de cuidados paliativos, para além de novos museus, galerias de arte, restaurantes temáticos ou hotéis de charme, constitui uma notável obra digna de ser apreciada e reconhecida.

Havana, classificada como Património da Humanidade pela UNESCO desde 1982, é uma das cidades mais bonitas do mundo, com um passado que a honra, mas sobretudo com um presente em que harmoniosamente se misturam culturas e estilos arquitectónicos que chamam a atenção pela sua diversidade e contraste entre o antigo e o moderno, entre o clássico e o contemporâneo.

Quem conheceu a cidade há alguns anos e a visita hoje, terá uma agradável surpresa ao percorrer as principais ruas e largos do seu centro histórico, onde o movimento constante e os atractivos de cada recanto despertam a atenção do visitante.

Curiosamente Portugal está bem representado, pois muitos dos azulejos que indicam o nome das ruas foram executados no nosso país pela Fábrica de Olaria da Viúva Lamego, pelo painel representando Eça de Queiroz numa das paredes da “Casa de las Infusiones” e pela estátua de homenagem a Luís de Camões, onde recentemente tive a oportunidade de ver muitos visitantes estrangeiros pararem junto a ela ouvindo as explicações dos guias locais sobre o vulto da nossa história, enchendo-nos de orgulho pela atenção que lhe é dada e justificando plenamente a iniciativa da sua colocação num local tão nobre de Havana.

Por todos estes motivos, votar em Havana para a eleger como uma das 7 Cidades mais Maravilhosas do Mundo é quase uma obrigação de todos os portugueses, podendo fazê-lo através da página www.new7wonders.com.

(Celino Cunha Vieira - Cubainformación)