quinta-feira, 26 de março de 2015


CUBA E VENEZUELA NÃO ESTÃO SÓS

Tal como aconteceu com Cuba durante mais de meio século, em que os Estados Unidos da América agitavam a bandeira do perigo que constituía para a sua segurança interna um pequeno país com pouco mais de 10 milhões de habitantes que apenas desejava viver em paz, agora acusam também a Venezuela de constituir uma ameaça para o país, porque não conseguindo mudar a política sufragada maioritariamente pelo povo, voltam a utilizar os mesmos meios para atingirem os fins que desejavam para Cuba.

Não é por acaso que se assiste a grandes contestações no Brasil, quando a eleição presidencial ocorreu há tão pouco tempo e não é por acaso que os ataques à ordem constituída na Venezuela se multiplicam com acções subversivas, numa guerra de índole económica que afecta os mais desfavorecidos, a principal base de apoio ao Presidente Maduro, tentando provocar o seu descontentamento generalizado.

Mas hoje o panorama é bem diferente e as pessoas já não se deixam enganar como outrora, dando valor e apoiando quem mais se tem preocupado pela distribuição equitativa da riqueza gerada pelos recursos naturais e pelos meios de produção através de uma maior justiça social.

Recentemente os Estados membros da União de Nações Sul-americanas manifestaram a sua rejeição ao Decreto Executivo do Governo dos Estados Unidos da América, aprovado em 9 de Março de 2015, por constituir uma ameaça e ingerência à soberania e ao princípio da não intervenção nos assuntos internos de outros Estados.

Os Estados membros da UNASUR reafirmaram o seu compromisso com a plena vigência do Direito Internacional, a Soluções Pacíficas de Litígios e ao princípio de Não Intervenção, e reiteraram o seu apelo a que os Governos se abstenham da aplicação de medidas coercivas unilaterais que violem o Direito Internacional.

A UNASUR reiterou o apelo ao governo dos Estados Unidos da América para que avalie e ponha em prática alternativas de diálogo com o governo da Venezuela, sob os princípios de respeito pela soberania e autodeterminação dos povos e consequentemente, solicita a eliminação do citado Decreto Executivo.

Dentro de dias a Cimeira das Américas reunirá no Panamá os Chefes de Estado e de Governo para debater e afirmar valores comuns, assim como concertar acções com a finalidade de fazer frente aos desafios que se apresentam aos países de toda a América.

Mais uma vez se espera a condenação generalizada ao bloqueio imposto a Cuba, pois as boas intenções reveladas pelo Presidente Obama ainda não tiveram uma completa aplicação prática, mas também a Cimeira se deve pronunciar sobre a Resolução dos EUA contra a Venezuela, que não tem a menor justificação, servindo apenas para desestabilizar um país que necessita de paz social para poder continuar a Revolução Bolivariana iniciada por Hugo Chávez, pela liberdade e pela independência.


(Celino Cunha Vieira-Cubainformación)


sexta-feira, 13 de março de 2015


AS ARTES E A CULTURA CUBANA

Uma das características de todos os cubanos é o seu alto sentido crítico em relação a tudo e a todos, contestando sempre o que está mal ou o que está bem, porque esse estado de espírito faz parte dos genes herdados dos seus antepassados desde há muitos séculos. Os humoristas, por exemplo, aproveitam bem essas características para fazerem rir as plateias para quem actuam ou até na própria televisão cubana, fazendo as suas críticas políticas e sociais.

Vem isto a propósito da mentira tantas vezes propalada sobre a falta de liberdade para ter opinião, quando isso é facilmente desmentido com provas concludentes, como é o caso do cinema subsidiado pelo Estado através do ICAIC – Instituto Cubano del Arte e Indústrias Cinematográficas, que desde o triunfo da Revolução em 1959 financiou mais de 500 filmes.

Para que cada um possa tirar as suas próprias conclusões e porque as películas podem ser vistas através da internet, sugiro apenas “Fresa e Chocolate” de 1993, “Guantanamera” de 1995, “Lista de Espera” de 2000, "Habanastation" de 2011 e “Conducta” de 2013. Para além de muitos outros, estes filmes abordam assuntos de carácter social e político. E para quem conhece as realidades cubanas, entende bem o seu alcance e o êxito que têm obtido junto da população e até em certames internacionais, já com vários prémios conquistados.

Que se saiba, nenhum dos autores foi preso ou sequer molestado por delito de opinião, tal como alguns aprendizes da intelectualidade querem fazer crer que em Cuba todos têm de pensar da mesma maneira. A diferença está em que ter opinião é uma coisa, conspirar e provocar actos de desestabilização interna ou actos de terrorismo a soldo de uma potência estrangeira é outra bem diferente, condenada em qualquer parte do mundo.

Ninguém tem dúvidas sobre o apoio à cultura em geral e às artes em particular por parte do governo cubano, cumprindo o pensamento de Marti, “quanto mais cultos, mais livres”. E isto causa muitos incómodos a todos aqueles que se esforçam e utilizam todos os meios ao seu alcança para denegrir a imagem de Cuba.

Poucos países do mundo, mesmo os mais desenvolvidos, têm anualmente tantas manifestações culturais como aquelas que se realizam em Cuba, muitas de carácter internacional, onde estão representadas todas as artes com um nível tão elevado, que são inúmeras as propostas para que sejam apresentadas no exterior e poderem servir de exemplo para outras nações, incluindo Portugal, que já recebeu músicos, pintores, escultores, bailarinos e escritores cubanos, para além de alguns que se radicaram no país e que são autênticos embaixadores da cultura cubana.

Mas como São Tomé, “há que ver para crer” e por isso mais uma vez vos desafio para que visitem Cuba com espírito aberto e sem qualquer preconceito ideológico, tal como muitos o têm feito e não se arrependeram, por constatarem que a realidade é bem diferente daquilo que a propaganda mafiosa quer fazer passar para a opinião pública.

(Celino Cunha Vieira - Cubainformación)




quinta-feira, 5 de março de 2015


O ENVIADO MUITO ESPECIAL A CUBA

Quando no passado dia 17 de Dezembro os presidentes de Cuba e dos EUA fizeram uma declaração de princípios sobre o relacionamento entre os dois países, todo o mundo rejubilou, pois nos tempos que correm já ninguém compreende que ainda exista um bloqueio económico, comercial e financeiro com fins meramente políticos e que prejudicam os dois povos. Como resultado, realizaram-se já duas rondas de conversações em que o respeito mútuo imperou, avançando-se na convergência de alguns pontos essenciais para o reatar de normais relações diplomáticas.

Mas há sempre quem se oponha e que queira que tudo continue na mesma para que não percam as benesses de que usufruem, nomeadamente os auto denominados “opositores” quer os que estão em Cuba quer os que estão comodamente instalados nos EUA dirigindo organizações que têm sido subsidiadas pelos sucessivos governos norte-americanos para actuarem contra Cuba, provocando acções de desestabilização interna e actos de puro terrorismo.

Não é por mero acaso que se assiste a uma nova campanha mediática que tem por finalidade interferir nas conversações e criar na opinião pública a imagem de um país de forte repressão onde não há liberdade e as pessoas vivem numa profunda miséria. Para essa campanha, Portugal contribui através das nossas taxas que são canalizados para a RTP, mandando o enviado especial Carlos Daniel a Cuba para que este retransmitisse as opiniões de uma ínfima minoria, demonstrando um enorme sectarismo e prestando-se a um ridículo papel de porta-voz de uma pseudo-oposição que é rejeitada pela esmagadora maioria do povo cubano.

Quando o enviado especial afirma, por exemplo, que a exibição do filme “Fresa e Chocolate” esteve vários anos proibida no país, mente descaradamente ou se ignora é porque é um mau jornalista, já que esse filme como tantos outros, foi produzido e co-financiado pelo Instituto Cubano de Arte e Indústrias Cinematográficas, tendo sido rodado em 1994 e estreado em várias salas cubanas no dia 20 de Janeiro de 1995, obtendo desde aí para cá vários prémios nacionais e internacionais. E se alguém tem dúvidas sobre a liberdade dos autores, basta ver muitas outras películas, igualmente financiados pelo Estado Cubano, em que a crítica é bem patente, incidindo sobre as verdadeiras realidades, sem tabus nem constrangimentos de qualquer espécie.

O enviado especial da RTP mostrou uma pequena casa degradada, desarrumada e particularmente suja, como se isso fosse o padrão das casas onde vivem os cubanos e o desmazelo e a sujidade tivessem alguma coisa a ver com as dificuldades por que todos têm passado. Existem sim casas sem luxo, mas muito dignas e asseadas.

Também mostrou umas senhoras vestidas de branco que são pagas por um país estrangeiro para desfilarem junto às principais embaixadas sedeadas em Havana e, contradição das contradições, ninguém os incomodou, podendo dizer para as câmaras do senhor Carlos Daniel aquilo que muito bem quiseram. Até por lá apareceu um tal Fariñas que se tivesse vergonha na cara agradecia ao Estado Cubano e aos Médicos e Enfermeiros que o salvaram de uma morte quase certa quando estava em prisão domiciliária por delitos comuns (esfaquear os seus semelhantes nada tem a ver com dissidência política) resolvendo fazer uma greve de fome e considerar-se opositor de consciência, tal como muitos dos familiares das tais senhoras que estão presos por delitos que são condenáveis em qualquer parte do mundo num Estado de Direito.

O enviado muito especial da RTP, como jornalista, mostrou a sua total falta de isenção e tal como já li por aí, “se Cuba carimbasse a cara de gente parva à saída do país, o rapaz chegava a Portugal irreconhecível”.

(Celino Cunha Vieira - Cubainformación)




sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015


COLÓQUIO SOBRE SAÚDE

Integrado no VIII Encontro Intercultural de Saberes e Sabores que decorreu no Pavilhão do Alto do Moinho em Corroios - Seixal, realizou-se um Colóquio subordinado ao tema “Cuba – Cooperação Internacional e Acesso à Saúde”promovido pela Associação de Amizade Portugal-Cuba e tendo como orador Melne Martinez, 1.º Secretário da Embaixada de Cuba, destacando-se entre outras presenças, a da Senhora Embaixadora Johana Tablada e da Senhora vice-Presidente da Câmara Municipal do Seixal, Vereadora Corália Loureiro.

De salientar a clara exposição de Melne Martinez que começou por afirmar que a saúde foi uma das primeiras prioridades do governo cubano saído da Revolução, já que dos 6.286 médicos existentes, cerca de 3.000 abandonaram o país. Hoje a realidade é bem diferente, licenciando-se anualmente nas suas 24 faculdades mais de 11.000 novos médicos, entre eles mais de 5.000 cubanos e os restantes de 59 países da América Latina, África, Ásia e até dos Estados Unidos da América, a quem são concedidas bolsas de estudo para que se formem gratuitamente, em igualdade de circunstâncias com os estudantes cubanos, regressando às suas comunidades para que prestem assistência ao seu povo.

Com 1 médico por cada 148 habitantes, Cuba é, segundo a Organização Mundial de Saúde, a nação mais bem dotada neste sector, contando o país com 161 hospitais e 452 unidades policlínicas, tendo como opção uma rigorosa política de prevenção, já que a saúde primária é fundamental para que se possa diminuir a curativa. Por isso a taxa de mortalidade infantil situa-se nos 4,9 por mil (60 por mil em 1959) e a esperança de vida dos cubanos está nos 78,8 anos (60 anos em 1959), o que de acordo com as Nações Unidas, estes índices são similares e até superiores aos de muitas nações mais desenvolvidas.

Muitos destes médicos têm integrado desde 1963 brigadas internacionalistas de apoio a vários países do mundo onde fazem falta pela escassez de recursos ou de primeira intervenção em caso de catástrofes, contabilizando-se até aos dias de hoje mais de 130.000 profissionais de saúde que já prestaram a sua colaboração em outras nações.

Desde 1976 Cuba já fundou escolas de medicina em vários países considerados do 3.º mundo, onde permanecem centenas de cubanos (médicos, enfermeiros e técnicos) que aí ministram as suas aulas para formarem localmente novos profissionais.
  
Em virtude de um acordo de saúde bilateral vigente desde 2009, prestam neste momento os seus serviços em 40 localidades de Portugal 70 médicos cubanos e cada vez são mais os portugueses que viajam para Cuba com a finalidade de aproveitarem as facilidades do turismo de saúde em tratamentos especializados.

No campo internacionalista há também que destacar a “Operación Milagro” a qual já permitiu a mais de 2 milhões de pessoas de cerca de 35 países recuperarem ou melhorarem a sua visão graças aos especialistas cubanos.

Os médicos nascem do povo, não de elites e por isso têm uma forte capacidade de adaptação, ultrapassando as maiores dificuldades e estabelecendo uma relação médico-doente fluida e amistosa que é reconhecida pelas comunidades onde estão inseridos.

A formação de um médico cubano leva-o a que em consciência não veja o doente como uma mercadoria ou um cliente, mas sim como um cidadão que tem direito à saúde desde que nasce até que morre, sem distinções de qualquer espécie. E isso faz toda a diferença.

(Celino Cunha Vieira)

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014


ESPERANÇA NUMA PAZ DURADOURA

Quem me conhece sabe bem que não morro de amores pela política interna e externa dos EUA, mas no passado dia 17 de Dezembro gostei de ouvir o Presidente Obama, principalmente depois de libertar os 3 heróis cubanos que estavam presos por combaterem o terrorismo que a administração norte-americana financia e permite que actue desde o seu território contra Cuba.

De entre as várias medidas anunciadas por ele, incluem-se a do restabelecimento de relações diplomáticas entre os dois países e a sua proposta ao Congresso para pôr fim ao injustificado e criminoso bloqueio económico, comercial e financeiro, já que, como reconheceu, não deu os resultados desejados em mais de 50 anos de existência. Ou seja, mesmo com todas as dificuldades, o povo cubano tem sabido resistir de forma exemplar e nunca abdicando dos seus princípios revolucionários, acaba de conquistar uma enorme vitória ao ver reconhecida a sua razão perante um adversário tão poderoso, em contradição com o que vimos e ouvimos nos meios de comunicação social em que até parecia exactamente o contrário.

Mas, no calor da alegria que se instalou em todos nós pelo regresso a casa de António, Gerardo e Ramón, mal nos apercebemos que a aparente mudança e a boa vontade do Presidente Obama não reflecte totalmente o que saiu no comunicado da Casa Branca, onde se afirma que a falta de relações com Cuba provocou um isolamento regional e internacional dos EUA, restringindo a sua capacidade para influenciar o curso dos acontecimentos no hemisfério ocidental. Melhor dizendo, os EUA chegaram à conclusão de que a sua política de genocídio em relação a um país da América Latina prejudicava os seus interesses, já que os outros estão com Cuba, condenando unanimemente o bloqueio.

No comunicado fala-se também em direitos humanos e liberdades fundamentais, assim como no financiamento do Congresso Americano para apoiar os programas da democratização em Cuba, parecendo quererem continuar com as acções subversivas através dos “pseudo-dissidentes” que a troco de uns dólares dizem o que lhes mandam e até o contrário se for preciso, dependendo das promessas e de quem lhes pagar mais.

As manifestações e os movimentos de solidariedade com Cuba espalhados por todo o mundo continuarão vigilantes e activos porque sabem que vencer uma batalha não é ganhar a guerra e ainda há muito por conquistar no plano económico e no desenvolvimento do país que sofreu as mais cruéis perseguições durante mais de 5 décadas, sabendo resistir de cabeça bem levantada e com toda a dignidade.

O momento é de exaltação e de esperança numa paz duradoura para os dois povos com respeito mútuo pela soberania e independência de cada país, mas há que estar sempre alerta e nunca baixar a guarda porque os inimigos da Revolução ainda espreitam nalgumas esquinas, mascarados de cordeiros mas de dentes bem afiados para poderem caçar alguma presa distraída.

Junto a minha alegria à de todos vós, desejando-lhes Boas Festas e que o próximo ano nos traga um mundo melhor e mais justo.

(Celino Cunha Vieira - Cubainformación)




BOAS FESTAS

Nesta época em que os católicos comemoram o nascimento de Cristo e nos países que adoptaram o calendário romano se fazem as festas da passagem de mais um ano, lembro-me sempre daqueles que por uma ou outra razão não podem estar junto dos seus familiares e amigos, para em conjunto confraternizarem e fazerem votos para os vindouros 365 dias.

E se existem alguns nestas circunstâncias que por questões de trabalho ou de saúde estarão forçosamente ausentes, também há aqueles que serão os principais prejudicados pelas irresponsáveis e vergonhosas greves anunciadas para os transportes aéreos, esquecendo-se egoisticamente os sindicatos dos direitos dos passageiros e de quem lhes paga os ordenados.

Mas também nesta quadra me lembro de quem está preso injustamente, como é o caso de António Guerrero, Gerardo Hernández e Ramon Labañino, três dos cinco cubanos que há mais de 16 anos sofrem nas cadeias dos EUA a privação da liberdade pelo único “crime” de combaterem o terrorismo, dependendo do Presidente Obama um acto de humanidade para que eles possam finalmente regressar a Cuba.

Para todos aqueles que semanalmente nos lêem o meu desejo de Boas Festas e que o novo ano vos traga muitas felicidades.

Última hora: já depois de ter escrito estas notas chegou-nos a agradável notícia da libertação de António, Gerardo e Ramón, que finalmente chegaram a Cuba, comungando com eles e com todo o povo cubano o nosso sentimento de alegria.


(Celino Cunha Vieira)


quinta-feira, 11 de dezembro de 2014


CIMEIRA DA COMUNIDADE DO CARIBE

Terminou há dias em Havana a 5ª Cimeira de Chefes de Estado e de Governo da Comunidade do Caribe – CARICOM – a qual foi constituída em 1973 por 14 países e 6 territórios autónomos, vindo o bloco económico a admitir Cuba em 1998 como observador e mais tarde a estabelecer acordos de livre comércio com Cuba e com a República Dominicana. Este conjunto de países fazem também parte da Comunidades de Estados Latino Americanos e do Caribe – CELAC – num total de 33 países dos 35 que constituem todo o Continente.

Vem isto a propósito para relembrar o total isolamento de Cuba no início da década de 90, não por vontade própria, mas porque a grande maioria dos países estavam subjugados à vontade e à política externa dos EUA que directa ou indirectamente manobrava os governos da totalidade dos países latino-americanos, que obedeciam às ordens e colaboravam no boicote decretado unilateralmente contra Cuba.

Felizmente para todos, em especial para esses países que conseguiram sair dessa dependência neo-colonialista, hoje o panorama é bem diferente e podem decidir os seus destinos com total liberdade e soberania, cumprindo os desejos e os ensinamentos de Bolívar e de Marti por uma América livre e unida por laços profundos de amizade e de cooperação, já que o povo tem as mesmas origens, as mesmas dificuldades e os mesmos desejos.

O desenvolvimento que se tem operado na região é significativo e com o fortalecimento destas organizações só poderemos esperar uma melhor qualidade de vida para as populações que tão sacrificadas foram e que na actualidade começam a ter os seus direitos assegurados com a ajuda daqueles que mesmo estando sós, conseguiram manter os seus princípios revolucionários, como é o caso de Cuba, que tem colaborado com outros países, principalmente nas áreas da educação e da saúde, enviando dos seus melhores técnicos para cumprirem missões internacionalistas nos lugares mais recônditos e de difícil acesso, ajudando a minorar as carências de que são vítimas as populações.

Por isso, na declaração final desta Cimeira, os participantes reconhecem que a cooperação entre Cuba e os países da Comunidade do Caribe, em sectores tais como a saúde, o desenvolvimento dos recursos humanos, a construção e o desporto, contribuiu de maneira efectiva para o crescimento e bem-estar dos seus povos, expressando o sincero agradecimento ao governo de Cuba pelo seu constante apoio.

Na mesma declaração exigem o fim imediato do bloqueio económico, comercial e financeiro imposto pelo governo dos EUA contra Cuba e, especialmente, do seu carácter extraterritorial e de perseguição financeira contra as transacções cubanas, assim como a retirada de Cuba da lista de Estados patrocinadores do terrorismo e que o governo dos EUA deixe de executar acções encobertas para subverter a legalidade e a ordem interna da República de Cuba, que constituem violações da soberania e do direito à autodeterminação do seu povo.

(Celino Cunha Vieira - Cubainformación)



quinta-feira, 4 de dezembro de 2014


VOTAR EM HAVANA

Já aqui escrevi sobre a votação que está a decorrer até ao dia 7 de Dezembro (próximo domingo) para a eleição das 7 Cidades mais Maravilhosas do Mundo em que Havana é uma das 14 finalistas, depois de indigitadas em 2012 mais de 1.200 cidades de aproximadamente 220 países, que foram sendo votadas em várias etapas até se chegar à fase final.

Havana, que acaba de completar 500 anos desde a sua fundação, merece, como qualquer outra esta distinção, mas atendendo às vicissitudes porque o país tem passado e à excelente recuperação do seu centro histórico levada a cabo pelo Gabinete do Historiador dirigido por Eusébio Leal, é sem dúvida um bom exemplo do que se pode fazer com parcos recursos, mas com muita imaginação, muito trabalho e muito amor.

O tremendo esforço que tem sido feito para preservar e manter a traça de edificações em ruínas transformando-as em modernas instalações destinadas gratuitamente a importantes sectores sociais como infantários, centros de dia ou lares para idosos com unidades de cuidados paliativos, para além de novos museus, galerias de arte, restaurantes temáticos ou hotéis de charme, constitui uma notável obra digna de ser apreciada e reconhecida.

Havana, classificada como Património da Humanidade pela UNESCO desde 1982, é uma das cidades mais bonitas do mundo, com um passado que a honra, mas sobretudo com um presente em que harmoniosamente se misturam culturas e estilos arquitectónicos que chamam a atenção pela sua diversidade e contraste entre o antigo e o moderno, entre o clássico e o contemporâneo.

Quem conheceu a cidade há alguns anos e a visita hoje, terá uma agradável surpresa ao percorrer as principais ruas e largos do seu centro histórico, onde o movimento constante e os atractivos de cada recanto despertam a atenção do visitante.

Curiosamente Portugal está bem representado, pois muitos dos azulejos que indicam o nome das ruas foram executados no nosso país pela Fábrica de Olaria da Viúva Lamego, pelo painel representando Eça de Queiroz numa das paredes da “Casa de las Infusiones” e pela estátua de homenagem a Luís de Camões, onde recentemente tive a oportunidade de ver muitos visitantes estrangeiros pararem junto a ela ouvindo as explicações dos guias locais sobre o vulto da nossa história, enchendo-nos de orgulho pela atenção que lhe é dada e justificando plenamente a iniciativa da sua colocação num local tão nobre de Havana.

Por todos estes motivos, votar em Havana para a eleger como uma das 7 Cidades mais Maravilhosas do Mundo é quase uma obrigação de todos os portugueses, podendo fazê-lo através da página www.new7wonders.com.

(Celino Cunha Vieira - Cubainformación)


quinta-feira, 27 de novembro de 2014


OS CINCO HERÓIS

Numa recente viagem que efectuei a Havana tive o privilégio de conhecer pessoalmente Fernando González e abraçar novamente René e sua Esposa, bem como Elizabeth Palmeiro, Esposa de Ramón, num breve encontro que tivemos na sede do Instituto Cubano de Amizade com os Povos, onde trocámos algumas impressões sobre o passado, o presente e o futuro, tendo em vista a libertação dos outros três Heróis que ainda se encontram presos nas cadeias dos EUA.

Na ocasião, Fernando agradeceu todas as manifestações de solidariedade dos portugueses e das mais variadas entidades e organizações que se têm manifestado ao longo dos anos a favor da causa dos CINCO, em conjunto com o movimento internacional que constantemente apela a que se faça justiça a António, Gerardo e Ramón.

Mas nós é que temos de agradecer a estes homens, às suas esposas, aos seus filhos e aos restantes familiares todos os sacrifícios a que têm sido sujeitos, revelando uma enorme coragem para suportarem, entre outras coisas, uma separação forçada e desumana, numa afronta aos mais elementares direitos humanos perpetrada por um país que se diz de liberdade.

As suas fortes convicções por um mundo melhor e menos violento, o seu patriotismo e a sua dignidade, para além da nossa admiração, deveriam servir também de exemplo para todos nós, ajudando-nos a reflectir sobre qual o nosso contributo para uma sociedade menos egoísta e com outros valores mais elevados.

A simplicidade e a simpatia de Fernando e de René, que muitos conheceram aquando da sua visita a Portugal, cativa-nos de tal modo que parece já os conhecermos desde sempre e que também fazem parte da nossa família, tal é o grau de intimidade com que fazem o favor de nos receber, partilhando connosco as suas inquietações pela saúde e bem-estar dos seus “irmãos” ainda encarcerados e à mercê das arbitrariedades de um poder que injustamente os mantém longe do seu país, pela simples razão de terem cometido o “crime” de combaterem o terrorismo.

A condenação dos CINCO foi e é apenas de cariz político, servindo para uma cruel vingança contra uma nação que nunca se vergou nem vergará perante uma potência, seja ela qual for, porque preza e defende a sua independência conquistada à custa de muito sangue derramado e mantida com as mais ferozes provações e sacrifícios.

O Presidente Obama conhece bem o caso dos CINCO e está nas suas mãos fazer justiça, justificando o Prémio Nobel da Paz que recebeu.

Eu, que tive já a honra de conhecer pessoalmente dois Heróis, não vejo o dia em que irei conhecer os outros três, pois tenho a certeza que esse dia está para chegar em breve e que os irei abraçar, juntando-me à festa de todo um povo que os espera ansiosamente.

(Celino Cunha Vieira - Cubainformación)


quarta-feira, 5 de novembro de 2014


EMBAIXADORA DE CUBA NA TV

Assistimos há dias, na sequência da votação na Assembleia-geral das Nações Unidas contra o Bloqueio a Cuba, a duas entrevistas à Embaixadora Johana Tablada de La Torre; uma na TVI conduzida por Henrique Garcia que de uma forma isenta fez as perguntas pertinentes ao tema deixando a entrevistadora explanar a sua opinião e outra na SIC Notícias por Nuno Rogeiro, em que este mostrou claramente a sua obsessão na defesa da política dos EUA, tentando justificar o embargo ao tecer comentários inapropriados e fazendo eco do disco já riscado da “falta de democracia em Cuba”.

Não esperava este senhor era encontrar uma mulher culta e bem preparada que corajosamente o enfrentou, tendo rebatido todas as suas tendenciosas opiniões e levando-o a abordar temas que inicialmente ele não tinha previsto e que lhe causaram algum incómodo.

Para o senhor Nuno Rogeiro e para muitos outros que se pautam pela mesma cartilha, para haver democracia têm de existir muitos partidos políticos, mesmo que ideologicamente não se distingam uns dos outros, para que em alternância dividam entre si o “bolo” do Estado e tudo fique na mesma, dando ele até o exemplo dos Democratas e dos Republicanos que desde há mais de 50 anos mantêm a mesma política face a Cuba e diria eu, até em relação ao seu próprio país.

Desconhece, ou quer desconhecer, que existem muitas outras formas de democracia, em que esta pode ser exercida assente numa base de participação popular e universal, com escolhas directas dos seus representantes e não por indicação das cúpulas partidárias que com o dinheiro das subvenções que saiem do Orçamento de Estado, ou seja, dos impostos que o povo paga, constroem luxuosas campanhas eleitorais para tentarem obter mais votos que o parceiro do lado, mas as “moscas” são as mesmas.

Na resposta ao senhor Nuno Rogeiro que afirmou terem sido os Estados Unidos que deram a liberdade a Cuba ao derrotarem os Espanhóis, a Senhora Embaixadora contestou essa falta de respeito por todos aqueles que ao longo de 30 anos (1868-1898) lutaram pela sua independência e que os EUA aproveitando o incidente do “Maine” (barco americano que supostamente os Espanhóis fizeram explodir) lançaram uma guerra contra Espanha com vista a anexarem Cuba, Puerto Rico e Filipinas, o que conseguiram com o Tratado de Paris, ocupando Cuba apenas entre 1898 e 1902 porque os patriotas não desmobilizaram nem aceitaram deixar de ter um domínio colonial para o substituir por outro.

Infelizmente ainda existem muitos Nunos Rogeiros que acreditam e defendem que o mundo gira à volta dos EUA e que todos lhe devem vassalagem, tendo de se sujeitar à sua vontade e aos seus caprichos, mas Cuba, fiel à sua história e aos seus princípios não admite ingerências e estará sempre na primeira linha de ajuda a todos aqueles que são oprimidos e explorados, estejam eles onde estiverem.

E como muitas vezes a Embaixadora tem afirmado, é cada vez mais crescente na opinião pública norte-americana a vontade de pôr fim ao Bloqueio e de que se iniciem conversações bilaterais com vista ao normal restabelecimento de relações entre os dois países e isso só depende do governo dos EUA. É que Cuba sempre esteve e está na disposição de o fazer, desde que as mesmas se realizem num plano de respeito e igualdade entre nações soberanas e independentes.

(Celino Cunha Vieira - Cubainformación)