quinta-feira, 16 de outubro de 2014


AS SETE CIDADES MARAVILHOSAS

A mesma instituição que em 2007 organizou a eleição das 7 Novas Maravilhas do Mundo, a Fundação Suíça “New7Wonders” com sede em Zurique e presidida por Bernard Weber, que escolheu Portugal e a cidade de Lisboa para a proclamação, está agora a recolher a votação para as 7 Cidades mais Maravilhosas a nível mundial, depois de em 2011 ter também promovido a eleição das 7 Maravilhas da Natureza.

Em 2012 foram indigitadas mais de 1.200 cidades de aproximadamente 220 países e até Outubro de 2013 esse número ficou reduzido a 300. Posteriormente, através de nova votação, ficaram apenas 28 para se chegar às 14 finalistas de onde sairão as 7 vencedoras. Uma das finalistas é a cidade de Havana que está a competir com Barcelona (Espanha), Beirut (Líbano), Chicago (Estados Unidos), Doha (Qatar), Durban (África do Sul), Kuala Lumpur (Malásia), La Paz (Bolivia), Londres (Reino Unido), Ciudad de México (México), Perth (Austrália), Quito (Ecuador), Reykjavik (Islandia) e Vigan (Filipinas).

Todas são merecedoras desta distinção, mas perdoem-me se o coração e também a razão me fazem pender para a capital de Cuba, não só por o seu centro histórico ser considerado pela UNESCO Património da Humanidade, por possuir mais de 200 edifícios classificados de interesse público, ou pela extraordinária recuperação que tem sido realizada pelo Gabinete do Historiador, mas fundamentalmente pelas suas gentes, pelas suas ruas, praças e avenidas, pela sua baía e fortalezas, pelos seus palácios e museus, pelos seus parques e monumentos, pelas suas cores e pelo seu imenso mar que amiúde a invade num envolvente abraço que ninguém pode separar.

Havana é sem dúvida uma das cidades mais bonitas do mundo, com um passado que a honra, mas sobretudo com um futuro em que harmoniosamente se misturam culturas e estilos arquitectónicos que chamam a atenção pela sua diversidade e contraste entre o antigo e o moderno, entre o clássico e o contemporâneo.

Dos quase 3 milhões de turistas que anualmente passam por Cuba, raro é aquele que não visita Havana, nem que seja apenas por um dia. Brevemente serão reiniciados os Cruzeiros com partidas da cidade, para durante uma semana navegarem à volta da Ilha, tocando os portos de Holguin, Santiago de Cuba, Montego Bay, Cienfuegos, Ilha da Juventude e regresso a Havana, incrementando assim o número de visitantes à cidade e aos seus locais mais emblemáticos, palco de grandes escritores, músicos e artistas plásticos.

A votação para eleger as 7 Cidades mais Maravilhosas do Mundo prolonga-se até 7 de Dezembro, dia em que serão conhecidos os vencedores, estando ao alcance de um clique o vosso voto para que Havana seja uma das cidades escolhidas, podendo fazê-lo através da página www.new7wonders.com.

Eu já votei e espero a vossa colaboração. Cuba não está só e tem amigos por todo mundo, também em Portugal.

(Celino Cunha Vieira - Cubainformación)


quinta-feira, 9 de outubro de 2014


VÍTIMAS DO TERRORISMO

Passaram já 38 anos desde a primeira e maior sabotagem ocorrida contra um avião civil no hemisfério ocidental, o qual vitimou 73 pessoas, entre elas os jovens cubanos da equipa nacional de esgrima que viajavam a bordo de um DC-8 da Cubana de Aviación e que momentos antes havia levantado voo de Barbados com destino a Havana.

Um dos mentores desse desprezível acto terrorista, Luís Posadas Carriles, era então agente da CIA e entre outros trabalhos sujos serviu vários anos como especialista do pentágono em países da América Latina, vivendo hoje em plena liberdade nos EUA, país este que mantém ainda presos António Guerrero, Gerardo Hernández e Ramón Labañino, acusando ainda Cuba de fomentar e apoiar o terrorismo, quando desde o triunfo da Revolução já morreram 3.478 cubanos, vítimas de actos violentos de sabotagem executados por grupos mafiosos sediados em Miami, financiados e treinados por organismos governamentais dos EUA.

Não fosse o abnegado e heróico trabalho dos cidadãos cubanos que corajosamente se têm infiltrado nas organizações terroristas, evitando que este e outros tipos de actos violentos provocassem mais vítimas inocentes, o número de mortos e de deficientes físicos seria certamente muito maior.

Esta guerra subversiva a que Cuba está sujeita desde há mais de 50 anos sem qualquer trégua, já passou por 11 administrações norte-americanas e por outros tantos presidentes, sem que haja a coragem política de lhe pôr fim e cumprir as resoluções das Nações Unidas que anualmente têm sido aprovadas quase por unanimidade, condenando o criminoso bloqueio económico, comercial e financeiro imposto unilateralmente pelos EUA a Cuba.

Por tudo isto, é necessário que todas as pessoas dignas e amantes da justiça e da liberdade juntem as suas vozes à do povo cubano, rompendo por todas as vias o muro de silêncio que tem ocultado estas atrocidades, principalmente da opinião pública norte-americana, que com os seus impostos está a patrocinar os facínoras que matam sem piedade inocentes, sejam eles velhos, jovens ou crianças, com o único objectivo de conquistar um poder que não lhes pertence, a que não têm direito e a que o povo cubano rejeita na sua esmagadora maioria.

Como escreveu José Marti, “Quem esconde por medo a sua opinião, que como um criminoso a oculta no fundo do peito e que com a sua ocultação favorece os tiranos, é tão cobarde como aquele que no meio da batalha volta as costas e abandona a lança ao inimigo”.

Cuba declarou o 6 de Outubro como Dia das Vítimas do Terrorismo de Estado e anualmente é prestada uma justa homenagem a todos aqueles que sofreram as consequências dos assassinos contratados e bem pagos para tentarem desestabilizar a ordem pública cubana. O povo, na sua imensa sabedoria sabe onde está a razão e chora por todos aqueles que foram sacrificados como resultado de uma política genocida por parte dos sucessivos governos norte-americanos.

(Celino Cunha Vieira - Cubainformación)



quinta-feira, 2 de outubro de 2014


A VERDADE É COMO O AZEITE

Eu, que tantas vezes tenho criticado alguma comunicação social, não posso deixar de louvar desta vez o New York Times que após ter acesso a documentos agora desclassificados, revela que em 1976 o Secretário de Estado Henry Kissinger, figura tão conhecida dos portugueses, congeminava planos para lançar ataques aéreos contra Cuba visando portos e instalações militares, incluindo ainda o envio de batalhões de infantaria a partir da Base Naval de Guantanámo, território cubano ilegalmente ocupado pelos EUA desde 1902.

Esta invasão só não avançou porque entretanto as eleições foram ganhas pelo democrata Jimmy Cárter e porque a política externa norte-americana acabou por sofrer algumas alterações, abrandando as sanções impostas a Cuba e iniciando-se um diálogo construtivo que acabou por dar alguns frutos naquela época.

Mas, presidente vai, presidente vem, o bloqueio económico, financeiro e comercial imposto pelos EUA a Cuba continua, mesmo que criticado quase por unanimidade pela assembleia-geral das Nações Unidas e pelas mais variadas organizações internacionais que o consideram desadequado e criminoso. Hoje, até o próprio Kissinger que tanto mal queria a Cuba, é uma das figuras norte-americanas que apelam ao seu fim.

Este bloqueio, para além dos prejuízos directos e indirectos que provoca a Cuba, é uma das causas que obriga muitos cubanos a emigrar em busca de melhores condições de vida, já que dificulta o desenvolvimento do país em toda a sua plenitude. Estas verdades foram esplanadas por Eduardo Bennett, Presidente da Coordenadora de Organizações de Cubanos Residentes em Portugal, ao intervir no Encontro de Cubanos realizado no passado fim-de-semana na Figueira da Foz, onde estiveram presentes para além de muitos compatriotas e amigos, a Embaixadora de Cuba e o Presidente da Câmara Municipal daquela cidade.

Neste Encontro e como sempre, foram lembrados os heróis cubanos António, Gerardo e Ramón que continuam presos pelo delito de combaterem o terrorismo, apelando-se ao presidente Obama, prémio Nobel da Paz, para que tenha um gesto humanitário e os liberte rapidamente.

E como em 28 de Setembro se comemorava o aniversário dos CDR (Comités de Defesa da Revolução) criados em 1960 como resposta massiva do povo cubano aos ataques do governo dos EUA, também eles foram referidos como símbolo de resistência e de pilar fundamental na defesa da independência e da soberania nacional.

O espírito solidário que está na génese dos CDR, conferem-lhes a indispensável utilidade na organização das mais variadas actividades para o bem comum das populações, da sua segurança e da sua integridade, contribuindo para o reforço da democracia como base da estrutura política do país.

E como afirmou Fidel, “parece-me justo dizer que a história da nossa gloriosa Revolução não se poderia escrever sem a história dos Comités de Defesa da Revolução”

(Celino Cunha Vieira - Cubainformación)




sexta-feira, 26 de setembro de 2014


MISSÃO NA SERRA LEOA

Quando esta semana ouvi as declarações do presidente Obama sobre a ajuda que os EUA iriam dar no combate à calamidade do ébola, logo me veio à memória as mesmas promessas após o sismo no Haiti que até hoje não foram cumpridas. E isso pode ser testemunhado pelos organismos internacionais e por todo o pessoal de saúde que de imediato Cuba enviou para aquele território e que ainda hoje aí mantém gratuitamente um contingente considerável. Os outros, os das promessas, mandaram militares para, segundo diziam, garantir a segurança, tal como o afirmam agora em relação à Serra Leoa.

A grande diferença é que nenhum dos integrantes que irão compor a força militar norte-americana que se deslocará para a Serra Leoa irá proporcionar cuidados directos aos doentes infectados, enquanto Cuba já há muito que mantém naquele país africano uma brigada de 23 colaboradores e outros 16 na Guiné Conakry, país onde a epidemia também se tem expandido, estando já preparada uma brigada cubana constituída por 165 médicos e enfermeiros que aí chegarão já na próxima semana para trabalharem no terreno em contacto directo com aqueles que correm risco de vida.

A este propósito e já que pouco ou nada é divulgado, Cuba tem neste momento mais de dois mil técnicos de saúde espalhados por cerca de 33 países africanos, para além de ter ajudado a fundar escolas de medicina e continuar a manter centenas de profissionais que ministram aulas desde 1984 na Etiópia, 1986 no Uganda, 1991 no Ghana, 2000 na Gâmbia, 2001 na Guiné Equatorial e 2004 na Guiné Bissau, ajudando a formar o pessoal técnico de saúde de que tanto carecem.

Isto sem esquecer a Escola Latinoamericana de Medicina com sede em Havana, a qual oferece os seus serviços gratuitamente a centenas de alunos oriundos de mais de 44 países africanos que aproveitam as bolsas de estudo concedidas a países sem recursos económicos e que ao longo de seis anos aí estão instalados até se formarem e regressarem aos seus países de origem, com o compromisso de aí trabalharem em comunidades desprovidas de cuidados de saúde.

Desde 1963 que Cuba mantém missões internacionalistas de paz, tendo a primeira brigada médica partido para a Argélia, cifrando-se em mais de 132 mil o número de profissionais de saúde cubanos que colaboraram noutras nações, tendo prestado os seus serviços a mais de 300 milhões de pessoas, realizado para cima de 2 milhões de intervenções cirúrgicas e vacinado 9 milhões de crianças.

Apesar desta cooperação, Cuba tem sido capaz de manter e em alguns casos até melhorar os seus indicadores nacionais de saúde, com uma proporção de um médico por cada 170 residentes, em contraste com outros países, mesmo os do chamado 1.º mundo onde as diferenças são bem maiores.

Estes dados falam por si e são a resposta cabal para aqueles que tentam denegrir o prestígio e a bondade dos médicos cubanos, que espalhados por todo o mundo não esquecem as suas raízes, desempenhando a sua profissão de forma humanitária e não mercantilista, com total dedicação aos seus pacientes para lhes minimizar o sofrimento. Aos que partem agora para a Serra Leoa desejamos-lhes as maiores felicidades e que a sua missão seja coroada com muito sucesso.

(Celino Cunha Vieira - Cubainformación)



quinta-feira, 11 de setembro de 2014

CUBA VENCERÁ? CUBA JÁ VENCEU!

Oiço muitas vezes gritar que “Cuba Vencerá” e tal como afirmei no jantar com René que se realizou no Seixal e onde o recebemos com toda a dignidade que ele e os restantes Companheiros merecem, prestando a um Herói Nacional de Cuba a devida homenagem sem falsas ou interesseiras amizades, “Cuba já Venceu”.

Venceu a guerra pela Independência e aboliu a escravatura; venceu a tirania de Baptista e iniciou uma Revolução; venceu o analfabetismo e o obscurantismo com séculos de existência; venceu a batalha da Praia Girón quando os EUA tentaram invadir o país; venceu um duro período especial após a queda do bloco socialista; venceu sempre e quase por unanimidade por mais de 20 vezes e em anos consecutivos a votação das Nações Unidas de condenação ao criminoso bloqueio económico, financeiro e comercial imposto unilateralmente pelos EUA com vista a provocar “a fome, o desespero e o derrube do governo cubano”; venceu as mais de 500 tentativas de atentado ao seu líder histórico; venceu no sector da saúde, da educação, da cultura e do desporto; venceu na investigação científica e em tantos outros sectores, que, sem receio de desmentido, pode dizer-se que Cuba é um país já vencedor, quando alguns, há uns anos, receavam o fim da Revolução e hoje se aproveitam dos seus êxitos para se colarem ao seu sucesso.

Quem conhece um pouco da história cubana sabe quantos sacrifícios foram necessários para se poderem obter os resultados que estão à vista de todos e que só os mais cépticos ou quem tem reservas mentais não quer reconhecer, independentemente das suas origens ideológicas.

É certo que ainda existe muito por fazer, até porque uma Revolução nunca está terminada, mas como diz Fidel, “Revolução é fazer tudo o que tem de ser feito” e as transformações que se estão a operar, principalmente no aspecto económico, contribuirão para um cada vez melhor nível de vida dos cidadãos, tendo sempre presente as conquistas sociais já alcançadas e as garantias constitucionais baseadas nos princípios da Revolução que são inalteráveis.

Na recente visita de René ao Seixal ao ser entrevistado na Rádio Baía, perguntaram-lhe porque os EUA ainda não tinham voltado a tentar invadir Cuba se o tem feito noutros países, tendo René respondido que para além de Cuba não ter petróleo suficiente para essa aventura, é porque fundamentalmente os EUA não esqueceram a humilhação que tiveram em 1961 na Baía dos Porcos e sabem que agora teriam de enfrentar os 12 milhões de cubanos que estão unidos, treinados e preparados desde há muito para essa eventualidade, não abdicando da sua independência e soberania.

René e Fernando já estão em liberdade depois de cumprirem integralmente as suas injustas penas e temos esperança que António, Gerardo e Ramón possam brevemente voltar ao seu país e ao convívio dos seus familiares. Todo um povo os espera e nós, aqui no Seixal, onde podem contar com verdadeiros e solidários amigos, também queremos recebê-los e comemorar com os CINCO o seu regresso à liberdade.

(Celino Cunha Vieira - Cubainformación)

sexta-feira, 5 de setembro de 2014


HERÓI CUBANO NO SEIXAL

Cada vez mais se ouve falar em terrorismo e todos os países do chamado mundo ocidental e não só, tomam posições defensivas de modo a evitar que tal calamidade lhes bata à porta. Estão no seu pleno direito, tal como Cuba que desde há mais de meio século tem essa ameaça constante por parte de grupelhos sediados nos EUA que são apoiados por organismos governamentais, não pode descurar a sua segurança, tendo a obrigação de defender por todos os meios a sua população.

Mas esse direito de um país livre e independente não é reconhecido por aqueles que se julgam os donos do mundo e o baluarte da democracia, tendo injustamente condenado cinco cidadãos cubanos a pesadas penas de prisão, cujo único “crime” foi o de combaterem o terrorismo, evitando assim a perda de vidas humanas dos seus compatriotas e até de outras nacionalidades, incluindo a americana.

Os ataques e acções terroristas contra Cuba desde 1959, ano do triunfo da Revolução, causaram a morte a mais de 3.000 cubanos e lesões graves a um número similar, assim como perdas materiais calculadas em cem mil milhões de dólares; e se não fosse a acção patriótica destes e de outros cubanos que se têm sacrificado para defenderem o seu país, as cifras seriam certamente muito maiores.

Felizmente que René e Fernando já estão em liberdade depois de cumprirem integralmente as suas penas, mas não nos podemos esquecer de António, de Gerardo e de Ramón que continuam encarcerados sem qualquer justificação, a não ser a da vingança, do ódio e das políticas americanas subjugadas aos mafiosos e assassinos de Miami, que sabem como utilizar a corrupção para conseguir os seus tenebrosos intentos.

E porque vamos ter a honra de receber no Seixal o Herói Nacional de Cuba René González, o Comité Português para a Libertação dos Cinco e a Associação Portuguesa José Marti organizam um jantar de homenagem aos Cinco Heróis Cubanos com a presença de René, de sua esposa Olga, de Johana Tablada, Embaixadora de Cuba em Portugal e de outras personalidades que entretanto já confirmaram a sua presença.

Este jantar, com um custo de 10 euros por pessoa, realizar-se-á na próxima segunda-feira dia 8 de Setembro pelas 20:00 no restaurante do Clube de Pessoal da Siderurgia Nacional em Paio Pires – Seixal, estando aberto a todos aqueles que possam e desejem participar nesta justa jornada de solidariedade e de reconhecimento aos Cinco Heróis que nunca claudicaram nas suas convicções e patriotismo, encarando o seu enorme sacrifício e o das suas famílias como um contributo para tornar o mundo melhor, mais justo e mais livre.

As inscrições podem ser efectuadas até às 12:00 do próprio dia 8 através do mail: associacaojosemarti@gmail.com ou pelo tel. 968 493 654, sendo o pagamento efectuado no próprio local.

Contamos convosco e com o vosso sentido de justiça para continuarmos a defender a libertação incondicional de António, Gerardo e Ramón.

(Celino Cunha Vieira - Cubainformación)


quarta-feira, 20 de agosto de 2014


ORDEM DOS MÉDICOS PORTUGUESES
Ou será Sindicato?

Mais uma vez vem o Dr. José Manuel Silva, bastonário da Ordem dos Médicos Portugueses, fazer declarações à imprensa em relação à contratação de médicos cubanos pelo Ministério da Saúde a fim de os integrar no SNS em locais que após vários concursos públicos as vagas ficaram por preencher, como muito bem sabe o senhor bastonário, não precisando que o Ministro lhe indique onde há falta destes profissionais qualificados.

Não se vislumbra exactamente o que move o bastonário que com estas atitudes se imiscui na esfera dos Sindicatos, mas uma coisa é certa: não é assim que defende os doentes nem o Serviço Nacional de Saúde, pois se não fossem os médicos cubanos, milhares de utentes ficariam sem assistência ou então teriam de recorrer aos serviços privados.

Parece até que o Dr. José Manuel Silva defende sim o SPS (Serviço Privado de Saúde) já que este ataque cerrado à colocação destes médicos cubanos deve estar a prejudicar o negócio de clínicas e consultórios privados. Não é por acaso que um importante grupo económico mexicano quer adquirir uma posição maioritária no BES Saúde, porque o lucro está assegurado enquanto existirem pessoas no nosso país que colaborem nestes esquemas.

O bastonário deixa até escapar o comentário de que uma parte do dinheiro pago pelo Estado Português serve para financiar o regime cubano. E das duas uma: ou o bastonário é por princípio anti-cubano primário e para ele tudo é permitido em política, metendo-se onde não deve, ou então desconhece que o remanescente desse dinheiro é integralmente dirigido ao sistema de saúde em Cuba, que como se sabe, necessita de se financiar para poder renovar equipamentos e adquirir materiais no estrangeiro a fim de poder dar uma cada vez melhor assistência gratuita aos seus utentes.

Quando o Dr. José Manuel Silva afirma que centenas de médicos especialistas portugueses têm emigrado, não refere quantas centenas saíram do SNS para os hospitais e clínicas privadas onde podem ganhar o que querem, fazendo aquilo que poderiam fazer nos serviços públicos. Quando reivindica as mesmas condições para os médicos portugueses, não diz que os médicos cubanos são especialistas em Medicina Interna e que nenhum especialista português está disposto a fazer a sua carreira profissional em locais isolados e distantes dos centros urbanos, trabalhando de dia e de noite de acordo com as necessidades das populações que abnegadamente devem servir, tal como fazem os cubanos.

Considerará o bastonário quanto custa a formação integral de um médico que em Cuba é totalmente suportada pelo Estado e que por isso a saúde está completamente vedada à iniciativa privada porque é um direito adquirido por todos os cidadãos e um dos princípios da Revolução?

Porque quero acreditar na honestidade do Dr. José Manuel Silva e que tudo isto é fruto do seu desconhecimento da realidade, desafio-o para ir comigo a Cuba, onde terei todo o gosto em lhe demonstrar que está redondamente enganado.

(Celino Cunha Vieira - Cubainformación)



quarta-feira, 13 de agosto de 2014


FELICIDADES COMANDANTE

Dia 13 de Agosto comemora-se em Cuba e em muitos países do mundo o 88.º aniversário do Comandante Fidel Castro e o reconhecimento de uma vida totalmente dedicada ao seu país, resistindo de forma heróica a todas as contrariedades que intransigentemente teve de enfrentar na defesa do seu povo.

Haverá certamente quem discorde das suas opções, mas ninguém pode ficar indiferente a uma figura que marcou significativamente a história das últimas décadas, sendo respeitado e admirado pela sua cultura, lucidez e antevisão da política internacional que mais cedo ou mais tarde têm vindo a dar-lhe razão, bastando para isso relembrar os seus destemidos discursos nos principais fóruns internacionais.

Nascido de uma família abastada para a época, Fidel poderia ter comodamente usufruído dessa condição para viver rodeado de luxos e “lutando” apenas para se tornar mais rico e poderoso economicamente, como muitos outros da sua geração o fizeram, alheando-se das tremendas desigualdades sociais que existiam em Cuba e que só viriam a ter fim no 1.º de Janeiro de 1959.

Mas o sangue galego que lhe corre nas veias impulsionaram-no para outras batalhas, preferindo seguir e pôr em prática o pensamento de José Marti entregando-se de corpo e alma à luta revolucionária que permitisse a total independência do seu país.

Iniciando-se na política através das movimentações estudantis durante a década de quarenta na Universidade de Havana, não mais parou, mesmo depois de se ter licenciado em Direito em 1950 com 24 anos. Daí para cá já todos conhecem o seu percurso até à renúncia de todos os cargos que ocupava, dedicando-se hoje muito mais à leitura e à escrita que tanto prazer lhe dão e que antes por falta de tempo não lhe permitiam que o fizesse.

Os principais líderes políticos que visitam Cuba têm passagem obrigatória pela sua residência para lhe prestarem homenagem e trocar algumas impressões, ouvindo as suas sempre actualizadas opiniões que se baseiam num profundo conhecimento e experiência.

Fidel é daquelas pessoas que se ama ou se odeia, mas estou certo que a esmagadora maioria dos cubanos o admira e lhe quer muito, agradecendo-lhe eternamente tudo o que através do seu sacrifício e da sua liderança foi conquistado pela Revolução. 

FELICIDADES COMANDANTE!


(Celino Cunha Vieira - Cubainformación)

sexta-feira, 1 de agosto de 2014


PATRIMÓNIO DA HUMANIDADE

Para que se tenha uma pequena ideia de como era tratada a cultura em Cuba até ao triunfo da Revolução em 1959, basta apenas lembrar que apenas existiam sete Museus em todo o país e a maioria deles privados, fazendo parte de um património particular só acessível às elites da época, onde a população não podia usufruir de um importante espólio histórico e cultural que deveria ser acessível a todos.

Hoje o panorama é bem diferente, existindo cerca de 250 entre nacionais e municipais, fruto de algumas aquisições, mas principalmente das doações voluntárias da população, destacando-se o Museu da Revolução, o Museu da Cidade, o Museu da Alfabetização, o Museu de Belas Artes e o Museu Napoleónico, considerado o 2.º mais importante do mundo a seguir ao de Paris.

Mas existem muitos outros que pelas suas particularidades também são de realçar, como o Museu Indocubano que conta com mais de 22.000 peças pré-coloniais, o Museu San Severino em Matanzas designado pela UNESCO como parte da Rota dos Escravos, assim como o Museu da Pirataria em Santiago de Cuba, instalado no “Castillo del Morro”. 

Para além dos Museus, é de salientar que a UNESCO tem distinguido vários locais de Cuba como Património da Humanidade, tais como, entre outros, o Centro Histórico de Havana Velha e o seu Sistema de Fortificações Coloniais (1982), a Cidade de Trinidad e o Vale dos Engenhos (1988), o Parque Nacional do Desembarque do Granma (1999), o Centro Histórico da Cidade de Cienfuegos (2005) e o Centro Histórico da Cidade de Camaguey (2008).

Um aspecto a destacar desta riqueza nacional é a interligação que existe com o sector da Educação, pois não se trata apenas de exibir valiosas peças museológicas ou preservar os locais para turista ver, como também de contribuir para o desenvolvimento do saber e do pensamento do povo, incutindo-lhe o gosto pelos aspectos históricos e culturais. Por isso e de modo continuado são realizadas visitas escolares dos vários graus de ensino, bem como organizadas conferências e exposições temporárias, resultando num dinamismo constante daqueles espaços.

Como reconhecimento desta demonstração efectiva da rede cultural, do seu funcionamento e do seu equilíbrio, foi atribuído pelos países Europeus o Prémio “Eureka” à “Oficina do Historiador da Cidade” pelo excelente trabalho de recuperação de um património que é de todos e que tem de ser preservado.

Só a Cidade de Havana tem mais de duas centenas de edifícios coloniais classificados, pelo que considero imprescindível e recomendo a quem estuda arquitectura, urbanismo ou história de arte, que reserve algum tempo para uma visita de carácter educativo quando forem passar férias a Cuba.

Como muitas vezes tenho afirmado, Cuba não é só sol, praia e rum. Cuba tem muitos outros aspectos importantes a explorar e quem o faz, fica sempre com vontade de voltar.

(Celino Cunha Vieira - Cubainformación)





quinta-feira, 24 de julho de 2014


HINO DO MOVIMENTO 26 DE JULHO

Prestes a comemorar-se o Dia Nacional da Rebeldia Cubana que este ano terá as suas cerimónias oficiais em Artemisa, mais uma vez se evocará a memória de todos aqueles que pertenceram ao Movimento 26 de Julho, data que significou há 61 anos o assalto ao Quartel Moncada em Santiago de Cuba e ao Quartel Carlos Manuel de Céspedes em Bayamo, iniciando-se aí a luta armada que viria a culminar com o triunfo da Revolução, apoiada desde a primeira hora pela intensa luta política que era travada na clandestinidade.

Nos dias que antecederam os preparativos para a operação militar comandada por Fidel Castro e sabendo este que um dos combatentes era aficionado de música, desafiou Agustin Diaz Cartaya para compor uma marcha com um texto que expressasse elevados sentimentos de patriotismo, alegria e celebração pelas vitórias militares alcançadas. Segundo contou o compositor, era a primeira vez que deixava de se sentir como um marginal, descriminado pela sua cor de pele ou baixa escolaridade, sabendo que a responsabilidade que lhe estava a ser pedida pelo seu Chefe, viria a ter, com os anos, uma enorme importância histórica.

E assim nasceu a música e a letra do Hino da Liberdade que passou a acompanhar nos bons e nos maus momentos todos aqueles que lutaram contra a tirania e que hoje aqui transcrevo o original numa tradução livre:

“Marchando vamos na direcção de um ideal / sabendo que temos de triunfar em prol da paz e prosperidade / lutaremos todos pela liberdade. Em frente cubanos que Cuba premiará o nosso heroísmo / pois somos soldados que vamos libertar a Pátria / limpando com fogo que arrase com esta praga infernal / de governantes indesejáveis e de tiranos insaciáveis que a Cuba afundaram no mal. O sangue que no Oriente se derramou / nós não o devemos esquecer / por isso unidos temos de estar / recordando aqueles que mortos estão. A morte é vitória e glória que no fim a história sempre recordará / a tocha que airosa vai iluminando os nossos ideais pela liberdade. O povo de Cuba mergulhado na sua dor / sente-se ferido e decidido a encontrar sem tréguas uma solução que sirva de exemplo a esses que não têm compaixão / e convictos arriscaremos por esta causa até a vida / e que viva a Revolução”.

Após a fracassada acção nos combates de 1953 e em homenagem a todos aqueles que tombaram na luta ou que foram assassinados, Fidel pediu a Cartaya para modificar algumas passagens da letra para que se glorificasse o sacrifício dos mártires e o sangue derramado pelo ideal da liberdade, passando a ser cantada nas prisões e trauteada durante os julgamentos que se seguiram, vindo a marcha desde então e até à actualidade a ser conhecida como o Hino do Movimento 26 de Julho, que depois do Hino Nacional é a peça mais tocada em paradas militares e em outras cerimónias.

Caso estas singelas linhas tenham despertado no leitor a vontade de escutar este precioso Hino, podem fazê-lo na internet como “himno del 26 de julio”. Vão ver que vale a pena.

(Celino Cunha Vieira - Cubainformación)