quinta-feira, 2 de outubro de 2014


A VERDADE É COMO O AZEITE

Eu, que tantas vezes tenho criticado alguma comunicação social, não posso deixar de louvar desta vez o New York Times que após ter acesso a documentos agora desclassificados, revela que em 1976 o Secretário de Estado Henry Kissinger, figura tão conhecida dos portugueses, congeminava planos para lançar ataques aéreos contra Cuba visando portos e instalações militares, incluindo ainda o envio de batalhões de infantaria a partir da Base Naval de Guantanámo, território cubano ilegalmente ocupado pelos EUA desde 1902.

Esta invasão só não avançou porque entretanto as eleições foram ganhas pelo democrata Jimmy Cárter e porque a política externa norte-americana acabou por sofrer algumas alterações, abrandando as sanções impostas a Cuba e iniciando-se um diálogo construtivo que acabou por dar alguns frutos naquela época.

Mas, presidente vai, presidente vem, o bloqueio económico, financeiro e comercial imposto pelos EUA a Cuba continua, mesmo que criticado quase por unanimidade pela assembleia-geral das Nações Unidas e pelas mais variadas organizações internacionais que o consideram desadequado e criminoso. Hoje, até o próprio Kissinger que tanto mal queria a Cuba, é uma das figuras norte-americanas que apelam ao seu fim.

Este bloqueio, para além dos prejuízos directos e indirectos que provoca a Cuba, é uma das causas que obriga muitos cubanos a emigrar em busca de melhores condições de vida, já que dificulta o desenvolvimento do país em toda a sua plenitude. Estas verdades foram esplanadas por Eduardo Bennett, Presidente da Coordenadora de Organizações de Cubanos Residentes em Portugal, ao intervir no Encontro de Cubanos realizado no passado fim-de-semana na Figueira da Foz, onde estiveram presentes para além de muitos compatriotas e amigos, a Embaixadora de Cuba e o Presidente da Câmara Municipal daquela cidade.

Neste Encontro e como sempre, foram lembrados os heróis cubanos António, Gerardo e Ramón que continuam presos pelo delito de combaterem o terrorismo, apelando-se ao presidente Obama, prémio Nobel da Paz, para que tenha um gesto humanitário e os liberte rapidamente.

E como em 28 de Setembro se comemorava o aniversário dos CDR (Comités de Defesa da Revolução) criados em 1960 como resposta massiva do povo cubano aos ataques do governo dos EUA, também eles foram referidos como símbolo de resistência e de pilar fundamental na defesa da independência e da soberania nacional.

O espírito solidário que está na génese dos CDR, conferem-lhes a indispensável utilidade na organização das mais variadas actividades para o bem comum das populações, da sua segurança e da sua integridade, contribuindo para o reforço da democracia como base da estrutura política do país.

E como afirmou Fidel, “parece-me justo dizer que a história da nossa gloriosa Revolução não se poderia escrever sem a história dos Comités de Defesa da Revolução”

(Celino Cunha Vieira - Cubainformación)




sexta-feira, 26 de setembro de 2014


MISSÃO NA SERRA LEOA

Quando esta semana ouvi as declarações do presidente Obama sobre a ajuda que os EUA iriam dar no combate à calamidade do ébola, logo me veio à memória as mesmas promessas após o sismo no Haiti que até hoje não foram cumpridas. E isso pode ser testemunhado pelos organismos internacionais e por todo o pessoal de saúde que de imediato Cuba enviou para aquele território e que ainda hoje aí mantém gratuitamente um contingente considerável. Os outros, os das promessas, mandaram militares para, segundo diziam, garantir a segurança, tal como o afirmam agora em relação à Serra Leoa.

A grande diferença é que nenhum dos integrantes que irão compor a força militar norte-americana que se deslocará para a Serra Leoa irá proporcionar cuidados directos aos doentes infectados, enquanto Cuba já há muito que mantém naquele país africano uma brigada de 23 colaboradores e outros 16 na Guiné Conakry, país onde a epidemia também se tem expandido, estando já preparada uma brigada cubana constituída por 165 médicos e enfermeiros que aí chegarão já na próxima semana para trabalharem no terreno em contacto directo com aqueles que correm risco de vida.

A este propósito e já que pouco ou nada é divulgado, Cuba tem neste momento mais de dois mil técnicos de saúde espalhados por cerca de 33 países africanos, para além de ter ajudado a fundar escolas de medicina e continuar a manter centenas de profissionais que ministram aulas desde 1984 na Etiópia, 1986 no Uganda, 1991 no Ghana, 2000 na Gâmbia, 2001 na Guiné Equatorial e 2004 na Guiné Bissau, ajudando a formar o pessoal técnico de saúde de que tanto carecem.

Isto sem esquecer a Escola Latinoamericana de Medicina com sede em Havana, a qual oferece os seus serviços gratuitamente a centenas de alunos oriundos de mais de 44 países africanos que aproveitam as bolsas de estudo concedidas a países sem recursos económicos e que ao longo de seis anos aí estão instalados até se formarem e regressarem aos seus países de origem, com o compromisso de aí trabalharem em comunidades desprovidas de cuidados de saúde.

Desde 1963 que Cuba mantém missões internacionalistas de paz, tendo a primeira brigada médica partido para a Argélia, cifrando-se em mais de 132 mil o número de profissionais de saúde cubanos que colaboraram noutras nações, tendo prestado os seus serviços a mais de 300 milhões de pessoas, realizado para cima de 2 milhões de intervenções cirúrgicas e vacinado 9 milhões de crianças.

Apesar desta cooperação, Cuba tem sido capaz de manter e em alguns casos até melhorar os seus indicadores nacionais de saúde, com uma proporção de um médico por cada 170 residentes, em contraste com outros países, mesmo os do chamado 1.º mundo onde as diferenças são bem maiores.

Estes dados falam por si e são a resposta cabal para aqueles que tentam denegrir o prestígio e a bondade dos médicos cubanos, que espalhados por todo o mundo não esquecem as suas raízes, desempenhando a sua profissão de forma humanitária e não mercantilista, com total dedicação aos seus pacientes para lhes minimizar o sofrimento. Aos que partem agora para a Serra Leoa desejamos-lhes as maiores felicidades e que a sua missão seja coroada com muito sucesso.

(Celino Cunha Vieira - Cubainformación)



quinta-feira, 11 de setembro de 2014

CUBA VENCERÁ? CUBA JÁ VENCEU!

Oiço muitas vezes gritar que “Cuba Vencerá” e tal como afirmei no jantar com René que se realizou no Seixal e onde o recebemos com toda a dignidade que ele e os restantes Companheiros merecem, prestando a um Herói Nacional de Cuba a devida homenagem sem falsas ou interesseiras amizades, “Cuba já Venceu”.

Venceu a guerra pela Independência e aboliu a escravatura; venceu a tirania de Baptista e iniciou uma Revolução; venceu o analfabetismo e o obscurantismo com séculos de existência; venceu a batalha da Praia Girón quando os EUA tentaram invadir o país; venceu um duro período especial após a queda do bloco socialista; venceu sempre e quase por unanimidade por mais de 20 vezes e em anos consecutivos a votação das Nações Unidas de condenação ao criminoso bloqueio económico, financeiro e comercial imposto unilateralmente pelos EUA com vista a provocar “a fome, o desespero e o derrube do governo cubano”; venceu as mais de 500 tentativas de atentado ao seu líder histórico; venceu no sector da saúde, da educação, da cultura e do desporto; venceu na investigação científica e em tantos outros sectores, que, sem receio de desmentido, pode dizer-se que Cuba é um país já vencedor, quando alguns, há uns anos, receavam o fim da Revolução e hoje se aproveitam dos seus êxitos para se colarem ao seu sucesso.

Quem conhece um pouco da história cubana sabe quantos sacrifícios foram necessários para se poderem obter os resultados que estão à vista de todos e que só os mais cépticos ou quem tem reservas mentais não quer reconhecer, independentemente das suas origens ideológicas.

É certo que ainda existe muito por fazer, até porque uma Revolução nunca está terminada, mas como diz Fidel, “Revolução é fazer tudo o que tem de ser feito” e as transformações que se estão a operar, principalmente no aspecto económico, contribuirão para um cada vez melhor nível de vida dos cidadãos, tendo sempre presente as conquistas sociais já alcançadas e as garantias constitucionais baseadas nos princípios da Revolução que são inalteráveis.

Na recente visita de René ao Seixal ao ser entrevistado na Rádio Baía, perguntaram-lhe porque os EUA ainda não tinham voltado a tentar invadir Cuba se o tem feito noutros países, tendo René respondido que para além de Cuba não ter petróleo suficiente para essa aventura, é porque fundamentalmente os EUA não esqueceram a humilhação que tiveram em 1961 na Baía dos Porcos e sabem que agora teriam de enfrentar os 12 milhões de cubanos que estão unidos, treinados e preparados desde há muito para essa eventualidade, não abdicando da sua independência e soberania.

René e Fernando já estão em liberdade depois de cumprirem integralmente as suas injustas penas e temos esperança que António, Gerardo e Ramón possam brevemente voltar ao seu país e ao convívio dos seus familiares. Todo um povo os espera e nós, aqui no Seixal, onde podem contar com verdadeiros e solidários amigos, também queremos recebê-los e comemorar com os CINCO o seu regresso à liberdade.

(Celino Cunha Vieira - Cubainformación)

sexta-feira, 5 de setembro de 2014


HERÓI CUBANO NO SEIXAL

Cada vez mais se ouve falar em terrorismo e todos os países do chamado mundo ocidental e não só, tomam posições defensivas de modo a evitar que tal calamidade lhes bata à porta. Estão no seu pleno direito, tal como Cuba que desde há mais de meio século tem essa ameaça constante por parte de grupelhos sediados nos EUA que são apoiados por organismos governamentais, não pode descurar a sua segurança, tendo a obrigação de defender por todos os meios a sua população.

Mas esse direito de um país livre e independente não é reconhecido por aqueles que se julgam os donos do mundo e o baluarte da democracia, tendo injustamente condenado cinco cidadãos cubanos a pesadas penas de prisão, cujo único “crime” foi o de combaterem o terrorismo, evitando assim a perda de vidas humanas dos seus compatriotas e até de outras nacionalidades, incluindo a americana.

Os ataques e acções terroristas contra Cuba desde 1959, ano do triunfo da Revolução, causaram a morte a mais de 3.000 cubanos e lesões graves a um número similar, assim como perdas materiais calculadas em cem mil milhões de dólares; e se não fosse a acção patriótica destes e de outros cubanos que se têm sacrificado para defenderem o seu país, as cifras seriam certamente muito maiores.

Felizmente que René e Fernando já estão em liberdade depois de cumprirem integralmente as suas penas, mas não nos podemos esquecer de António, de Gerardo e de Ramón que continuam encarcerados sem qualquer justificação, a não ser a da vingança, do ódio e das políticas americanas subjugadas aos mafiosos e assassinos de Miami, que sabem como utilizar a corrupção para conseguir os seus tenebrosos intentos.

E porque vamos ter a honra de receber no Seixal o Herói Nacional de Cuba René González, o Comité Português para a Libertação dos Cinco e a Associação Portuguesa José Marti organizam um jantar de homenagem aos Cinco Heróis Cubanos com a presença de René, de sua esposa Olga, de Johana Tablada, Embaixadora de Cuba em Portugal e de outras personalidades que entretanto já confirmaram a sua presença.

Este jantar, com um custo de 10 euros por pessoa, realizar-se-á na próxima segunda-feira dia 8 de Setembro pelas 20:00 no restaurante do Clube de Pessoal da Siderurgia Nacional em Paio Pires – Seixal, estando aberto a todos aqueles que possam e desejem participar nesta justa jornada de solidariedade e de reconhecimento aos Cinco Heróis que nunca claudicaram nas suas convicções e patriotismo, encarando o seu enorme sacrifício e o das suas famílias como um contributo para tornar o mundo melhor, mais justo e mais livre.

As inscrições podem ser efectuadas até às 12:00 do próprio dia 8 através do mail: associacaojosemarti@gmail.com ou pelo tel. 968 493 654, sendo o pagamento efectuado no próprio local.

Contamos convosco e com o vosso sentido de justiça para continuarmos a defender a libertação incondicional de António, Gerardo e Ramón.

(Celino Cunha Vieira - Cubainformación)


quarta-feira, 20 de agosto de 2014


ORDEM DOS MÉDICOS PORTUGUESES
Ou será Sindicato?

Mais uma vez vem o Dr. José Manuel Silva, bastonário da Ordem dos Médicos Portugueses, fazer declarações à imprensa em relação à contratação de médicos cubanos pelo Ministério da Saúde a fim de os integrar no SNS em locais que após vários concursos públicos as vagas ficaram por preencher, como muito bem sabe o senhor bastonário, não precisando que o Ministro lhe indique onde há falta destes profissionais qualificados.

Não se vislumbra exactamente o que move o bastonário que com estas atitudes se imiscui na esfera dos Sindicatos, mas uma coisa é certa: não é assim que defende os doentes nem o Serviço Nacional de Saúde, pois se não fossem os médicos cubanos, milhares de utentes ficariam sem assistência ou então teriam de recorrer aos serviços privados.

Parece até que o Dr. José Manuel Silva defende sim o SPS (Serviço Privado de Saúde) já que este ataque cerrado à colocação destes médicos cubanos deve estar a prejudicar o negócio de clínicas e consultórios privados. Não é por acaso que um importante grupo económico mexicano quer adquirir uma posição maioritária no BES Saúde, porque o lucro está assegurado enquanto existirem pessoas no nosso país que colaborem nestes esquemas.

O bastonário deixa até escapar o comentário de que uma parte do dinheiro pago pelo Estado Português serve para financiar o regime cubano. E das duas uma: ou o bastonário é por princípio anti-cubano primário e para ele tudo é permitido em política, metendo-se onde não deve, ou então desconhece que o remanescente desse dinheiro é integralmente dirigido ao sistema de saúde em Cuba, que como se sabe, necessita de se financiar para poder renovar equipamentos e adquirir materiais no estrangeiro a fim de poder dar uma cada vez melhor assistência gratuita aos seus utentes.

Quando o Dr. José Manuel Silva afirma que centenas de médicos especialistas portugueses têm emigrado, não refere quantas centenas saíram do SNS para os hospitais e clínicas privadas onde podem ganhar o que querem, fazendo aquilo que poderiam fazer nos serviços públicos. Quando reivindica as mesmas condições para os médicos portugueses, não diz que os médicos cubanos são especialistas em Medicina Interna e que nenhum especialista português está disposto a fazer a sua carreira profissional em locais isolados e distantes dos centros urbanos, trabalhando de dia e de noite de acordo com as necessidades das populações que abnegadamente devem servir, tal como fazem os cubanos.

Considerará o bastonário quanto custa a formação integral de um médico que em Cuba é totalmente suportada pelo Estado e que por isso a saúde está completamente vedada à iniciativa privada porque é um direito adquirido por todos os cidadãos e um dos princípios da Revolução?

Porque quero acreditar na honestidade do Dr. José Manuel Silva e que tudo isto é fruto do seu desconhecimento da realidade, desafio-o para ir comigo a Cuba, onde terei todo o gosto em lhe demonstrar que está redondamente enganado.

(Celino Cunha Vieira - Cubainformación)



quarta-feira, 13 de agosto de 2014


FELICIDADES COMANDANTE

Dia 13 de Agosto comemora-se em Cuba e em muitos países do mundo o 88.º aniversário do Comandante Fidel Castro e o reconhecimento de uma vida totalmente dedicada ao seu país, resistindo de forma heróica a todas as contrariedades que intransigentemente teve de enfrentar na defesa do seu povo.

Haverá certamente quem discorde das suas opções, mas ninguém pode ficar indiferente a uma figura que marcou significativamente a história das últimas décadas, sendo respeitado e admirado pela sua cultura, lucidez e antevisão da política internacional que mais cedo ou mais tarde têm vindo a dar-lhe razão, bastando para isso relembrar os seus destemidos discursos nos principais fóruns internacionais.

Nascido de uma família abastada para a época, Fidel poderia ter comodamente usufruído dessa condição para viver rodeado de luxos e “lutando” apenas para se tornar mais rico e poderoso economicamente, como muitos outros da sua geração o fizeram, alheando-se das tremendas desigualdades sociais que existiam em Cuba e que só viriam a ter fim no 1.º de Janeiro de 1959.

Mas o sangue galego que lhe corre nas veias impulsionaram-no para outras batalhas, preferindo seguir e pôr em prática o pensamento de José Marti entregando-se de corpo e alma à luta revolucionária que permitisse a total independência do seu país.

Iniciando-se na política através das movimentações estudantis durante a década de quarenta na Universidade de Havana, não mais parou, mesmo depois de se ter licenciado em Direito em 1950 com 24 anos. Daí para cá já todos conhecem o seu percurso até à renúncia de todos os cargos que ocupava, dedicando-se hoje muito mais à leitura e à escrita que tanto prazer lhe dão e que antes por falta de tempo não lhe permitiam que o fizesse.

Os principais líderes políticos que visitam Cuba têm passagem obrigatória pela sua residência para lhe prestarem homenagem e trocar algumas impressões, ouvindo as suas sempre actualizadas opiniões que se baseiam num profundo conhecimento e experiência.

Fidel é daquelas pessoas que se ama ou se odeia, mas estou certo que a esmagadora maioria dos cubanos o admira e lhe quer muito, agradecendo-lhe eternamente tudo o que através do seu sacrifício e da sua liderança foi conquistado pela Revolução. 

FELICIDADES COMANDANTE!


(Celino Cunha Vieira - Cubainformación)

sexta-feira, 1 de agosto de 2014


PATRIMÓNIO DA HUMANIDADE

Para que se tenha uma pequena ideia de como era tratada a cultura em Cuba até ao triunfo da Revolução em 1959, basta apenas lembrar que apenas existiam sete Museus em todo o país e a maioria deles privados, fazendo parte de um património particular só acessível às elites da época, onde a população não podia usufruir de um importante espólio histórico e cultural que deveria ser acessível a todos.

Hoje o panorama é bem diferente, existindo cerca de 250 entre nacionais e municipais, fruto de algumas aquisições, mas principalmente das doações voluntárias da população, destacando-se o Museu da Revolução, o Museu da Cidade, o Museu da Alfabetização, o Museu de Belas Artes e o Museu Napoleónico, considerado o 2.º mais importante do mundo a seguir ao de Paris.

Mas existem muitos outros que pelas suas particularidades também são de realçar, como o Museu Indocubano que conta com mais de 22.000 peças pré-coloniais, o Museu San Severino em Matanzas designado pela UNESCO como parte da Rota dos Escravos, assim como o Museu da Pirataria em Santiago de Cuba, instalado no “Castillo del Morro”. 

Para além dos Museus, é de salientar que a UNESCO tem distinguido vários locais de Cuba como Património da Humanidade, tais como, entre outros, o Centro Histórico de Havana Velha e o seu Sistema de Fortificações Coloniais (1982), a Cidade de Trinidad e o Vale dos Engenhos (1988), o Parque Nacional do Desembarque do Granma (1999), o Centro Histórico da Cidade de Cienfuegos (2005) e o Centro Histórico da Cidade de Camaguey (2008).

Um aspecto a destacar desta riqueza nacional é a interligação que existe com o sector da Educação, pois não se trata apenas de exibir valiosas peças museológicas ou preservar os locais para turista ver, como também de contribuir para o desenvolvimento do saber e do pensamento do povo, incutindo-lhe o gosto pelos aspectos históricos e culturais. Por isso e de modo continuado são realizadas visitas escolares dos vários graus de ensino, bem como organizadas conferências e exposições temporárias, resultando num dinamismo constante daqueles espaços.

Como reconhecimento desta demonstração efectiva da rede cultural, do seu funcionamento e do seu equilíbrio, foi atribuído pelos países Europeus o Prémio “Eureka” à “Oficina do Historiador da Cidade” pelo excelente trabalho de recuperação de um património que é de todos e que tem de ser preservado.

Só a Cidade de Havana tem mais de duas centenas de edifícios coloniais classificados, pelo que considero imprescindível e recomendo a quem estuda arquitectura, urbanismo ou história de arte, que reserve algum tempo para uma visita de carácter educativo quando forem passar férias a Cuba.

Como muitas vezes tenho afirmado, Cuba não é só sol, praia e rum. Cuba tem muitos outros aspectos importantes a explorar e quem o faz, fica sempre com vontade de voltar.

(Celino Cunha Vieira - Cubainformación)





quinta-feira, 24 de julho de 2014


HINO DO MOVIMENTO 26 DE JULHO

Prestes a comemorar-se o Dia Nacional da Rebeldia Cubana que este ano terá as suas cerimónias oficiais em Artemisa, mais uma vez se evocará a memória de todos aqueles que pertenceram ao Movimento 26 de Julho, data que significou há 61 anos o assalto ao Quartel Moncada em Santiago de Cuba e ao Quartel Carlos Manuel de Céspedes em Bayamo, iniciando-se aí a luta armada que viria a culminar com o triunfo da Revolução, apoiada desde a primeira hora pela intensa luta política que era travada na clandestinidade.

Nos dias que antecederam os preparativos para a operação militar comandada por Fidel Castro e sabendo este que um dos combatentes era aficionado de música, desafiou Agustin Diaz Cartaya para compor uma marcha com um texto que expressasse elevados sentimentos de patriotismo, alegria e celebração pelas vitórias militares alcançadas. Segundo contou o compositor, era a primeira vez que deixava de se sentir como um marginal, descriminado pela sua cor de pele ou baixa escolaridade, sabendo que a responsabilidade que lhe estava a ser pedida pelo seu Chefe, viria a ter, com os anos, uma enorme importância histórica.

E assim nasceu a música e a letra do Hino da Liberdade que passou a acompanhar nos bons e nos maus momentos todos aqueles que lutaram contra a tirania e que hoje aqui transcrevo o original numa tradução livre:

“Marchando vamos na direcção de um ideal / sabendo que temos de triunfar em prol da paz e prosperidade / lutaremos todos pela liberdade. Em frente cubanos que Cuba premiará o nosso heroísmo / pois somos soldados que vamos libertar a Pátria / limpando com fogo que arrase com esta praga infernal / de governantes indesejáveis e de tiranos insaciáveis que a Cuba afundaram no mal. O sangue que no Oriente se derramou / nós não o devemos esquecer / por isso unidos temos de estar / recordando aqueles que mortos estão. A morte é vitória e glória que no fim a história sempre recordará / a tocha que airosa vai iluminando os nossos ideais pela liberdade. O povo de Cuba mergulhado na sua dor / sente-se ferido e decidido a encontrar sem tréguas uma solução que sirva de exemplo a esses que não têm compaixão / e convictos arriscaremos por esta causa até a vida / e que viva a Revolução”.

Após a fracassada acção nos combates de 1953 e em homenagem a todos aqueles que tombaram na luta ou que foram assassinados, Fidel pediu a Cartaya para modificar algumas passagens da letra para que se glorificasse o sacrifício dos mártires e o sangue derramado pelo ideal da liberdade, passando a ser cantada nas prisões e trauteada durante os julgamentos que se seguiram, vindo a marcha desde então e até à actualidade a ser conhecida como o Hino do Movimento 26 de Julho, que depois do Hino Nacional é a peça mais tocada em paradas militares e em outras cerimónias.

Caso estas singelas linhas tenham despertado no leitor a vontade de escutar este precioso Hino, podem fazê-lo na internet como “himno del 26 de julio”. Vão ver que vale a pena.

(Celino Cunha Vieira - Cubainformación)

sexta-feira, 11 de julho de 2014


OBAMA, HILLARY E O BLOQUEIO A CUBA

Já escrevi várias vezes sobre o criminoso bloqueio comercial, económico e financeiro imposto pelos Estados Unidos da América contra Cuba desde há mais de 50 anos, consequência de uma política que está completamente ultrapassada e que já nem sequer tem a concordância dos vários sectores empresariais que também são prejudicados com tal imposição.

Agora interessante é o que Hillary Clinton, ex-Secretária de Estado no primeiro mandato de Barack Obama vem revelar no seu livro “Decisões Difíceis” recentemente publicado, afirmando que no final do mandato o presidente lhe perguntou se não deveriam reconsiderar a questão do bloqueio a Cuba, já que este nunca cumpriu os objectivos para que fora criado e que a sua manutenção prejudica as relações dos EUA com os outros países da América Latina.

Pela primeira vez uma alta personalidade do poder norte-americano vem publicamente dizer aquilo que todos sabem em Washington e no resto do mundo: as sanções impostas com a finalidade de dominar um pequeno país têm sido inúteis, apesar de todo o sofrimento que tem causado à população cubana.

Concretamente, pouco lhes importa os prejuízos pessoais ou económicos que o bloqueio tem provocado a Cuba, mas sim os seus próprios interesses e por isso a preocupação em rever esta fracassada e ilegal política de ingerência e autoritarismo, aplicada contra um país soberano e independente, á revelia de todas as recomendações das Nações Unidas e do Direito Internacional.

Com a entrada em vigor da nova Lei de Investimento Estrangeiro, com a evolução da Zona Especial de Desenvolvimento de Mariel e com a reestruturação de toda a economia cubana, os meios empresariais norte-americanos começam a perceber que estão a perder oportunidades e por isso a contestar o seu governo, com a consequente ameaça – embora que velada – da retirada de apoios financeiros em futuras campanhas eleitorais. Prevendo-se que Hillary venha a ser a candidata dos democratas às presidenciais de 2016 e sabendo-se como o poder económico se sobrepõe ao poder político nos EUA, outra solução não existe a não ser abrandar ou mesmo até eliminar esse ridículo bloqueio.

Na verdade, as empresas norte-americanas estão a ser completamente ultrapassadas na zona por consórcios internacionais, assistindo ao interesse dos investidores em grandes projectos quer em Cuba, quer em outros países da América Latina. E se o novo porto de águas profundas de Mariel em que podem vir a transitar mais de dois milhões de contentores por ano já era importante pelas condições geográficas e logísticas muito favoráveis como plataforma de apoio ao Canal do Panamá, muito mais importante estrategicamente será no futuro com a abertura do Canal da Nicarágua, cujas obras se prevê tenham início ainda este ano e que após a sua conclusão irá concorrer directamente com o do Panamá.

Enquanto isto, as autoridades cubanas continuam serenamente a avaliar passo a passo o evoluir da sua economia, fazendo os necessários reajustamentos, de modo a projectar o futuro com toda a segurança e nunca abdicando dos princípios da Revolução.

(Celino Cunha Vieira - Cubainformación)


quarta-feira, 2 de julho de 2014


MEMORIAL JOSÉ MARTI

Quando se visita Havana, um dos locais de passagem obrigatória é a emblemática Praça da Revolução, não só pelo seu simbolismo histórico, como também pela realização dos mais variados eventos políticos, religiosos ou culturais, a que acorrem centenas de milhar de cubanos para neles participarem.

Talvez seja dos locais da capital mais fotografados, principalmente por ostentar em toda a fachada de um edifício a famosa imagem de Che Guevara e em outro a de Camilo Cienfuegos, que servem de cenário para provar a passagem do visitante por Cuba.

Mas a Praça da Revolução, uma das maiores do mundo com os seus 72.000 m2, tem muito mais que isto e o Memorial José Marti impõe-se em toda a sua dimensão e esplendor, homenageando o Pai da Pátria e o seu Herói Nacional.

Após importantes obras de restauro e conservação de todo o monumento, foram inauguradas em 27 de Janeiro de 1996 por Fidel Castro as instalações interiores da sua base em forma de estrela com cinco pontas, as quais contam com valiosas exposições sobre Marti em três salas permanentes, uma sala para exposições temporárias, um impressionante mural com frases extraídas do pensamento ideológico martiano e um auditório onde se realizam palestras, encontros e manifestações de carácter cultural.

Este monumento, cuja construção demorou 5 anos, pode ser visitado todos os dias da semana até às 17 horas e aos domingos até às 14 horas, sendo constituído por uma torre com 109 metros de altura. No seu interior tem um elevador que conduz os visitantes ao seu ponto mais alto de onde se avista toda a cidade e arredores, numa extensão de 50 km.

Para os portugueses em particular e para os europeus em geral, a obra e o pensamento de Marti são muito pouco conhecidos, valendo a pena visitar o Memorial para se ficar com uma ideia da sua importância para Cuba e para toda a América Latina, onde, a par de outros libertadores como Simón Bolívar ou José de San Martin, teve um papel fundamental para a consciencialização dos povos, com o objectivo da conquista da independência de cada país em relação à coroa espanhola que os colonizava e oprimia.

O seu pensamento sobre o mundo e sobre os homens e mulheres que o habitam têm uma profunda actualidade, onde se constata a visão que possuía em relação aos tempos futuros e às consequências que daí adviriam.

José Julián Marti, que morreu em combate com apenas 42 anos de idade, deixou uma vasta obra que é hoje ensinada nas escolas e universidades cubanas, constituindo um exemplo de lealdade, honestidade e patriotismo, que é merecedor de toda a nossa admiração.

(Celino Cunha Vieira - Cubainformación)