quinta-feira, 22 de maio de 2014


CARTA A OBAMA
Ainda o Bloqueio dos EUA a Cuba

Já várias vezes escrevi sobre o tema do bloqueio norte-americano a Cuba que dura há mais de 50 anos, mas nunca é demais voltar ao assunto, na medida em que ele se mantém sem qualquer justificação razoável, a não ser por motivos meramente políticos na tentativa de ingerência num Estado independente e soberano, violando todas as normas e acordos internacionais.

Muitas são as vozes por todo o mundo, incluindo a assembleia-geral das Nações Unidas, que exigem o seu fim, vindo agora um numeroso grupo de personalidades americanas onde se incluem ex-elementos de altos cargos políticos dos Partidos Democrata e Republicano, militares, empresários e analistas que em carta dirigida ao presidente Obama lhe pedem que assuma uma nova postura face ao relacionamento com Cuba. Da vasta lista de reivindicações sugerem, entre outras,  que Obama autorize o intercâmbio de profissionais de qualquer sector para apoiar a actividade económica da Ilha, nomeadamente através de Organizações não Governamentais e Académicas, podendo viajar livremente para Cuba, que permita aumentar as importações e exportações entre as comunidades dos dois países, assim como assegurar a realização de operações bancárias entre as instituições financeiras.

Os signatários argumentam que Obama tem uma "oportunidade sem precedentes" num contexto em que a maioria dos americanos apoiam uma mudança na política em relação a Cubade acordo com uma pesquisa revelada recentemente. Mas alertam que esta "janela de oportunidade" pode fechar, já que os EUA estão cada vez mais isolados internacionalmente, numa referência à aproximação diplomática a Cuba por parte da União Europeia e à totalidade do vasto conjunto de países que fazem parte da Comunidade de Estados Latino-Americanos e do Caribe que apoiam Cuba.

A carta dirigida a Obama também refere o desagrado pela colocação de Cuba na lista de países que patrocinam o terrorismo, já que não existe qualquer prova ou justificação para isso, a não ser que os milhares de médicos, enfermeiros e professores que se encontram em missões internacionalistas possam ser considerados um perigo para a humanidade.

Esta é mais uma tentativa de acabar com o ridículo embargo que prejudica ambos os países e que ao longo de décadas nunca deu os frutos que inicialmente a administração norte-americana pretendia, que era o de asfixiar completamente a economia cubana e assim derrotar a Revolução, voltando a fazer da Ilha um paraíso para mafiosos e exploradores de todos os recursos a que pudessem deitar mãos.

Cuba prossegue a bom ritmo o seu processo de desenvolvimento sustentado, com planos amplamente estudados e discutidos em todos os sectores de actividade, continuando a assegurar as conquistas da Revolução, a sua independência e a sua soberania, mesmo suportando o criminoso bloqueio económico, financeiro e comercial por parte dos EUA.

(Celino Cunha Vieira - Cubainformación)



sexta-feira, 9 de maio de 2014


CONVENTO DE BELÉM
Mais uma obra de Eusébio Leal

Um dos locais visitados pelo grupo que acompanhei recentemente a Cuba foi o antigo Convento de Nossa Senhora de Belém, edificação que data dos finais do século XVII ocupando uma área de 12.000 m2 e que desde 1704 teve variadíssimas utilizações, até que em 1992 um violento incêndio afectou importantes zonas da igreja e dos claustros, acabando por ser abandonado e com o tempo, aumentando a sua degradação.

Em 1994 a edificação passou para a posse do Gabinete do Historiador de Habana, a que preside Eusébio Leal, iniciando-se de imediato as obras de reconstrução de acordo com um programa elaborado por especialistas, desenvolvendo-se actualmente projectos de cariz humanitário com vista à diminuição ou até resolução dos problemas que se apresentam aos idosos, às crianças, aos jovens deficientes físicos e psíquicos, ou a qualquer cidadão da comunidade que necessite da instituição.

Nestas instalações funciona um Centro de Dia onde os mais idosos desenvolvem actividades lúdicas e de valorização pessoal, usufruindo do refeitório, centro médico e de enfermagem, área de fisioterapia e reabilitação, gabinete de oftalmologia e optometria, farmácia e zonas de mero lazer. Uma outra ala do Convento está reservada para os utentes que pela sua condição de isolamento familiar necessitam de pernoitar, para além de existir ainda uma zona exclusiva e devidamente apetrechada para os cuidados especiais que requerem os doentes de Alzheimer.

Como instituição de carácter social dependente da Direcção de Assuntos Humanitários, o Convento de Belém possui também um Infantário onde as crianças de tenra idade passam o dia enquanto os seus familiares se ocupam das tarefas profissionais a que estão ligados, estando projectado um centro para crianças com deficiências motoras e psíquicas.

E tudo isto gratuitamente, sendo os custos suportados pelo Gabinete do Historiador, que para além do permanente e grande investimento na recuperação de todo o Centro Histórico, considerado pela UNESCO Património Cultural da Humanidade desde 1982, tem também a preocupação com os aspectos sociais, numa obra de louvar e digna de ser apreciada, onde o grupo pôde livremente confraternizar com os utentes, trocando opiniões e comprovando o bom trabalho que ali se realiza diariamente.

Havana Velha, com os seus restaurantes e hotéis de charme da empresa Habaguanex, os seus espaços culturais e galerias de arte, as suas ruas e praças emblemáticas ladeadas por edifícios de estilo colonial está cada vez mais harmoniosa, constituindo um autêntico museu a céu aberto onde os visitantes se sentem bem e integrados numa cidade com mais de 500 anos de existência.

(Celino Cunha Vieira - Cubainformación) 



segunda-feira, 5 de maio de 2014



SÍMBOLO DE PORTUGAL EM CUBA

Mais uma vez estou em Cuba onde vim acompanhar um grupo de portugueses interessados em participar na grande festa que é o 1.º de Maio, os quais, representando o país, se juntaram às centenas de milhar de cubanos que desfilaram perante o Memorial José Marti na Praça da Revolução.

Assistir e participar na grande festa do Dia Internacional dos Trabalhadores que anualmente tem lugar em Cuba é um privilégio que alguns portugueses já tiveram oportunidade de concretizar, ficando a imensa saudade dessa jornada, única em todo o mundo, onde ao contrário de outras latitudes, todos se manifestam com alegria no apoio aos seus governantes, ao sistema social e à Revolução.

Curiosamente, a grande maioria dos participantes enverga por tradição roupa nas cores vermelha, azul ou branca, as cores da bandeira nacional, como símbolo do seu patriotismo e amor à terra que os viu nascer, emprestando assim um colorido de conjunto que se confunde com as imensas bandeiras, tarjas e cartazes que envergam, com destaque especial para a libertação dos heróis cubanos que ainda se encontram presos nos EUA por combaterem o terrorismo.

Como esta viagem não se poderia reduzir apenas ao desfile, foi traçado um intenso programa de carácter social onde fosse possível ficar a conhecer um pouco melhor a história e as condições reais do país, visitando para além de Havana Velha, considerada Património da Humanidade pela UNESCO e de alguns museus, uma cooperativa agrícola, um médico de família, uma policlínica e um lar de idosos, assim como também encontros num Comité de Defesa da Revolução, no Instituto Cubano de Amizade com os Povos e na Federação dos Estudantes Universitários.

Mas uma surpresa estava reservada, quando depararam com a estátua de Camões numa praça bem cêntrica junto ao legendário Hotel Ambos Mundos, onde residiu Hemingway e a poucos metros da Casa de Infusões que recorda a presença em Cuba de Eça de Quirós. Este monumento, que passará a fazer parte do roteiro turístico, foi inaugurada no passado dia 24 de Abril pelo Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Luís Campos Ferreira, que se deslocou a Cuba em visita oficial para assinar um memorando de entendimento, com vista ao estabelecimento de consultas políticas regulares entre os dois países.

A semana está a chegar ao fim e tal como sucedeu com outros visitantes anteriores, estes vão ficar com o desejo de voltar a Cuba, regressando a Portugal com alguma nostalgia, mas também mais enriquecidos no aspecto do conhecimento de uma realidade bem diferente daquela que a propaganda mafiosa quer fazer passar.

(Celino Cunha Vieira - Cubainformación)



quarta-feira, 23 de abril de 2014


DO PRIMEIRO DE JANEIRO AO VINTE CINCO DE ABRIL

Ao aproximar-se a data comemorativa do 25 de Abril de 1974 em Portugal, vem-me à memória o dia 1 de Janeiro de 1959 em Cuba, pelas semelhanças que quer uma quer outra Revolução despertaram nas esperanças das populações por um país novo, mais justo e mais solidário, embora com motivações e origens muito diferentes, já que em Cuba foi a sociedade civil a organizar-se e a travar uma luta armada que já vinha desde 1953 com o assalto ao Quartel Moncada até à formação do Exército Rebelde que se instalou na Sierra Maestra e que desde a primeira hora teve como seu líder máximo o jovem advogado Fidel Castro.

Mas enquanto em Cuba a Revolução continua e está bem viva, em Portugal já há muito que acabou, não porque estejam cumpridos todos os desideratos, mas sim porque os poderes instituídos, internos e externos, a isso conduziram o país, escudados numa pseudo-democracia representativa que está cada vez mais caduca e completamente desactualizada, resultando num cada vez maior desinteresse pelos actos eleitorais.

Por isso, falar-se em Revolução no 25 de Abril é apenas a evocação de uma efeméride, ou, com algum esforço, fazer-se um exercício de memória sobre o que podia ter acontecido, mas não aconteceu, porque para haver Revolução têm de existir revolucionários e não apenas alguns bem instalados na vida que usam o poder para dele se servirem, à sombra dos partidos que lhes dão cobertura.

Em Cuba, por muitos erros que se tenham cometido, a Revolução continua a dar os seus frutos e a evoluir de acordo com os tempos de mudança, mas tendo sempre presente a independência e a soberania do país, consolidando as conquistas alcançadas no sector social e adaptando-se às novas medidas nos aspectos económicos. Como diz Fidel, “Revolução é fazer aquilo que tem de ser feito” e por isso ela nunca está acabada e tem permanentemente de se manter em evolução.

Portugal e os portugueses têm hoje de se sujeitar a directivas estrangeiras, não se sabendo como vai ser o amanhã, independentemente de quem esteja no poder, já que há muito se perdeu a possibilidade de o povo poder determinar o seu destino, tendo de aceitar tudo aquilo que “democraticamente” lhe impõem, até ao dia em que finalmente possa haver uma verdadeira Revolução.

No próximo dia 25 de Abril vamos ouvir mais uns discursos, não muito diferentes dos anteriores e tudo vai continuar na mesma, ou pior, porque temos de pagar a “dívida” e os juros da “divida” sem que para isso tivéssemos sido consultados ou que disso tivéssemos beneficiado.

Quando alguns iluminados falam de Cuba e do seu sistema político, desconhecendo as realidades, seria bem melhor que olhassem à sua volta e vissem as diferenças que existem no seu próprio país, onde as desigualdades são cada vez maiores e o futuro uma incógnita.

(Celino Cunha Vieira - Cubainformación)



terça-feira, 22 de abril de 2014


ADRIANA E EFRÉN
Vítimas do terrorismo em Portugal

Assinalam-se hoje, dia 22 de Abril, os 38 anos decorridos sobre o cobarde atentado à bomba na Embaixada de Cuba em Lisboa, onde morreram dois funcionários diplomáticos cubanos, Adriana Corcho Calleja e Efrén Monteagudo Rodriguez, de 36 e 33 anos respectivamente, vítimas de um dos 165 criminosos actos terroristas que entre 1974 e 1976 foram executados contra representações e diplomatas cubanos em 24 países diferentes, organizados e perpetrados pelas organizações contra-revolucionárias com sede em Miami e apoiadas pelos governantes norte-americanos.

Na tarde do fatídico dia 22 de Abril de 1976, produziu-se a explosão de uma bomba de alto poder destrutivo colocada na escadaria junto à porta de um dos apartamentos que ocupava a sede diplomática no sexto piso de um edifício da Av. Fontes Pereira de Melo em Lisboa. Adriana, ao detectar a presença da carga explosiva e compreendendo o perigo, alertou os restantes companheiros, retirando-se para o interior a fim de tomar as medidas de segurança pertinentes, quando foi surpreendida pelo rebentamento. Os dois pisos que ocupava a representação cubana sofreram grande destruição, assim como os vários apartamentos próximos tiveram consideráveis danos.

Não deixa de ser curioso que no dia 30 de Janeiro desse mesmo ano George H. Bush tenha assumido funções como director da CIA e que a partir de então, na medida em que os grupos terroristas anti-cubanos fortaleciam as suas relações com o clã Bush, se tenham incrementado as agressões contra os interesses de Cuba no estrangeiro. Parece que nada acontece por acaso ou por simples coincidência.

Quando actos desta natureza são perpetrados contra interesses americanos, vem logo a Casa Branca condená-los, mas em coerência, deveria o Presidente Obama reprovar e perseguir todos aqueles que se dedicam a tais práticas, sejam elas contra o seu país ou contra qualquer outro, não permitindo que se acoitem no seu território e que sejam treinados e financiados pelas instituições governamentais norte-americanas.

As autoridades cubanas rejeitam e condenam inequivocamente todo o acto de terrorismo em qualquer parte do mundo, sob qualquer circunstância ou quaisquer que sejam as motivações que se aleguem.

Adriana e Efrén foram vítimas mas não morreram em vão e sempre serão recordados em Portugal e em Cuba como revolucionários, que ao serviço do seu país caíram em combate tal como o Herói Nacional José Marti, na defesa dos seus ideais e do seu povo.

(Celino Cunha Vieira - Cubainformación)



quinta-feira, 10 de abril de 2014


A CIA, A USAID E A REDE SOCIAL ZUNZUNEO

Quando na passada semana escrevi sobre os pseudo “dissidentes” ainda não tinha vindo a público mais uma outra façanha da USAID que tem o pomposo nome de Agência dos Estados Unidos para Ajuda ao Desenvolvimento, criada em 1961 para hipoteticamente promover programas de cooperação com outros países nas áreas da agricultura, educação, saúde e assistência humanitária, mas que na prática e em estreita colaboração com a CIA, apenas serve para provocar acções desestabilizadoras em países não alinhados com a sua política, num claro desrespeito pelas normas internacionais e violando todas as convenções e tratados.

Esta Agência, que dispondo de avultadas quantias pagas pelos impostos dos cidadãos americanos e que desde há anos vem tentando criar uma “primavera cubana” tal como aconteceu nos países do médio oriente, foi agora posta em causa numa investigação da “Associated Press” onde são revelados os seus ilegítimos processos de actuação e onde gastaram ilegalmente mais de um milhão e meio de dólares com a criação de uma rede social de nome “ZunZuneo” para mudar o regime em Cuba.

Os administradores da rede financiada pela USAID chegaram a enviar cerca de dois milhões de mensagens aparentemente inofensivas, com o objectivo de mais tarde enviar outras tantas com apelos à revolta e mobilização, principalmente dos jovens, já que estes estão mais familiarizados e receptivos à troca de SMS. Esta acção faz parte de um amplo e sujo plano subversivo que utilizando as novas tecnologias, é complementado pelo pagamento de alguns dólares a grupelhos facilmente manipuláveis para que criem a desordem e o descontentamento das populações até as levarem à violência, tal como já aconteceu noutros países.

Mas em Cuba deram-se mal e o dinheiro que gastaram de nada lhes serviu porque desvalorizaram a consciência revolucionária dos jovens e de todo o povo cubano que não se deixa iludir facilmente e sabe que a sua independência e soberania são conquistas inalienáveis.

A política externa dos EUA, principalmente em relação a Cuba está completamente obsoleta e não faz qualquer sentido a continuação de um bloqueio comercial, económico e financeiro que prejudica ambas as partes, apenas por mero capricho de uns quantos mafiosos que nunca aceitaram a Revolução, mas que têm dinheiro e influência suficiente para exercerem pressão sobre as autoridades governamentais e a opinião pública americana a quem é escondida a verdade sobre a realidade cubana, com o pretexto da ameaça comunista.

Felizmente que os ventos estão a mudar e recentemente a ONG americana “Global Exchange” atribuiu o seu prémio anual aos cinco heróis cubanos, escolhidos entre outros pela seu destacado labor na luta contra o terrorismo, pela justiça e pelos direitos humanos, lembrando que foram condenados sob falsas acusações, encontrando-se três ainda presos. Este galardão será apresentado oficialmente no próximo dia 8 de Maio numa gala que se realizará em San Francisco, na Califórnia, constituindo um importante passo para que seja finalmente feita justiça.

(Celino Cunha Vieira - Cubainformación)



sexta-feira, 4 de abril de 2014


QUE DISSIDÊNCIA EXISTE EM CUBA?

Ao longo de mais de 150 crónicas sobre Cuba que nos últimos 3 anos escrevi, sempre tentei evitar abordar o tema da dissidência interna, não porque ela não exista, mas sim porque entendo que sendo tão insignificante e de duvidosa seriedade, não lhe deveria dar importância nem publicidade.

Mas desta vez não me contive porque os factos só comprovam o que penso dessa gente sem escrúpulos que se vende por um punhado de dólares, renegando princípios, traindo a pátria e colaborando com aqueles que tanto mal têm feito aos seus concidadãos.

Os auto-proclamados dissidentes cubanos recebem dinheiro oriundo dos impostos que os cidadãos norte-americanos pagam, fazendo disso uma forma de vida, até descobrirem que uns recebem mais que outros e aí lá se vai a “dissidência” com acusações mútuas e denúncias das vigarisses que praticam. Há quem receba para além da mesada, também equipamentos electrónicos como computadores, tabletes, plasmas, telefones celulares, etc., que deveriam ser distribuídos para aliciar outras pessoas para a sua “causa” mas que acabam por ser vendidos no mercado negro e assim amealharem mais uns dinheiritos. É esta gente sem moral e a que nem ao próprio dono que os alimenta são fiéis, que os media querem fazer passar por opositores, apressando-se a reproduzir todas as suas mentiras e invenções, de modo a desacreditar o legítimo governo cubano.

Existe até uma cubana que tem um blogue e que se licenciou gratuitamente em filologia hispânica à custa do seu país, que supostamente é perseguida pelas autoridades, mas que circula livremente por onde quer, até com visitas ao estrangeiro para participar em palestras organizadas para denegrir Cuba, recebendo avultadas quantias pelo seu abnegado “trabalho”.

Para já não falar de umas certas “damas” que se vestem de branco e que se não fosse a protecção policial já há muito tinham desaparecido, porque os cubanos que diariamente trabalham e lutam para garantir o seu sustento e dos seus familiares, não suportam esta gente oportunista e que é paga para exercer provocações.

Se há povo que é crítico, esse é sem dúvida o cubano, que não se resigna e que não perde a oportunidade de se manifestar quando entende que o deve fazer, mas fá-lo de maneira ordeira e nos locais próprios, sabendo que a democracia participativa assenta no povo e que é neste que está o verdadeiro poder.

Há gente insatisfeita? Claro que sim e outra coisa não se poderia esperar, mas todos sabem o que a Revolução proporcionou, mesmo com alguns erros de percurso, mas também com enormes conquistas de carácter social que muito poucos países do mundo se podem orgulhar, tendo em vista os relatórios das mais prestigiadas e insuspeitas organizações internacionais que reconhecem o esforço que tem sido feito por uma nação que há mais de 50 anos sofre com um criminoso bloqueio comercial, económico e financeiro perpetrado pela maior potência bélica.

(Celino Cunha Vieira - Cubainformación)




quinta-feira, 20 de março de 2014


ESPOSA DE RAMÓN EM PORTUGAL

Aproveitando a passagem por Lisboa de Elizabeth Palmeiro, esposa de Ramón Labañino, um dos cinco heróis cubanos injustamente condenado e preso nos EUA desde Setembro de 1998 por ter cometido o “crime” de combater o terrorismo, tive a honra de a conhecer e de trocar algumas impressões sobre o processo judicial que não passou de uma fraude montada com fins políticos e que apenas serviu para sacrificar inocentes como forma de vingança contra um país livre e soberano.

Os ataques e acções terroristas contra Cuba desde 1959, ano do triunfo da Revolução, causaram a morte a mais de 3.000 cubanos e lesões graves a um número similar, assim como perdas materiais calculadas em cem mil milhões de dólares; e se não fosse a acção patriótica destes e de outros cubanos que se têm sacrificado para defenderem o seu país, as cifras seriam certamente muito maiores.

Sem ter os meios mais elementares para colocar as suas ideias por escrito, Ramón foi capaz de fazer uma formidável alegação durante o julgamento, passando de acusado a acusador, ao afirmar: “Nós, que temos dedicado as nossas vidas a lutar contra o terrorismo, a evitar que actos atrozes como estes ocorram; que temos tratado de salvar a vida de seres humanos inocentes não só em Cuba, como também nos Estados Unidos, estamos hoje nesta sala para sermos condenados precisamente por evitar estes actos. Esta condenação não pode ser mais irónica e injusta!”

E continuou: “Porque queremos que nada disto ocorra em Cuba ou em qualquer parte do mundo, tudo o que fizemos foi tentar salvar a vida de seres humanos inocentes, evitando o terrorismo e evitando uma estúpida guerra. Com a nossa detenção tudo o que se pretendeu foi silenciar a fonte de informação e de denúncia destes actos, ocultando a verdade, enquanto os verdadeiros criminosos continuam alegremente a percorrer as ruas lá fora, rindo-se desta sala. Não pode haver maior ofensa e mancha para estas autoridades, para esta bandeira que preside a este local e este escudo que representa o ideal da verdadeira justiça. Se por evitar a morte de seres humanos inocentes, se por defender os nossos dois países do terrorismo e evitar uma invasão inútil a Cuba é que me condenam, pois então bem-vinda seja essa condenação!”

De salientar que Ramón e os restantes companheiros foram aliciados a deporem contra Cuba com a promessa de benesses para si e suas famílias e ao recusarem a mentira, vieram a sofrer as consequências por parte de umas autoridades que envergonham a justiça norte-americana.

A esposa de Ramón e os restantes familiares de António e de Gerardo continuarão a sua abnegada luta pela libertação incondicional dos 3 heróis ainda presos, podendo contar com o apoio das mais prestigiadas entidades e organizações internacionais, para além do governo e de todo o povo cubano e dos milhões de amigos espalhados pelo mundo, que esperam a reposição da justiça por parte do Presidente Obama.

(Celino Cunha Vieira - Cubainformación)





segunda-feira, 17 de março de 2014


MELHORES COMUNICAÇÕES

Ao contrário do que muitos têm vaticinado, principalmente aqueles que sempre estão contra qualquer medida que seja tomada pelo governo cubano, as linhas de orientação para o desenvolvimento da economia têm vindo a ser cumpridas passo a passo, não obstante as dificuldades que sempre existem quando se pretendem implementar reformas estruturais, modificando conceitos já ultrapassados por um mundo inevitavelmente globalizado. Revolução é fazer aquilo que tem de ser feito e nisto Cuba está no bom caminho para proporcionar a todos as oportunidades a que têm direito, sem nunca descurar as principais conquistas da Revolução nem esquecer os ensinamentos de José Marti.

Embora possamos considerar que o uso das comunicações móveis não seja um bem de primeira necessidade ou até em determinados casos que seja um bem supérfluo quando existem outras carências, o que é certo é que em Cuba os telemóveis de uso pessoal têm tido um forte incremento, com tendência para que este serviço se generalize à maioria da população.

Graças às novas tecnologias entretanto implantadas no país, foi possível diminuir substancialmente os tarifários que se praticavam, podendo prever-se que dentro de pouco tempo se possa atingir um número de utilizadores idêntico ao de outros países ditos desenvolvidos.

Ao nível das comunicações Cuba continuará a fazer um esforço para se modernizar, crescendo também dia a dia a utilização dos meios informáticos e de acesso à Internet, na medida em que um povo culto e informado nunca se deixará manipular por quem quer que seja.

É fácil criticar quando não se conhece a realidade ou quando por razões mentais se tenta denegrir um sistema que dura há mais de 50 anos com todas as dificuldades que lhe são impostas do exterior, dizendo-se que os cubanos não podem sair do seu país nem contactar com o mundo que o rodeia, quando isso não passa de mais uma falsidade que de tanto apregoada, até parece verdadeira para os mais distraídos.

Porque aquilo que não se diz – ou é omitido – é da dificuldade que os cubanos têm na obtenção de vistos junto das Embaixadas dos países para onde pretendem viajar, sem os quais não podem sair, em especial para os EUA cujo governo se comprometeu a conceder 20.000 vistos anuais e que dificilmente tem chegado aos 5.000, porque não está interessado em acolher gente séria e honesta, mas apenas aqueles que possam engrossar os grupelhos de Miami que actuam contra Cuba.

Em Portugal vivem e trabalham legalmente cerca de 1.200 cubanos perfeitamente integrados na nossa sociedade e que contribuem para o seu país da maneira que podem, ajudando com o seu esforço – mesmo que à distância – a que a Revolução progrida e cumpra os seus objectivos, sendo merecedores do nosso respeito e consideração por lutarem por um mundo melhor longe da Pátria e dos seus familiares.

(Celino Cunha Vieira - Cubainformación)




quinta-feira, 6 de março de 2014


MÉDICOS CUBANOS EM PORTUGAL

Por absoluta necessidade de cobrir com serviços médicos determinadas zonas do país, que após concursos abertos para ocupar essas vagas não apareceram candidatos, o Ministério da Saúde de Portugal assinou um convénio com o seu homólogo cubano, vindo assim a partir de 2009 a integrar no SNS um grupo de médicos cubanos, todos reconhecidos pela respectiva Ordem, que prestam os seus serviços por períodos de 2 anos, renováveis, existindo no momento 39 especialistas em medicina familiar, distribuídos por 17 Municípios das regiões de Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e Algarve.

No início pensou-se que o problema da língua poderia constituir uma dificuldade de entendimento, mas rapidamente se constatou que isso não seria nenhum obstáculo, já que a adaptação se faz rapidamente e se estabelece uma excelente relação com doentes, colegas e restante pessoal técnico e administrativo.

Num périplo efectuado pela Embaixadora Johana Tablada de La Torre por todos os Municípios onde estão colocados estes médicos, esta foi testemunha do carinho e da consideração de que gozam estes profissionais por parte das populações que atendem, bem como do reconhecimento dos autarcas que consideram imprescindíveis os serviços que são prestados nos lugares mais recônditos dos seus Concelhos, onde isolados, são autênticos “João Semana” que fazem já parte da família e onde estão perfeitamente integrados na comunidade.

Os médicos cubanos prestam os seus serviços com uma carga horária de 52 horas semanais em 16 Centros de Saúde e em 24 Extensões, onde na maioria destas são os únicos clínicos que para além da assistência quase permanente, também efectuam consultas domiciliárias, fazendo o acompanhamento dos doentes tal como sucede em Cuba, prestando assim um cuidado que é reconhecido pelas populações, gratas pelo seu empenhamento e solidariedade.

De acordo com a Dra. Maria del Carmen Casanova, representante dos Serviços Médicos Cubanos, desde 2009 foram já consultados mais de um milhão e duzentos mil doentes e efectuadas cerca de dez mil pequenas cirurgias, para além do trabalho educativo quer individualmente, quer em sectores específicos das zonas em que estão inseridos, como escolas, centros de dia, etc.

Como se sabe o ensino da Medicina em Cuba é reconhecido internacionalmente, já que no início da Revolução existiam apenas 3.000 médicos em todo o país, com maior concentração nos centros urbanos e desde aí para cá já se graduaram mais de 100 mil, estando hoje a cumprir missões em 30 países de todo o mundo cerca de 20 mil, contribuindo com o seu valioso trabalho para ajudar a sustentar o sistema de saúde pública de Cuba.

Sabe-se que os governos de Portugal e de Cuba mantêm contactos para estender e talvez ampliar o acordo que existe, pois os resultados têm sido muito positivos e é esse o desejo das populações e das autoridades locais que estão extremamente agradecidas a estes embaixadores de bata branca.

(Celino Cunha Vieira - Cubainformación)