sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014


SENTIR CUBA

Como muitas vezes tenho dito, Cuba não é um destino turístico somente de sol, praia, salsa, rum e tabaco; é também um destino de eventos, desporto, cultura, saúde, educação, ecologia e fundamentalmente de contactos com um povo simpático, hospitaleiro e amigo.

Existem muito poucos países no mundo que possuam uma oferta tão diversificada, não obstante, pouco aproveitada pela grande maioria dos portugueses que se limitam ao “tudo incluído” em Varadero ou num “Cayo”, com uma breve passagem por Havana.

Mas existem muitas outras alternativas aos “pacotes” tradicionais, havendo um novo despertar para o destino Cuba, com ofertas diferentes e atractivas que podem ir ao encontro dos desejos mais exigentes, usufruindo de momentos únicos e inolvidáveis.

Cuba é luz, cor, sabor, alegria e calor; é areias pintadas de mar, um paraíso de águas transparentes e tranquilas; é terra de contrastes, um espectáculo natural; é um mar de cidades marcadas pelo tempo, com inesgotáveis valores histórico-patrimoniais; é som de tambores, sussurro de violinos; é gente alegre e desenfadada, mistura de raças e culturas; é branca, negra, urbana, campestre, marinheira; é o seu povo entusiasta, alegre e sensível que desfruta do exclusivo dom de saber partilhar a sua alegria e fascinar a quantos o conhecem.

Sendo Cuba um país pródigo em manifestações artísticas, tem contribuído para a cultura internacional com importantes nomes de escritores, pensadores, bailarinos, músicos, artistas plásticos, poetas e cantores. Possuindo diversificadas infra-estruturas culturais, nomeadamente teatros, museus, galerias de arte e cinemas, em que se apresentam não só mostras do acervo nacional de todos os tempos, como também da arte mundial, Cuba apresenta-se como um país em que o visitante tem a rara oportunidade de percorrer a história, quase fazendo parte dela.

Também numa perspectiva ecológica Cuba tem sabido preservar os seus recursos, mantendo intactos diversos parques nacionais e zonas rurais, onde os visitantes podem fazer caminhadas por áreas protegidas e reservadas de altos valores naturais e paisagísticos, observar as mais de 350 espécies de aves da abundante e variada flora e fauna no seu estado natural, assim como passeios a cavalo ou em bicicleta, com alojamento em unidades rurais, entrando em contacto directo com as comunidades locais e apreciar de perto os seus costumes, tradições e labor diário.

Cuba, é sem dúvida, um excelente destino para umas férias em qualquer altura do ano e onde não existem limites para a imaginação, sempre com a máxima segurança, não por ser um país extremamente policiado, mas porque as suas gentes são pacatas e tranquilas, respeitadoras do seu semelhante e que sabem receber como ninguém.

Por tudo isto, não deixe de ir a Cuba, para poder conhecer uma outra realidade muito diferente daquela que muitos meios de comunicação querem fazer crer.


(Celino Cunha Vieira - Cubainformación)

)

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014


CONGRESSOS, FEIRAS E FESTIVAIS

Os inúmeros eventos que se realizam em Cuba têm vindo a aumentar o seu prestígio e o número de participantes internacionais oriundos de todo o mundo, levando a que em determinadas ocasiões, como sucede neste momento, não haja disponibilidade em qualquer hotel da cidade de Havana.

Esta semana por exemplo, decorre o IX Congresso Internacional de Educação Superior – Universidade 2014, sob o tema “Por uma Universidade Socialmente Responsável” que conta com a presença de destacadas personalidades e representantes de organismos internacionais, autoridades académicas e governamentais ligadas ao sector de mais de 60 países, que têm assim a possibilidade de abordar o tema proposto e ver como Cuba tem sabido ultrapassar as dificuldades nesta e noutras áreas, servindo de exemplo a outros que em teoria dizem preocupar-se com a educação, mas que na prática pouca ou nenhuma importância lhe atribuem.

Sendo Cuba um pequeno país, não deixa contudo de poder mostrar ao mundo como se pode ter uma educação superior gratuita e sem qualquer discriminação, na qual o limite para o seu acesso reside apenas no talento individual que qualquer candidato possua, ao contrário do que se passa em muitos outros países em que as dificuldades económicas impedem o acesso a uma formação qualificada.

Mas também teve início a 23ª edição da Feira Internacional do Livro que se estenderá em Havana por 10 dias e que depois percorrerá outras cidades até Março, onde para além dos aspectos meramente comerciais, existe todo um conceito de cultura integrado em várias iniciativas paralelas, de modo a atingir todas as faixas etárias da população, motivando-as para a leitura e o conhecimento.

Antes do triunfo da Revolução não existia em Cuba um sistema editorial e mesmo os maiores escritores tinham de publicar os seus livros fora do país. Só a 31 de Março de 1959 (Dia do Livro Cubano) foi criada a Imprensa Nacional de Cuba e mais tarde, em 1962 a Editorial Nacional, presidida por Alejo Carpentier, já com uma visão mais ampla e uma estratégia de recuperar o mais importante da cultura cubana e universal, pondo-a ao serviço dos leitores, após a revolucionária campanha de alfabetização iniciada no ano anterior.

Lá mais para o final deste mês terá lugar o XV Festival do Habano, onde os apreciadores dos melhores charutos do mundo podem desfrutar de novas vitolas que serão lançadas no Festival pela Empresa Habanos SA e descobrir as raízes e os segredos da secular tradição nas visitas a fábricas e a plantações de tabaco de Vuelta Abajo em Pinar del Rio, para além de usufruírem de um programa social que terá o seu auge na Gala de encerramento com um concerto exclusivo.

Por todas estas razões a cidade vibra com tanto movimento e orgulha-se de saber receber bem quem a visita e que fica sempre com vontade de lá voltar.

(Celino Cunha Vieira - Cubainformación)



sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

REGIÃO LIVRE E DE PAZ

Com a recente inauguração da 1ª fase da Zona Especial de Mariel e a realização da Cimeira dos Países da América Latina e do Caribe, tem vindo a intensificar-se o afluxo de empresários de todo o mundo a Cuba para verificarem “in loco” as reais condições para aí desenvolverem os seus negócios, despertando para as potencialidades existentes e as facilidades concedidas pelo governo cubano a quem quer honestamente investir no país, independentemente do bloqueio económico, comercial e financeiro imposto pelos sucessivos governos dos Estados Unidos da América desde há mais de 50 anos e que já causou um prejuízo directo muito superior a 1 bilião de dólares.

Neste momento e com o desenvolvimento nos mais variados sectores da economia cubana, este injusto bloqueio não só prejudica o povo cubano como também as empresas americanas que desejam expandir-se para um mercado que até aqui lhes tem sido impedido explorar devido às erradas políticas dos seus governantes, que utilizam estes ignóbeis métodos numa clara ingerência condenada pelas mais variadas personalidades e organizações internacionais.

Um Continente que abarca 35 países e em que 33 fazem parte de uma comunidade que acaba de proclamar por unanimidade a zona livre de armas nucleares, consagrando o princípio de que os conflitos serão resolvidos através do diálogo e da negociação, rejeitando qualquer tipo do uso da força ou ameaça do seu uso, reivindicando a não intervenção nos assuntos internos de outros Estados, o direito à soberania e à autodeterminação, o reconhecimento de que cada povo decida qual o regime económico, político, social e cultural que muito bem entenda, com o fundamento da preservação da paz e da cooperação entre os países membros.

É evidente que a Comunidade rejeita a presença das bases militares dos EUA e da Grã-bretanha nos seus territórios, em especial em Guantánamo e nas Malvinas, exortando estes países a que procedam à eliminação de armas nucleares que armazenam ou circulam nos seus submarinos na América Latina e no Caribe, assim como à retirada da IV Frota Americana da região que ameaça a paz e a liberdade de cada país.

Poder-se-á concluir que se o governo norte-americano não admitir os seus erros e não reconhecer estas evidências, ficará cada vez mais isolado e dificilmente poderá recuperar o prestígio e a influência de outros tempos, mesmo que continue a utilizar os meios subversivos que sempre utilizou para se imiscuir nos destinos de outros países, porque na América Latina e no Caribe já são sobejamente conhecidos os seus hediondos métodos.

A Revolução Cubana serviu de exemplo para a libertação de outros povos e hoje, passados 55 anos do seu triunfo, continua bem viva e actual, sendo reconhecidas e comprovadas internacionalmente as conquistas alcançadas com muitos sacrifícios, mas com uma grande dedicação e dignidade.

(Celino Cunha Vieira - Cubainformación)



quinta-feira, 30 de janeiro de 2014


MARTI E A PÁTRIA GRANDE

Na semana em que se assinalaram os 161 anos do nascimento de José Marti, realizou-se em Havana a II Cimeira da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos, organização que agrega 33 Nações que representam mais de 600 milhões de cidadãos.

Desde muito cedo Marti estabeleceu como prioridade para a sua vida lutar pela independência de todas as colónias, incluindo a cubana, pois não entendia o absurdo de às portas do século XX ainda existirem países na América Latina governados por europeus.

Nas suas andanças por vários países e inspirado em Bolívar, Marti consolidou o seu pensamento sobre a libertação das Américas e no meio de outras vozes anticoloniais do século XIX, surge a de José Martí contra todas as formas de dominação colonial, em especial àquelas que levam à dependência, sobretudo em relação ao que se organizava já na América do Norte e que constituía uma ameaça real para os países do centro e do sul.

Ao perceber essa realidade, Martí propõe a união dos povos latinos como o caminho necessário à integração continental num processo que desencadeasse o despertar contra a opressão social e cultural, mas conservando a autonomia e as particularidades de cada país para fazer frente ao neocolonialismo.

A presença na capital cubana do Secretário-Geral das Nações Unidas e das 33 delegações representadas ao mais alto nível pelos presidentes de Governo ou de Estado, é a melhor homenagem que hoje se poderia prestar a José Marti, quando as suas propostas têm plena concretização, assistindo-se à união dos povos da América Latina com a consolidação da CELAC.

Há pouco mais de uma década seria muito difícil acreditar que algum dia pudéssemos assistir àquilo por que Simon Bolívar e José Marti se bateram, cada um na sua época mas com o mesmo pensamento, tal como Fidel Castro e Hugo Chávez, que juntos deram o grande impulso para a criação da Comunidade, onde se vive um clima de respeito, de amizade, de solidariedade, de confiança e de cooperação.

A Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos sai fortalecida desta Cimeira, a mais participada de sempre, o que demonstra bem o empenhamento dos governos em dar corpo à “Pátria Grande” preconizada por Bolívar e Marti, mostrando ao mundo que é possível ultrapassar quaisquer divergências quando se está unido e de boa fé.

A Cimeira proclamou a Améria Latina e o Caribe como Zona de Paz; que não venham outros, disfarçados de salvadores, fazer a guerra.


(Celino Cunha Vieira - Cubainformación)



quinta-feira, 16 de janeiro de 2014


ZONA ESPECIAL DE MARIEL

Para dar continuidade às transformações que têm vindo a ser introduzidas no sector económico, Cuba prepara-se para a abertura das primeiras instalações da Zona Especial de Desenvolvimento Económico situadas no modernizado porto de Mariel, uma baía localizada a cerca de 50 km a oeste de Havana.

Este projecto, que tem uma extensão de 445 km quadrados, envolve um investimento superior a 900 milhões de dólares e está a ser construído através de uma parceria entre Cuba e o Brasil, fruto do bom relacionamento e confiança existente entre os dois países e do interesse de muitas empresas brasileiras instalarem aí as suas bases produtivas, destacando-se, entre outras, as de têxteis, calçado, farmacêuticas, vidro e carroçarias para autocarros, não só para o mercado cubano como também para a exportação, aproveitando os benefícios fiscais e aduaneiros que foram aprovados para esta zona especial com o objectivo de fomentar o desenvolvimento sustentável e a atracção de investimentos estrangeiros.

Prevê-se que pelas modernas instalações portuárias com capacidade para receber barcos de grande calado transitem mais de 3 milhões de contentores por ano, podendo futuramente situar-se estrategicamente como o principal centro regional de logística de mercadorias após o alargamento do Canal do Panamá, cujas obras devem estar concluídas no próximo ano.

Todo o complexo de Mariel terá condições avançadas de infra-estruturas baseadas em tecnologias limpas e respeitadoras do ambiente, necessárias para apoio às actividades relacionadas com o sector imobiliário, turismo, recreação, inovação tecnológica, agropecuária, comércio e serviços.

A partir do momento em que o Porto de Mariel estiver totalmente operacional iniciar-se-á o desmantelamento e a renovação da magnífica enseada de Havana para a transformar numa marina para iates e porto de cruzeiros, valorizando o centro histórico, considerado pela UNESCO Património Mundial.

Não só para divulgar este novo projecto como também para prestar esclarecimentos sobre a economia cubana, a Embaixadora de Cuba em Portugal tem visitado e mantido contactos com algumas Associações Empresariais que se têm mostrado interessadas em promover missões comerciais a Cuba, tendo em vista a possibilidade de incrementar as transacções entre os dois países nos mais variados sectores, atendendo à especificidade e qualidade de alguns produtos portugueses que podem ser muito competitivos nos mercados do continente americano.

A Zona Especial de Desenvolvimento Económico de Mariel será, a partir deste ano, não só uma obra do presente, mas fundamentalmente uma obra para o futuro de Cuba e de todos aqueles que a ela se associarem.

(Celino Cunha Vieira - Cubainformación)



quinta-feira, 9 de janeiro de 2014


EUSÉBIO E O FUTEBOL CUBANO

Quando Portugal acaba de perder uma das suas maiores figuras de todos os tempos, era inevitável que escrevesse algumas linhas sobre Eusébio da Silva Ferreira, em especial na ligação que ele tinha com Cuba, onde era habitual ir de férias com a sua Esposa, conforme confidenciou à Embaixadora Joahna Tablada de la Torre no decorrer do último “Habanos Day” realizado em Outubro passado em Cascais.

Segundo a Embaixadora, Eusébio impressionou-a pela sua modéstia e simpatia, atributos que só os “grandes” possuem, tendo trocado algumas palavras com ela sobre o desporto cubano em geral e em particular sobre o futebol, demonstrando o seu conhecimento sobre a evolução dos atletas (masculinos e femininos) que praticam esta modalidade na maior Ilha do Caribe, tendo ele afirmado na ocasião que o futebol cubano vai no bom caminho para que no futuro possa vir a alcançar o seu espaço no plano internacional.

Sendo o beisebol considerado a principal modalidade desportiva do país, remonta ao ano de 1924 a fundação da Federação Cubana de Futebol que viria a filiar-se na FIFA cinco anos mais tarde e participado no campeonato do mundo que se realizou em França no ano de 1938, chegando aos quartos de final depois de eliminar a Roménia. Desde aí para cá nunca mais se conseguiu classificar, mas com a criação da Escola Nacional de Futebol que funciona como centro de estudos e treino dos jovens futebolistas do país, os quais só podem jogar se tiverem bom aproveitamento no sistema de ensino, é de esperar que os resultados venham brevemente a aparecer, fruto de uma boa formação de base e em sintonia com os princípios desportivos aplicados a outras modalidades.

De visita a Cuba no ano passado, o presidente da FIFA Joseph Blatter teve encontros com as mais altas autoridades do país, enaltecendo o trabalho que tem sido desenvolvido nesta área e lembrando que no âmbito regional a Selecção Cubana conquistou em 2012 a Copa do Caribe, depois de ter sido por três vezes vice-campeã.

Em várias ocasiões pude testemunhar o gosto que os cubanos têm pelo futebol e graças às transmissões televisivas dos principais torneios internacionais, vão acompanhando a modalidade e criando os seus ídolos. Antes foram Eusébio e Pelé, depois muitos outros como Maradona ou Figo e nos tempos que correm, Messi ou Cristiano Ronaldo.

Para prestar homenagem àquele que foi um dos expoentes máximos do futebol mundial, desportista exemplar e homem de extrema solidariedade para com o seu semelhante, a Embaixadora Johana Tablada, em representação da República de Cuba esteve no Estádio da Luz assinando o livro de condolências e dirigindo algumas palavras de conforto à família de Eusébio.

(Celino Cunha Vieira - Cubainformación)



segunda-feira, 30 de dezembro de 2013


FELIZ 2014

Desde a visita do Papa João Paulo II a Cuba em 1998 que as tradições dos festejos natalícios tiveram um maior incremento, já que, não estando em causa a religiosidade dos cubanos, este evento veio proporcionar um novo despertar para a fé católica enchendo as igrejas para a Missa do Galo, a que se segue a desejada ceia compartida com familiares e amigos.

Assim, desde o Natal até aos Reis vive-se em Cuba um clima de permanente festa onde não pode faltar a rica gastronomia bem regada com cerveja e rum, para além da doçaria típica da época, que faz as delícias de miúdos e graúdos.

Não havendo o hábito do consumismo desenfreado, a troca de presentes simbólicos faz-se apenas em Janeiro, tal como em Espanha e por influência da sua colonização, dando-se muito mais importância à confraternização e às provas de verdadeira amizade entre as pessoas que se estimam e com quem se convive durante o ano inteiro.

Mas a grande festa popular é feita na noite de 31 de Dezembro para o dia 1 de Janeiro, não só para dar as boas-vindas ao novo ano, como também para comemorar a data que simboliza o triunfo da Revolução que veio devolver aos cubanos a sua soberania e independência.

Após a vitória de Exército de Libertação sobre o último reduto da resistência estatal, a população saiu às ruas no 1.º de Janeiro de 1959, contribuindo dessa maneira para definitivamente pôr fim a um regime marcado pela opressão, pela miséria, pela exclusão social e pela exploração de um povo sem direitos nem futuro.

Desde aí para cá e durante 55 anos a Revolução não parou e mesmo com alguns erros de trajectória e sendo alvo dos mais ferozes e desumanos ataques que alguma vez um país sofreu, continua a aperfeiçoar-se e a contribuir para um mundo melhor e mais pacífico.

Citando Fidel, “Revolução é o sentido do momento histórico; é mudar tudo o que deve ser mudado; é igualdade e liberdade plena; é ser tratado e tratar os outros como seres humanos; é emancipar-nos a nós mesmos com os nossos próprios esforços; é desafiar as forças poderosas dominantes dentro e fora do âmbito social e nacional; é defender os valores em que se acredita ao preço de qualquer sacrifício; é abnegação, modéstia, altruísmo, solidariedade e heroísmo; é lutar com audácia, inteligência e realismo; é nunca mentir ou violar os princípios éticos; é uma profunda convicção de que não há força no mundo capaz de esmagar a força da verdade e das ideias”.

Esperemos que 2014 traga a libertação definitiva e incondicional dos 4 Heróis Cubanos presos injustamente nos EE.UU. por combaterem o terrorismo, que termine o obsoleto bloqueio económico, comercial e financeiro que não tendo razão de existir prejudica fundamentalmente pessoas inocentes, e que a Revolução continue a fazer o que tem de ser feito para o desenvolvimento do país e bem-estar de todo um povo digno, heróico e solidário.

(Celino Cunha Vieira - Cubainformación)



sexta-feira, 13 de dezembro de 2013


O APERTO DE MÃO

Até onde é possível conhecer-se, o aperto de mão teve origem nos primórdios da humanidade em que os homens andavam sempre armados para se defenderem dos animais selvagens e dos inimigos de tribos rivais. O aperto de mão teria surgido assim como um gesto de boa vontade para que os antagonistas demonstrassem que estavam desarmados e que ambos desejavam um relacionamento pacífico.

Vem isto a propósito do gesto de Obama para com Raul Castro na África do Sul, tendo essas imagens corrido o mundo e dado origem às mais variadas interpretações. Se é certo que em termos protocolares a isso estava Obama obrigado, também não deixa de ser verdade que os serviços norte-americanos saberiam certamente como contornar esse obstáculo para evitar o cumprimento, se esse fosse o seu desejo.

Querendo acreditar que Obama foi sincero e que a sua vontade é a de mudar a política americana em relação a Cuba, poderia começar por libertar de imediato os quatro heróis anti-terroristas cubanos que ele sabe estarem inocentes dos crimes de que foram acusados e condenados a pesadas penas de prisão, ao mesmo tempo que deveria deixar de treinar e financiar as organizações terroristas instaladas no seu país e que se opõem ao governo cubano praticando actos de sabotagem e os mais horrendos crimes que já levaram à morte e à incapacidade de milhares de cidadãos cubanos e de outras nacionalidades.

Depois, porque o bloqueio económico, financeiro e comercial que já dura há mais de 50 anos nunca atingiu os objectivos para que foi criado, que era o retrocesso da Revolução, deveria simplesmente aboli-lo e iniciar um diálogo construtivo com as autoridades cubanas que sempre estiveram dispostas a discutir qualquer tema, sem restrições e em pé de igualdade entre duas nações soberanas e independentes.

Mas Obama poderia também cumprir aquilo que prometeu sobre a base de Guantánamo, acabando com o campo de concentração que aí foi instalado e devolvendo aquele território, ocupado há mais de 100 anos, aos seus legítimos proprietários, não se escudando numa Emenda oportunista que tinha por base garantir a independência de Cuba face a Espanha e que hoje já não tem qualquer razão para existir.

Ao contrário daquilo que a comunicação social divulgou, o povo cubano não é nem nunca foi inimigo do povo americano. Existem divergências sim entre os governos porque têm políticas diferentes quer no plano interno, quer no plano externo, onde Cuba tem estado sempre na primeira linha de ajuda humanitária e de solidariedade para com os mais necessitados, sendo sobejamente conhecidas as suas missões internacionalistas de paz e não de guerra.

O que opõe o governo norte-americano ao governo de Cuba é uma questão que muitos se interrogam e que sistematicamente fica sem resposta, já que um pequeno país como é Cuba não representa qualquer perigo para a segurança interna da grande potência, a não ser que o receio se deva antes ao reconhecimento do elevado sentido ético, social e moral que Cuba possui.

Quem tem de mudar as suas políticas face a Cuba é o governo dos EUA, aceitando a soberania de um povo que por muitos sacrifícios que tenha de passar não se verga e quer continuar a ser digno dos seus antepassados e da sua Revolução.

(Celino Cunha Vieira – Cubainformación)



quinta-feira, 5 de dezembro de 2013


CADA DIA 5 PELOS CINCO

Quem não tolera injustiças e está minimamente informado sobre o caso dos Cinco Heróis Cubanos que há mais de 15 anos foram presos nos EUA pelo “hediondo crime” de lutarem contra o terrorismo, todos os dias se lembra deles e das privações a que estão sujeitos. Mas a cada dia 5 e até à sua libertação incondicional, por todo o mundo se faz uma referência especial neste dia através dos mais variados meios de comunicação, apelando ao presidente Obama (Prémio Nobel da Paz) para que de uma vez por todas ponha fim a esta escandalosa injustiça.

A opinião pública norte-americana a quem durante anos se escondeu a verdade, começa a dar sinais de incómodo pela situação e já há várias organizações de carácter social que se juntaram à crescente onda de solidariedade para com os Cinco, realizando acções de divulgação sobre o julgamento de um processo eivado de irregularidades e mentiras que os levou à condenação.

Mas a hipocrisia das autoridades norte-americanas continua a dar mostras de ter dois pesos e duas medidas, quando agora 66 senadores democratas, republicanos e independentes, acabam de enviar ao presidente Obama uma carta a pedir que confira prioridade humanitária para a libertação de Alan Gross, que cumpre em Cuba uma sanção de liberdade, este sim, por praticar actos de terrorismo.

A propósito, a directora-geral da Secção dos Estados Unidos do Ministério de Relações Exteriores de Cuba, Josefina Vidal Ferreiro, emitiu a seguinte declaração:

 “O governo cubano reitera a sua disposição para estabelecer de imediato um diálogo com o governo dos Estados Unidos para encontrar uma solução para o caso do Sr.Gross sobre bases recíprocas, que contemple as preocupações humanitárias de Cuba vinculadas ao caso dos quatro cubanos lutadores antiterroristas que estão presos nos EE.UU.
Gerardo Hernández, Ramón Labañino, António Guerrero e Fernando González, que formam parte do grupo dos Cinco, cumprem prolongada e injusta prisão por delitos que não cometeram e que nunca foram provados. A sua prisão tem um alto custo humano para eles e seus familiares. Não viram crescer os seus filhos, perderam mães, pais e irmãos, enfrentam problemas de saúde e têm estado separados das suas famílias e da sua Pátria por mais de 15 anos”.

Referiu ainda a directora Josefina Vidal:

“O Sr.Alan Gross foi detido, processado e condenado por violar as leis cubanas, ao implementar um programa financiado pelo governo dos EE.UU., com o objectivo de desestabilizar a ordem constitucional cubana, mediante o estabelecimento de sistemas de comunicações ilegais e encobertos, com tecnologia não comercial. Essas acções constituem delitos graves que são severamente punidos na maioria dos países, incluindo os EE.UU.
Cuba compreende as preocupações humanitárias no caso do Sr.Gross, mas considera que o governo dos EE.UU. têm responsabilidades directas pela sua situação e a da sua família, e como tal, deve trabalhar com o governo cubano na procura de uma solução.”

Desde sempre, Cuba tem estado disponível para num plano de igualdade dialogar com os EUA sobre todos os assuntos, mas com total respeito pela sua soberania e independência, não admitindo ameaças ou ingerências de qualquer espécie.


(Celino Cunha Vieira – Cubainformación)

sexta-feira, 29 de novembro de 2013