sexta-feira, 26 de outubro de 2012
sexta-feira, 19 de outubro de 2012
sexta-feira, 12 de outubro de 2012
quinta-feira, 4 de outubro de 2012
sexta-feira, 28 de setembro de 2012
quinta-feira, 13 de setembro de 2012
segunda-feira, 10 de setembro de 2012
sexta-feira, 15 de junho de 2012
segunda-feira, 23 de abril de 2012
CIMEIRA DE CARTAGENA

Ainda não há muitos anos Cuba estava praticamente isolada dos restantes países da América latina, não por ser essa a sua vontade, mas porque os governos desses países estavam completamente subjugados e reféns das políticas dos EUA que os obrigava a manterem esse distanciamento, sob pena de virem a sofrer as mesmas consequências de um cruel e assassino bloqueio económico e financeiro, tal como o fazem em relação a Cuba, já lá vão mais de 50 anos.
Felizmente para esses países e para os seus povos, a pouco e pouco têm vindo a libertar-se da pata opressora e hoje, conquistada alguma liberdade, já podem desafiar o vizinho imperialista sem receio de invasões militares ou de outras sanções, já que consolidaram a sua independência e se uniram em torno de interesses comuns, quer ao nível económico e comercial, quer ao de aspectos políticos e sociais.

Na última cimeira realizada há dias em Cartagena, na Colômbia, pela primeira vez a América latina se opôs a uma só voz contra a exclusão de Cuba na OEA (Organização de Estados Americanos) de onde foi afastada em 1962, lembrando que hoje quem está isolado são os dois países do norte face a uma América latina cada vez mais influente no mundo, a partir do momento em que travou a exploração de que vinha a ser alvo desde a época colonial e passou a controlar parte dos seus recursos naturais em prol da melhoria das condições de vida dos seus povos.
Desde Joaquim José da Silva Xavier (o Tiradentes) a Simón Bolívar e a José Marti, muitos foram os que lutaram e morreram pela independência dos seus países, lançando as bases ideológicas e democráticas para a união de uma América de expressão latina que pudesse defender os seus valores e as suas múltiplas culturas.
Na cimeira de Cartagena pouco ou nada se falou sobre os principais problemas da humanidade, referindo Fidel, numa das suas últimas reflexões, que “é urgente encarar as questões relacionadas com as alterações climáticas, a segurança e a alimentação da crescente população mundial”, lembrando que “os povos esperam dos dirigentes políticos respostas claras e estes problemas”.

Já na cimeira do Rio de Janeiro realizada há 20 anos, Fidel alertava para as graves consequências das alterações climáticas que adviriam no futuro, caso não fossem tomadas com urgência medidas sérias para alterar o rumo das constantes agressões ao meio ambiente provocadas pelos países mais industrializados. Se bem se recordam, na altura poucos deram importância a esta antevisão do líder histórico da Revolução cubana e hoje assistimos às maiores catástrofes naturais de que há memória, com consequências que se traduzem na perda de vidas humanas e materiais, na destruição de infra-estruturas básicas e na falta de alimentos para as populações mais carenciadas.
Na cimeira de Cartagena perdeu-se mais uma boa oportunidade para debater questões importantes, acabando apenas por vir a ser lembrada no futuro como a cimeira dos escândalos sexuais provocados pelos membros dos serviços secretos norte-americanos.
(Por Celino Cunha Vieira, in Semanário
Comércio do Seixal e Sesimbra de 21/04/2012)
sexta-feira, 13 de abril de 2012
BODEGUITA DEL MEDIO
Aquele que muitos identificam como o restaurante mais emblemático de Cuba, “La Bodeguita del Medio” cumpre o seu 70.º aniversário e durante todo o mês de Abril decorrerão aí vários encontros subordinados a temas culturais e gastronómicos, assim como à evocação de algumas individualidades que frequentaram o espaço, desde chefes de estado a distinguidos escritores, passando por actores de cinema ou famosos músicos, culminando as celebrações com um jantar de gala no dia 26.Corria o ano de 1942 quando Ângel Martinez compra uma pequena “adega” na “Calle Empedrado” em Havana Velha, junto à Praça da Catedral, convertendo-a em “Casa Martinez” onde se vendiam alguns produtos típicos e se serviam refeições, principalmente aos funcionários dos ministérios instalados nas proximidades. Esta seria o embrião da actual “Bodeguita del Medio” onde, graças ao prestígio alcançado pela qualidade dos seus serviços, passaram a acorrer as mais relevantes personalidades nacionais e internacionais, destacando-se, entre muitas outras, Alejo Carpentier, Brigitte Berdot, Ernest Hemingway, Errol Flyn, Gabriel Garcia Marquez, Mário Benedetti, Nat King Cole ou Pablo Neruda, apreciadores da autêntica comida crioula confeccionada por Sílvia Torres “La China”, que durante muitos anos comandou a cozinha deste mítico restaurante.
Naquela época, em Cub
a, quase todos os restaurantes modestos ou adegas se situavam estrategicamente, para maior visibilidade, nas esquinas dos extremos das ruas e esta “bodega” diferenciava-se das outras, pois não se tratava de uma “bodega” qualquer, mas sim a do meio de uma rua como era conhecida pelos clientes, dando assim origem ao nome que ostenta desde 26 de Abril de 1950 como “La Bodeguita del Medio” e onde se pode degustar, entre outras iguarias, “arroz blanco”, “frijoles negros”, “pierna de cerdo”, “yuca con mojo”, “masas de puerco”, “pierna de puerco asada en su jugo”, “chicharrones” ou “tostones”, tudo acompanhado pela mais famosa bebida da casa, o genuíno “mojito”, constituído por rum branco, sumo de limão, açúcar mascavado, hortelã, angostura, soda e gelo. Há dias em que são confeccionados mais de mil "mojitos" servidos no restaurante ou no bar que está aberto a partir das 10 horas da manhã e até altas horas da noite.Nas suas mesas e paredes têm sido deixadas inúmeras mensagens escritas nas mais
diversas línguas que cobrem e se sobrepõem em todo o espaço, algumas inteligíveis e outras de enigmáticos hieróglifos de difícil compreensão, mas todas da maior importância para assinalar uma efémera passagem pelo local ou a confirmação de anteriores visitas. Um dos escritos mais famosos é o de Hemingway que referiu: “My mojito in La Bodeguita, my daiquiri in El Floridita” .Actualmente e através de convénios, existem muitos estabelecimentos com o mesmo nome espalhados pelo mundo, como, Alemanha, Argentina, Austrália, Bolívia, Colômbia, Espanha, França, Inglaterra, Líbano, Macedónia, México, República Checa, Ucrânia e Venezuela.
Passagem obrigatória para todo o turista que se preze, é caso para perguntar: quem já viajou para Cuba, esteve em Havana e não foi à “La Bodeguita del Medio”? É quase como ir a Roma e não ver o Papa!
(Por Celino Cunha Vieira, in Semanário Comércio do Seixal e Sesimbra de 13/04/2012)
Subscrever:
Mensagens (Atom)
















