sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

MENOS JÓVENS

Ultimamente muito se tem falado em Portugal sobre os idosos que morrem sós em suas casas e que pelo abandono a que estão sujeitos, só ao fim de dias, semanas, meses e até anos, são descobertos os seus corpos já em decomposição. As instituições, desde Governo e Câmaras Municipais a Misericórdias e Associações, desdobram-se agora em encontrar soluções para minorar esta fatalidade de quem envelhece e fica entregue à sua triste condição.


Perguntaram-me há dias se isto também se passava em Cuba ou como era encarado por lá o problema.

Pelo que conheço, dificilmente poderão ocorrer situações semelhantes em Cuba, atendendo ao enorme respeito que toda a sociedade tem pelos menos jovens, devido à sua educação, cultura e estrutura familiar baseada na entreajuda de cada núcleo.

Lembro-me até de ter sido mal interpretado – porque era um comentário de apreciação positiva - quando em determinada ocasião comparei os cubanos à etnia cigana que acompanha de forma exuberante os seus entes mais chegados quando estes estão hospitalizados.


Por outro lado, os médicos de família têm a responsabilidade de acompanhar e vigiar permanentemente a saúde dos cidadãos que lhes estão atribuídos e monitorizados (entre 400 a 600 a cada um), sabendo-se a cada momento qual a situação em que se encontram e se necessitam de cuidados especiais.

Também os CDR (Comités de Defesa da Revolução) que abarcam pequenas zonas de intervenção têm um importante papel na observação local das condições de cada morador, lançando o alerta sempre que seja notada a ausência prolongada e sem justificação de qualquer um.

A atenção em Cuba à chamada terceira idade passa também pelo reforço de alimentação em determinados produtos (leite, por exemplo) e em actividades lúdicas e físicas de acordo com a sua mobilidade. É frequente ver-se às primeiras horas da manhã em parques e jardins alguns grupos de idosos a praticarem exercícios acompanhados por monitores especializados, destacados para os acompanharem e ajudarem nestas práticas quotidianas que lhes proporcionam maior mobilidade.

Mas existem também milhares de “Círculos de Abuelos” espalhados por todo o país e que não são mais do que instituições idênticas às dos “Círculos Infantis” onde os familiares deixam os seus idosos pela manhã e os recolhem depois do seu dia de trabalho.

Não quero com isto dizer que não possa existir alguma ocorrência, principalmente em locais mais remotos, mas se atendermos a que a expectativa de vida em Cuba era de apenas 59 anos antes do triunfo da Revolução e que hoje ultrapassa já os 77 anos, temos de concluir que muito se tem feito nesta área, dando-se grande importância às especialidades médicas da Gerontologia e da Geriatria, pois envelhecer de forma saudável é também um indicador de desenvolvimento e de respeito pelos Direitos humanos.

(Por Celino Cunha Vieira, in Semanário Comércio do Seixal e Sesimbra de 10/02/2012)

sábado, 4 de fevereiro de 2012

TELEMÓVEIS

Ao contrário do que muitos vaticinavam, principalmente aqueles que sempre estão contra qualquer medida que seja tomada pelo governo cubano, as linhas de orientação para o desenvolvimento da economia têm vindo a ser cumpridas passo a passo, não obstante as dificuldades que sempre existem quando se pretendem implantar reformas estruturais, modificando conceitos já ultrapassados por um mundo inevitavelmente globalizado. Revolução é fazer aquilo que tem de ser feito e nisto Cuba está no bom caminho para proporcionar a todos as oportunidades a que têm direito, sem nunca descurar as principais conquistas da Revolução nem esquecer os ensinamentos de José Marti.

Embora possamos considerar que o uso das comunicações móveis não seja um bem de primeira necessidade ou até em determinados casos que seja um bem supérfluo quando existem outras carências, o que é certo é que em Cuba os telemóveis de uso pessoal tiveram no último ano um incremento superior a 30% cifrando-se hoje em mais de um milhão e duzentos mil equipamentos registados e com tendência para que este serviço se generalize à maioria da população.

Graças às novas tecnologias entretanto implantadas no país, foi possível diminuir substancialmente os tarifários que se praticavam, os quais entraram em vigor no dia 1 de Fevereiro, podendo prever-se que dentro de pouco tempo se possa atingir um número de utilizadores idêntico ao de outros países ditos desenvolvidos.

Ao nível das comunicações Cuba continuará a fazer um esforço para se modernizar, crescendo também dia a dia a utilização dos meios informáticos e de acesso à Internet, na medida em que um povo culto e informado nunca se deixará manipular por quem quer que seja.

É fácil criticar quando não se conhece a realidade ou quando por razões mentais se tenta denegrir um sistema que dura há mais de 60 anos com todas as dificuldades que lhe são impostas do exterior, dizendo-se que os cubanos não podem sair do seu país nem contactar com o mundo que o rodeia, quando isso não passa de mais uma falsidade que de tanto apregoada, até parece verdadeira para os mais distraídos.


Porque aquilo que não se diz – ou é omitido – é da dificuldade que os cubanos têm na obtenção de vistos junto das Embaixadas dos países para onde pretendem viajar, sem os quais não podem sair, em especial para os EUA cujo governo se comprometeu a conceder 20.000 vistos anuais e que dificilmente tem chegado aos 5.000, porque não está interessado em acolher gente séria e honesta, mas apenas aqueles que possam engrossar os grupelhos de Miami que actuam contra Cuba.


Em Portugal vivem e trabalham legalmente cerca de 1.200 cubanos perfeitamente integrados na nossa sociedade e que contribuem para o seu país da maneira que podem, ajudando com o seu esforço – mesmo que à distância – a que a Revolução progrida e cumpra os seus objectivos, sendo merecedores do nosso respeito e consideração por lutarem por um mundo melhor longe da Pátria e dos seus familiares.


(Por Celino Cunha Vieira, in Semanário Comércio do Seixal e Sesimbra de 03/02/2012)

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

MAIS UMA CAMPANHA


Aproveitando o lamentável falecimento de um preso de delito comum, a imprensa internacional voltou a unir-se numa campanha mediática para fazer crer ao mundo que em Cuba existe uma repressão feroz aos “pseudo-dissidentes”, inventando factos inexistentes e transformando agressores em simples prevaricadores de delito de opinião.

O denominado “preso politico” que faleceu há dias, cumpria uma pena de privação da liberdade por 4 anos após ter sido julgado em Tribunal com todos os direitos que a Constituição e as Leis lhe conferem, acusado de ter agredido violentamente a sua própria esposa, provocando-lhe graves lesões no corpo e em especial no rosto, tendo a sua sogra pedido a intervenção das autoridades às quais resistiu e também agrediu, nunca tendo feito qualquer greve de fome antes ou depois da sua detenção.

Este cidadão morreu por falência de múltiplos órgãos, associada a um grave processo respiratório séptico, apesar de ter recebido toda a atenção médica especializada na sala de cuidados intensivos do principal centro hospitalar de Santiago de Cuba, onde os seus familiares foram sendo informados de todos os procedimentos médicos, reconhecendo e agradecendo o esforço que foi feito para o salvar.

Após ter cometido o delito pelo qual foi processado e ainda em liberdade, estabeleceu contactos com grupelhos mercenários que o convenceram – tal como a muitos outros – a dizer-se “opositor político” para assim tentar furtar-se à acção da justiça.

Estes métodos são já bem conhecidos e ciclicamente manipulados e convertidos em notícias de repercussão internacional por quem não se preocupa com os 3.222 reclusos que esperam a sua execução no corredor da morte em cadeias de alta segurança dos EUA.




Não foi em Cuba que no último ano foram executados 90 prisioneiros e que já este ano teve lugar nos EUA a 1ª execução, reprimindo o seu governo sem qualquer tipo de contemplações quem se atreve a denunciar a injustiça do sistema.

Há que lembrar que é o governo dos EUA que pratica a tortura e as execuções extrajudiciais nos países que ocupa e que usa a brutalidade policial contra a sua própria população.

Não é em Cuba que se prendem pessoas por combaterem o terrorismo, mas sim nos EUA que se fazem julgamentos fantoches para injustamente manterem 5 heróis cubanos nas suas prisões, impedidos até de receberem visitas dos seus familiares mais próximos.



É sim em território cubano que os EUA se recusam a devolver, que existe a prisão de Guantánamo - para que estejam longe dos olhares da “Pátria das Liberdades” - onde são mantidas há largos anos pessoas sem qualquer culpa formada nem julgamento, pese embora todas as recomendações e decisões em contrário de vários organismos internacionais e da promessa feita pelo Nobel da Paz, Barack Obama.

(Por Celino Cunha Vieira, in Semanário Comércio do Seixal e Sesimbra de 27/01/2012)

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

DESTINO RECOMENDADO


Por paradoxo que pareça, já que o governo dos EUA mantém o bloqueio económico e financeiro a Cuba, o diário “The New York Times” acaba de publicar uma lista de 45 destinos do mundo como os lugares que recomenda para visitar em 2012, figurando em 10.º lugar a cidade de Havana em Cuba.



De acordo com o diário, que valoriza em particular as ofertas culturais e os serviços prestados ao turista, “a capital cubana está, uma vez mais ao alcance dos estadounidenses”, assegurando que “apenas os separam das ruas da sensual Havana o Estreito da Florida”, isto por que, a administração Obama ampliou o tipo de viagens permitidas, havendo mais voos a sair de um maior número de cidades dos EUA com destino a Cuba.


A recomendação do jornal conclui que os programas turísticos podem incluir inúmeras visitas, para além de reuniões com historiadores, artistas plásticos ou agricultores, usufruindo o turista dos novos restaurantes instalados em magníficas casas coloniais que surgiram no último ano. De resto e no plano cultural, Havana prepara já a sua XXI Feira Internacional do Livro a realizar em Fevereiro e a 11.ª Bienal que decorrerá entre 11 de Maio e 11 de Junho, contando com a participação de mais de uma centena de artistas nacionais e estrangeiros.
De referir que os jornalistas especializados em turismo elegeram um total de 45 destinos, aparecendo o Algarve na 28.ª posição sem qualquer referência especial a não ser a gastronomia e a praia.


O esforço que Cuba tem feito na promoção turística é bem patente pelas presenças nas principais feiras do sector, onde operadores e público em geral podem conhecer um pouco melhor este excelente destino e as muitas iniciativas de carácter científico, cultural e desportivo que ao longo do ano se vão realizando, resultando esse trabalho num aumento anual de visitantes.


Neste momento decorre a Feira de Turismo de Madrid, onde Cuba está representada através das principais empresas receptivas e hoteleiras, seguindo-se a Bolsa de Turismo de Lisboa, no final de Fevereiro.


Para 2012, entre muitos outros eventos, destaca-se a visita do Papa Bento XVI a Santiago e a Havana já em Março, o Campeonato Mundial de Fotografia Subaquática em Cayo Largo, o Torneio Internacional de Pesca Desportiva Ernest Hemingway, os Carnavais de Verão em toda a Ilha, o Festival Internacional de Ballet de Havana sob a direcção da mundialmente famosa bailarina cubana Alicia Alonso, a Maratona Internacional de Havana em Novembro e para o final do ano a Feira Internacional de Artesanato.



Como se pode constatar a oferta é vastíssima, para além dos museus e exposições permanentes ou temporárias que estão à disposição de todos os visitantes, tornando uma viagem a Cuba muito mais importante que apenas o sol ou a praia.

(Por Celino Cunha Vieira, in Semanário Comércio do Seixal e Sesimbra de 20/01/2012)

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

NOVOS MÉDICOS NA GUINÉ



Superando todas as expectativas e vaticínios, comemorou-se no passado dia 1 de Janeiro o 53.º aniversário do Triunfo da Revolução Cubana, a qual ao longo dos anos se tem vindo a aperfeiçoar e a consolidar, enfrentando e resistindo aos cobardes ataques de forças poderosíssimas no plano económico e militar.

Mas o povo cubano sabe que nada nem ninguém pode derrotar a estatura moral que detém e que a Revolução, por muitos erros que em seu nome tenham sido cometidos, jamais deixará de evoluir para um mundo mais justo de paz e de solidariedade.

Por isso e mesmo com as dificuldades por que tem passado, nunca esqueceu nem virou as costas a quem mais precisa, desdobrando-se em acções internacionalistas de carácter humanitário, ajudando outros povos mais necessitados. Assim e com o objectivo de minimizar uma das maiores carências dos países do chamado terceiro mundo, o Comandante Fidel Castro transformou em 1999 uma antiga instalação militar na Escola Latino-Americana de Medicina, com vista à formação gratuita de jovens oriundos dos mais variados recantos do mundo.

Desde 2005, data da 1.ª formatura, todos os anos saiem desta Escola cerca de 1.500 novos médicos que vão dar assistência nos seus respectivos países, contribuindo para a melhoria das condições de vida das populações mais carenciadas de cuidados de saúde.

Mas o ensino da medicina a estudantes estrangeiros não se cinge só à Escola em Havana, estendendo-se também à colaboração docente que é prestada pelos componentes das brigadas médicas cubanas nalguns países, sendo um deles a Guiné-Bissau, onde se realizou no passado dia 17 de Dezembro na sala magna da sede do Governo a cerimónia de entrega de diplomas aos 88 novos médicos guineenses que terminaram a sua formação que decorreu durante seis anos, integrados no novo projecto de ensino ministrado por Cuba em terras africanas.

Em ambiente festivo e onde os novos graduados e suas famílias não escondiam a alegria do momento, foram entregues os 88 títulos pelo Primeiro-ministro e outros Ministros da Guiné-Bissau, pelo Vice-ministro da Saúde de Cuba, pelo Comandante Victor Dreke e pelo Embaixador de Cuba em Bissau, na presença de muitas outras individualidades e Corpo Diplomático acreditado no país.

Na ocasião o Primeiro-ministro Carlos Gomes Júnior expressou o seu agradecimento a Fidel, a Raul e à Revolução, lembrando os Cinco Heróis Cubanos que permanecem injustamente presos nos EUA por combaterem o terrorismo e condenando o criminoso bloqueio que os sucessivos governos norte-americanos impõem a Cuba desde há mais de 50 anos.

Enquanto as grandes potências enviam forças militares para ocuparem outros países, Cuba envia médicos e enfermeiros que para além de desempenharem a sua principal função, ainda têm tempo para formarem novos profissionais que tanta falta fazem nesses países.

Se outros motivos não houvesse, só por isto já teria valido a pena o triunfo da Revolução no 1.º de Janeiro de 1959.

(Por Celino Cunha Vieira, in Semanário Comércio do Seixal e Sesimbra de 06/01/2012)

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

RELATÓRIO DA UNICEF

No último balanço do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) pode ler-se que actualmente existem no mundo 146 milhões de crianças menores de 5 anos com graves problemas de desnutrição. De acordo com este documento, 28% são de África, 17% do Médio Oriente, 15% da Ásia, 7% da América Latina e Caribe, 5% da Europa e 27% de outros países em desenvolvimento.

O relatório é inequívoco e informa que Cuba já não tem este problema, sendo o único país da América Latina que eliminou definitivamente a desnutrição infantil e que tudo tem feito para melhorar a alimentação, especialmente nos grupos mais vulneráveis. A própria Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) reconhece Cuba como a nação com mais avanços neste capítulo em toda a América Latina.

Isto deve-se fundamentalmente a que o Estado Cubano garante uma cesta básica alimentar e promove os benefícios da lactância materna, complementando-a com outros alimentos até aos seis meses e fazendo a entrega diária de um litro de leite para todas as crianças dos zero aos sete anos de idade, em conjunto com outros alimentos como compotas, frutas e legumes, os quais são distribuídos de forma equitativa.

Em Cuba a saúde é garantida a todas as crianças mesmo antes de nascerem com o controle materno-infantil, não existindo crianças desprotegidas e a viverem na rua. Em Cuba todas as crianças constituem uma prioridade e por isso não sofrem as carências de outras espalhadas por várias partes do mundo onde são abandonadas ou exploradas.

Quer nos círculos infantis (creches) quer nas escolas primárias, as crianças cubanas têm vindo a beneficiar do contínuo melhoramento da sua alimentação quanto a componentes dietéticos, lácteos e proteicos, que são repartidos gratuitamente em todo o país.

A Organização das Nações Unidas (ONU) situa Cuba na vanguarda do cumprimento material do desenvolvimento humano, considerando que até 2015 será completamente eliminada a pobreza e garantida a sustentabilidade ambiental, isto apesar das dificuldades ao longo dos mais de 50 anos de bloqueio económico, comercial e financeiro imposto pelos sucessivos governos dos Estados Unidos da América.

Embora a verdade confirmada pelas várias instituições internacionais de reconhecida credibilidade e mérito custe a muita gente, pode assim afirmar-se que DOS 146 MILHÕES DE CRIANÇAS DESNUTRIDAS EM TODO O MUNDO, NENHUMA DELAS É
CUBANA!

(Por Celino Cunha Vieira, in Semanário Comércio do Seixal e Sesimbra de 19/12/2011)

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

OS OITO ESTUDANTES DE MEDICINA

Cumpriram-se 140 anos sobre a data histórica de 27 de Novembro de 1871 em que oito jovens estudantes de medicina foram injustamente fuzilados pelo poder colonial, sob a simples acusação de terem profanado o túmulo de um cidadão espanhol. Claro que o principal motivo não foi este, mas sim o do incómodo que o movimento estudantil provocava ao apoiar o levantamento do herói nacional Carlos Manuel de Céspedes na luta pela independência de Cuba que se iniciara três anos antes na antiga província de Oriente.

A partir do momento em que numerosos estudantes universitários abandonaram as suas aulas em Havana e organizaram várias expedições armadas para se juntarem aos independentistas, as hostilidades do governo colonial espanhol face à Universidade foi sendo incrementada e à medida que aumentava o apoio dos estudantes à luta dos patriotas cubanos a repressão agudizou-se. Em lugares públicos frequentados por estudantes ocorreram uma série de distúrbios que se saldaram em mortos e feridos, chegando-se a tais extremos que em determinado momento a Universidade chegou a ser encerrada temporariamente.

Neste contexto, um grupo de 45 estudantes do curso de medicina foram presos infundadamente por um acto que não cometeram, ao serem acusados de terem partido um vidro do mausoléu do jornalista espanhol Gonzalo de Castañon Escarazo, entretanto morto em duelo por um independentista cubano que o desafiou, por o jornalista se ter referido publicamente às mulheres cubanas da emigração, qualificando-as de prostitutas.

Como represália e após um obscuro processo jurídico caracterizados por inúmeras manipulações, de maneira arbitrária, um conselho de guerra ditou a sentença e 35 estudantes foram condenados a penas variadas, 2 absolvidos e 8 condenados à morte por fuzilamento.

Por coincidência, também neste mesmo dia 27 de Novembro, mas no ano 2000, teve início em Miami o processo jurídico cheio de contradições contra os Cinco Heróis Cubanos que ainda se encontram injustamente presos por combaterem o terrorismo.

Desde que foi cometido aquele horroroso crime, todos os anos e na mesma data, os estudantes universitários, os jovens e a população em geral concentram-se nas escadarias da Universidade de Havana e daí saem desfilando pelas ruas entoando o canto vibrante aos heróis e aos mártires, até ao monumento que foi erigido em memória dos oito estudantes situado no próprio local onde foram executados, frente à Fortaleza de La Punta, colocando oferendas florais e assumindo o compromisso de defender a Pátria e a Revolução face a qualquer tentativa de agressão a Cuba.

O simbolismo desta homenagem anual aos jovens que sonhavam salvar vidas e morreram na flor da idade perdurará e servirá sempre de exemplo para a revolucionária juventude cubana na defesa do seu presente e do seu futuro.

(Por Celino Cunha Vieira, in Semanário Comércio do Seixal e Sesimbra de 09/12/2011)

domingo, 27 de novembro de 2011

MARABANA

Mais de 2.500 atletas, entre eles 239 estrangeiros oriundos de 59 países, participaram na XXV edição da Maratona Internacional de Havana que se realizou no passado domingo, com a partida dada às 7 da manhã frente ao Capitólio Nacional para o percurso de 42,195 quilómetros pelas ruas da capital cubana e que contou, tal como em anos anteriores, com a certificação da Federação Internacional.

E se hoje trago o tema da “Marabana”, não é só porque se trata de uma excelente prova nesta modalidade do atletismo, considerada uma das melhores da América Latina, é também porque Portugal e em particular o Seixal, já esteve representado nesta prova através de uma equipa dos Serviços Sociais das Autarquias e porque o seu director, Carlos Gatorno Correa, nos honrou com a visita ao Concelho numa das suas passagens pelo nosso país.





Tive a oportunidade de acompanhar os nossos atletas que, não obstante uma outra maratona, esta aérea, tiveram um comportamento bastante digno e não fossem as peripécias por que passaram, bem como o calor e a humidade que se faziam sentir, certamente teriam regressado ao Seixal com as medalhas mais importantes de cada categoria etária.

A odisseia começou na partida do avião de Lisboa para Madrid que um forte nevoeiro atrasou significativamente, originando que o grupo perdesse a ligação a Havana. Obrigados a permanecer nesse dia na capital espanhola, tiveram como alternativa voarem no dia seguinte para Caracas na Venezuela e daí para Havana onde viriam a chegar cerca das 22 horas, esperando-os eu no aeroporto José Marti para os acompanhar nesta aventura.

Após um jantar ligeiro foi já de madrugada que fizemos de carro o reconhecimento do percurso, tendo-os deixando no hotel para poderem descansar as pouco mais de 4 horas que faltavam para alinharem à partida.



Se considerarmos os dois dias de viagem, a diferença horária que provoca o “jet-lag” e as condições climáticas de um país tropical, só podemos admirar o espírito de sacrifício destes atletas amadores, reconhecendo que foram autênticos heróis num país que é uma potência desportiva e onde as dificuldades são superadas pelo querer e pela garra da sua população.

Depois seguiram-se uns dias mais calmos para recuperação, vindo o grupo a efectuar algumas visitas a complexos desportivos e a confraternizar com o director da “Marabana” Carlos Gatorno e pelo Vice-Ministro dos Desportos, o campeão olímpico Alberto Juantorena.

Certamente que esta experiência os marcou significativamente e sempre que encontro algum elemento deste grupo recordamos algumas peripécias com saudades desses tempos, até porque todos tínhamos quase menos vinte anos.

(Por Celino Cunha Vieira, in Semanário Comércio do Seixal e Sesimbra de 25/11/2011)

sábado, 19 de novembro de 2011

FEIRA INTERNACIONAL DE HAVANA

Terminou há dias a 29ª edição da FIHAV (Feira Internacional de Havana) no recinto da ExpoCuba, a qual, como em anos anteriores, se revestiu de um enorme êxito, quer pelo número de expositores, quer pela afluência de visitantes nacionais e estrangeiros, vindo a crescer de ano para ano e sendo considerada a maior feira comercial e industrial de toda a América Latina

Quer em representação do Município do Seixal, quer por opção pessoal, tive já por mais de uma vez o privilégio de visitar esta feira anual e mesmo nos anos mais difíceis
para Cuba, durante o período especial nos anos 90, a FIHAV sempre representou um marco importante para os negócios na zona do Caribe, pois ao contrário do que muitos pensam, ali não são expostos apenas produtos cubanos, sendo na sua grande maioria uma mostra constituída por empresas estrangeiras que procuram novas oportunidade de apresentar aquilo que têm para oferecer aos mercados.

Este ano o certame ocupou uma área total de 18.000 metros quadrados divididos por 25 pavilhões e as 1.500 empresas estrangeiras oriundas de 60 países de todo o mundo ocuparam 13.000 metros quadrados, tendo-se efectuado contratos directos que ascendem a mais de 300 milhões de dólares, iniciando-se aí também negociações para futuras transacções comerciais que se podem desenvolver e ampliar.

Mesmo com as grandes dificuldades económicas provocadas pela crise internacional, a participação de 2.746 exposito
res estrangeiros que foram credenciados, demonstra bem o prestígio que a FIHAV já alcançou, mantendo a confiança das empresas no retorno do investimento efectuado para poderem estar presentes durante os cinco dias em que se realizou o evento.

Dos 60 países representados, a Espanha foi o que mais se destacou pela área ocupada e empresas representadas, tendo recebido prémios especiais em diferentes categorias os pavilhões da Alemanha, de Itália, da Bélgica, do Brasil, da China e da Venezuela.

Num mundo global em que as empresas cada vez mais têm de recorrer à internacionalização, a FIHAV reveste-se de extraordinária importância para a conquista de mercados em desenvolvimento e seria bom que Portugal pudesse também participar mais activamente num futuro próximo, pois a nossa economia bem necessita.

(Por Celino Cunha Vieira, in Semanário Comércio do Seixal e Sesimbra de 18/11/2011)

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

DELIBERAÇÃO NA ONU

Salvo raríssimas excepções, mais uma vez a comunicação social omitiu que o bloqueio económico e comercial imposto unilateralmente a Cuba pelo governo dos Estados Unidos da América foi tema de votação na Assembleia Geral das Nações Unidas, em que dos 191 países presentes, 186 manifestaram-se inequivocamente a favor do fim dessa medida arbitrária e desumana. Suécia e Líbia faltaram à votação que contou com 2 votos contra dos EUA e de Israel e a abstenção das Ilhas Marshall, da Micronésia e de Palau.

Como sempre e pela vigésima vez consecutiva, o governo dos EUA não dá qualquer importância às decisões da ONU que lhe sejam desfavoráveis, mantendo a mesma política que já prejudicou Cuba ao longo de todos estes anos em mais de 975 mil milhões de dólares, para além de outros prejuízos indirectos.

Apesar da retórica oficial que pretende convencer a opinião pública internacional de que o actual governo norte-americano tem introduzido uma política de mudanças positivas, Cuba continua sem poder ter relações comerciais com subsidiárias de empresas norte-americanas em países terceiros e os empresários de outras nações interessados em investir em Cuba são sistematicamente ameaçados e incluídos em listas negras, para além de que o país continua sem poder exportar e importar produtos e serviços dos Estados Unidos, assim como não pode utilizar o dólar norte-americano em negócios internacionais ou possuir contas com essa moeda em bancos de outros países.

O bloqueio viola o Direito Internacional, é contrário aos propósitos e princípios da Carta das Nações Unidas e constitui uma transgressão ao direito à paz, ao desenvolvimento e à segurança de um Estado soberano. É, na sua essência e objectivos, um acto de agressão unilateral e uma ameaça permanente contra a estabilidade de um país. O bloqueio constitui uma violação massiva, flagrante e sistemática dos direitos humanos de todo um povo, violando também os direitos constitucionais do povo norte-americano ao proibir a sua liberdade de viajar a Cuba.

O pecado que Cuba cometeu foi ter feito uma Revolução, terminar com o domínio neo-colonial imposto pelos EUA durante mais de meio século, ter recuperado os seus recursos naturais que estavam nas mãos de estrangeiros, ter eliminado o analfabetismo, ter dado educação e saúde a todo o povo, ter devolvido aos cidadãos a sua soberania e orgulho nacional e praticar desinteressadamente o internacionalismo preconizado por José Marti, ajudando outros povos a superar as dificuldades que enfrentam.

Quando terminará este bloqueio contra Cuba? Não é possível prever, mas Cuba continuará a avançar na saúde pública, na educação, na economia, nas conquistas sociais, no espírito patriótico e de solidariedade do seu povo e seguirá resistindo como sempre o fez e fará.

(Por Celino Cunha Vieira, in Semanário Comércio do Seixal e Sesimbra de 11/11/2011)