terça-feira, 27 de setembro de 2011

TURISTA 2 MILHÕES

Enquanto a Organização Mundial de Turismo prevê para este ano um decréscimo de 5% no fluxo turístico em todo o planeta, Cuba atingiu no 1.º semestre um aumento de 10,6% em relação ao mesmo período do ano transacto, perspectivando-se que este bom desempenho se mantenha ou melhore até Dezembro, atendendo a que com 32 dias de antecedência em relação a 2010, chegou à Ilha no passado dia 17 o turista 2 milhões.

Este significativo aumento representou também uma maior captação de divisas que se traduziram em mais 13%, fruto das novas medidas económicas e do incremento das actividades privadas com novas ofertas para quem visita Cuba.

Com a colaboração e o estabelecimento de acordos com as principais cadeias hoteleiras internacionais, Cuba tem vindo a melhorar unidades antigas e a construir algumas novas em pólos de grandes potencialidades, aumentando o número de camas disponíveis para o turismo.

O Canadá consolidou-se como o principal país emissor e o Reino Unido como o mais importante da Europa, seguido de Itália, Espanha e França. Os portugueses viajaram menos este ano e Cuba não foi dos principais destinos, embora a sua promoção tenha sido talvez superior à de anos anteriores, mas a condição económica inviabilizou os desejos de muitos que se limitaram a fazer “férias cá dentro”.

Embora o governo dos Estados Unidos proíba e sancione os seus cidadãos por viajarem a Cuba em turismo, o bloqueio é sistematicamente furado por turistas americanos que utilizando escalas diversas acabam por chegar à Ilha sem serem detectados pelas autoridades do seu país, livrando-se da multa que “democraticamente” lhes seria imposta.

Um dos aspectos mais interessantes é o de que muitos dos visitantes o fazem regularmente, repetindo ano após ano este tranquilo destino de grande riqueza histórica, cultural e humana.

Como já várias vezes tenho dito, Cuba não é só praia, rum e charutos, é também o país da solidariedade social, da saúde, da educação, das artes e do desporto, onde com toda a segurança o visitante circula livremente por onde quer, fazendo novos amigos no convívio com um povo simples, alegre e hospitaleiro.

(Por Celino Cunha Vieira, in Semanário Comércio do Seixal e Sesimbra de 23/09/2011)

domingo, 18 de setembro de 2011

CONVITE

Correndo o risco de me repetir, não posso deixar passar em claro uma data marcante para os muitos milhares de pessoas que em todo o mundo têm vindo a apelar para a libertação dos Cinco Heróis Cubanos, sendo difícil pensar e aceitar que no passado dia 12 se cumpriram já 13 anos desde a sua injusta prisão.

Não pode haver maior exemplo de hipocrisia da suposta guerra contra o terrorismo por parte do governo dos Estados Unidos da América do que o caso destes cinco patriotas que apenas cometeram o delito de quererem defender o seu povo e o seu país dos planos que se preparavam em Miami para espalhar uma onda de terror em Cuba.

Mesmo depois de aliciados a renunciarem aos seus princípios com a promessa de serem libertados, têm continuado ao longo dos anos a resistir e a lutar para que se faça justiça com a verdade, porque sabem das razões que lhes assistem e da grande onda de solidariedade que existe em todo o mundo.

A luta pela liberdade imediata dos Cinco Heróis Cubanos tem vindo sempre a crescer e cada vez existem mais pessoas a interessarem-se pelo caso, embora as grandes empresas mediáticas continuem a ocultar as verdadeiras razões da sua prisão para que a opinião pública, por desconhecimento, não pressione as autoridades americanas com o fim de acabar com esta injustiça e que lhes permita regressarem ao seu país e às suas famílias.

Este ano, o aumento do Movimento Internacional de Solidariedade com esta causa reflectiu-se em muitos tipos de acções, sendo um exemplo disso a campanha de “o 5 de cada mês pelos 5” quando nesse dia pessoas de todo o mundo contactam a Casa Branca pedindo a sua libertação incondicional. O Presidente Obama, Prémio Nobel da Paz, tem poderes suficientes para inverter a injustiça cometida e até que isso suceda, faxes, cartas, correios electrónicos e telefonemas não acabarão de lhe chegar mensalmente.

Um novo filme documentando meio século de hostilidades contra Cuba, com o título “Que o verdadeiro terrorista por favor se ponha de pé” realizado pelo cineasta Saul Landau foi apresentado no Teatro Brava de S.Francisco, onde se explica claramente as razões e a necessidade da presença dos Cinco em Miami para monitorizarem os grupos terroristas contra Cuba.




Em Portugal, o Comité Português para a Libertação dos Cinco tem vindo a realizar acções de sensibilização para esta causa em vários pontos do país, promovendo na próxima semana com o apoio do Centro Cultural e Recreativo do Alto do Moinho um encontro debate de solidariedade, com entrada livre, que terá lugar na sexta-feira dia 23 de Setembro de 2011 pelas 21 horas no pavilhão do CCRAM, contando com a participação do Presidente da Câmara e da Assembleia Municipal do Seixal e como convidado especial o Embaixador de Cuba em Portugal.

Aqui fica o convite.

(Por Celino Cunha Vieira, in Semanário Comércio do Seixal e Sesimbra de 16/09/2011)

sábado, 10 de setembro de 2011

O QUE ELES NÃO DIZEM

Não é de estranhar que os aspectos positivos que ocorrem em Cuba ou que estejam relacionados com este país sejam pura e simplesmente omitidos – para não dizer censurados – pela comunicação social internacional, pois a suposta independência jornalística que gostam de apregoar só se aplica aos assuntos que lhes são permitidos divulgar, servindo apenas de marionetas suspensas nos cordéis do poder, que em troca da sua sobrevivência económica se deixam manietar e subjugar.

Isto porque não vimos nas nossas televisões ou jornais nacionais qualquer referência à Organização dos Direitos das Crianças “Save The Children” que considerou a Suiça como o 1.º país do mundo – entre 161 analisados – onde as crianças doentes correm menor risco de morte, ocupando Cuba o 8.º lugar dessa lista à frente, por exemplo, da Alemanha (10.º), Rússia (11.º), França (12.º), Reino Unido (14.º) ou Estados Unidos (15.º).

O estudo baseou-se em três principais indicadores, tais como a proporção dos profissionais de saúde por cada 1.000 habitantes, a proporção entre crianças vacinadas e a proporção de partos assistidos clinicamente. De salientar que Cuba tem uma das mais baixas taxas do mundo de mortalidade infantil e que a esperança de vida tem vindo a aumentar anualmente, cifrando-se hoje ao mesmo nível dos países mais ricos e desenvolvidos.

Enquanto a Organização Mundial de Saúde chama a atenção para o excessivo consumo de tabaco que mata mais de cinco milhões de pessoas por ano, prevendo-se que este número possa ascender aos oito milhões até 2030, também não vimos qualquer notícia sobre a apresentação em Cuba da primeira medicação terapêutica do mundo contra o cancro do pulmão, um dos de maior incidência entre fumadores. Após os ensaios clínicos bem sucedidos que provam a eficácia do fármaco desenvolvido por um grupo de investigadores do Centro de Imunologia Molecular de Havana, estes já estudam como usar o mesmo princípio do medicamento no tratamento de outras doenças do foro oncológico.

De acordo com declarações da Doutora Gisela González, responsável pelo projecto, o medicamento não previne a doença, mas melhora consideravelmente o estado dos doentes graves, oferecendo a possibilidade de converter o cancro avançado numa doença crónica controlável, gerando anticorpos contra as proteínas desencadeadoras do descontrole nos processos de proliferação celular.

É com estas pequenas grandes conquistas que Cuba dá e continuará a d
ar resposta aos seus detractores que mais dia menos dia acabarão por concluir de que lado está a razão.

(Por Celino Cunha Vieira, in Semanário Comércio do Seixal e Sesimbra de 09/09/2011)

sábado, 27 de agosto de 2011

FELICIDADE IVETTE

Termina hoje a sua missão de Primeira Secretária da Embaixada de Cuba em Lisboa a Dr.ª Ivette Garcia González, regressando ao seu país para continuar a dar o seu valioso contributo à Revolução nas tarefas que lhe estiverem reservadas, na certeza de que as irá desempenhar com o mesmo entusiasmo e dedicação que demonstrou em Portugal.

Quem ao longo dos últimos anos conviveu mais de perto com a Companheira Ivette, sabe bem como ela sempre se mostrou disponível para tudo o que estivesse relacionado com Cuba, nunca se escusando a comparecer no mais simples e recôndito local do nosso país para prestigiar com a sua presença qualquer actividade e para esclarecer todas as questões que lhe fossem colocadas.

Personalidade de uma extraordinária simpatia e cultura geral, a Dr.ª Ivette Garcia facilmente granjeou muitos amigos por todos os locais onde passou, deixando em todos nós um vazio pela falta da sua presença física no nosso país, mas na convicção de que em Cuba ou em qualquer outro local do mundo não nos esquecerá e que continuará disponível para nos atender.

Em meu nome pessoal e em nome da Associação Portuguesa José Marti desejamos-lhe as maiores felicidades pessoais e profissionais, esperando que nos continue a acompanhar, mesmo que à distância.


Celino Cunha Vieira

sábado, 13 de agosto de 2011

PARABÉNS, FIDEL!



Hoje, 13 de Agosto, o Comandante Fidel Castro comemora os seus 85 anos de uma vida totalmente dedicada ao seu país, resistindo de forma heróica a todas as contrariedades que teve de enfrentar na defesa do seu povo.

Haverá certamente quem discorde das suas opções, mas ninguém pode ficar indiferente a uma figura que marcou significativamente a história das últimas décadas, sendo respeitado e admirado em cada recanto do mundo pela sua cultura, lucidez e antevisão da política internacional que ao longo dos tempos tem vindo a dar-lhe razão.

Nascido de uma família abastada para a época, Fidel poderia ter comodamente usufruído dessa condição para viver rodeado de luxos e “lutando” apenas para se tornar mais rico e poderoso economicamente, como muitos outros da sua geração o fizeram, alheando-se das tremendas desigualdades sociais que existiam em Cuba e que só viriam a ter fim no 1.º de Janeiro de 1959.

Mas o sangue galego que lhe corre nas veias impulsionaram-no para outras batalhas, preferindo seguir e pôr em prática o pensamento de José Marti entregando-se de corpo e alma à luta revolucionária que permitisse a total independência do seu país.

Iniciando-se na política através das movimentações estudantis durante a década de quarenta na Universidade de Havana, não mais parou, mesmo depois de se ter licenciado em Direito em 1950 com 24 anos. Daí para cá já todos conhecem o seu percurso até à renúncia de todos os cargos que ocupava, dedicando-se hoje muito mais à leitura e à escrita que tanto prazer lhe dão e que antes por falta de tempo não lhe permitiam que o fizesse.

Fidel é daquelas pessoas que se ama ou se odeia, mas estou certo que a esmagadora maioria dos cubanos o admira e lhe quer muito, agradecendo-lhe eternamente tudo o que através da sua liderança foi conquistado pela Revolução.

FELICIDADES COMANDANTE!


sábado, 23 de julho de 2011

A HISTÓRIA ME ABSOLVERÁ



Quando no dia 26 de Julho de 1953 um grupo de 135 jovens comandados por Fidel Castro participou no assalto ao Quartel Moncada em Santiago de Cuba, na tentativa de a partir daí armar a população para derrubar o governo fantoche de Fulgêncio Batista, estavam muito longe de imaginar o que viria a passar-se nos seis anos seguintes. Desta acção resultou a morte da maioria dos revolucionários e a prisão dos restantes, tendo Fidel sido condenado a 15 anos de prisão, em cujo julgamento proferiu a célebre frase de que “a história me absolverá”.

Pese embora a derrota militar sofrida, este dia acabou por marcar definitivamente o rumo do futuro movimento revolucionário que adoptou a sigla M-26, desenvolvendo-se por todo o país acções de sensibilização e recrutamento de apoiantes que na clandestinidade se preparavam para o momento em que os principais líderes seriam libertados, já que a pressão exercida quer por instituições, quer pelo povo anónimo a isso conduziria inevitavelmente.

Por isso, foi com enorme expectativa e interesse que tive a oportunidade de visitar o “presídio modelo” na Ilha da Juventude onde Fidel, Raul e os restantes companheiros estiveram encarcerados, podendo, pelo que vi, imaginar as precárias condições e o total isolamento a que foram submetidos até à sua libertação em 15 de Maio de 1955, beneficiando de uma amnistia presidencial. Nesse mesmo dia e instado pelos jornalistas que o aguardavam, Fidel afirmou: “continuaremos lutando até obter a independência de Cuba”.

Exilando-se no México dois meses após a sua libertação, Fidel inicia de imediato os preparativos para voltar a Cuba com uma expedição de revolucionários, desembarcando do pequeno iate “granma” no dia 2 de Dezembro de 1956 na praia “Las Coloradas” e daí seguindo para a “Sierra Maestra” onde permaneceu dois anos até ao triunfo da Revolução em 1 de Janeiro de 1959.

Se até aí o “Movimento 26 de Julho” tinha desempenhado um extraordinário trabalho na organização política de inspiração Martiana, a partir do início da luta armada passou também à acção militar e ao apoio logístico dos revolucionários que combatiam o exército governamental.

Assim e em homenagem a todos os “Moncadistas” é celebrado em 26 de Julho o Dia Nacional de Cuba com manifestações patrióticas por todo o país, nunca esquecendo aqueles que nesse dia deram a sua vida para que hoje Cuba possa ser livre e independente de qualquer subjugação imperialista.

Como escreveu José Marti, “Pátria é comunhão de interesses, unidade de tradições, unidade de fins, fusão docíssima e consoladora de amores e esperança”.

(Por Celino Cunha Vieira, in Semanário Comércio do Seixal e Sesimbra de 22/07/2011)

sexta-feira, 15 de julho de 2011

EMIGRAÇÃO EM MIAMI

Quando se fala ou escreve sobre os cubanos que vivem em Miami, a tendência é para se especular e pensar que todos são terroristas ou que conspiram contra o seu país natal. Puro engano: a grande maioria emigrou para se juntar a familiares e amigos e ama tanto a sua pátria como qualquer outro que não entrou nessa aventura do sonho americano.

Porém, e ao contrário daquilo que se quer passar para a opinião pública, não é o governo cubano que os impede de viajar para o seu país, mas sim as autoridades norte-americanas que desde há longos anos vêm colocando as mais variadas restrições, umas vezes com mais dureza, outras com mais brandura, mas sempre condicionando a livre circulação, impedindo assim a união de numerosas famílias separadas por questões políticas a que são alheias.

Por estes motivos, no passado sábado dia 9 de Julho, mais de uma centena de carros formaram uma caravana que percorreu as ruas de Miami em protesto pela pressão que a máfia anti-Cubana vem fazendo junto do congressista Mário Diaz Balart, para que este possa servir de “ponta de lança” junto do Congresso Americano a fim de proibir os voos para Havana.

A caravana foi convocada pela “Asociación de Mujeres Cristianas en Defensa de la Família” e apoiada por outras organizações da emigração cubana que repudiam o projecto de lei apresentado pelo congressista Balart para reinstaurar as mesmas restrições impostas em 2004 por George Bush e que haviam sido levantadas pelo Presidente Obama no início do seu mandato.

Claro está que a imprensa local dominada economicamente pelos mafiosos fez silêncio sobre a caravana e os motivos do protesto, assim como omite ou deturpa muitas outras manifestações de patriotas que têm apelado à libertação dos Cinco Heróis Cubanos presos por combaterem o terrorismo ou ao fim do criminoso bloqueio económico e financeiro que até os impede de ajudar os seus familiares que residem em Cuba.

Porque é que o governo norte-americano não concede sequer metade dos vistos a cidadãos cubanos que desejem ir aos EUA, embora por acordos bilaterais se tenha comprometido a isso?

Porque não permite que os seus cidadãos possam visitar Cuba com total liberdade? Por questões de segurança não é certamente porque sabem que existe e que serão muito bem recebidos, pois os cubanos não confundem as pessoas com os adversários políticos e sabem respeitar quem possa ter uma opinião diferente da sua.

Afinal o que receia o governo norte-americano?


(Por Celino Cunha Vieira, in Semanário Comércio do Seixal e Sesimbra de 15/07/2011)

sexta-feira, 8 de julho de 2011

FÉRIAS ESCOLARES

Tal como em Portugal, terminou em Cuba o período escolar nas 13.700 escolas espalhadas pelo país, iniciando as suas férias prolongadas mais de 3 milhões de estudantes que só regressarão às aulas no dia 1 de Setembro.

Desde o triunfo da Revolução em 1 de Janeiro de 1959 as transformações do sistema educativo cubano têm sido evidentes, iniciando-se com a campanha de alfabetização que reduziu a 3% o analfabetismo, seguindo-se o plano para elevar o nível escolar ao 6.º e ao 9.º ano, até se atingir o 12.º ou superior, tal como existe nos nossos dias.

Todo este processo foi sendo avaliado ao longo dos anos para que se pudessem corrigir os erros e para se acompanharem as novas tecnologias, iniciando-se na última década a introdução de laboratórios informáticos e módulos de meios audiovisuais em todas as escolas e níveis de ensino, incluindo as escolas especiais para crianças incapacitadas ou de conduta desajustada.

Importante também em todo este processo tem sido a formação dos docentes que de forma contínua tem vindo a melhorar com a adaptação às realidades com base em novos métodos pedagógicos a par das novas tecnologias colocadas ao seu dispor.




Alguns ajustamentos foram efectuados e ao nível do ensino primário as transformações determinaram que cada professor tivesse o máximo de 20 alunos e que fosse secundado com outros professores de educação física, de língua estrangeira, de informática e de artes plásticas, para além de se exigir que dessem uma maior relevância ao conhecimento da história e das ciências a nível local, a fim de que cada criança tenha um particular interesse pelo meio onde vive.

Para a educação técnica e profissional foram também introduzidos novos perfis de cada área de especialização, em particular naquelas em que o país mais está carenciado e onde existem mais ofertas de trabalho.

Um outro pormenor interessante é que para cada nível de ensino é distribuído um uniforme diferente e em Cuba não existe uma única escola particular, religiosa ou de outra índole que exclua uma criança, um adolescente ou um jovem por dinheiro, raça, credo ou género, porque todos, sem excepção, têm garantida a sua educação completamente gratuita até que concluam os seus estudos de nível técnico ou universitário.


(Por Celino Cunha Vieira, in Semanário Comércio do Seixal e Sesimbra de 08/07/2011)

sexta-feira, 1 de julho de 2011

CINCO HERÓIS

Embora sejam cada vez mais as vozes e as organizações internacionais que apelam à libertação imediata dos Cinco Heróis Cubanos injustamente presos nos EUA por lutarem contra o terrorismo, o certo é que a situação se mantém inalterada desde há mais de 13 anos, faltando a coragem ao Presidente Obama – Prémio Nobel da Paz – para deixar de se submeter à vontade e à pressão política da máfia de Miami e decidir de uma vez por todas devolver a Cuba os patriotas Gerardo Hernández, Antonio Guerrero, Ramón Labañino, Fernando y René González.


Na declaração final do III Encontro Internacional de Organizações Juvenis de Solidariedade com os Cinco, que se realizou em Havana de 11 a 12 de Junho, os cerca de 180 representantes de 33 países de todos os continentes, exigiram que se ponha fim à cruel prisão. Na ocasião, a jovem Liudmila Álamo, membro do Conselho de Estado da República de Cuba, disse que “é essencial insistir na divulgação do caso referente aos Cinco com a apresentação dos argumentos e das provas da sua total inocência, das razões da sua presença nos EUA, da farsa judicial, das manipulações e das arbitrariedades, para que o mundo possa conhecer a verdade, sensibilizando-se a opinião pública internacional”.

Também no passado fim-de-semana se realizou em S.Paulo a XIX Convenção de Solidariedade a Cuba no Brasil, que denunciou a imoralidade dos EUA quando apregoam serem os máximos defensores da luta contra o terrorismo no mundo, enquanto mantém presos os antiterroristas cubanos.


De salientar que graças à sua perigosa e destemida acção, estes 5 cubanos evitaram muitos actos violentos que poderiam resultar em graves consequências para pessoas inocentes, pois os grupelhos de mercenários apoiados e financiados pela CIA e que actuam em Miami contra Cuba, não têm qualquer respeito pela vida humana.


Entre nós, o Comité Português para a Libertação dos Cinco tem desenvolvido uma intensa actividade de esclarecimento por todo o país, representando o sentimento de todos aqueles que são contra as injustiças e que não se resignam a aceitá-las como desígnio inultrapassável.


No próximo mês de Novembro, de 16 a 20 realizar-se-á em Cuba, na cidade de Holguin, o VII Colóquio Internacional pela Libertação dos Cinco, estando prevista a participação de mais de 400 representantes dos cerca de 50 países que já confirmaram a sua presença. Como o Colóquio é aberto à participação individual, todos aqueles que o desejem, têm aqui uma oportunidade e um forte motivo para irem a Cuba.

(Por Celino Cunha Vieira, in Semanário Comércio do Seixal e Sesimbra de 01/07/2011)

quinta-feira, 23 de junho de 2011

COPPELIA



Há 45 anos era inaugurada a mais famosa geladaria de Cuba, a “Coppelia”, situada em Havana na cêntrica avenida 23 esquina a L, frente ao conhecido Hotel “Habana Libre” e perto do emblemático Hotel “Nacional”, vindo ao longo da sua existência a deliciar as várias gerações de “habaneros” que por lá têm passado.

Um dos grandes prazeres da vida que qualquer cubano tem, em qualquer idade, é sem dúvida o poder deliciar-se com um gelado a qualquer hora, quer de dia quer de noite, antes ou depois das refeições, sendo o mesmo considerado um óptimo suplemento alimentar, além de ajudar a suportar o imenso calor que sempre se faz sentir. Diz-se mesmo que é quase impossível que exista algum “habanero” que não tenha uma história ou uma recordação agradável relacionada com esta monumental geladaria.

O conhecido e galardoado filme “Fresa y Chocolate” começa precisamente numa das esplanadas da “Coppelia”, onde os protagonistas se encontram e se conhecem frente a uma bela taça de gelado.

A denominação “Coppelia” foi retirada da obra de ballet clássico de igual nome, estreada em 1870 na Ópera de Paris, tornando-se um dos bailados mais representados e com maior sucesso desde essa altura. Desafiando o passar do tempo, o edifício de dois pisos é uma obra de arte arquitectónica em forma de aranha construída em betão armado, sendo considerado um dos mais belos edifícios da Ilha, conhecida também como a Catedral do Gelado.

No local onde hoje se encontra a “Coppelia” existiu entre 1886 e 1954 o Hospital Rainha Mercedes que foi demolido para dar lugar a um novo Hospital que nunca viria a ser construído, por haver outros projectos para um terreno situado no coração da cidade. É assim que todo o quarteirão é aproveitado para edificar um frondoso jardim com um lago artificial e algumas instalações ligadas à restauração, até que em 1965 se optou pela solução definitiva da “Coppelia”, tendo demorado a sua construção pouco mais de 6 meses.

Terminada a obra nem sequer houve tempo para a cerimónia inaugural, iniciando-se de imediato a venda à gente curiosa que desde logo começou a degustar a grande variedade de deliciosos gelados com uma oferta inicial de 26 sabores. Desde então “Coppelia” tem-se mantido como preferência do público, nacionais e estrangeiros, que mantém a sua capacidade quase lotada para atender cerca de mil pessoas em simultâneo, mas que mesmo assim e em determinadas horas, provoca infindáveis filas de pessoas que não desistem até conseguirem o tão almejado manjar.

Aqui vos deixo mais uma sugestão, esperando que a possam aproveitar numa próxima visita a Cuba.

(Por Celino Cunha Vieira, in Semanário Comércio do Seixal e Sesimbra de 24/06/2011)